História Revisada pelas Revisoras da Romances Sobrenaturais

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História Revisada pelas Revisoras da Romances Sobrenaturais.

selinho6uc5

O Guerreiro Das Terras Altas

Ruth Ryan Langan

Editado por HARLEQUIN IBÉRICA, S. A. 2003

Colecção: Narrativa, nº 75

Título original: Highland Sword

Género: romance.

Digitalização: Fernando Jorge Correia

Correcção: Dores Cunha

Estado da obra: corrigida.

Numeração de página: rodapé.

Esta obra foi digitalizada sem fins comerciais e destina-se unicamente à leitura de pessoas portadoras de deficiência visual. Por força da lei de direitos de autor, este livro não pode ser distribuído para outros fins, no todo ou em parte, ainda que gratuitamente.

Ruth Ryan Langan. Todos os direitos reservados.
O GUERREIRO DAS TERRAS ALTAS, N? 75
Título original: Highland Sword

Publicada originalmente por Harlequin Enterprises, Ltd.

Todos os direitos, incluindo os de reprodução total ou parcial, são reservados. Esta edição foi publicada com a autorização de Harlequin Enterprises II BV.

Todas as personagens deste livro são fictícias. Qualquer semelhança com alguma pessoa, viva ou morta, é pura coincidência.

Harlequin logotipo Harlequin são marcas registadas por Harlequin Enterprises II BV. e São marcas registadas pela Harlequin Enterprises Limited e suas filiais, utilizadas com licença. As marcas que têm estão registadas na Oficina Espanola de Patentes Marcas e noutros países.
I. S. B. N. 84-671-2551-9

Depósito legal: B-46720-2004

Fotocomposição: M. T. Color & Diseno, S. lLas Rozas. Madrid.

Impresso: LITOGRAFÍA ROSES, S. A. Gavá (Barcelona)

DISTRIBUIDOR EXCLUSIVO PARA PORTUGAL: M. l.D. E. S. A. Rua da República da Coreia, 34 Ranholas — 2710 Sintra — Portugal


Uma bela feiticeira, um nobre guerreiro e a vastidão bravia da Escócia!
Escócia, 1559
Merick MacAndrew sabia que era uma busca baseada apenas em lenda, mas sentia-se disposto a arriscar tudo para salvar o filho que estava morrendo... até raptar Allegra Drummond, cujos místicos talentos de cura se igualavam a seu poder de deixar o coração dele ardendo de paixão!
Que encantamento era aquele? Um lorde forte e intimidante das Terras Altas havia tirado Allegra Drummond de seu idílico isolamento para fazê-la obedecer-lhe! Não importava que os motivos dele fossem louváveis e despertassem a compaixão e a preocupação dela. Merick MacAndrew usara uma magia própria de transformação de vida para uni-la a ele para sempre...de coração, corpo e alma!

ATENÇÃO!

Este livro foi recentemente publicado pela Harlequin Brasil sob o título
A espada do poder


Série Grandes Romances Históricos Nº 13


Prólogo

Escócia, 1546

Nuvens cor de chumbo avançavam pelo céu, ameaçando chuva. O vento frio agitava a relva alta que crescia no campo. O tempo no entanto, não impedia a população de aproveitar o dia de mercado. Aqueles a pé lançavam olhares cautelosos a carroças puxadas por cavalos e carroções de feno disputando espaço ao longo das estradas estreitas que levavam a Edimburgo.

Nola Drummond, uma jovem viúva, guiava sua carroça através da multidão. A mãe, Wilona, ia sentada ao seu lado e, na parte traseira, estavam as três filhas pequenas de Nola sentadas sobre feixes de ervas secas, rolos de lã e cestas de ovos que as mulheres vendiam no mercado. Em meio á mercadoria e às crianças, iam Bessie, uma velha encarquilhada e corcunda, e Jeremy, um troll pequeno como um anão e robusto,sempre elegante em sua casaca e cartola. Tanto Bessie como Jeremy tinham sido enxotados por outros antes de terem sido acolhidos por aquela família. A pobre Bessie fora enjeitada por sua aparência pouco agradável, tendo sido insultada por muitos e até acusada de bruxa malvada, mas não passava de uma doce senhora de alma e coração bondosos.

