Português 8º ano



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. Acesso em: 10 mar. 2015.

a) Como era composto o bando de assaltantes mencionado na notícia e o que ele estava tentando fazer?

O bando era composto de oito homens e uma mulher e estava tentando roubar um prédio, utilizando o disfarce de entregadores de cestas de Natal em um veículo.

b) Por que o plano do bando foi frustrado?

1b. Porque o veículo utilizado por eles apresentava um erro de grafia que chamou a atenção dos policiais. Em vez de o bando escrever Empório, escreveu “Impório”; o bando estava sendo monitorado pela polícia havia algum tempo.

c) A linha-fina sob o título da notícia utiliza o verbo na voz passiva. Por que foi utilizada essa forma verbal?

Essa forma verbal dá ênfase ao bando de assaltantes descobertos, o agente – os policiais – é até omitido.

d) Como ficaria o título dessa notícia se o verbo estivesse na voz ativa?

Policiais descobrem e prendem bando por erro de grafia.

e) Essa alteração da voz verbal modifica o sentido do título da notícia? Por quê?

Sim, porque o destaque fica para a ação dos policiais e não para os bandidos.

f) Reescreva a manchete, procurando destacar o erro cometido pelo bando.

Sugestão: Erro de grafia faz bando ser descoberto e preso.

2. Observe a seção de classificados de um jornal.

Imóveis

Porto Alegre

Apartamentos vendem-se ........... p. 2

Casas vendem-se ........................ p. 7

Comerciais vendem-se ............... p. 7

Casas alugam-se ......................... p. 8

Comerciais alugam-se ................ p. 8

Terrenos ..................................... p. 8

a) Que voz verbal foi utilizada nas seções dos anúncios?

A voz passiva sintética ou pronominal.

b) Qual é a provável vantagem da escolha costumeira dessa voz verbal nos classificados?

O texto dos classificados precisa ser curto, e a voz passiva sintética apresenta essa característica.

c) Observe a ordem em que aparecem as palavras nos classificados. O que vem em primeiro lugar?

O nome do que está sendo oferecido.

d) Por que foi escolhida essa ordem de palavras?

Para enfatizar aquilo que está sendo vendido ou alugado.

e) Na voz passiva pronominal, quem oferece o produto não é apresentado. Que relação há entre o gênero classificado e a escolha da voz verbal usada nesse tipo de texto?

Não há necessidade de o classificado apresentar a pessoa que está alugando ou vendendo sua casa. Destaca-se o que está sendo oferecido, procurando atrair a atenção do leitor. Geralmente, no anúncio, aparece um número de telefone para contato; o sujeito da ação é intencionalmente desconhecido.

ANOTE

A escolha da voz verbal possibilita ao enunciador destacar aspectos diferentes de determinado fato. Pode-se destacar quem faz a ação ou quem a recebe. Além disso, pode-se omitir o sujeito da ação, caso seja de interesse do autor do enunciado.



Página 156

LEITURA 2

Texto dramático

O que você vai ler

O trecho a seguir é um dos quadros de A aurora da minha vida, peça em dois atos escrita por Naum Alves de Souza e encenada pela primeira vez em 1981.



A aurora da minha vida está organizada em quadros. Cada um deles mostra uma situação escolar, de forma ao mesmo tempo crítica e bem-humorada. Naum, nascido no interior de São Paulo, em 1942, escreveu o texto com base em suas memórias de aluno e também de professor de Arte.

Na cena que você vai ler, um professor de Português vive com os alunos diversas situações: algumas cômicas; outras dramáticas.



A aurora da minha vida

Personagens: Professor, Gêmeas, Adiantada, Gorda, Puxa, Quieto

Local: Uma sala de aula

Fig. 1 (p. 156)

Marcos Guilherme/ID/BR



Aula de Português

PROFESSOR – (Olhando o horário.) – Como? Temos menos aulas neste nosso último ano?

GÊMEAS – Dá licença, professor? É menos ou “menas” que se fala?

PROFESSOR – Já não basta vocês usarem esse repolho na cabeça (referência às fitas brancas que as gêmeas usam), que não tem nada a ver com o uniforme e ainda me fazem perguntas cretinas?

GÊMEAS – Nós temos licença da diretoria para isso.

ADIANTADA – Será que eu posso sair mais cedo hoje?

