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Família Fortune Texas – O encontro

Envolvidos pela Lei Peggy Moreland







Peggy Moreland

ENVOLVIDOS PELA LEI

DESTINOS 27

Família Fortune Texas: O Encontro 03

Digitalização: Anne Medina

Revisão: Cássia

Quando o corpo de um rapaz aparece no rancho de Ryan Fortune, todos ficam surpresos por ele ter a marca de nascença dos Fortune.

Antes que a detetive Andrea Matthews comece a investigar o caso, ela tem que convencer o seu atraente parceiro, Gabe Thunderhawk, a se concentrar no trabalho em equipe. A parceria é complicada porque suas personalidades opostas se misturam com algo mais volátil: o desejo. Nesse trabalho, não há espaço para brincar com as leis da atração. Especialmente, quando amantes podem ser rivais disfarçados.

Caro leitor,

Escrever é um desafio, e muito maior quando se escreve uma série com mais de dez autores!

Fatos precisam ser averiguados, datas, linhas do tempo tem de estar coordenados. Mas que diversão é trabalhar com um grupo de escritoras tão talentosas!

Normalmente, os heróis sobre os quais escrevo são fazendeiros ou caubóis e mulheres que roubam seus corações. Escrever sobre um policial, que também é um índio americano, requer muita pesquisa. Descobri que policiais indígenas não são assim tão diferentes dos meus caubóis. Ambos representam homens íntegros, prontos para lutar pelo que acreditam e pelas pessoas que amam. O que mais uma mulher poderia querer em um homem?

Espero que goste de ler a minha contribuição para a série Fortune do Texas: O Encontro, e que se divirta com as aventuras românticas de Gabe Thunderhawk e Andrea Matthew. Espero também que goste dessa visita a minha terra natal, o estado do Texas, onde você encontra romance logo ali na curva da estrada.



Todos os direitos reservados. Proibida a reprodução, o armazena­mento ou a transmissão, no todo ou em parte, através de quaisquer meios.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer seme­lhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência.

Impressão:

RR DONNELLEY MOORE Tel.: (55 11) 2148-3500 www.rrdonnelley.com.br

Distribuição exclusiva para bancas de jornais e revistas de todo Brasil:

Fernando Chinaglia Distribuidora S/A Rua Teodoro da Silva, 907

Grajaú, Rio de Janeiro, RJ - 20563-900 Te!.: (55 21) 3879-7766

Editora HR Ltda.

Rua Argentina, 171,4° andar

São Cristóvão, Rio de Janeiro, RJ - 20921-380

Correspondências para:

Caixa Postal 8516

Rio de Janeiro, RJ - 20220-971

Aos cuidados de Virginia Rivera virginia.rivera@harlequinbooks.com.br

Prólogo

O brilho do sol do meio-dia e a falta de ventos trans­formaram o Lago Mondo em um espelho. A sua super­fície refletia as árvores e as pedras que se alinhavam à sua margem. Um píer velho de madeira se estendia so­bre a água. Num dia comum, nadadores e pescadores disputariam um espaço naquela plataforma e na mar­gem do lago. Mas hoje ambos, o píer e a margem, esta­vam vazios... Exceto por um corpo solitário, deitado de bruços e coberto por um lençol branco.

A fita amarela da polícia cercava uma grande porção da área em torno do píer. Os poucos policiais permiti­dos dentro da área demarcada se aglomeravam em um pequeno grupo, enquanto assistiam ao fotógrafo poli­cial registrar a cena com sua câmera digital.

Analisando a área rapidamente, ao aproximar-se, a de­tetive Andrea Matthews passou por debaixo da fita e foi direto ao cadáver. O cheiro era a primeira pista de que não se tratava de um afogamento recente.

Pelo canto do olho, viu o oficial de polícia de Red Rock, Gabe Thunderhawk, se aproximar. Ele parou na frente dela, com as mãos na cintura, bloqueando sua visão. Tinha uns dez centímetros a mais de altura do que ela. E, mesmo sendo muito charmoso muito mais agradável de olhar do que um cadáver, ela ti­nha trabalho a fazer. Não estava interessada em dis­cutir quem estava no comando da investigação.

Esperando evitar uma discussão, ela levantou o rosto, indicando o cadáver atrás dele.

- Parece que temos um flutuante aqui - disse ela. Ele olhou por sobre os ombros, voltando a olhar para ela.

- Boa dedução, detetive.

Em vez de responder, ela passou por ele, tentan­do ignorá-lo.

Ele voltou a bloqueá-la.

- Não precisa se preocupar com esse aí. Está tudo sob controle.

Já perdendo a paciência, ela disse.

- Você sabe muito bem que quando existe um ca­dáver envolvido, é o meu trabalho investigar. Ou vo­cê ajuda na investigação, ou saia já do meu cami­nho, pois pretendo fazer o meu trabalho com ou sem a sua cooperação.

Ele ficou parado olhando para ela por alguns se­gundos, fazendo-a pensar que ofereceria algum tipo de resistência e finalmente saiu do caminho.

