ColecçÃo dois mundos frederick forsyth o punho de deus cmpv tradução livros do brasil lisboa rua dos Caetanos



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Mike Martin viu a marca a giz a 7 de Fevereiro e recolheu a mensagem da caixa de cartas mortas na mesma tarde. Pouco depois da meia-noite, montou o transmissor na barraca e leu-a para a máquina gravadora, que a reduziu à usual "erupção". A seguir ao arábico, juntou a sua própria tradução em inglês e enviou a mensagem às 0.16, hora do seu "espaço" no ar. - Ei-lo -anunciou o radiotelegrafista em Riade. -O Urso Preto está a transmitir. Os quatro homens ensonados que se encontravam na sala contígua acudiram prontamente. Quando finalmente se procedeu à descodificação, Paxman, cujo arábico era melhor que o dos companheiros, informou: Encontrou-o. Jericó diz que o encontrou. Deixe ouvir, Simon -disse Laing. A parte em arábico chegou ao fim e principiou a tradução em inglês. Excitado, Barber desferiu um soco na palma da outra mão. - O tipo conseguiu-o! Pode dar-me uma cópia da mensagem? O técnico rebobinou a gravação, aplicou os auscultadores nos ouvidos e começou a batê-la à máquina. Barber utilizou o telefone da sala para ligar ao quartel-general subterrâneo da CENTAF. Necessitava de falar com determinado homem. Aparentemente, o general Chuck Horner não precisava de dormir muitas horas. Embora ninguém do Comando da Coligação ou do quartel-general da Força Aérea, na Old Airport Road, 352 necessitasse de consagrar muito tempo ao sono, Horner superava todos nesse particular. Tinha o hábito de percorrer as salas da CENTAF a meio da noite, movendo-se dos analistas do Buraco Negro para o Centro de Controlo Aéreo Táctico. Se um telefone perto dele tocava e ninguém acudia a atender, apressava^se a levantar o auscultador, pelo que muitos oficiais da Força Aérea convencidos de que se tratava de um colega descobriam estupefactos e algo embaraçados que falavam com o patrão. Embora fosse um hábito muito democrático, às vezes originava situações desconfortáveis. Certa ocasião, um comandante de esquadrilha, que manteremos imerso no anonimato, telefonou para informar que os seus pilotos eram alvo de intenso fogo de barragem de Triple-A quando seguiam para as suas missões. Não haveria possibilidade de desencorajar os artilheiros iraquianos com uma visita dos bombardeiros pesados, os Buff? O general Horner replicou que tal não era possível, pois os Buff estavam sobrecarregados de trabalho; o outro, porém, insistiu, sem que obtivesse melhor resposta. Por último, exasperado, bradou: - Então, vá para o raio que o parta! Poucos oficiais podem exprimir-se em semelhantes termos a um superior hierárquico e escapar às consequências. Não obstante, não se registou a menor reacção contundente. Foi, pois, aí que Chip Barber o encontrou naquela noite, cerca da uma hora, e reuniram-se no gabinete do general, no seio do complexo subterrâneo, quarenta minutos mais tarde. Chuck Horner leu a transcrição inglesa da mensagem com uma expressão grave. Barber empregara o termo "processador" para anotar algumas passagens, pelo que o texto ficara um pouco confuso. Isto é mais uma das suas deduções de reuniões com homens de negócios da Europa? -acabou por perguntar, secamente. Consideramos a informação fidedigna. O general emitiu um grunhido. À semelhança da maioria dos combatentes, não gostava de perder muito tempo com o mundo subterrâneo, pessoas às quais costumava chamar "fantasmas". Esse suposto alvo está associado àquilo que penso? - insistiu. Consideramo-lo muito importante -assentiu Barber. ;"; Antes de mais, vamos observá-lo minuciosamente.