PROFESSOR – A senhora não precisa ouvir a explicação? Já sabe tudo?

ADIANTADA – Eu sei. Eu já sei análise. Minha mãe me pôs numa professora particular e ela já me ensinou tudo. (A classe vaia.) Vocês estão é com inveja. Posso? A minha mãe está me esperando. Nós temos que ir na penteadeira que hoje é o casamento da minha prima.



Página 157

Gorda – Se ela sair a gente também pode.

PUXA – Quem ela pensa que ela é?

QUIETO – Vê se não fala cuspindo no meu ouvido?

PROFESSOR – Quieta, classe. Será que eu ouvi bem? Repita o que a senhora disse, por favor. De pé, lá na frente, por favor?

ADIANTADA – Ué… Eu disse que hoje é o casamento da minha prima e eu e a minha mãe temos que ir fazer penteado na penteadeira.

PROFESSOR – Repita, por favor. Ir aonde mesmo?

ADIANTADA – Ir na penteadeira. Eu já falei.

[…]

PROFESSOR – Se eu deixasse a senhora sair, a senhora iria à penteadeira. Ir a algum lugar, ir ao cinema, ir à escola. À: contração da preposição “a” com o artigo “a”. Entendeu bem?



ADIANTADA – Isso eu sei melhor que qualquer um aqui. (Vaias.) Dor de cotovelo! O que vem de baixo não me atinge.

CLASSE – Senta no formigueiro, então.

CLASSE – Isso mesmo.

PROFESSOR – Quieta, classe! Que algaravia é essa? Negado o seu pedido, mocinha. No período “Jesus, que ama os pequeninos, atendeu ao pedido da criança”, temos duas orações, uma principal e uma subordinada.

ADIANTADA – A minha mãe vai me matar se eu perder a hora. Ela marcou com a Satiko.

PROFESSOR – Que é que a senhora está resmungando? Não adianta porque não vai sair mesmo antes do sinal. Nesta classe, na minha aula, pelo menos, eu sou a oração principal. E a senhora é a subordinada.

CLASSE – Ela é a oração subordinada! Fala, oração subordinada!

GORDA – Quando ele fica bravo fica mais lindo ainda.

PROFESSOR – Silêncio, classe. Eu ouvi alguém falando alguma coisa de “lindo”? Quem foi?

GORDA – Eu não fui.

CLASSE – Ah, é… Fui eu. Então fui eu. Não, fui eu.

GORDA – Vocês querem parar?

[…]

PROFESSOR – Eu posso saber o que está acontecendo na classe?



GORDA – Eles é que ficam me enchendo.

PROFESSOR – Enchendo? Algum motivo deve haver.

GORDA – Não há nada. O senhor dá aulas particulares?

[…]


PROFESSOR – […] Agora não é hora de falar bobagens. O seu livro, por favor.

GORDA – É só brincadeira. A gente não pode nem brincar que todo mundo já malicia. É só brincadeira. Eu posso ir ao banheiro?



Fig. 1 (p. 157)

Marcos Guilherme/ID/BR



Página 158

PROFESSOR – Não antes de eu ler o que está escrito no livro. Espero, ao menos, que o português esteja correto. (Lendo.) “Você, meu amado e indolatrado mestre, és responçável por aquela que cativas.” Três erros: um de concordância – “você és”; “indolatrado”; e responsável com ç? Desde quando?

GORDA – Eu não falei que era só de brincadeira?

PROFESSOR – Os erros também são de brincadeira?

ADIANTADA – Ela me disse que passa todo dia em frente da casa do senhor e espia pela janela.

GORDA – Mentirosa. O senhor gosta de doces? Eu faço cada um tão gostoso! De amarga, chega a vida, não é?

PUXA – Ela falou que a mulher do senhor é faladeira.

PROFESSOR – Não estou interessado nem em doces nem em fuxicos. A senhora tem mais algum problema?

[…]

GORDA – […] O meu problema é a inveja dessa gente. O senhor quer saber o que eles falam do senhor? Agora, também, eu vou contar tudo. Chega de ser boazinha. Vou falar tudo, tudo.



QUIETO – Eu nunca falei nada. Não gosto que me metam em encrenca.

GÊMEAS – Você vai ver só uma coisa.