Andrea tirou uma máscara do bolso do seu paletó e fez sinal para o fotógrafo policial antes de colocá-la. Com o olhar fixo no cadáver, calçou as luvas de borracha e agachou-se próxima ao corpo. Com cuidado para não prejudicar alguma prova, levantou o lençol para ver o rosto da vítima. Ao encontrá-la de bruços, abaixou o lençol.

- Ajude-me a virá-lo - disse ela a Gabe. Mantendo o lençol no lugar, rolaram o corpo e deixaram-no deitado de barriga para cima. Então Andrea levantou o lençol mais uma vez. Ela teve que segurar a náusea, mesmo não sendo a pri­meira vez que lidava com afogamentos. A vítima estava de olhos abertos e com o rosto inchado e distorcido. A pele tinha uma cor azulada e apre­sentava pequenas mordidas de peixes ou outros predadores que encontrara durante o tempo em que ficara na água.

Havia também o que parecia ser um furo provo­cado por tiro entre seus olhos.

Ciente de que Gabe a observava, tentando ver a sua reação, ela se recompôs e cobriu o rosto do ca­dáver. Andrea removeu sua máscara e levantou-se, encarando o oficial de polícia.

- Então, o que você tem?

- O guia de pesca telefonou para o 911 há mais ou menos uma hora dizendo que encontrara o corpo. Está sentado no banco de trás da minha pa­trulha. Ainda está bastante impressionado.

- Imaginaria que sim. - Ela deu uma volta em torno do corpo, examinando-o de ângulos difer­entes. - Alguma identificação?

- Olhei os bolsos. Sem carteira ou qualquer tipo de identificação, mas notei uma espécie de marca de nascença na cintura da vítima. Parece que temos um joão-ninguém.

- O relatório do legista detalhará e identificará to­da e qualquer marca. -Ela se agachou próxima ao corpo de novo e removeu o lençol da parte inferior do cadáver. - Ele não estava vestido para pescar ou para nadar - comentou ela, ao olhar a calça social que ele vestia.

- Julgando pelos três buracos na cabeça dele, eu diria que sua visita nesse lago não foi recreativa.

Ela virou o olhar para Gabe, confusa. -Três?

- O projétil entrou aqui, aqui e aqui - disse ele apontando para cada buraco. - Não sou nenhum pe­rito, mas tudo leva a crer que ele estava morto antes de cair na água.

Irritada consigo mesma por ele ter encontrado três furos de bala, onde ela só vira um, ela olhou mais uma vez para o cadáver. Franzindo a testa, abaixou lençol lentamente e levantou-se.

- O médico legista já esteve aqui?

- Já, veio e saiu há uma meia hora. Partiu logo que o declarou morto. Quando o fotógrafo termi­nar, levaremos o corpo até o laboratório para uma autópsia.

- Passarei lá para recolher as descobertas preli­minares do legista.

- Planejo fazer o mesmo. Quer uma carona? Po­demos jantar depois.

- Você nunca desiste, Thunderhawk?

- Eu pareço alguém que desiste fácil?

- Estamos prontos para levar?

Surpresa com a voz do chefe de polícia, Prater, ela olhou para trás e o viu caminhando em direção a eles. Como de costume, tinha um charuto apagado na boca. Parara de fumar há cinco anos, mas recusa­va-se a largar os seus charutos por completo.

- Transportaremos assim que o fotógrafo termi­nar - respondeu ela, olhando para ele com curiosi­dade. - O que faz por aqui? Em geral, você não visi­ta cenas de crime.

- Recebi um telefonema do médico-legista. Ele disse que a vítima tem uma marca de nascença pe­culiar. A forma de uma coroa na cintura direita, a mesma de Ryan Fortune.

Andi conhecia o rico Fortune e o seu trabalho filantrópico para diversas instituições de caridade no estado do Texas. Ela olhou de volta para o cadá­ver, confusa.

- Você está dizendo que esse aí é Ryan Fortune?

- Não, estou dizendo que essa marca de nascença é a marca registrada dos Fortune, o que sig­nifica que ele é provavelmente algum parente. ­Ele olhou para Gabe. - Quero você nesse caso com Andi.

Andi arregalou os olhos em alarme.

- Leo e eu damos conta disso. Não precisamos da ajuda de Gabe.

O chefe arrancou o charuto da boca e fechou os lábios numa expressão severa.

- Leo não dará conta de nada por um bom tempo - disse o chefe de polícia.

Um nó de pavor se revirou nas entranhas dela.

- Mas... Por quê? Alguma coisa aconteceu com ele? - disse Andrea.

Ele bateu o dedo contra o peito.

- Ataque do coração. Aconteceu hoje de manhã.

A esposa disse que foi entupimento arterial. Vai pre­cisar de quatro pontes de safena. Ficará de licença médica por pelo menos um mês. Talvez mais.

Sem palavras, Andi apenas olhava para o seu che­fe, a preocupação com Leo impedia-lhe de pensar em qualquer outra coisa. Trabalharam juntos por nove anos. Leo era como um pai para ela!

Ela se recompôs, tentando afastar o medo e as lembranças do ataque do coração de seu pai que resultara em morte.