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Desta vez, foi um 77 de Taif que fez as honras. Tratava-se de uma versão aperfeiçoada do velho U-2, utilizado como compilador de informação multitarefas, capaz de sobrevoar o Iraque fora do campo visual de terra e possuidor de uma tecnologia apropriada para penetrar profundamente nas defesas com imagens de radar e equipamento de escuta. Mas ainda conservava as câmaras fotográficas e às vezes empregavam-no não para uma foto panorâmica, mas para uma missão individual "íntima". E a tarefa de fotografar um alvo conhecido apenas por Al-Qubai constituía o auge da intimidade. Havia um segundo motivo para recorrer ao TR-1 -pode transmitir as suas imagens com prontidão, sem necessidade de esperar que o aparelho regressasse, se procedesse à revelação da película e a fizesse seguir para Riade. Enquanto o TR-1 sobrevoava a faixa do deserto a oeste de Bagdade e a sul da base aérea de Al-Muhammadi, as imagens que "via" apareciam no ecrã de um televisor na cave do Quartel-General da Força Aérea Saudita. Havia cinco homens na sala, entre os quais o técnico que operava a consola e podia, a uma ordem dos outros quatro, ordenar ao modem do computador que "congelasse" a imagem e fornecesse uma cópia para estudo. Chip Barber e Steve Laing achavam-se presentes, tolerados com a sua indumentária civil naquela Meca de maioria militar, enquanto os outros dois eram o coronel Beatty, da USAF, e urp chefe de esquadrilha, Peck, da RAF, ambos peritos de análise de alvos. O motivo das palavras "Al-Qubai" consistia em que era a aldeia mais próxima do alvo, e, como se tratava de uma localidade demasiado pequena para figurar nos mapas, o que interessava aos analistas era a grade de referência e a descrição que a acompanhava. O TR-1 localizou o alvo a poucos quilómetros da grade de referência enviada por Jericó, mas não subsistiam dúvidas quanto à exactidão da descrição, além de que não havia quaisquer outras localidades num largo raio. Os quatro homens viram o alvo surgir gradualmente no ecrã e imobilizar-se, uma vez atingida a nitidez mais perfeita possível. Acto contínuo, o mod&m emitiu uma cópia para estudo. Está aí debaixo? -murmurou Laing. Tem de estar-replicou o coronel Beatty. -Não há nada que se pareça num espaço de muitos quilómetros. Na verdade, Al-Qubai era a fábrica de energia nuclear do programa do Dr. Jaafar. Um engenheiro nuclear britânico observara, uma ocasião, que a sua perícia se compunha de 354 "10 por cento de génio e noventa por cento de canalização". Na realidade, não era só isso. A fábrica de engenharia era o local onde os artífices pegavam no produto dos físicos, cálculos dos matemáticos e computadores e resultados dos químicos e montavam o produto final. Eram os engenheiros nucleares quem convertia o dispositivo num objecto metálico utilizável. O Iraque enterrara a sua fábrica de Al-Qubai inteiramente debaixo do deserto, a mais de vinte e cinco metros de profundidade, e aquilo era apenas o telhado. Sob este último, três pisos de oficinas prolongavam-se para baixo. A habilidade com que tudo fora encoberto justificava o comentário do chefe de esquadrilha Peck, naquele momento: - Os mariolas... Foi o coronel Osman Badri, um jovem génio de engenharia militar iraquiana, o responsável da solução para dispor o vasto complexo, que iludiu os Aliados, com todos os seus aviões--espiões. Observada do ar, Al-Qubai parecia um vasto cemitério de automóveis. Quatro dos montes de veículos enferrujados constituíam estruturas soldadas, sob as quais, tubos provenientes do subsolo sugavam ar puro ou expeliam os gases nocivos por entre as carroçarias retorcidas. A construção principal -aparentemente um barracão-, a oficina de corte, com reservatórios de oxigénio e acetileno dispostos no exterior, ocultava a entrada do poço do elevador. A naturalidade de soldar naquele lugar justificava uma