Samantha James Alana, a Bruxa



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Samantha James - Alana, a Bruxa

My Lord Conqueror - CHE 371


Inglaterra, 1066. A bruxa e o guerreiro. Filha ilegítima do lorde da Fortaleza de Brynwald, Alana foi criada na floresta, reverenciada e temida como a curandeira do vilarejo. Alana resiste como pode aos brutais invasores normandos e corajosamente enfrenta seu líder, Merrick de Normandia, porém logo se vê à mercê do poderoso guerreiro, que faz dela sua prisioneira... Orgulhoso e possessivo, Merrick reluta em reconhecer a crescente atração que sente pela atrevida Alana, mas por mais que ela tente escapar ou o desafie com palavras cortantes e um comportamento indiferente, ele sempre consegue trazê-la de volta aos seus braços. Pouco a pouco, a disputa e o rancor se transformam em uma paixão incontrolável, e quando a traição e a intriga levam Alana a ser capturada por malvados saqueadores dinamarqueses, Merrick sabe que fará o possível e o impossível para salvar e resgatar a dona do seu coração...



Querida leitora, Samantha James escreveu um romance maravilhoso, uma história de amor entre o guerreiro normando Merrick e sua prisioneira Alana, uma jovem tida como bruxa no vilarejo onde vive, no meio da floresta. A batalha de vontades entre estes dois personagens fortes e carismáticos leva a uma paixão que vai tomar conta do seu coração. Uma heroína exemplar, e um herói de tirar o fôlego vivem uma aventura inesquecível, que você agora vai acompanhar...

Leonice Pompônio - Editora


Copyright ©1995 by Sandra Kleinschmit

Originalmente publicado em 1995 pela HarperCollins Publishers

PUBLICADO SOB ACORDO COM HARPERCOLLINS PUBLISHERS

NY, NY - USA

Todos os direitos reservados.

Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com

pessoas vivas ou mortas terá sido mera coincidência.

TÍTULO ORIGINAL: MY LORD CONQUEROR

EDITORA Leonice Pomponio

ASSISTENTE EDITORIAL Patrícia Chaves

EDIÇÃO/TEXTO Tradução: Paula Andrade

ARTE Mônica Maldonado

PRODUÇÃO GRÁFICA Sônia Sassi

MARKETING/COMERCIAL Andréa Riccelli

PAGINAÇÃO Ana Beatriz Pádua

© 2011 Editora Nova Cultural Ltda.

Rua Texas, 111 - sala 20a - Jd. Rancho Alegre - Santana do Parnaíba -

CEP 06515-200 - São Paulo - SP

www.novacultural.com.br

Impressão e acabamento: Prol Editora Gráfica

Capítulo I

Tudo ao redor havia enegrecido. Parecia ainda mais negro que as profundezas do inferno. Sombras disformes se moviam a esmo e tentavam agarrá-la com longos dedos agourentos.

Ela sentiu... alguma coisa. Algo demoníaco. Uma nítida sensação de perigo, tão pesada e espessa quanto as sombras, pairava no ar.

O vento soprava sua fúria. Raios cruzavam o céu, labare­das de luzes avermelhadas. O trovão reverberou, fazendo o solo estremecer sob os pés dela. Gigantescas poças de san­gue emergiam na terra. O ar estava empestado com o forte odor de sangue coagulado e destruição.

Desesperada, ela corria. Seu coração batia freneticamente. Passos a perseguiam.

Corria às cegas, cercada pela escuridão, dominada pelo perigo. Sombras monstruosas a espreitavam. O espectro da morte perscrutava. Aproximava-se tanto que ela mal conse­guia respirar...

Mas de repente emergiu um vulto. Das sombras eles vie­ram... Homem e animal. Cavaleiro e corcel.

De espada em punho e coberto pela armadura, ele galo­pava sobre o grande cavalo negro. Não tinha rosto, uma vez que seus traços se escondiam atrás do elmo. No céu, os raios luminosos maculavam a negritude; era como se o homem se fundisse à prata.

Lentamente ele ergueu o elmo. Em choque, ela prendeu a respiração. A pálida expressão do cavaleiro mostrou-se tão fria quanto gelo. Atingiu-a tal qual uma punhalada. Então, vagarosamente ele ergueu a espada. A arma, apontada para o céu, rasgou o ar em direção ao peito dela...