- Ele ficará bem? - perguntou ela, sentindo um enorme desconforto.

O chefe deu de ombros.

- Se ele se cuidar e seguir as ordens dos médicos, sim. Ele cerrou os olhos ao olhar para ela. - Mas até que ele volte, Gabe trabalhará com você. Entendido?

Mesmo querendo discutir e implorar ao chefe para designar outro parceiro, qualquer pessoa menos Thunderhawk, ela concordou.

- O que você disser, chefe.

Ele pôs o charuto apagado entre os dentes mais uma vez, deu outra olhada na cena do crime e disse:

- Parece que vocês já fizeram tudo o que podiam aqui. Vão até o rancho e informem Ryan Fortune do ocorrido. Depois o levem até o necrotério para ver se ele identifica o corpo.

- Acha mesmo que a nossa vítima aqui é um For­tune? - perguntou Andrea, incrédula.

- Até que alguém me prove o contrário, é exata­mente o que penso.



Capítulo 1

Andi Matthews estava acostumada com assas­sinatos. Ela passara todo o tempo na faculdade es­tudando o perfil de assassinos e aperfeiçoando os procedimentos para recolher provas necessárias para conseguir condenações. Nos últimos nove anos, tem trabalhado para o Departamento de Polícia de Red Rock, investigando pessoalmente cerca de cin­qüenta assassinatos e prendendo quase o mesmo número de criminosos. Conhecia bem a mente de um assassino, sabia o que o motivava a matar e que erros cometiam para que fosse pego.

Mas ela mesma nunca pensara em praticar um assassinato. Até hoje.

No momento em que o chefe de polícia desig­nou Gabe Thunderhawk para trabalhar com ela na identificação do corpo do Fortune Perdido - essa fora a identificação provisória dada ao corpo encontrado no Lago Mondo -, sabia que estava numa encrenca. Todos na força policial tinham conheci­mento de que Gabe queria uma promoção para dete­tive, e aquela era a chance perfeita para ele provar que estava capacitado para realizar o trabalho.

Andrea entendia a importância desse caso para a carreira de Gabe. Resolver um caso envolvendo um membro da família Fortune traria muita publi­cidade e notoriedade para ele.

Mas entender suas razões não significava acei­tar o seu comportamento. Não na opinião de Andi. Ela era a detetive principal nesse caso. Estava can­sada de vê-lo trabalhar independentemente dela. Deveriam ser parceiros, um time, um fato que ela o lembraria no momento em que ele chegasse... Se chegasse.

Parou em frente à delegacia, arregaçou a manga do paletó e olhou para o relógio. Ele estava atrasa­do trinta minutos.

- Uh, Thunderhawk - resmungou ela -, o que você está aprontando agora?

Ao pensar nas possibilidades, lembrou-se que no dia anterior mencionara que eles deviam inter­rogar o guia de pesca novamente. Imaginando que Gabe fora fazer o serviço sozinho, caminhou em direção ao seu Ford sedã.

Durante a viagem de vinte minutos até o Lago Mondo, teve tempo suficiente para ficar muito irritada com Gabe. Quando chegou a Hook'n Go, a loja de pesca onde o guia de pesca passava a maior parte do tempo, viu o carro de Gabe esta­cionado ao lado. Preparada para confrontá-lo, pelo seu comportamento traiçoeiro, encostou-se em seu carro, com os braços cruzados e o esperou.

Momentos depois, a porta da loja se abriu e Ga­be apareceu. Sem perceber a presença dela, ele parou na porta, ainda conversando com alguém na loja. Ele não pareceu estar com pressa, o que a dei­xou ainda mais nervosa, tendo em vista que a fi­zera esperar por quase uma hora. Gabe nunca pare­cia estar com pressa, fato que seus colegas de tra­balho atribuíam a sua herança nativo-americana. Essa mesma herança era evidente no formato do seu rosto, na cor bronzeada de sua pele, nos seus cabelos e olhos negros. A maioria das mulheres o considerava lindo de morrer. Em outra ocasião, Andi concordaria.

Hoje, ela o considerava um estorvo além da conta. - Agradeço pelo seu tempo - ela o ouviu dizer para a pessoa na loja ao sair. - Se você se lembrar de algo, tem o meu cartão. - O som da porta se fe­chando foi seguido pelo arrastar de suas botas pela velha escada de madeira no caminho para a cami­nhonete.

Quando viu Andi, ele desacelerou o passo, continuando a andar, com uma expressão surpresa. - O que está fazendo aqui? - perguntou ele. -­ Pensei que nos encontraríamos na estação.

- Oh, é verdade - respondeu ela, afastando-se do carro e apontando o dedo no nariz dele. - Escute aqui, Thunderhawk. Goste você ou não, sou a responsável por essa investigação, e nada é feito sem a minha presença ou o meu conhecimento, in­clusive entrevistar pessoas envolvidas no caso.

Ele levantou a mão.

- Ei, espere aí, foi você quem disse que devía­mos falar com o guia de pesca novamente.