As atribulações enfrentadas por Jeremy tinha sido ainda piores. Não apenas sofrera perseguição por se tratar de um ser diferente, mas ainda era temido por causa das lendas que o envolviam. Acreditava-se que o troll era um ser sobrenatural do folclore escandinavo, em princípio um gigante, ou, em lendas posteriores, um anão travesso, mas amistoso. Outros achavam que era um espírito maléfico que habitava as montanhas ou as florestas. Apesar de toda a controvérsia, Jeremy era prova viva de que um troll não era apenas um mito. E, qualquer que tivesse sido seu passado e, a despeito dos preconceitos enfrentados, o fato era que aquele troll era uma criatura de bom coração, o que lhe assegurava um lugar junto à família Drummond.

A carroça prosseguiu pela estrada estreita, ainda disputando espaço com os demais veículos e pessoas a pé, até que passou por uma ampla clareira, circundada de florestas de um lado e dando para um grande lago do outro.

— Olhe, mamãe — Allegra, de seis anos de idade apontou para a multidão reunida em torno das margens do lago.

Quando a carroça se aproximou mais puderam ver mulheres e crianças chorando, enquanto observavam um grupo de pescadores tirando o corpo de um menino da água.

Nola puxou as rédeas do cavalo, parando a carroça. Ela e Wilona ajudaram a pequena Kylia, de cinco anos de idade, e Gwenellen, de três, a descerem antes de se adiantarem até os demais.

Incapaz de controlar a curiosidade, Allegra já havia descido da carroça e corria na frente. Uma vez que chegou à margem do lago foi fácil abrir caminho devagar pela multidão, até que pôde ver e ouvir tudo.

— Não! O meu Jamie não! — gritava uma mulher,inconsolável, sobre o corpo inerte de um menino, a voz soluçante, angustiada. — Eu já enterrei meu marido e três dos meus bebês. Jaime é tudo que me resta nesse mundo. Oh, não! Por favor. Não o meu Jaime também!

Um dos pescadores pôs uma mão sobre o ombro da mulher.

— Lamento muito, Mary, mas o rapaz está morto. Chegamos tarde demais para salvá-lo.

Uma onda de tristeza varreu os observadores. Nem sequer os pescadores, calejados pelos anos passados no mar, conseguiram conter as lágrimas ao ver a mulher se entregar a um pranto convulsivo, desesperado.

Contagiada pela emoção que dominava todos os presentes, Allegra continuou se aproximando por entre as pessoas até que ficou parada por um momento ao lado da mulher aflita. Antes que alguém pudesse detê-la ela se ajoelhou e colocou as mãos no peito do rapaz.

De imediato, foi percorrida por um violento tremor, enquanto o gélido choque foi absorvido pela ponta dos seus dedos e passou pelo seu corpo. A água do lago estivera fria. Tão terivelmente fria...

Tremendo, Allegra levantou os olhos para a mãe dele.

— O seu Jamie não está morto.

— O que está dizendo? — Dividida entre a surpresa diante da ousadia da criança e a necessidade de acreditar, a mulher estreitou os olhos para observá-la.

— Que não está morto. Quer voltar para você, mas precisa de ajuda.

Boquiaberta, a multidão observava num misto de horror e fascínio, enquanto aquela pequena estranha pressionava as palmas das mãos no peito do garoto.

Água jorrou da boca dele. A mãe soltou um grito, mas Allegra não pareceu ouvir. Era como se estivesse em transe, o olhar fixo no menino com tamanha intensidade que seus olhos verdes pareciam arder com um fogo interno.

Era uma imagem chocante. Aquela pequena menina, como uma criatura selvagem, com os cabelos ruivos cascateando até abaixo da cintura, ignorando os gritos da multidão enquanto começava a falar com o menino numa língua antiga, que até mesmo os mais velhos entre todos havia esquecido.

Quando as palavras terminaram, ela se inclinou, pressionando seus lábios de encontro aos dele. De repente, o corpo do menino começou a se mexer ligeiramente.

— Que truque é esse? — gritou alguém. — Peguem essa menina pela mão e poupem a pobre mãe de maior sofrimento!