— Alana! Por Deus, menina, o que você tem? Se não parar de gritar, certamente vai despertar sua falecida mãe!

A voz masculina soou familiar. Agoniada, Alana de Brynwald, ao emergir da escuridão, virou-se para aquele som. Acordou trêmula, engolindo a vontade de emitir mais um berro de pavor.

Por um instante, viu-se desorientada, com o rosto sobre a enxerga de palha e a manta fina de lã cobrindo-lhe o corpo até o queixo. Aos poucos, percebeu os sons e as imagens de seu entorno. A realidade se instalava. Somente então o terror começou a dissipar.

Lá estava ela na pequena cabana onde passara a infância e se tornara mulher. A luz tépida penetrava pela única jane­la, permitindo-lhe enxergar o rosto do homem de barba gri­salha a seu lado.

Alana soltou um suspiro trêmulo. Nenhuma espada lhe cravava o peito. Nenhum cavaleiro negro pretendia matá-la. Estava viva... viva.

Mas o sonho pavoroso havia se repetido.

Aubrey mudou de posição e gemeu ao sentir dor. Sob a lã puída de sua túnica, os ombros ossudos arqueavam. Os cabelos eram tão cinzentos quanto a barba. As linhas profun­das que definiam o rosto envelhecido condiziam com o olhar preocupado.

— Você me assustou, menina. Escutei seus berros de minha cabana.

Alana nada disse. Jogou a manta de lado e se ajoelhou sobre a terra úmida.

Ainda especulativo, Aubrey a observava. Alana jogou para trás os cabelos longos e tão dourados quanto ouro. Havia aprendido a não mencionar esses sonhos estranhos que a assombravam na calada da noite. Ela se tornara motivo de escárnio e chacotas dos aldeões, que não perdiam oportu­nidade de ridicularizá-la.

Mas Aubrey não era como os outros aldeões. Mesmo agora, apesar da idade avançada, todos o consideravam o melhor curtidor de peles do sul de Humber. E, de fato, com a morte de sua mãe, Edwyna, Alana amava o bom homem mais que a própria irmã.

Tal qual Edwyna, Aubrey não escarnecia as estranhas visões que a perseguiam desde a infância. Quase tudo havia acontecido. Porém, algo a impedia de falar livremente a respeito. Como poderia contar a ele?

Ciente de que Aubrey ainda a observava, Alana abaixou o olhar.

Já havia tido sonhos tanto durante o dia quanto à noite. Com desconhecidos. Com os aldeões. Mas nunca sonhara consigo mesma. E sabia que jamais temera pela própria vida...

Até agora.

O cavaleiro negro. Quem era ou o que ele era? Alana não sabia. Porém, sentia que se tratava de um inimigo, de uma ameaça diferente de quaisquer outras. O porquê ainda lhe permanecia um mistério. Mas aquele cavaleiro negro a apa­vorava...

Não!, pensou. Não pensaria no sonho cavernoso. Não queria pensar nele.

Uma pequena trouxa de pelos pulou em seu colo. Cedric, o gato que seguira sua mãe anos a fio, agora a acompanha­va. Alana acariciou a pelagem amarelada. Abaixou a cabeça a fim de impedir que Aubrey visse sua aflição. O velho homem ficaria preocupado ao extremo e Alana não carregaria tal culpa na consciência.

— Sabe que eu jamais o ofenderia — ela murmurou. — Eu falaria a respeito, se pudesse. Mas não posso. Não é nada, juro. Não se apoquente mais.

— Então por que está tremendo?

Pela primeira vez, ela se permitiu sorrir.

— É uma manhã fria de novembro. O que mais me faria tremer?

Aubrey ergueu a mão ossuda.

— Aqueles normandos bastardos! — esbravejou. — Roubaram nossa lenha e agora mal conseguimos cozinhar ou nos aquecer. Também saquearam os grãos que semeamos com tanto sacrifício. Quando o inverno acabar, os aldeões de Brynwald estarão padecendo de fome. — Ele conteve a raiva. — Isso, se alguém sobreviver até lá!

Exasperado, saiu da cabana. Alana colocou Cedric no chão e levantou-se. Como o restante dos aldeões, sua mora­dia era muito simples. Sobre o piso de terra batida havia uma mesa pequena e dois bancos de madeira em frente à lareira. Lavou o rosto em um balde de água e, em seguida, prendeu os cabelos. Então, enrolou os pés com duas longas tiras de couro. Suas botas haviam apodrecido meses atrás. Estava faminta, mas não fez o desjejum. Na noite anterior, ela e Aubrey tinham partilhado a maior parte do escasso ali­mento que estocara. Sobrara apenas um pedaço de pão.