- Sim. Mas nós não falamos com ele, você fa­lou, e depois de ouvir repetidas vezes que trabalha­ríamos como um time. - Ela cerrou os olhos. ­Estou lhe avisando. Gabe, se continuar a não res­peitar a minha autoridade, vou pedir a sua saída desse caso.

- Qual é a sua? Você age como se eu estivesse aprontando nas suas costas.

- E não está?

- Só estava tentando economizar o nosso tempo.

- E como pretende fazer isso, enquanto eu fico parada por quase uma hora esperando por você?

- Eu moro a alguns quilômetros daqui. Achei melhor parar, interrogar o guia e encontrar você na estação para reportar minhas descobertas. Não é culpa minha que o guia é um tagarela.

Mesmo que a explicação dele fizesse sentido, ela não confiava nele. Nem por um minuto. Essa não foi a primeira vez que ele saía sozinho sem discutir seus planos com ela. Mas continuar a dis­cutir a insubordinação dele seria improdutivo e um desperdício do tempo dela.

Ela soltou a respiração e, com isso, também um pouco de sua raiva.

- Tudo bem - disse ela. - Mas da próxima vez me consulte primeiro ou juro que farei uma reclamação com o chefe.

- Ok.


Determinada a concentrar seus esforços na in­vestigação, e não na irritação com o seu parceiro, ela perguntou:

- O guia tinha algo de novo para lhe dizer?

- A mesma história que contou no dia em que encontrou o corpo - respondeu ele.

Ela não esperava que o guia se lembrasse de algo novo. Mas depois de dois meses sem pistas novas, a única esperança era voltar no tempo e ver se encon­travam algo que deixaram passar da primeira vez.

Frustrada pela falta de provas, ela franziu a testa, olhando para o lago que regurgitara o corpo do Fortune Perdido, levando o seu corpo até a mar­gem. Por causa do vento que soprava do sudoeste, a superfície do lago estava ondulada. Nenhum barco de pesca ou de lazer à vista. Uma gaivota so­litária voava baixo próxima à água, em busca de sua próxima refeição. A margem do lago estava va­zia, ninguém por perto, mas cheia de lixo. Latas de alumínio, sacolas de plástico e um pedaço de corda sintética, provavelmente descartada por alguma lan­cha de esqui.

Ao olhar uma onda levar o lixo do lago para a margem, ela teve uma idéia.

- Como estava o tempo no dia anterior ao dia em que o corpo foi encontrado?

- Como vou saber isso? - respondeu ele impa­ciente.

- Se descobrirmos em que direção o vento so­prava, poderemos apontar a área onde o corpo foi jogado.

- É - disse ele -, e se tivéssemos uma bola de cristal poderíamos descobrir quem jogou o corpo.

- Você tem uma idéia melhor? - disse ela irritada. Ele se virou e começou a andar.

- Aonde você vai? - perguntou ela.

- Lá dentro - disse ele. - Aposto que o dono da loja mantém um diário com anotações sobre o tempo.

Com inveja por não ter pensado nisso, viu Ga­be andar em direção à loja e desejou ter mantido os olhos no lago. Ao ver as costas dele, lembrou-­se de uma conversa que ouviu no vestiário femi­nino naquela manhã. Várias moças decidiram que Gabe merecia o prêmio do “Bumbum mais Bo­nito da Força Policial”. Ela escorregou o olhar para a cintura dele. Mesmo sem comentar o as­sunto, teve que concordar. Ele tinha mesmo um belo bumbum.

Infelizmente, esta não era sua única parte do corpo que ressaltava. Tinha os ombros lar­gos, cintura fina, peito, braços e pernas mus­culosas. Era o único homem que ela conhecia que podia fazer um uniforme cáqui da corporação parecer um traje Armani feito por encomenda.

Era uma pena que ele deixasse seus atributos físicos subirem à cabeça. Tinha um ego do tamanho do Texas e era um playboy de carteirinha. Duas características que, na opinião dela, anulavam seus pontos positivos.

Suspirando, ela tornou a olhar para o lago e es­perou. Para passar o tempo, contou as ondas que chegavam à margem.

- O vento vinha do noroeste - disse Gabe mo­mentos depois. - A uma velocidade de até 115 qui­lômetros por hora.

Ela olhou para o sol, procurando um ponto de referência, e depois para a água, em direção ao qua­drante noroeste do lago.

- Você sabe o que há ali?

- Algumas casas, uma rampa pública para barcos e acres de terra nativa.

- Começaremos pela rampa - disse ela.

- Podemos ir na minha caminhonete - disse ele.

- De jeito nenhum. Dou muito valor à minha vida para entrar num veículo com você ao volante.

- Ei - disse ele, soando insultado -, não há nada de errado com a maneira que dirijo. - Ele parou ao lado da sua caminhonete e abriu a porta do carona. - Além disso, a minha caminhonete tem tração nas quatro rodas. Dependendo de onde quiser explorar, podemos precisar dela.

Ela hesitou por um momento, suspirou e entrou, sabendo que ele estava certo.

- Sem correria - disse ela. - E nada daqueles cento e oitenta que eles ensinam na academia de polícia.