Antes, porém, que a multidão pudesse reagir, o corpo do menino foi percorrido por um violento espasmo e seus olhos se abriram

— Oh, Jamie! Gaças aos céus. — A mãe dele soltou um grito de profundo alívio, puxando-o para seus braços e abraçando-o com força de encontro ao peito. — É o meu Jamie. De volta dos mortos.

Enquanto a multidão se aproximava mais de mãe e filho, Nola abriu caminho por entre as pessoas e segurou a filha pelo braço, puxando-a rapidamente para o lado.

Entre na caroça agora, Allegra. — Nola olhou ao redor com nervosismo. — Depressa, criança.

Mais adiante, Allegra pôde ver a avó já colocando Kylia e Gwenellen de volta na parte de trás da carroça, onde as cobriu rapidamente com peles.

Tão logo a mãe e Allegra subiram no assento da carroça, Wilona sacudiu as rédeas e o cavalo saui em disparada.

Allegra alternou um olhar entre a mãe e a avó notando que ambas tinham uma expressão de medo no rosto.

— Eu fiz alguma coisa errada?

— Não, criança, mas havia pessoas demais observando. Você já foi avisada de que nós não somos como as outras pessoas.

A garotinha baixou a cabeça.

— Sinto muito. Mas a mãe do Jaime estava chorando. E, em minha mente, eu podia ouvi-lo chorando também. Ele queria voltar para ela. Foi o que me disse.

Nola pegou na filha ao colo e apertou-a com força.

— Você não fez nada de errado, minha querida. Mas há aqueles que não entendem nossos dons.

— Porquê?

— Porque se esqueceram das tradições antigas. Afastaram-se dos poderes de cura dentro dos próprios corações

A menina pareceu séria enquanto dobrou as mãos sobre o colo.

— Pois eu fico contente por nós não o termos feito — replicou a menina muito solenemente. Então, fechou os olhos e encostou-se à mãe, cedendo assim à fraqueza que se apoderou dela.

Nola suspirou e olhou por cima da cabeça da filha para observar o olhar sombrio da mãe.

— Espero que nunca tenha razões para lamentar isso, Allegra. Eu espero sinceramente.

A lua da meia-noite estava obscurecida por nuvens pesadas que avançavam por um céu agitado. Um cavaleiro solitário atravessava o chão de pedra do pátio. Ao ouvi-lo aproximar-se, os cães começaram a lançar-se contra a porta.

Wilona levantou-se da cama e enxotou os animais antes de levantar a tranca e espiar a escuridão da noite pelo vão da porta. Os cabelos longos e grisalhos emolduravam um rosto tenso, preocupado.

Reconhecendo o homem como um primo distante, abriu mais a porta e colocou-se de lado.

— Que o traz por aqui a estas horas, Duncan?

— Há um comentário geral na taverna, Wilona. — Ele pareceu pouco à vontade, incapaz de lhe encontrar o olhar.

Lançou um olhar cauteloso ao troll adormecido perto da lareira. Segundo rumores, a criatura domira debaixo de uma ponte até ter sido recolhida por aquelas bondosas mulheres. Parada na metade da escada, ele viu Bessie, a velha de ar assustador que já havia sido até tomada por uma bruxa e só escapado porque nenhuma feitiçaria conseguira lhe ser atribuida. De qualquer modo, ela também fora uma enjeitada até que encontrara refúgio naquele lugar.

— Você se arrisca demais permitindo que as meninas exibam seus dons para o mundo.

— Allegra sempre teve um coração sensível. Não pudemos impedí-la. Você preferiria que ela tivesse deixado o menino morrer, Ducan?

O homem corou.

— Eu não finjo entender como você e os seus possuem tais poderes. Nem me junto àqueles que dizem que isso é marca do diabo. Mas eu temo por você, Wilona. Você vai longe demais quando acolhe criaturas bizarras e enjeitadas. — Ducan meneou a cabeça na direção de Bessie, que os observava em silêncio.

— Ela foi rejeitada pela própria gente. Não tinha nenhum lugar para ir.

Ele soltou um suspiro..

— Estes são tempos preocupantes. Você sabe que música, dança e todo o tipo de frivolidades são considerados como obras do diabo. Há aqueles que planejam ir a Edimburgo amanhã para reportar essa estranha façanha. Você e sua família poderiam ser enviadas para a prisão de Tolbooth ou, pior ainda, ser condenadas à morte.