Fazia uma semana que os normandos haviam tomado Brynwald. Alana sorriu. Aubrey tinha razão. Eles se diziam normandos, mas eram chamados de bastardos por aqueles que tinham dominado.

Sombrios tornaram-se os dias e infeliz tornou-se o povo, pois os ingleses agora eram uma raça humilhada. Nada fora capaz de impedir os invasores que atravessaram o Canal. Apossaram-se do gado, da comida dos aldeões. Aldeias foram dizimadas quando os normandos as pilharam. A paz lhes fora roubada, suas terras e vidas, invadidas.

Por um longo período, Alana permaneceu a fitar o domí­nio de Brynwald. No topo de um penhasco, a propriedade, rodeada por uma paliçada de madeira, contemplava o Mar do Norte. Embora a confortável moradia houvesse pertenci­do ao seu pai, ela jamais vivera naquele lar. Seu lugar não era em Brynwald, apesar de ser filha de Kerwain, o senhor de Brynwald.

Uma dor profunda rasgou-lhe o peito. Kerwain, seu pai, não mais vivia. Morrera sob uma espada normanda, tal qual sua esposa, Rowena. Mas ninguém soubera nada de Sybil. Alana acreditava que a ausência de notícias era um sinal de que a irmã havia sobrevivido à guerra. Rezava para que assim fosse.

Como o restante dos aldeões, Alana não ousara se aven­turar pela floresta desde o primeiro ataque brutal. O ar ficara intoxicado de fumaça e exalara o odor acre de palha queima­da. Durante três dias e três noites, ouviram-se apenas gritos agonizantes. Mesmo agora o som de patas de cavalos era o suficiente para afugentar os aldeões de Brynwald para den­tro de suas cabanas.

Antes disso temiam somente a ira de Deus. Agora vivam com medo dos normandos.

No entanto, Alana não podia se esconder na aldeia para sempre. Precisava encontrar comida para ela e Aubrey.

Determinada, pegou o arco e as flechas que havia pendu­rado atrás da porta e saiu. Aubrey, que marchava em direção a ela, estranhou o armamento.

— Alana, não acredito que pretenda sair para caçar!

— Precisamos de comida.

— Mas os normandos ordenaram que ficássemos na aldeia.

— E vou lembrá-lo mais uma vez, Aubrey. Precisamos de comida.

— E quanto aos normandos? — ele vociferou. Alana deu de ombros.

— Talvez minha flecha encontre por acaso um normando. Quem sabe não teremos tal sorte?

Aubrey não achou graça. Fitou-a com braveza e, bufan­do, acompanhou-a à caçada.

Nas proximidades do pasto, passaram pela esposa do pei­xeiro e as filhas, que nem sequer se dignaram a cumprimen­tar a dupla. Aubrey encarou as três.

— Não ligue para elas, Alana. São tolas e ignorantes.

Alana nada disse. Sua mãe fora a curandeira da aldeia e ensinara à filha tudo o que sabia acerca das artes das ervas e da cura. Mas ao longo dos meses que seguiram a morte de sua mãe, os aldeões recusaram qualquer oferta de tratamento que ela lhes apresentasse. Falavam com ela somente quando era impossível evitá-la.

Embora sentisse certo amargor, manteve a cabeça ergui­da. Tão logo nascera, fora apontada como a filha ilegítima do lorde de Brynwald. Entretanto, também era diferenciada por algo que lhe fugia ao controle: visões que surgiam sem avisar. Alana entendia por que não gostavam dela, já que se tratava de um povo supersticioso. Viam a mão de Deus e a do demônio em tudo e em todos.

Mesmo agora, enquanto amaldiçoavam os normandos, Alana continuava uma excluída. Seu coração sangrava dian­te de tamanha injustiça. Não era a filha do diabo. Por que não viam que era igual aos demais, exceto por aqueles sonhos indesejáveis?

Crescera odiando as visões e agora as abominava mais que nunca.

Apesar de o céu estar nublado, não havia chovido. Mas a terra achava-se úmida, o que mascarava o som dos pas­sos deles. A aventura pela floresta foi mais lenta por causa da presença de Aubrey, porém a ousadia de Alana deu frutos.