ADIANTADA – Fica quieta.

[...]


GORDA – Não. Agora é que eu falo mesmo. Eles falaram que o senhor era padre, excomungado, que o casamento do senhor não vale, que o senhor usa óculos escuros porque está escondendo o olho de vidro… […] E eu ainda defendi o senhor. A minha mãe conversou com a sua senhora. E ela me disse que ela é muito distinta. É verdade?

[...]


GÊMEAS – [...] E não foi distinta que ela falou que a mulher do senhor era.

PROFESSOR – Que foi que ela falou da minha mulher?

GÊMEA 1 – Que a mulher do senhor é magricela.

GÊMEA 2 – Que o senhor é pão-duro, que não compra comida.

GÊMEAS – E que o senhor atrasa o pagamento da empregada.

QUIETO – Posso sair que eu não estou me sentindo bem?

PROFESSOR – Vai, vai. (Quieto sai.) Pelo que eu estou vendo, vocês sabem da minha vida até melhor do que eu. Agora, eu é que quero saber quem é que sabe todas as funções do que. Chamada oral para a classe inteira.

PUXA – Gorda, você vai ver uma coisa.

[…]

GORDA – Posso falar com o senhor depois da aula?



PROFESSOR – A senhora quer ganhar outro zero? Sente-se já.

ADIANTADA – Você é louca? Fica quieta. Não desconfia?

GORDA – Desconfiar de quem? Dele? Quem ama maltrata.

PROFESSOR – Para fora, senhorita. (Gorda sai. O professor aponta a Gêmea 1.) A senhorita.

(Toca o sinal.)

GÊMEA 1 – Ufa! (Sai o professor. A Gorda atrás.)

(Escuro)

Naum Alves de Souza. A aurora da minha vida. São Paulo: Salamandra, 2003 (Coleção Literatura em Minha Casa).



Acervo PNBE

GLOSSÁRIO
Algaravia: som de muitas vozes juntas, vozerio; confusão (sentido figurado).
Aurora: claridade que anuncia a manhã; despontar da vida, infância (sentido figurado).
Maliciar: interpretar de maneira maldosa.
Penteadeira: cabeleireira.

Página 159

Estudo do texto

Responda sempre no caderno.

Para entender o texto

1. Em que local e em que época você supõe que se passa a ação de A aurora da minha vida?

1. Em uma sala de aula. O tempo não é indicado com precisão no texto, provavelmente na década de 1970. De acordo com as informações do boxe O que você vai ler, o dramaturgo valeu-se de suas próprias memórias e experiências, tanto como aluno quanto como professor, para escrever.



2. Responda às questões sobre as personagens da cena.

a) Quem são elas?

Professor, Gêmeas, Adiantada, Gorda, Puxa e Quieto.

b) Há uma característica original no nome das personagens. Qual é ela?

As personagens não têm nome próprio, são chamadas por seus atributos físicos ou psicológicos, em uma representação caricatural.

c) Que sentidos esses nomes atribuem às personagens?

A peça não trata de pessoas em particular, mas de tipos comuns no espaço escolar.

3. Em sua primeira fala, as Gêmeas perguntam ao professor se o correto é falar “menos” ou “menas” (menos aulas/menas aulas).

a) A pergunta parece oportuna para a situação apresentada?

Não, pois interrompe a fala do professor, que havia empregado o advérbio menos ao abordar o número de aulas da turma.

b) Por que elas são tratadas como se fossem a mesma pessoa?

Esse tratamento torna mais cômico o papel delas e realça ainda mais o espelhamento que, no ambiente escolar, se costuma atribuir a gêmeos.

4. A peça retrata hábitos e costumes da instituição escolar de forma exagerada.

a) Quais são esses hábitos e costumes?

4a. O uso do pronome senhor para chamar o professor; a prática da chamada oral; a excessiva aspereza do professor no trato com os alunos; o fato de os alunos falarem todos ao mesmo tempo; a aluna que se apaixona pelo professor; as maledicências e a falta de solidariedade entre os alunos.

b) Por que eles são retratados dessa forma?

4b. Os costumes são retratados de maneira exagerada, por um lado, para destacar seus aspectos cômicos; por outro, para apresentar uma crítica a certos procedimentos do universo escolar.