fonte de calor. A estrada de piso irregular explicava-se claramente: destinava-se ao acesso dos camiões que chegavam com veículos inutilizados e partiam com sucata de aço. Todo o sistema fora avistado por AWACS, que registaram uma enorme massa metálica no meio do deserto. Uma divisão de tanques? Um depósito de munições? O que os quatro homens em Riade também não podiam ver era que quatro outras minimontanhas de carroçarias enferrujadas estavam igualmente soldadas, com a configuração interna de cúpulas, mas possuidoras de macacos-hidráulicos. Duas alojavam potentes baterias antiaéreas e as outras duas mísseis SAM, modelos 6, 8 e 9. - É, pois, debaixo disto -articulou Beatty. Enquanto observavam a imagem, entrou em cena um camião longo com carros inutilizados. Dir-se-ia que se deslocava aos solavancos, porque o 77?-/, que voava a vinte e cinco mil 355 metros de altitude, registava "diapositivos" à razão de vários por segundo. Os dois membros dos serviços secretos observaram fascinados, até que o veículo se imobilizou junto do barracão de soldagem. - Aposto que a comida, água e outros tipos de abastecimento estão por baixo das carroçarias que vêm no camião- disse Beatty.-O pior é que nunca conseguiremos arrasar o raio da fábrica. Nem os Buff podem bombardear tão fundo. --Podíamos encerrar os tipos lá em baixo -aventurou Peck.-Destruíamos o poço do elevador e cortávamos-lhes a única saída. Parece-me uma boa ideia -admitiu Beatty.- Quantos dias faltam para a invasão por terra? Doze -informou Barker. -Chegam -volveu Beatty. -Uma vaga de aparelhos, um "gorila", voando a alto nível, guiados por laser. Laing dirigiu um olhar de advertência a Barber, que se apressou a salientar: - Preferíamos uma operação mais discreta. -Uma missão de duas unidades, a baixo nível, com confirmação visual da destruição. ,..,. Seguiu-se um momento de silêncio. Pretendem dizer-nos alguma coisa? -perguntou Beatty. -Como, por exemplo, que Bagdade não deve saber que estamos interessados? Não pode ser da maneira que indiquei? -volveu Laing. -Parece não haver qualquer tipo de defesa. A chave, aqui, consiste na dissimulação. Beatty suspirou. "Enfim, não tenho nada com isso", reflectiu. -Que acha, Joe?-perguntou ao chefe de esquadrilha. Os Tornados podem dar conta do recado -concordou o interpelado. -Com Buccaneer a assinalar o alvo. Seis bombas de quinhentos quilos através da entrada do poço. Aposto que o barracão é de ferro-betão por dentro. Deve conter a explosão satisfatoriamente. Muito bem. -Beatty inclinou a cabeça, satisfeito.- Encarrego-me de obter autorização do general Horner. Quem quer utilizar? -A esquadrilha seiscentos e oito de Maharraq. Conheço o comandante, Phil Curzon. Mando-o chamar? O comandante Philip Curzon tinha a seu cargo doze Tornados Panavia da Real Força Aérea da Esquadrilha 608, na ilha 356 de Bahrain, aonde haviam chegado doze meses atrás, provenientes da sua base em Fallingbostel, Alemanha. Pouco depois do meio-dia de 8 de Fevereiro, recebeu uma ordem que não admitia objecções para se apresentar imediatamente no quartel--general da CENTAF, em Riade. A urgência era de tal ordem que, pouco após a recepção da mensagem, uma ordenança comunicou-lhe que um Huron americano acabava de aterrar, para o levar. - Que diabo estará a acontecer? -articulou para consigo, ao embarcar no pequeno aparelho. Os quatro homens que se haviam reunido para ver as fotografias da missão do TR-1 às dez da manhã, ainda não se tinham retirado. Faltava apenas o técnico. Não necessitavam de mais imagens. As que possuíam achavam-se dispersas em cima da mesa. O chefe de esquadrilha Peck procedeu às apresentações. Steve Laing explicou o que se pretendia e Curzon examinou as fotografias. Não era néscio, de contrário não comandaria uma esquadrilha dos bombardeiros mais dispendiosos de Sua Majestade. Nas primeiras missões de baixo nível com bombas JP-233 