Por volta do meio-dia, duas lebres encontravam-se na algibeira que ela carregava.

Aubrey estava cansado. Ele ofegava demais e havia um chiado em sua respiração. Mesmo a contragosto, o bom homem acatou a sugestão de descansarem. Alana parou ao lado de um tronco gigantesco de carvalho que tombara e o fez se sentar. Depois de encostar o arco e as flechas na árvo­re caída, ela pegou o pedaço de pão que guardara no bolso do vestido e o dividiu com o amigo.

— Aubrey — ela indagou ao terminar de comer —, acha que eu deveria ir a Brynwald?

— Para quê? — Aubrey a encarou, espantado. Alana cruzou os braços, mas não o fitou.

— Houve muito derramamento de sangue nos últimos dias. Quero saber se Sybil está viva e em segurança.

— Alana, é muito perigoso — Aubrey alegou, alarmado. — Os normandos são sanguinários, todos eles. Não sabemos que tipo de malefício pode lhe abater quando entrar no covil dos lobos. Se Sybil estivesse morta, a notícia chegaria até você.

E se ela estiver doente, Aubrey? Viva, mas gravemen­te ferida? Apesar de tudo, ela é minha irmã.

— Acha que Sybil desperdiça um só pensamento com você? — Aubrey rebateu. — Duvido.

Mas Alana estava convencida.

— Não tem como saber disso.

— Ela viria socorrê-la, caso você estivesse ferida? — Aubrey continuou. — Não! Na verdade, Sybil nem sequer veio verificar se a irmã está viva.

— Aubrey, não posso falar por ela. Só sei o que se passa em meu coração. E estamos ligadas pelo sangue...

— O mesmo sangue que as manteve separadas todos esses anos!

Por um instante, Alana ficou em silêncio. O que poderia dizer? Aubrey estava certo. Ela e Sybil não se conheciam bem porque Rowena fizera de tudo para impedir que as irmãs convivessem juntas. A mãe de Sybil fora clara ao demonstrar que não quisera ver a filha maculada pelo peca­do do marido.

— Seu pai deveria ter deixado sua mãe em paz — Aubrey comentou. — Ele amava sua mãe, mas recusou-se a casar com a filha de um camponês. Preferiu unir-se com aquela que lhe daria terras e dinheiro. Mesmo assim, Kerwain não a liberou. Em várias ocasiões, imaginei que ele lhe daria a chance de partir e casar-se com outro.

— Mamãe jamais teria partido — Alana disse. — Ela o amava. — Uma tristeza súbita a invadiu. — Não podiam ficar juntos. Não podiam viver separados.

— Kerwain era egoísta e pensava somente nos próprios prazeres. Por isso, apegou-se a sua mãe. — Aubrey torceu o nariz. — Mas ninguém pode recriminá-lo por ter se casado com aquela mulher rabugenta.

Aflita, Alana segurou o braço do amigo.

— Aubrey, tenha mais respeito. Está falando dos mortos.

— Estou falando a verdade!

Alana sentiu certa culpa, pois tais pensamentos já lhe haviam ocorrido diversas vezes. Lamentava a morte de Rowena, mas, se fosse honesta consigo mesma, não sentia nenhum pesar. Sybil, entretanto, perdera a mãe e o pai no mesmo dia.

Comovida, abaixou a cabeça e rezou para todos. O pai. Sybil. Rowena. Para si mesma e seus pecados. Amara o pai profundamente... e também o odiara pelo que fizera a sua mãe e a ela própria.

— Não sei o que fazer — murmurou, levantando-se. — Temo por minha segurança. Porém, preocupo-me com Sybil e não me perdoaria, caso ela necessitasse de ajuda e eu nada fizesse para socorrê-la.

Aubrey coçou a barba, pensativo.

— É muito parecida com sua mãe, Alana. Vê somente bondade nos outros, a despeito de tudo. Se ao menos pen­sassem o mesmo de você... Mas eu a aconselho a não se pre­cipitar. Dizem que os normandos nasceram no inferno. E o líder que tomou Brynwald para si é conhecido como o filho do diabo, um guerreiro capaz de decepar a cabeça de um homem só com o olhar. Seu nome é Merrick. Talvez seja tão desprezível quanto o duque ao qual ele serve. — Aubrey fez uma pausa. — Não sabemos que maldades estão armando. E não devemos abaixar nossa guarda...