5. O título da peça de Naum faz referência a um poema de

Casimiro de Abreu, intitulado “Meus oito anos”. Leia as duas primeiras estrofes do poema.



Meus oito anos

Oh! que saudades que tenho


Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,

Naquelas tardes fagueiras


À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Como são belos os dias


Do despontar da existência!
– Respira a alma inocência
Como perfumes a flor;

O mar é – lago sereno,


O céu – um manto azulado,
O mundo – um sonho dourado,
A vida – um hino d’amor!

[…]


Casimiro de Abreu. Poesias completas. São Paulo: Saraiva, 1954. p. 62.

GLOSSÁRIO
Fagueiro: agradável.

Fig. 1 (p. 159)

Marcos Guilherme/ID/BR

a) Essa mesma visão está presente no texto A aurora da minha vida? Explique sua resposta.

Não, há um grande contraste entre a realidade do cotidiano escolar retratado na peça e a visão idealizada e grandiosa do poema.

b) Que sentido tem, portanto, o título atribuído à peça?

O título é irônico, pois mostra uma visão bem diferente da apresentada por Casimiro de Abreu.



6. Você estudou, na primeira parte deste capítulo, vários elementos que caracterizam um texto dramático. Quais desses elementos você reconhece no trecho da peça teatral A aurora da minha vida?

O diálogo entre as personagens; as rubricas; a indicação, antes de cada fala, de quem vai falar; e a ausência de narrador.



O POETA DAS PRIMAVERAS

Fig. 2 (p. 159)

Casimiro de Abreu. Fotografia de cerca de 1858.

Acervo Reminiscências/Iconographia

Casimiro de Abreu nasceu em 1839, no Rio de Janeiro, e escreveu um único livro de poemas, As Primaveras; no entanto, a repercussão dessa obra, na qual se encontram alguns dos versos mais famosos da poesia brasileira, rendeu-lhe um lugar entre os imortais da Academia Brasileira de Letras. Morreu aos 21 anos, em 1860, vítima de tuberculose.



Página 160

Responda sempre no caderno.

O texto e o leitor

1. O texto dramático pode produzir diversas reações no leitor e no espectador. Pode divertir, fazer rir ou chorar, emocionar, assustar, surpreender. Sobre a leitura da peça A aurora da minha vida, responda às seguintes questões.

a) Que sentimentos do leitor podem ser despertados ao ler esse trecho da peça?

Resposta pessoal. MP

b) Quais passagens o leitor pode considerar engraçadas?

1b. Sugestões: “Já não basta vocês usarem esse repolho na cabeça […]”, “Senta no formigueiro, então.”, “[...] eu sou a oração principal.”, “[…] Eu ouvi alguém falando alguma coisa de ‘lindo’? […]”.

c) Que outras reações emocionais a leitura do texto pode provocar?

Resposta pessoal. MP

d) A peça mostrou fatos ou situações que podem ter acontecido com você? Explique.

Resposta pessoal. MP

2. Em uma nova montagem, realizada em 2009, a peça A aurora da minha vida transformou-se em um espetáculo musical, em que os atores cantam e dançam, além de representar. Leia um trecho da entrevista que a diretora do espetáculo, Bárbara Bruno, deu para o Guia Folha, do suplemento do jornal Folha de S.Paulo.

O que a atraiu no texto de Naum Alves de Souza?

A identificação. Não há quem não se identifique com algum personagem ou situação da peça. Fomos criados com base na formação do colégio, que é a microssociedade em todos os seus aspectos. E o Naum foi muito feliz em transpor para o texto toda gama de sentimentos e conflitos contidos em cada personagem.



Fizeram alguma mudança na dramaturgia original, de 1981?

Na base do texto, não, eu mantive a época em que a ação transcorre (década de 1970). Fizemos uma adequação ao ritmo de hoje, com cortes e adaptações necessárias para o andamento do espetáculo.



Como retratar um tema árido em forma de comédia?

É ótimo quando conseguimos rir de nossas próprias mazelas, pois exorcizamos o que nos perturba. Quando dirigi “O Santo Parto” (2007), de Lauro César Muniz, pude exercitar essa dualidade entre humor e temas polêmicos que mexem com sentimentos e convicções. Em “A Aurora...”, reencontrei e “exorcizei” muitas vivências pessoais, o que é um privilégio.

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