contra aeródromos iraquianos, perdera dois aparelhos e quatro excelentes pilotos-dois haviam morrido, enquanto os restantes tinham sido feitos prisioneiros e apresentados na TV do Iraque, com as habituais cenas humilhantes em que as relações públicas de Saddam eram peritas. Porque não se inclui este na lista geral de alvos a destruir? -acabou por perguntar. -Para quê tanta pressa? Vou ser franco -declarou Laing. --Estamos convencidos de que se situa aí o principal e porventura único armazém de gás venenoso de Saddam. Há motivos para supor que se preparam para transferir uma carga importante para as primeiras linhas. Daí a urgência. Beatty e Peck arrebitaram as orelhas. Era a primeira explicação que escutavam para justificar o interesse dos "fantasmas" na fábrica sob o cemitério de veículos. Mas dois aparelhos de ataque?-persistiu Curzon.- Só? isso é próprio de uma missão de prioridade extremamente baixa. Que direi à minha tripulação? Fica desde já assente que não lhe quero mentir. Não há necessidade, nem eu o toleraria -asseverou Laing. -Limite-se a dizer a verdade. O reconhecimento aéreo revelou movimentação de camiões no local. Os analistas crêem tratar-se de veículos militares e concluíram que o aparente 357 cemitério de sucata encobre um depósito de munições. Em especial, no interior do barracão central. Por conseguinte, é esse o alvo. Quanto à missão de baixo nível, não há mísseis nem Triple-A, como pode ver. Isso é verdade? Juro-o. Então, para quê a intenção bem clara de que, se algum dos meus homens for abatido e interrogado, Bagdade não se deve inteirar da origem da informação? Acreditam na história do camião militar tanto como eu, meus senhores. O coronel Beatty e o chefe de esquadrilha Peck entreolharam-se. O homem não se deixava iludir com facilidade. Diga-lhe, Chip-indicou Laing,, resignado. Muito bem. Mas o que lhe vou revelar é só para os seus ouvidos, hem? O resto corresponde inteiramente à verdade. Temos um transfuga. Nos Estados Unidos. Transferiu-se para lá antes da guerra, para terminar um curso superior. Agora, apaixonou-se por uma moça americana e quer ficar. Durante os interrogatórios do pessoal da Imigração, veio à baila algo de importante que nos foi transmitido. Por alguém da CIA?-inquiriu Curzon. Exacto. Estabelecemos um acordo com o tipo. Obtém o cartão verde, se nos ajudar. Quando esteve no Iraque com a Engenharia do exército, participou em alguns projectos secretos. Agora, quer divulgar o que sabe. Pronto, ficou inteirado. Uma última pergunta. Se o homem se encontra nos Estados Unidos em segurança, para quê a necessidade de iludir Bagdade? Há -outros alvos que ele nos está a revelar. Levará algum tempo, mas talvez lhe arranquemos cerca de duas dezenas. Se alertarmos Bagdade de que ele canta como um canário, os iraquianos transferem o material para locais desconhecidos durante a noite. Levantou-se e recolheu as fotografias, cada uma das quais, a um lado, continha a grade de referência no mapa. - Está bem. Amanhã, ao alvorecer. Pouco depois o barracão terá deixado de existir. -E retirou-se. Durante a viagem de regresso, ponderou o que acabavam de lhe ordenar. Algo lhe segredava que cheirava fortemente a esturro. No entanto, as explicações eram perfeitamente plausíveis. Não mentiria aos seus homens, mas fora proibido de revelar toda a verdade. A faceta animadora da situação consistia em que o alvo se baseava na dissimulação e não na protecção. Assim, eles deveriam regressar incólumes. E já sabia quem dirigiria as operações. O chefe de esquadrilha Lofty Williamson refastelava-se ao sol do entardecer numa cadeira de lona, quando o mandaram chamar. Lia a última edição do World Air Power Journal, a bíblia do piloto de combate, e contrariava-o ser arrancado de um bem fundamentado artigo sobre um dos "caças" iraquianos que se lhe poderia deparar pela frente. O comandante encontrava-se no seu