Ele sorriu, virou o volante e pisou no acele­rador. Cantando pneus, partiram na direção opos­ta. Andi se segurou e desejou matá-lo mais tarde.

Quando chegaram à junção da rampa, seus dedos doíam e seus pés queimavam de tanto apertar o freio imaginário no piso do carro. Felizmente, a estrada que levava à rampa estava cheia de buracos, o que o forçou a diminuir a velocidade. Era também cerca­da de arbustos altos e árvores, perfeito para quem quisesse esconder algo ou alguém. Ao se aproxi­marem do lago, a estrada se alargou, abrindo espaço para estacionar em ambos os lados de um longo e velho píer.

Logo que ele parou o carro, Andi abriu a porta e desceu.

- Da próxima vez eu dirijo - disse ela, irritada. Gabe encontrou-a perto do capô.

- Você não deveria ter dito aquilo sobre o meu modo de dirigir. Foi como um desafio. E nunca consegui fugir de um.

- Lembrarei disso - disse ela, arregaçando as mangas, pronta para começar a trabalhar. - Ok. É assim que vai ser. Assumiremos que o assassinato aconteceu longe do lago.

- Alguma razão em particular?

- Principalmente porque nenhum dos residentes nas redondezas do lago reportou barulho de tiros.

- Ele pode ter usado um silenciador.

- Verdade, mas o meu instinto me diz que o assassinato ocorreu longe daqui, e o assassino usou o lago na esperança de que o corpo nunca fosse en­contrado.

Ele levantou um ombro. - Você é a chefe.

- Assumiremos também que o assassino jogou o corpo aqui à noite. Do contrário, ele arriscaria ser visto.

- Posso concordar com isso - disse ele. Ela se aproximou da água e disse:

- Então, o que ele fez? - perguntou ela, como se estivesse pensando em voz alta. - Parou o carro na margem do lago e jogou o corpo ou o carregou até píer e o jogou de lá?

- Depende do físico do assassino. Se estiver em forma, ele provavelmente carregou o corpo até o final do píer. A água é mais funda lá. Isso também evitaria que se molhasse.

Ela balançou a cabeça concordando.

- Também pode ter usado um barco - lembrou ele. - Pode ter escondido o corpo no casco antes de chegar aqui e lançado o barco na água. Quando es­tava longe o suficiente da margem, jogou o corpo na água para evitar ser visto.

- Sim, mas já checamos com os proprietários de barcos que estavam na água naquela noite. Cada um sabia da presença do outro, e concordaram que não havia mais nenhum barco no lago. Todos foram questionados individualmente e as histórias são coerentes.

- Então ficamos com a teoria de que o assassi­no jogou o corpo do píer ou da margem.

- Por enquanto - disse ela. - Você checa a mar­gem, eu checo o píer.

- Espere um pouco - disse ele. - Qualquer pro­va já desapareceu ou foi destruída.

- Talvez tenhamos sorte.

Quando ela pisou naquela superfície envelhecida, o píer começou a balançar. Esperou um momento para se ajustar ao movimento da estrutura e cami­nhou lentamente até o lado oposto, olhando para os lados. Longos ramos de vegetação aquática balan­çavam de um lado para o outro logo abaixo da su­perfície daquela água escura. Tentou não tremer de nojo. Adorava nadar, mas preferia piscinas artifi­ciais com fundos de concreto e água tratada com cloro a lagos com toda aquela vegetação aquática e fundo cheio de lama.

No final do píer, agachou-se e olhou para a água, tentando imaginar os movimentos do assas­sino, se ele tivesse escolhido esse método para se desfazer do corpo. Vários metros abaixo da super­fície da água, percebeu um pedaço de tecido preso a um dos suportes de píer.

Mesmo sabendo que as chances daquele tecido pertencer ao Fortune Perdido eram ínfimas, esti­cou a mão para pegá-lo. A alguns centímetros de tocar na água, puxou a mão depressa. Ficou olhando para aquela água escura. Não era do tipo afeta­da, mas tinha um medo terrível das cobras venenosas do Texas que viviam em lagos e espe­lhos d’água.

Mordendo o lábio, pensou em chamar Gabe pa­ra recolher o tecido.

Mas se ela o chamasse, sabia que viraria motivo de piadas não só de Gabe, mas de todos da corpo­ração. Cobras de borracha em sua mesa. Enroladas no banco do seu carro. As possibilidades eram infinitas.

Resignada, arregaçou as mangas mais uma vez, respirou fundo e enfiou a mão na água. Tremia de nervoso quando algas e vegetações roçavam e se enrolavam em seu braço. O pedaço colorido de te­cido balançava a centímetros dos seus dedos, e ela se esticava para alcançá-lo.

- Só mais um pouco - dizia a si mesma.

Ouviu um barulho e, ao mesmo tempo, sentiu o pedaço de madeira embaixo dos seus joelhos cede­rem. Só teve tempo de respirar fundo antes de a madeira quebrar e ela cair de cabeça na água.

Enquanto afundava, a vegetação a agarrava e arranhava-lhe o rosto. Quis gritar, mas a idéia de engolir uma gota daquela água nojenta manteve o grito preso na garganta.