Mas Aubrey não pôde finalizar a frase. Uma risada disso­nante reverberou pelo ar.

— Muito bom, velho. Mas creio que seu aviso chegou tarde demais.

Alana se virou. O sangue pareceu gelar nas veias quan­do, um por um, meia dúzia de normandos se alinhou em suas montarias entre ela e Aubrey. O sonho daquela manhã surgiu em sua mente.



Talvez minha flecha encontre por acaso um normando. Quem sabe não teremos tal sorte?

Pelo que tudo indicava, ambos estavam encurralados por soldados normandos.

Os seis, montados em seus cavalos negros, a encaravam com malícia. Tinham o olhar famélico, como se Alana repre­sentasse a refeição que devorariam em segundos.

Olhou para seu arco e flechas que jaziam ao lado de Aubrey. Raiva e desespero a dominavam. Não havia meios de alcançar sua arma sem que a atacassem primeiro.

— Cravaria uma flecha em meu coração, mulher? Eu faria o mesmo com você, mas não com meu arco. — Ele sorriu. — E tampouco em seu coração.

O normando que falava apeou. Embaixo do elmo, olhos escuros e brilhantes a fitavam, atendo-se aos seios sob o tecido fino do vestido. Alana lamentou não possuir um man­to para se esconder de olhares viciosos como aquele.

— Sou Raoul — ele anunciou com forte sotaque inglês. — Quem é você? E por que está sozinha na floresta com apenas um velho para protegê-la?

Alana o encarou, orgulhosa. Preferia arder no inferno a se dignar a responder àquele patife do além-mar.

— Quem é ele? — o normando persistiu. — Seu pai?

— Não lhe interessa quem ele é — Alana retrucou, enoja­da. — E não é da sua conta o que faço na floresta.

— É, sim, já que o novo senhor de Brynwald ordenou que vocês, saxões, permanecessem na aldeia. Você mora lá, não mora?

— Moro, mas...

— Nesse caso, é da nossa conta o que você faz ou não na floresta.

Aubrey se levantou, enfurecido.

Deixe a menina em paz, normando.

O homem chamado Raoul ignorou Aubrey. Atravessou a clareira e postou-se diante de Alana.

— Uma saxã valente... Gosto disso, garota, gosto mesmo.

Dada a proximidade, Alana reparou que o rapaz, além de jovem, possuía traços aristocratas. Mas havia um bri­lho perverso em seu olhar e o jeito que ele a fitava a fazia arrepiar-se.

— Suponho que ele não seja seu pai, menina — Raoul continuou. — Mas não posso acreditar que seja seu marido.

Os outros soldados riram com ele.

— Talvez ela precise de um companheiro mais esportis­ta na cama!

Um dos normandos soltou uma gargalhada sonora.

— Sem dúvida, sua virilidade deve estar tão murcha quanto a pele!

Alana ficou colérica.

— Parem com isso! Ele não é nem meu pai nem meu marido. Mas é um homem muito querido por mim. Portanto, deixem-no em paz, seus normandos porcos!

— Alana! Não diga mais nada. As palavras deles não me ferem.

— Ele a protege? Ela o protege? — Raoul agarrou uma mecha farta dos cabelos de Alana e em seguida a puxou.

Ao ver que ela resistia, o normando ficou colérico.

— Venha, sua vadia! — Dessa vez, Raoul puxou com muito mais força. Alana soltou um grito de dor.

O rosto de Aubrey tornou-se avermelhado de raiva.

— Deixem-na, seus safados! — Ele fez menção de avan­çar. Mas um dos normandos ainda a cavalo o golpeou na nuca com a espada. Aubrey tombou na terra sem emitir nenhum som.

— Meu Deus, Aubrey! — Alana exclamou, apavorada.

Ela tentou socorrer o velho amigo, porém Raoul a agar­rou pela cintura. Nesse momento, Alana começou a chutar, arranhar e debater-se. Cravou as unhas no rosto do normando até ver o sangue sair pela pele. Ele berrou de ódio e puxou-lhe os cabelos.

De alguma maneira, Alana conseguiu se libertar e correr até Aubrey. Ao redor, mais gargalhadas reverberaram.

— O que acham? Vamos nos revezar com ela?

— Acho que ela aguenta dois de nós ao mesmo tempo.