gabinete, com as fotografias espalhadas na sua frente, e, ao longo de uma hora, explicou ao chefe de esquadrilha o que se pretendia. -Disporão de dois Bucks para lhes marcarem o alvo, pelo que poderão executar o trabalho e bater em retirada antes que os infiéis compreendam o que aconteceu. Williamson procurou o seu navegador, que os americanos conhecem por wizzo, o qual, hoje em dia não se limita a navegar, pois tem a seu cargo a electrónica e os sistemas de armas. O tenente Sid Blair gozava da reputação de conseguir localizar uma lata de sardinhas no Sara, se necessitasse de ser bombardeada. Os dois homens, coadjuvados pelo técnico das Operações, estabeleceram a rota da missão. A localização exacta do cemitério de veículos foi determinada, com auxílio da grade de referência, nos mapas, que tinham uma escala de 1/50000. O piloto deixou bem claro que queria atacar do leste no momento exacto do nascer-do-Sol, para que os artilheiros tivessem a luz pela frente, enquanto ele veria o alvo com a maior clareza. Blair insistiu em que pretendia um ponto de referência inconfundível para proceder a pequenos ajustamentos de última hora no seu determinador de rota. Descobriram, a vinte quilómetros do alvo na direcção leste, um mastro de rádio precisamente a mil e seiscentos metros da recta final. O facto de a operação se desenrolar ao alvorecer proporcionava-lhes o Tempo sobre o Alvo, ou TOT (47), de que necessitavam. A razão pela qual o TOT deve de ser mantido exacto com a aproximação de segundos estabelece a diferença entre o êxito e o desaire. Se o primeiro piloto se atrasa, nem que seja um simples segundo, o colega que o segue pode ser atingido pela explosão das bombas que o outro lançou. Pior ainda: o primeiro piloto terá um torpedo atrás de si à velocidade de cerca de quinze quilómetros por segundo -facto pouco tranquilizador. Finalmente, se o primeiro chega demasiado cedo ou o segundo demasiado tarde, os artilheiros em terra têm tempo de acordar e fazer pontaria. Por conseguinte, o segundo H Time on Target (N. do T.) 359 "entra" no momento em que os estilhaços das primeiras explosões se extinguem. Williamson recorreu aos companheiros habituais, dois jovens tenentes, Peter Johns e Nicky Tyne. O momento exacto em que o Sol despontaria acima das pequenas colinas a nascente do alvo foi calculado para as 7.08 e o ataque para 270 graus oeste. Tinham sido escolhidos dois Buccaneers da Esquadrilha Número 12, com base também em Maharraq. Williamson trocaria as últimas impressões com os seus pilotos pela manhã. Os armeiros receberam instruções para embarcar três bombas de quinhentos quilogramas equipadas com nariz de orientação por laser PAVEWAY. Os quatro tripulantes jantaram às oito e foram-se deitar, para serem acordados às três da madrugada. Era ainda noite cerrada quando apareceu uma carrinha nas instalações do pessoal da Esquadrilha 608 para levar os quatro tripulantes. Os Buccaneers só tinham chegado ao Golfo uma semana atrás, depois de inicialmente se dizer que não eram necessários. Desde então, haviam provado sobejamente a sua utilidade. Na sua essência destruidora de submarinos, os Buck estavam mais acostumados a frequentar as águas do Mar do Norte à procura de submersíveis soviéticos, mas também se adaptavam às condições do deserto. A sua especialidade consiste no voo a baixa altitude. A principal razão do seu aparecimento no Golfo consistia nas baixas importantes sofridas nos primeiros tempos pelos Tornados nas suas missões de ultrabaixa altitude iniciais. Actuando sós, tinham de largar as bombas e segui-las até ao alvo, mesmo no coração dos TripJe-A. Mas quando trabalhavam em conjunto com os Buccaneers, as bombas dos Tornados levavam o nariz cónico PAVEWAY de busca de laser, enquanto os Buck transportavam e utilizavam o transmissor laser, denominado PAVESPIKE. Deslocando-se acima e atrás do Tornado, o Buck podia "marcar" o