Com medo, esperneava forte e tentava voltar à superfície. Quando voltou à tona, gritou. Chorando, arrancava as algas grudadas em seu braço e rosto, enquanto tentava boiar.

Algo duro e plano bateu na cabeça dela - uma pressão que ela descobriu ser a mão de Gabe, um segundo antes dele a afundar na água. Ela subiu à superfície cuspindo e batendo nele, cega pela água em seus olhos.

- Andi! - gritou ele. - Relaxa! Eu peguei você. Antes que ela pudesse dizer que não estava se afogando, ele a agarrou pelo pescoço e puxou-a para a margem.

Ele se abaixou próximo a ela e suspirou forte. - Sorte eu estar por perto - disse ele. - Você poderia ter se afogado.

Coberta de lama e lodo, ela disse:

- Eu não estava me afogando, seu idiota.

- Então por que gritou?

Envergonhada por ele ter ouvido, ela sentou-se e removeu as plantas e algas grudadas em sua calça, evitando olhar para ele.

- Tenho medo de cobras - admitiu ela, com uma certa relutância.

Ele olhou-a por um instante e começou a rir.

- Caramba, se houvesse uma cobra a um quilô­metro de você, ela teria se assustado com o escân­dalo que fez.

- Ah, ok - disse ela, irritada. - Havia esquecido que você é um índio. Aposto que a teria matado com a sua machadinha e usaria o couro dela na cabeça.

Ela soube imediatamente pela expressão corpo­ral dele que tinha dito a coisa errada.

- Sinto muito - disse ela, arrependida -, não quis dizer isso.

- É melhor nos livrarmos dessas roupas mo­lhadas - disse ele.

- Gabe, de verdade. Eu não deveria ter dito aquilo. Só estava nervosa por ter caído no lago e descontei em você.

- Esquece. - Ele estendeu-lhe a mão. - Vamos até a minha casa nos trocar. Eu tenho lavadora e secadora.

Ainda que ela preferisse um longo banho em sua banheira, a idéia de dirigir por cerca de meia hora até a cidade com as roupas encharcadas a fez reconsiderar.

- Uh - concordou ela, e permitiu que ele a levantasse. - Mas vou pegar aquele pedaço de teci­do antes de ir a qualquer lugar.

- Eu pego.

Ela sabia que deveria insistir para provar a ele que não era covarde. Mas a idéia de chegar perto daquele píer manteve sua boca selada.

Ela assistia enquanto ele se debruçava no píer e enfiava a mão na água.

- Você consegue ver o que é? - perguntou ela enquanto ele retirava o braço da água.

Ele se levantou e mostrou-lhe o pedaço de tecido. - Lona cor de abóbora de colete salva-vidas. Pela condição do material, eu diria que está ali há anos.

Ela suspirou desapontada.

Gabe raramente trazia mulheres para casa - e não era porque tinha vergonha do lugar. O seu chalé de madeira era rústico na aparência, mas possuía todos os confortos que as casas na cidade possuíam, mais algumas. O proprietário era um político idoso de Austin, que usava o chalé para entreter os seus eleitores e companheiros legis­ladores. Agora preso a uma cadeira de rodas, ele não precisava mais do lugar e alugara-o para Gabe. O negócio incluía os direitos de pesca no lago na propriedade e direitos de caça nos mais de 12 mil metros quadrados de terra em sua volta. O chalé era perfeito para Gabe.

Enquanto pegava uma calça de moletom e uma camiseta para Andi vestir enquanto lavava suas roupas, pensou sobre o que ela poderia achar de sua casa. Lembrou-se do comentário que ela fizera sobre a sua descendência indígena. Caramba, ela devia estar aliviada ao descobrir que ele não vivia em uma cabana!

Normalmente, comentários sobre a sua descen­dência não o incomodavam, mas por alguma razão as palavras de Andi não saíam de sua cabeça. Tal­vez fosse porque esperasse e precisasse da apro­vação dela. Ele tinha uma forte impressão de que ainda não fora promovido a detetive por causa dela. Esperava que trabalhando com ela nesse ca­so, ganharia o apoio dela.

Ou talvez fosse porque ele tinha um tesão enor­me por ela.

Ele segurou o riso. Como se tivesse mesmo algu­ma chance com ela! Ainda que preferisse acreditar que ela não saía com ele por causa das regras do departamento, Andi seguia as próprias regras. Desde o primeiro dia, ela deixara claro para todos os rapazes da corporação que não saía com colegas de trabalho.

Mas Gabe não desistia fácil.

Ela se tornara um desafio para ele... Um desafio muito atraente. A malhação na academia mantinha o corpo dela firme e saudável. Seus lindos cabelos castanhos e encaracolados eram escondidos, pre­sos em um coque ou amarrados para trás. Ele se imaginava soltando aqueles cabelos, acariciando-­os e beijando-a sem parar.

Uma ótima fantasia para se ter durante uma pesca ou à noite esperando o sono chegar.