— O que você acha que deveríamos fazer? Acha que deveríamos nos tornar como os outros, insensíveis e cruéis ? Dar as costas aos nossos preciosos dons?Dons que podem beneficiar outras pessoas? Você sabe muito bem que nunca usamos nossos dons para nosso próprio benefício.

Duncan sacudiu a cabeça com tristeza e dirigiu-se à porta. Abriu-a e, antes de sair para a escuridão da noite, parou e falou:

— Essa visita nunca aconteceu. Você não ouviu nada de mim. Se for pressionado, eu admitirei que temos um parentesco distante, como têm todos do antigo clã dos Drummond. Mas não sujeitarei minha esposa e meus filhos à ira de uma multidão insana e sedenta de sangue.

Wilona meneou a cabeça.

— Compreendo, Duncan. E lamento qualquer problema que isso possa lhe causar.

Depois de trancar a porta, Wilona voltou-se para ver a filha parada nas sombras.

— Você ouviu?

— Sim — respondeu Nola.

— Sempre tememos que este dia chegasse. — declarou a anciã. — Pelo bem das meninas, temos que retornar ao Reino Místico, e devemos partir agora, para que não haja nenhum rastro nosso pela manhã.

— Mas, e o isolamento? Foi por essa razão que saímos de lá.

Diante das palavras da filha, Wilona ergueu a mão para silenciá-la.

— De fato. Mas o isolamento é preferível aos perigos que enfrentamos aqui.

— E quanto a Bessie e Jeremy? — Nola observou, enquanto o pequeno troll se sentava e esfregava os olhos sonolento.

— São bem vindos para irem conosco se desejarem. Bessie?

A velha corcunda meneou a cabeça.

— Jeremy?

O troll levantou-se prontamente e começou a vestir sua casaca.

Enquanto Bessie e Jeremy preparavam a carroça para uma jornada às Terras Altas, Nola e Wilona carregaram as três meninas adormecidas para um ninho quente de peles na parte detrás.Tão silenciosamente quanto uma brisa de verão, o grupo partiu, com os cães correndo ao lado da carroça.

Antes que o sol do novo dia tivesse nascido, a casa ficara vazia. Mãe, filha e as três netas, como também um troll e uma velha corcunda, partiram sem deixar rastro.

Alguns disseram que era um sinal certo de que elas haviam se juntado ao diabo e tinham descido até as trevas. Outros falavam em sussurros sobre um lugar especial nas Terras Altas que fora o lar do clã delas havia muito. Uma terra encantada, onde aqueles com dons especiais seriam livres para praticar seus poderes místicos longe dos olhares curiosos dos descrentes.
CAPÍTULO 1

Reino Místico, 1559

— Allegra, você já trabalhou mais do que o suficiente por hoje. — Kylia afastou uma mecha de cabelo preto da face, parando junto a uma das várias carreiras da horta onde a irmã se ocupava arrancando ervas daninhas com sua enxada. — Agora, venha pescar comigo.

— Oh, como adoraria ir... Mas tenho outras carreiras para capinar.

— Isso pode esperar. E você vai se refrescar tanto quanto andar descalça à beira do riacho comigo! — exclamou Kylia, entusiasmada. Aos seus dezoito anos, com lustrosos cabelos negros e impactantes olhos cor de mel, no momento mais parecia uma criança ansiosa por sua diversão favorita do que a linda jovem que era.

— Sim. Eu gostaria muito de ir até lá. — Allegra removeu a camada de transpiração de sua fronte com as costas da mão. — Tão logo tiver terminado aqui, eu me reunirei a você.

— Promete?

— Claro.


Kylia sorriu, satisfeita, pois o prazer era sempre maior quando partilhado com sua irmã. Enquanto se afastava, a irmã mais nova, Gwenellen, de dezesseis anos, surgiu correndo pelo campo, seguida por Jeremy. Embora no passado ele tivesse sido conhecido como um troll agressivo, exigindo pagamento de todos aqueles que haviam atravessado sua ponte, Jeremy encontrara paz e contentamento ali, no Reino Místico.

— Allegra. Jeremy e eu encontramos um maravilhoso caminho de morangos na floresta.