O medo dominou Alana. Pela primeira vez, atinou para o que pretendiam. Eles a usariam. Estuprariam violentamente. Repetidas vezes até lhe tirar a vida.

Ela se ajoelhou ao lado do corpo inerte de Aubrey. Quando o tocou, ele soltou um gemido. Felizmente, estava vivo.

— Aubrey! Por favor, levante-se. Temos de fugir antes que seja tarde demais!

— Venha até aqui, mulher — o tal de Raoul ordenou. Alana se levantou, ergueu o braço e socou-lhe o rosto.

As costas da mão ardiam, mas não importava. Nem sequer se abalou com o ódio que deformou a face do soldado.

— Deixe-nos em paz, seu normando desprezível!

Vai calar a boca, mulher, ou eu mesmo o farei!

Ele ergueu a mão para agredi-la. Alana, ao ver o punho fechado, preparou-se para o impacto. Mas o golpe que espe­rava não veio.

Foi então que notou a presença de outro cavaleiro na clareira.

Deus do céu! Mentalmente, Alana soltou um grito de ter­ror antes de o som apavorante chegar à garganta. Aquele era o homem de seu sonho.

Capítulo II

Entre os normandos havia um homem chamado Merrick. No auge de sua vitalidade, era alto e musculoso, tão for­te quanto um carvalho. Como a maioria dos normandos, fora criado para ser um soldado e desde garoto treinara a arte da guerra. Desenvolvera muito bem suas habilidades: empunhar a espada e a lança, cavalgar, caçar e lutar. Embora fosse o filho do conde d'Aville, jamais herdara o título, pois era o caçula de cinco irmãos e duas irmãs.

Portanto, para obter suas terras Merrick teria de lutar por elas. Precisaria merecer as recompensas que estivessem por vir. Orgulhoso e indomável, era um homem que ditava o pró­prio destino. Por isso, uniu-se ao duque Guilherme, que lhe prometera vastas propriedades em troca da vitória. Merrick estava determinado a conquistar seu domínio do outro lado do Canal, na Inglaterra.

E foi para a costa norte que Guilherme enviara seu mais corajoso cavaleiro. Lá Merrick guerreara contra o senhor de Brynwald e vencera.

Agora Brynwald e tudo que restara pertenciam a Merrick.

Ele também era sábio o suficiente para reconhecer que, apesar de os ingleses terem entregue suas armas, não haviam ainda se submetido ao inimigo. Talvez fosse o orgulho saxão ou apenas estupidez. A despeito do motivo, Merrick sabia que levaria muito tempo para conquistar a lealdade dos ingleses.

De fato, a cena diante dele provava tal teoria. Tão logo escutara os gritos, soubera exatamente o que iria encontrar. Por isso não se surpreendeu ao divisar seus soldados rode­ando uma saxã. Eram homens e possuíam suas necessidades sexuais. Não o perturbou vê-los encurralar uma mulher; afi­nal, fazia parte da guerra e não ousaria privar seus soldados do divertimento.

Mas isso foi antes de percebê-la.

Merrick conhecia bem os atributos de uma mulher atra­ente e aquela saxã sem dúvida possuía muitos. Os cabelos dourados como ouro eram gloriosos. Cachos sedosos cobriam-lhe as costas até a altura dos quadris. Apesar das tiras enro­ladas nos pés e da roupa puída que ela vestia, ele sabia se tratar de uma linda mulher, já que o perfil prometia doçura e juventude.

Contudo, quando se entreolharam, a saxã o encarou como se visse o diabo em pessoa. Na verdade, Merrick podia jurar que ela estava apavorada.

— O que está havendo aqui? — Ele se aproximou ainda montado em seu cavalo.

— Encontramos a jovem e o velho aqui — Raoul respon­deu —, onde não deveriam estar. — Ele tentou segurá-la, mas a saxã se esquivou.

— O que acha que deveríamos fazer? — ela indagou. — Aubrey e eu estávamos com fome, como todos os aldeões! — Apontou as lebres mortas. — Saímos da aldeia somente para caçar e lá está a prova de que digo a verdade.

— O velho não me parece em condições de segurar um arco — Raoul comentou.

— Fui eu quem atirou nas lebres — ela o corrigiu. — E seu estivesse com meu arco quando nos abordou, juro que estaria tão morto quanto aqueles animais.

Antes que Raoul pudesse retrucar, Merrick riu.