alvo, deixando-o largar a bomba, e afastar-se do local sem perda de um segundo. Além disso, o Buck tinha o PAVESPIKE montado num balanceiro estabilizado giroscopicamente nas suas entranhas, pelo que também podia oscilar, enquanto mantinha o feixe laser fixo no alvo até que a bomba o atingia. Depois de devidamente equipados e como ainda faltavam duas horas para a descolagem, William, na sua qualidade de comandante da missão, transmitiu as últimas instruções aos companheiros. : 360 Em seguida, tomaram café e ocuparam-se da derradeira fase dos preparativos. Cada um deles muniu-se de uma pequena Walther PPK carregada, para a eventualidade de terem de pousar no deserto e serem atacados pelos iraquianos. Também levavam mil libras em soberanos de ouro de cinco e a "folha de trampa". Este notável documento foi apresentado no Golfo aos americanos, porém os ingleses entendiam-no perfeitamente, sobretudo porque permaneciam naquela área desde os anos vinte. A "folha de trampa" é uma carta em arábico e seis tipos de dialecto beduínico do seguinte teor: Prezado senhor beduíno: o portador deste documento é um oficial britânico. Se o devolver à patrulha inglesa mais próxima, completo com os testículos, de preferência no lugar ortodoxo e não na boca, receberá a recompensa de cinco mil libras de ouro. Às vezes, funcionava. Os uniformes de voo dispunham de chapas reflectoras nos ombros susceptíveis de serem detectadas por uma equipa de salvamento, se o piloto tivesse de descer no deserto.

. Após o café, havia a esterilização, que não era tão radical ou desconfortável como o nome pode sugerir. Eram removidos todos os anéis, cigarros, isqueiros, cartas, fotos da família; numa palavra, tudo o que pudesse proporcionar a um interrogador uma "alavanca" sobre a personalidade do prisioneiro. A operação achava-se a cargo de um membro feminino da aviação, mas por sorte fora enfermeira e aceitou o encargo com boa disposição. Por último, os quatro homens subiram para bordo. A primeira tarefa consistia em se instalarem nos lugares com suficiente liberdade de movimentos para poderem utilizar o rádio. Em seguida, Williamson ligou o motor à sua direita e o Rolls-Royce RB-199 começou a uivar suavemente. Depois, o da esquerda. Finalmente, os quatro aparelhos descolaram em direcção ao local onde a fonte de abastecimento, o Victor da Esquadrilha 55, os aguardava, algures sobre a fronteira saudita com o Iraque. Graças ao radar, localizaram-no na escuridão, aproximaram-se e procederam à delicada operação do abastecimento em voo. Até aí, tinham consumido a terça parte do conteúdo dos respectivos depósitos. A seguir, afastaram-se para o interior do deserto. Os navegadores estabeleceram a primeira de três rotas diferentes, com dois pontos de regresso, que os conduziriam ao Ponto Inicial de leste. Quando voavam a uma altitude mais 361 elevada, tinham vislumbrado o Sol nascente, mas agora, sobre o deserto, e voando mais baixo, imperavam as trevas. Williamson voava com o auxílio do TIALD, Thermal Imaging and Laser Designator f48), dispositivo produzido numa fábrica de biscoitos convertida em Edimburgo. Tratava-se de uma combinação de uma câmara de TV de ultra-alta definição com um sensor térmico de raios infravermelhos. Graças a ele, os pilotos podiam ver tudo à sua frente -rochas, despenhadeiros e elevações, como se emitissem um clarão. Pouco antes do nascer-do-Sol, Sid Blair avistou o mastro de rádio e indicou ao seu piloto que corrigisse o rumo num grau. Williamson acertou os comandos das bombas para a posição "escravo" e volveu o olhar para o seu Mostrador Elevado, o qual indicava os quilómetros e segundos que faltavam para o momento do lançamento. Encontrava-se então a trinta metros de altitude, sobre terreno plano. O Sol surgiu acima das colinas e os primeiros raios projectaram-se no areal, e expuseram o alvo, a dez quilómetros. Ele viu o brilho