Com sua estatura não maior do que a de um anão, o troll meneou a cabeça, o gesto agitando-lhe a cabeleira farta e escura que lhe chegava quase até os pés.

— E são os mais doces que já provei. — Sua voz fazia lembrar um sapo coaxando. — Venha conosco e nos ajude a colhê-los — convidou, entusiasmado

Allegra sacudiu a cabeça.

— Obrigada, mas primeiro tenho de terminar minha tarefa. Depois, prometi a Kylia que iria pescar com ela no riacho. Mas se vocês dois ainda estiverem na floresta quando eu tiver terminado tudo isso, ficarei contente em ajudá-los.

Gwenellen dirigiu um soriso travesso à irmã, os intensos olhos azuis brilhando.

— Espere. Deixe-me terminar sua tarefa agora mesmo. — Antes que Allegra pudesse detê-la, ela bateu as mãos e entoou: — Desapareçam, ervas daninhas. Façam o que eu mando.

Quase que imediatamente, um grupo de doninhas passou correndo pelo campo e um grande manto caiu do céu.

Gwenellen olhou ao redor, mortificada, e, então, ergueu a cabeça para gritar:

— Não doninhas! Daninhas. E não disse manto, mas mando!

Allegra riu a valer.

— Oh, minha querida irmã! Você realmente precisa praticar mais os seus encantamentos.

— Acho que sim. — A expressão contrariada de Gwenellen deu lugar a um ar sorridente. — Bem, parece que você terá de arrancar as ervas daninhas de sua horta, afinal. Mas, quando tiver terminado, promete que se juntará a nós?

— Se ainda estiverem na floresta colhendo morangos, claro.

A irmã caçula meneou a cabeça.

— Provavelmente ainda estaremos lá. Você sabe que sempre comemos um para cada um que colocamos na minha cesta.

Allegra riu enquanto via Jeremy dando um tapinha na barriga arredondada.

— Eu sei. Apenas tentem não comer tantos a ponto de não conseguirem voltar a tempo para o jantar.

— Alguma vez você já me viu chegando atrasada para o jantar? — Com seu riso cristalino ecoando no ar, a jovem de cabelos loiros saiu dançando até a floresta em busca de seus morangos com o amistoso troll tendo de correr atrás para alcançá-la.

Naquele momento, a avó de Allegra, Wilona, aproximou-se ao longo das carreiras ordenadas da horta e parou ao lado da neta, que se debruçava sobre sua enxada.

— Você está fazendo um excelente trabalho, minha querida.

Allegra fez uma pausa para remover nova camada de transpiração da fonte com as costas da mão.

— Eu gosto de ver as ervas tenras brotando da terra, vovó. O nascimento de cada planta é uma coisa tão incrível.

— Sim— Wilona sorriu diante do comentário

Era algo tão típico da sua neta mais velha. Apesar de sua natureza prática, Allegra tinha o mais sensível dos corações. Podia fazer o trabalho de três pessoas e depois, cuidar de outra tarefa apenas para dar às irmãs a chance de nadar ou apoveitar o sol de início de verão.

A mulher mais velha olhou ao redor.

— Onde estão suas irmãs?

— Kylia está no riacho, sem dúvida já nadando feito um peixe.

— Sim. Aquela menina adora água. Vamos apenas esperar que se lembre de apanhar alguns peixes para o nosso jantar. E Gwenellen?

— Foi até a floresta com Jeremy, para colher morangos.

Allegra absteve-se sabiamente de mencionar o mais recente encantamento facassado, pois a avó se desesperava nas repetidas tentativas de ensinar à neta mais nova habilidades que as outras tinham assimilado com tanta facilidade, cada uma tendo desenvolvido mais aquelas que lhes eram características.

— Aquela menina adora coisas doces. E Jeremy também. — Wilona fanziu o cenho. — Ainda assim, não é justo terem deixado você com as tarefas da horta enquanto estão por aí se divertindo.

— Eu não me importo, vovó. — Allegra bateu com a enxada na terra, continuando a capinar. — Não há outro lugar em que eu gostaria mais de estar do que aqui mesmo. Cuidar da horta é tão prazeroso para mim quanto a água é para Kylia e a balsâmica floresta é para Gwenellen.