Mas se essa fantasia o distraísse de sua pes­caria ou o mantivesse acordado por muito tem­po, tudo o que tinha a fazer era lembrar-se dos defeitos dela. Andi tinha a tendência de falar o que pensava, o que o incomodava bastante. E a reputação de masculinizada na delegacia não era uma qualidade nela. Não para um homem que preferia suas mulheres suaves, femininas e fáceis.

Mas, ultimamente, ele suspeitava que atrás daquela fachada de mulher masculinizada existisse uma mulher sensual. Só dependia do homem certo para revelar esse lado dela.

E ele achava ser o homem certo para fazer isso. Até agora ele não conseguira nada com ela, mas a paciência era sua maior virtude. Ela desarmava qualquer pessoa que tentasse chegar perto demais. As duas únicas pessoas que tiveram um relaciona­mento com ela foram o seu parceiro Leo, um velho rabugento e gordo, quase careca e casado, e Deirdre, uma policial com quem Gabe tivera um ro­mance rápido do qual se arrependera.

Culpa de Deirdre, ele pensou, absolvendo-se de qualquer culpa pelo fim do relacionamento com ela. Tornara um relacionamento que ele esperava ser sexualmente satisfatório em um pesadelo, gra­ças ao comportamento possessivo dela. E se ela não parasse de telefonar para ele, assediando-o, de persegui-lo pela cidade, começaria a considerá-la uma maníaca.

- Gabe?


Surpreso pela voz de Andi, virou-se e viu-a olhar por uma fresta da porta do banheiro. Os cabelos que ele tanto fantasiava estavam molhados e soltos em cachos na altura dos ombros dela. Ele pôde ver o su­ficiente do corpo dela para saber que só estava enro­lada na toalha. Aquela vista foi o suficiente para deixá-lo com água na boca.

- Você encontrou algo que eu possa vestir?

Ele pensou, por um instante, em sua cama, e nos dois rolando em cima dela. Em seguida, deixou o pensamento de lado e levantou a mão indicando a calça e a camiseta que segurava.

- O melhor que pude encontrar. - Ele atirou as roupas em cima da cama e andou em direção à por­ta. - Depois de trocar de roupa, venha até a sala. Vou ligar o computador para checarmos o banco de dados de pessoas desaparecidas.

Enquanto descia as escadas, ele suspirou dizen­do a si mesmo que possuía a força de vontade de um monge para sair de perto de toda aquela carne nua. Mas ele tinha suas razões. Uma coisa que aprendera sobre Andi, nesses dois meses traba­lhando juntos, era que ela gostava de ser apreciada por sua mente, não pelo seu corpo. Gabe não en­tendia porque um homem não podia fazer os dois... Ou pelo menos fingir, quando o prêmio fi­nal era o corpo dela.

Quando Andi chegou na sala, ele segurava o telefone entre o ombro e o ouvido e checava os e-mails.

- Puxe uma cadeira - disse ele -, estou com Reynolds no telefone. Vai checar o banco de dados nacional de desaparecidos para nós.

Ele ouviu o barulho da cadeira arrastando no chão e sentiu o perfume do seu próprio sabonete na pele dela, enquanto ela se sentava pró­xima a ele. Teve que conter a tentação de che­gar perto e aspirar a fragrância de seus cabelos lavados.

Afastando o telefone de sua boca, ele disse:

- Reynolds disse que há três novos nomes na nossa região. Vinte e quatro no país todo. Um dia fraco, imagino. Quer limitar a busca por gênero ou marcas de identificação?

- Gênero. É possível que a pessoa que fez o re­latório tenha se esquecido de mencionar a marca de nascença.

Ele passou a informação para Reynolds e aguar­dou. Pelo canto do olho, viu Andie de braços cruzados, provavelmente disfarçando o fato de es­tar sem sutiã.

Depois de ouvir Reynolds, disse a ela:

- Isso diminui para dois na nossa região e 11 no país todo. Quer tentar identificar marcas ou prefe­re que Reynolds procure por idade?

- Idade - respondeu ela. - Mesma razão de antes.

Passou os parâmetros da busca para Reynolds e recostou-se na cadeira, imitando a pose dela, com os braços cruzados. Ao fazer isso, bateu no cotovelo dela de propósito, que rapidamente soltou os braços para sair do caminho dele.

Bingo, ele pensou, escondendo um sorriso. Sol­tou os braços para trazer o telefone para mais perto do ouvido e ouviu Reynolds.

- Isso reduz o número para zero na nossa região - disse ele - e três no país todo.

- Diga a ele para puxar todos os três - disse ela.

- Vejamos que informações foram adicionadas sobre eles.

- Puxe os três - Gabe repetiu para Reynolds. ­Copie as informações e me mande por e-mail, ok?

Segundos depois, o computador apitou indican­do novo e-mail - Gabe abriu a mensagem e co­meçou a vasculhar, com um olho em Andi, que se aproximou para ler a mensagem na tela. A camise­ta que ele lhe emprestara parecia uma barraca no pequeno corpo dela, mas ele pôde ver a marca dos mamilos dela sob o tecido. Graças a ela ter caído no lago, agora ele tinha uma idéia do tamanho e da forma dos seios dela, o que julgou ser pequeno, mas firme, com o centro escuro. O movimento dos seios dela sobre a camiseta adicionava outra dimensão à imagem que fizera dela, o que o deixa­ria louco naquela noite quando estivesse sozinho em sua cama.