metálico dos montes de carroçarias enferrujadas, com o barracão no centro e a larga porta voltada para o seu lado. Os Buck achavam-se a trinta metros de altitude e dois quilómetros atrás. -Estou a marcar. informou o navegador do primeiro Buck. O seu feixe de laser fixou-se no meio da porta do barracão. A cinco quilómetros, Williamson iniciou a ascensão, apon tando o nariz do aparelho para cima e suprimindo a sua visão do alvo. Não fazia diferença, porque a tecnologia se incumbiria do resto. A cem metros, recebeu indicação para soltar a carga. Acto contínuo, premiu o respectivo comando e as três bombas de quinhentos quilogramas partiram velozmente. Com o aparelho mais leve, ele elevou-se rapidamente para trezentos metros. .: Como tinha uma câmara de TV no ventre do seu aparelho, o navegador do Buccaneer pôde ver o impacto das bombas mesmo no centro da porta do barracão. Toda a área em redor se dissolveu num lençol de chamas e fumo, ao mesmo tempo que uma coluna de pó se erguia quase na vertical. Quando começava a pousar, Peter Johns, no segundo Tornado, avançava para o local, trinta segundos após o aparelho do comandante da missão. (") indicador de Imagem Térmica e Laser. (N. do T.) 362 O navegador do Buck não viu apenas isso. Achavam-se presentes armas. " - Eles têm Triple-A!-exclamou. O segundo Tornado começava a elevar-se. O segundo Buccaneer assistiu a tudo. O barracão desintegrara-se com o impacto das primeiras três bombas, para revelar uma estrutura retorcida. Mas havia canhões antiaéreos entre os montes de sucata. Bombas despachadas! -anunciou Johns, e fez o Tornado descrever uma curva rápida. O seu Buccaneer também, se afastava do alvo, porém o PAVESPIKE do seu ventre mantinha o feixe no que restava do barracão. Impacto! -bradou o navegador do Buck. Registou-se um clarão de disparos entre a sucata. Dois mísseis SAM partiram no encalço do Tornado. Williamson regressara aos trinta metros sobre o deserto, mas rumava no sentido contrário, em direcção ao Sol, agora bem acima do horizonte. De súbito, ouviu a voz de Peter Johns: - Fomos atingidos! Atrás dele, Jim Blair mantinha-se silencioso. Praguejando de cólera, Williamson tornou a alterar o rumo, esperançado em manter os artilheiros iraquianos em respeito com o seu canhão. No entanto, chegou demasiado tarde. Ouviu um dos Buck dizer "Os tipos têm mísseis" e avistou o Tornado de Johns, que tentava ganhar altitude, expelindo fumo de um motor, após o que o piloto de vinte e cinco anos anunciou: - Vou descer... ejectar-me... Não havia nada mais a fazer. Nas primeiras missões, os Buck costumavam acompanhar os Tornados "a casa". Entretanto, chegara-se ao consenso de que o podiam fazer sem companhia. Em silêncio. Os dois marcadores de alvos fizeram o melhor possível o que deviam fazer. Pousaram os ventres no deserto sob o sol matinal e conservaram-nos lá. Williamson dominava a custo a indignação, convencido de que lhe tinham mentido. Não fora o caso, pois ninguém estava ao corrente da existência de Triple-A e mísseis ocultos em Al-Oubai. A altitude elevada, um TR-1 enviou imagens da destruição para Riade. Uma Sentinela E-3 captara as palavras trocadas no espaço e comunicou a Riade que tinham perdido a tripulação de um Tornado. Williamson regressou só, para apresentar o relatório e descarregar a ira nos selectores do alvo em Riade. 363 Sob o quartel-general da CENTAF na Old Airport Road, a satisfação de Steve Laing e Chip Barber pelo facto de o Punho de Deus ter ficado sepultado no ventre em que fora criado achava-se atenuada pela perda dos dois jovens. Os Buccaneer, que se deslocavam em voo rasante através do deserto ao sul do Iraque, a caminho da fronteira, encontraram um grupo de camelos de beduínos a pastar, o que proporcionou aos pilotos um dilema delicado: contorná-los ou voar por baixo.

364 CAPÍTULO 19 .;,


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