Capítulos 1 e 2: Sumário Executivo


- Aglomerados humanos, indústria e infraestrutura



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- Aglomerados humanos, indústria e infraestrutura

Áreas rurais


Nenhum estudo parece indicar efeitos catastróficos ao nível agregado no país. Os efeitos mais sérios surgirão ao nível regional, e estarão concentrados nas regiões mais pobres do Brasil.

Os potenciais cenários climáticos nas próximas décadas fizeram aumentar o interesse, por parte de pesquisadores de diversas áreas, sobre as suas consequências para a economia, saúde, e população em geral. Em particular, destacam-se estudos que procuram associar as mudanças climáticas projetadas até o final do século com a dinâmica econômica, demográfica e de saúde no Brasil, utilizando uma perspectiva regional, de integração de impactos, vulnerabilidades e adaptação em áreas rurais e suas relações com áreas urbanas através de encadeamentos via fluxos de bens econômicos e de pessoas (migrações). Diversas abordagens metodológicas têm sido utilizadas para a análise dos impactos das mudanças climáticas. Uma análise detalhada da literatura nacional sobre o tem mostra alguns pontos de convergência importantes, em termos dos impactos esperados das mudanças climáticas no território nacional.

Inicialmente, todos os estudos com foco na agricultura utilizam os cenários básicos organizados pelo INPE e pela EMBRAPA. Em comum, estudos que se concentraram na região Nordeste do Brasil e estudos com uma abordagem mais ampla para todas as regiões do Brasil mostram que a Região Nordeste, por seu clima, e os estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, pela concentração da produção agrícola em soja seriam afetados em intensidades relevantes em suas economias. As quedas previstas seriam superiores a 5% do PIB para a maior parte dos estados mencionados. Estes resultados sugerem a necessidade de políticas compensatórias para aquelas regiões, como alternativas de renda. Tais políticas passam pela disponibilidade de tecnologia agrícola ou pela diversificação das atividades econômicas, o que exigiria a adaptação da mão-de-obra local e da logística regional.

Os estudos que estenderam a análise para analisar os impactos climáticos dos cenários de mudanças climáticas sobre a migração inter-regional no Brasil apontam para um recrudescimento dos fluxos migratórios na direção da região sudeste do Brasil, cuja intensidade depende, naturalmente, do cenário em questão. Além disso, são fluxos migratórios de trabalhadores de baixa qualificação profissional. Os municípios do Nordeste sofrerão os maiores impactos das mudanças climáticas também apresentam os piores indicadores sociais da região, medidos pelo baixo nível médio de educação, concentração de famílias abaixo da linha de pobreza, maior dependência em relação às transferências governamentais; e baixo acesso a serviços básicos de infraestrutura (água e esgoto).

A despeito dos impactos negativos identificados pelos estudos analisados, nenhum estudo parece indicar efeitos catastróficos ao nível agregado no país. Antes, os efeitos mais sérios surgirão ao nível regional, e estarão concentrados nas regiões mais pobres do Brasil. Os investimentos em estratégias de adaptação a estas mudanças para as populações afetadas serão determinantes para o enfrentamento deste problema.


Áreas Urbanas


Sem a integração de transporte público; abastecimento e proteção de recursos hídricos; produção e distribuição de energia; coleta e deposição de lixo; saneamento; redução da poluição e de gases de efeito estufa; parcelamento do solo, saúde e educação voltados para a questão climática e desastres associados, será muito difícil reverter o quadro crítico em que se encontram as cidades brasileiras e implantar medidas de adaptação.

As cidades brasileiras não foram pensadas nem tampouco estruturadas para atender as necessidades do sistema como um todo, cada ação foi decidida em tempos pretéritos de maneira isolada e desconectada do conjunto, o que levaria a crer que não se trata de um sistema operacionalmente viável. As partes não compreendem o conjunto de funções necessárias para que o sistema funcione apropriadamente.

As cidades brasileiras, de maneira geral, não contemplaram a questão ambiental e as funções dos sistemas naturais dos quais somos dependentes. Sem sistemas eficientemente integrados de transporte público; abastecimento e proteção de recursos hídricos; produção e distribuição de energia; coleta e deposição de lixo; saneamento; redução da poluição e de gases de efeito estufa; parcelamento do solo, saúde e educação voltados para a questão climática e desastres associados, será muito difícil reverter este quadro e implantar medidas de adaptação.

