Iansã Imagem sincretizada de Iansã com Santa Bárbara



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Iansã

 

 



 

Imagem sincretizada de Iansã



com Santa Bárbara

 

 



 

Imagem idealizada de Iansã



nos cultos africanos

 

 



Primeira entidade feminina a surgir nas cerimônias no candomblé, Iansã impressiona pela independência quase que selvagem característica de seu comportamento. Esposa de Ogum, largou-o quando se deixou fascinar pelo magnetismo de Xangô, mas não cortou completamente as relações com o primeiro esposo, de quem tornou-se amante; outras lendas, no entanto, garantem que Iansã e Ogum tornaram-se inimigos irreconciliáveis depois da separação. Tais reviravoltas completas na vida dão o toque original aos filhos desse orixá, afora sua autoridade, franqueza e extroversão.

Nas cerimônias de candomblé em que os orixás se apresentam, incorporando-se a seus filhos-de-santo, a primeira divindade feminina que surge é Iansã. Ela vem na frente dos orixás femininos, brandindo sua espada, guerreira, agressiva e, ao mesmo tempo, feliz. Sua imagem é sempre associada à felicidade extrovertida, da mulher que sabe guerrear e defende o que tem e o que quer com unhas e dentes, mas que também é igualmente expansiva no amor e em qualquer outro momento de alegria.

É orixá de um rio, conhecido como Niger, cujo nome original em ioruba também dá o nome pelo qual Iansã é conhecida e venerada na África - Oyá; nome pouco usado no Brasil. É extremamente conhecida em nosso país, onde tem muitos filhos.

Foi a primeira esposa de Xangô e por ele abandonou Ogum, fascinada pelo tipo elegante e fino do deus do raio, em oposição à tradição rústica de Ogum. Nesse ponto, as lendas se dividem. Algumas atribuem à Iansã uma imensa e terrível paixão por Xangô, sentimento esse que se manifestava através de sua eterna presença ao lado dele. Dado o seu caráter extrovertido, Iansã permaneceria ao lado de Xangô não só no dia-a-dia cotidiano, mas também nas guerras, nas caçadas e qualquer outra situação. Uma das estórias sobre esse amor diz que Iansã buscou a morte por sua própria vontade ao saber da morte de Xangô. Seria essa escolha motivada pelo amor que a aproximaria da morte, atribuindo-lhe poderes sobre os eguns. De acordo com o Dicionário de Cultos afro-brasileiros, de Olga Cacciatore, “ela e o único orixá que não teme os eguns, dominando-os com seu iruexim (seu instrumento litúrgico durante as festas, uma chibata feita do rabo de um cavalo atado a um cabo em osso, madeira ou metal)".

Já outras versões do triângulo Iansã-Xangô-Ogum atribuem a Iansã um grande fascínio em relação a Xangô, já que ele era o oposto de Ogum. Mas depois de tê-lo desposado, Iansã não teria resistido e voltaria a se encontrar com Ogum, tornando-se sua amante - o que viria a corroborar certas características atribuídas ao arquétipo psicológico referente á Iansã, como descreveremos mais adiante.

De qualquer forma, a paixão de Ogum por Iansã sobreviveu á separação. De acordo com as diferentes interpretações, tornaram-se inimigos de morte por causa disso (em alguns terreiros, eles duelam) ou amantes; porém, seja qual for a maneira, a ligação continuou, insistindo no fato de que Iansã é arrebatada, surpreendente, mas extremamente fiel a suas próprias convicções e, especialmente, a seus próprios sentimentos.

É a rainha dos ventos, raios e tempestades. Seu temperamento é miticamente apresentado como apaixonado, dominador, arrebatado e corajoso. Sua ousadia, segundo uma lenda, seria a responsável pelos poderes que ostenta.

Xangô teria mantido contato com feiticeiros de outro reino e conseguira a promessa de receber um preparado mágico que eles possuíam e que lhe permitiria soltar vento e fogo pela boca e pelo nariz. Usou a esposa como mensageira; ela lhe trouxe a poção, mas antes experimentou-a, passando, então, a dividir com ele a mesma força.

Com o tempo, apesar desses poderes serem atribuídos aos dois, foi-se estabelecendo uma certa separação, deixando a Xangô o poder do raio e do trovão e a Iansã os ventos. Quando os dois atuam juntos, acontece a tempestade, em oposição à chuva mais calma, que ajuda a agricultura, produto da associação entre Xangô e Oxum.

Outra estória atribui ao poder de Iansã outro acontecimento bastante decisivo. Os orixás estariam cansados de não ter acesso às folhas, tão importantes para qualquer celebração litúrgica e para muitos outros aspectos da vida material. Nesse aspecto, eram completamente dependentes de Ossãe, que reinava sozinho em seu domínio. Incitada por Xangô, Iansã abanou fortemente sua saia, provocando um terrível vento (o afefé) que arrancou todas as folhas que Ossãe tentava resguardar com o próprio corpo. A partir de então, as folhas foram repartidas e cada orixá possui as suas próprias plantas, mas isso não retirou totalmente de Ossãe o seu poder.

Em outras lendas, Iansã aparece como tendo origem animal. Ela teria saído de dentro da pele de um búfalo, o que só teria sido presenciado por Ogum, sua primeira ligação amorosa registrada nos mitos. Esse caráter animal serve para explicar a imagem próxima ao selvagem que é sempre associada a ela. Sua dança no terreiro é uma mistura de seu papel de guerreira, brandindo a espada para afastar os eguns e marcar seu poder e autoridade, mas também uma extravasão, uma festa dela para ela mesma e para tudo em torno de si. É tanto uma auto-afirmação como também uma celebração explosivamente sensual.
Seriam assim, portanto, todas as filhas (e filhos) de Iansã. Arquetipicamente, estariam ligados a personagens que transformam a vida numa grande aventura e numa grande festa constantes. Daqueles que, repentinamente, mudam todo o rumo de sua própria vida por um amor ou por um ideal. Que podem, a qualquer momento, ter crises de cólera ou de irreprimível felicidade. A Gabriela de Jorge Amado, portanto, teria características do tipo Iansã: quando lhe dá na cabeça, tira os sapatos, joga-os para o ar e sai brincando com as crianças da rua, feliz porque o sol bate na sua pele e porque está rodando, rodando...


Os filhos de Iansã, são, portanto, costumeiramente atirados, extrovertidos e francos. Leais, abrem-se completamente, e lhes é impossível esconder a alegria ou a tristeza. Dentro da sua franqueza, não conseguem - ou não querem - esconder as emoções quando estão atraídos por alguém, o que pode complicar um pouco sua situação numa sociedade monogâmica, já que se encantam com pessoas diferentes da mesma maneira com que se encantam com as outras situações da vida: intensamente - e variadamente.

Pierre Verger diz que ao arquétipo de Iansã corresponde a imagem das "mulheres (...) cujo temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extraconjugais múltiplas e freqüentes, sem reserva nem decência, o que não as impede de continuarem muito ciumentas de seus maridos, por elas mesmas enganados".

Toda essa força pode levar a algum autoritarismo, o que faz esses indivíduos tenderem a ser reconhecidos como extremamente mal-humorados ou, pelo menos, tremendamente geniosos, mudando a cada momento de estado de espírito e de predisposição. Esse aspecto "difícil" de temperamento seria conseqüência de proibições ou impedimentos de qualquer espécie à realização de seus objetivos e anseios.

 

Referências Bibliográficas


Iansã arrebatadora e dominadora, pags. 47 a 48, Revista Planeta ,n. 126-B, 1ª Edição, São Paulo: Editora Três,1984.

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