Ela recostou na cadeira suspirando uma derrota. - Nada.

Ele jogou o braço em volta dela e a trouxe para perto de si.

- Ei. Não fique triste. Identificaremos o moço com certeza.

Ela virou o rosto e olhou desconfiada para o braço dele. Ele tirou o braço.

- Desculpe. Só estava tentando animar você.

- Quando eu precisar me animar, aviso.

Ela se levantou, com os braços cobrindo os seios.

- Quanto tempo até que minhas roupas sequem?

- Uns vinte minutos. Já estão na secadora. Quer comer algo enquanto espera?

- Não, mas gostaria de um café, se tiver.

- Não tenho pronto, mas faço em um minuto.

Ele foi até a cozinha, ela o acompanhou. - Uma bela casa - disse ela.

- Eu gosto. - Ele ligou a cafeteira e virou-se para ela. - A viagem para o trabalho é um incômodo, mas a dois passos da minha porta de trás está toda a pesca e caça que um homem pode querer.

Ela puxou uma cadeira e sentou-se.

- Eu deveria saber que você é um caçador.

- E o que há de errado com isso?

- É um esporte covarde! Dê uma arma para o animal, e aposto que você para de gostar de caçar em um minuto.

- Isso se que o animal for bom de mira. - Diver­tindo-se com o olhar de desaprovação que ela lhe lançou, virou-se e tirou duas canecas do armário. ­Mas se isso lhe faz sentir melhor, eu não caço por esporte.

- E existe outra razão para sentar em uma cabi­ne de caça?

- Eu não sento em cabines de caça. Existe outra razão. Alimento. - Ele pôs as canecas na mesa entre eles, - se sentou de frente para ela. - Você já comeu um bife de cervo?

- Não, e não estou interessada em experimentar.

- Você é quem está perdendo. Lingüiça de cervo é uma delícia também. E a pesca - continuou ele -, eu não faço por esporte. Eu como o que pesco. Há um lago na propriedade, que me supre com peixes ano inteiro.

- Você também planta seus próprios vegetais? Ignorando o sarcasmo na voz dela, ele se levan­tou para pegar o pote de café.

- Alguns, embora não tenha um jardim de verda­de. Apenas alguns potes de tomates e pimentas na varanda. - Ele encheu as canecas e apontou para as plantas alinhadas na janela acima da pia. - E tenho umas ervas à mão para cozinhar.

Ela ficou olhando como se ele houvesse confessado ser um travesti.

Ele se sentou. - O quê?

Ela balançou a cabeça.

- Nada. Eu só não consigo imaginar você por aí cuidando de plantas.

Ele pôs os cotovelos na mesa e chegou perto dela. - O que você imagina que eu faça?

Ela desviou o olhar e disse:

- Eu simplesmente não penso em você.

Ele levantou a caneca para esconder o sorriso. - E você? Tem algum hobby?

- Se você quer saber se tenho outros interesses além do meu trabalho, sim, tenho.

- O quê?

- Também gosto de agricultura.

Logo em seguida, ela fechou a boca como se ti­vesse dito um grande segredo, o que na verdade era mesmo, pois ele não tinha a menor idéia do que ela fazia no tempo livre.

- O que você planta? - perguntou ele, esperan­do fazê-la falar.

- Nada de extraordinário - balbuciou ela.

- Tomates, cebolas, umas variedades de pepinos.

- Um amigo me deu umas sementes de um tomate híbrido. Muita carne, poucas sementes. Eu lhe dou algumas, se quiser.

- Não, obrigada. Já está tarde para começar a plan­tar algo.

Ele tentou encontrar outro assunto, algo que ela falasse abertamente, e lhe desse uma idéia de sua vida particular.

- E o Leo, como está?

- Rabugento como sempre. O médico colocou-o em uma dieta. Ele acha que estão tentando matá-lo de fome.

- Seria bom para ele diminuir um pouco a comi­da. Ele deve estar uns 25 quilos acima do peso ideal.

- Quase 35 - disse ela -, a esposa dele tem ten­tado fazê-lo emagrecer há anos. O médico dele tam­bém. Mas Leo adora comer.

- Vocês parecem ser muito próximos. Ela deu de ombros.

- Somos parceiros desde que me juntei à corpo­ração. Leo pode ter defeitos, mas é um bom dete­tive. Parece um cão farejador, com a tenacidade de um buldogue e os olhos de um gavião. Eu aprendi mais com ele do que na sala de aula.

- Talvez, quando ele voltar da licença, eu tenha a chance de trabalhar com ele.

- Quando ele retornar - ela disse -, você voltará seu cargo de policial. Esqueceu? Isso é uma mis­são temporária.

Mesmo com cada músculo em seu corpo se con­torcendo com esse lembrete, Gabe manteve a emo­ção longe de seu rosto.

- Talvez - disse ele.




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