Consequentemente, sem a implementação de medidas de adaptação as cidades não serão resilientes e, pior, se tornarão menos competitivas, pois não estarão capacitadas para um sistema de produção avançado, que supere os desafios impostos pela atualidade. No Quadro 1 são apresentados, os principais impactos na região Metropolitana de São Paulo possíveis de acontecerem até o ano 2090.

Quadro 1: Sumário das projeções climáticas derivadas do modelo regional Eta-CPTEC 40Km para RMSP. Fonte: Nobre et al., 2011a.


Setor Energia


Foram identificadas as diversas formas através das quais as mudanças climáticas podem ter efeitos sobre sistemas energéticos Devido à grande concentração em determinadas fontes de energia, alguns segmentos do setor energético (como hidroeletricidade e biomassa) devem ser melhor investigados para melhorar a base de informações para tomada de decisões de política energética. No que tange à expansão do sistema, opções renováveis vulneráveis às mudanças do clima, como a energia eólica, também devem ser investigadas para que o país possa estar mais apto a conciliar os interesses de redução de emissão de gases de efeito estufa com segurança energética. O desenvolvimento de metodologias para a avaliação de impactos sobre os diversos segmentos do setor energético deve ser incentivado. Isso inclui, também, o uso de uma gama maior de cenários climáticos futuros para que se possa ter maior embasamento na condução de políticas energéticas voltadas para garantir a segurança energética frente às mudanças do clima. Finalmente, deve-se desenvolver, também, a análise dos impactos de eventos climáticos extremos sobre setores de energia.

O setor energético pode ser afetado de diversas formas pelas mudanças do clima, tanto no que diz respeito à base de recursos energéticos e aos processos de transformação, quanto aos aspectos de transporte e consumo de energia. Um número crescente de estudos de impactos de mudanças climáticas sobre o setor energético vem sendo produzido, destacando impactos ao longo de toda a cadeia energética, indo da oferta ­– considerando tanto os recursos energéticos, quanto sua transformação – e transporte ao uso final de energia.

Em termos de oferta, praticamente todas as opções estão expostas a algum grau de vulnerabilidade às mudanças do clima. Em geral, espera-se que as fontes renováveis sejam mais susceptíveis a mudanças do clima, já que seu potencial depende de um fluxo que, em geral, está intimamente ligado às condições climáticas. Esse é o caso da energia hidroelétrica, eólica e de biomassa.

Não obstante, os efeitos de eventos climáticos extremos sobre sua estrutura de produção de fontes fósseis, assim como o acesso a estas, podem ser influenciados pelas mudanças climáticas. A conversão de fontes fósseis em eletricidade através de ciclos térmicos também pode ser afetada na medida em utilizam o ambiente como fonte fria e dependem, geralmente, de água para resfriamento. A disponibilidade (quantidade e qualidade) de água para resfriamento, portanto, representa uma vulnerabilidade para a geração térmica, onde se inclui além das fontes fósseis, a energia nuclear.

A infraestrutura de transporte e transferência de energia pode se estender por milhares de quilômetros, podendo ser, portanto, exposta a uma série de eventos climáticos extremos.

Os impactos de mudanças climáticas não são restritos à oferta de energia. O uso de energia pode também ser influenciado por variações em temperatura e precipitação. Efeitos de mudanças de temperatura decorrentes das mudanças climáticas podem ter impactos sobre o uso de energia para aquecimento ou resfriamento de ambientes. As mudanças climáticas podem afetar a demanda por eletricidade através de uma maior demanda por água, seja no setor industrial (para uso direto e/ou refrigeração) ou na agricultura (para irrigação). Uma maior demanda por água nesses casos implicaria em uma maior demanda de eletricidade para bombeamento de água.

A identificação das vulnerabilidades do setor energético às mudanças climáticas é essencial para a formulação de políticas de adaptação, ao mesmo tempo em que a preocupação com impactos pode afetar a percepção e avaliação das alternativas tecnológicas e a formulação de políticas energéticas em um país.



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