— Eu entendo, pois sempe foi o mesmo para mim. — A mulher mais velha colheu algumas verduras antes de se virar para tornar a fitá-la. — Mais você já limpou as baias dos animais e colheu várias ervas para as poções de sua mãe.

Allegra sorriu diante da menção a Nola. Seus dons eram muitos, incluindo a habilidade de cantar feito um anjo. Ela e as irmãs haviam aprendido várias canções de ninar com a mãe, que costumara entoá-las para as três dormirem quando tinham sido pequenas.

— Quando tiver terminado aqui, desça até a cabana e sirva-se do guisado que Bessie e eu temos no fogo

Farei isso, vovó. — Allegra beijou-a na face antes de retomar seu trabalho.

Ela havia escolhido aquele lugar específico para a horta porque ficava num campo elevado, cercado pela floresta em ambos os lados. Ali sob o sol, sob seus atenciosos cuidados, cresciam os mais variados tipos de legumes, verduras,ervas póprias para temperos e, pincipalmente, plantas medicinais

Não era tarefa fácil impedir que o mato infestasse a horta. Era necessário empenho da parte de Allegra, que devotava várias horas por dia durante os curtos meses de verão para revolver o solo, colocar-lhe adubo natural e arrancar as ervas daninhas que cresciam rapidamente. A mãe e a avó tinham-lhe ensinado a fazer uma cerca trançada com galhos verdes de árvores e gravetos, entrelaçados de maneira intricada para manter os animais da floresta afastados.

À sua volta, o campo era um mar de urzes, as graciosas flores púrpuras dançando sob a brisa do verão. De repente, surgindo do nada, uma sombra projetou-se sobre ela. Intrigada, Allegra olhou para o céu. Um falcão, talvez. Ou uma nuvem de tempestade. O céu, porém, estava límpido e ensolarado, sem uma única nuvem em sua bela imensidão azul. Não havia sinal de nenhuma ave. Apreensiva, ela olhou ao redor para tentar descobrir o que produzia a sombra.

Tarde demais, viu o vulto de um gigante respingado de sangue, os lábios apertados, os olhos se esteitando na direção dela com grave concentração. Nas mãos,levava um grande manto xadrez que atirou em cima dela, prendendo-lhe os braços ao longo do corpo, cobrindo-lhe a cabeça para bloquear a luz e abafar seus gritos

Allegra debateu-se e conseguiu agitar as pernas, até que elas também foram imobilizadas. Aprisionada e indefesa feito uma criança, não conseguia se mover.

Podia ouvir o som da respiração dele enquanto corria pelo campo, carregando-a embrulhada no manto por sobre o ombro largo. Uma vez na floresta, ele parou para subir na sela do cavalo, enquanto a segurava com fimeza nos braços.Numa questão de segundos, o animal corria, cortando o vento, enquanto seu mestre o incitava a galopar cada vez mais depressa. Galhos de árvores estalavam e batiam de encontro a ambos, e ela podia ouvir o gigante praguejando por entre os dentes vez ou outra. Mas, embora cortassem riachos e passassem sobre pedras, ele não parou uma vez sequer e nem mesmo diminuiu o passo do animal.

Allegra lutou para vencer o medo que a assaltava, para ter alguma noção do lugar para onde estavam indo. Mas tudo que conseguia ver em sua mente era o gigante. Alto como uma árvore. Mãos grandes, fortes e bruscas aprisionando-a. E aqueles olhos que ela vira de relance. Os olhos extremamente sombrios.

Como ele derrotara o dragão? Era possível que aquele gigante fosse ainda mais forte do que a poderosa criatura que guardava o Reino Mìstico? O pensamento a aterrorizou.

O cavalo diminuiu consideravelmente o passo, caminhando agora, e ela pôde ouvir o ruído de água. Momentos depois, estremecia, enquanto a água lhe molhva parte do corpo envolto pelo manto.

Seu coração ficou apertado. Aquele só podia ser o Lago Encantado, a barreira que sempre mantivera a ela e a família a salvo do mundo externo. Uma vez que seu captor tivesse chegado à margem oposta, estaria livre para levá-la aonde quissesse e não haveria como detê-lo

Ela tinha que agir naquele momento, ou tudo estaria perdido.



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