— A mulher não gosta muito de você, Raoul. — Então encarou o velho caído no chão. — Ele está morto?

— Não, senhor — outro soldado respondeu. — O golpe foi apenas para silenciá-lo.

— Ótimo — Merrick aprovou. — Quero evitar mais der­ramamento de sangue. — Ele fitou a jovem. — Mora na aldeia?

Ela não respondeu, mas ergueu o queixo com orgulho. A postura desafiadora o irritou.

— Já que não nega o fato, presumo que sim. Também devo presumir que está ciente da ordem expressa que dei para os aldeões permanecerem na aldeia.

Enfim, ela se dignou a falar.

— Por quê? — A voz soou tão clara quanto uma manhã de verão. — Por que temos de ficar na aldeia? Somos prisio­neiros?

Merrick ficou tenso. Havia interpretado erroneamente a expressão da saxã. Ela o encarava com ódio, não pavor.

— Não são prisioneiros. Mas por enquanto é melhor permanecerem nos limites da aldeia. É a única maneira de manter a paz.

— Paz? — ela repetiu, jocosa. — Meu senhor, como pode haver paz se não nos permite liberdade?

Ela falava com naturalidade, mas o tom de raiva contido na voz era inegável.

— Não sabe nada a meu respeito, saxã, a não ser o país em que nasci. No entanto, se tivesse a chance, seria capaz de me fazer um grande mal, não seria?

— Se pudesse, por Deus, eu o faria — ela respondeu com fervor.

Merrick a estudou em silêncio especulativo.

— Por que motivo? — perguntou após alguns instantes. — Posso saber?

— Não preciso de nenhum motivo além do fato de você ser um porco normando!

— Um porco? — Ele tentou sorrir. — Por que me olha então como se eu fosse uma aparição dos infernos?

— Porque você talvez seja!

— Um porco normando. Uma aparição dos infernos. Qual dos dois, menina?

Ela o fitou com explícita hostilidade.

— Meu senhor, acho que é um porco dos infernos e... muito mais.

— Quem é você? — Merrick perguntou sem emoção. Ela endireitou os ombros.

— Não vou lhe dizer nada, normando. Não até saber seu nome!

De perto ela era ainda mais bela, Merrick concluiu. Não parecia tão jovem quanto imaginara, mas seria doce?

— Não tenho nada a esconder, saxã. Sou Merrick. O domínio sobre a colina agora me pertence. A terra na qual está agora é minha.

Um fogo oculto pareceu acender dentro dela. A linha sua­ve dos lábios curvou-se em um sorriso de desdém.

— Então você é Merrick. Senhor dessas terras. Senhor dos normandos safados. Vou lhe dizer uma coisa, Merrick da Normandia. Você não passa de um porco sujo que pertence apenas ao chiqueiro onde vivem suas porcas!

Por um momento, Merrick não pôde acreditar no que escutara. Tamanha audácia de uma camponesa não devia ser aturada. A fúria começou a emergir dentro dele. Santo Deus, a mulher era uma idiota ou muito, muito corajosa.

Na verdade, Alana não era nenhuma das duas opções. Estava, no fundo, apavorada. Que insanidade a dominara a ponto de desafiar o cavaleiro que assombrava seus sonhos?

Com orgulho arrogante, ele representava uma figura poderosa sobre o cavalo negro. Um manto de lã enfatiza­va os ombros largos. Os cabelos também negros emoldura­vam a face de traços marcantes. A pele do rosto barbeado era bronzeada devido à exposição ao sol e ao vento.

Um murmúrio reverberou entre os normandos. Bastou apenas um olhar para o cavaleiro ordenar o silêncio. Alana sentiu-se ainda mais desconfortável. O homem então apeou muito lentamente sem tirar os olhos dela. Os olhos eram de um azul intenso. Ele caminhou com segurança e graça.

Alana reprimiu a vontade louca de sair correndo pela floresta, pois o cavaleiro parecia ainda maior que em seus sonhos. Os ombros tão largos quanto uma espada não eram fruto de sua imaginação. E ele era ainda mais alto que Radburn, um dos soldados mais valentes de seu pai.

O normando parou diante de Alana. Estava tão próximo que ela pôde sentir o movimento do tórax maciço à medida que ele respirava.

Embora desejasse o contrário, ela não se moveu. Sabia que seu pai não mostrara fraqueza na batalha apesar do poderoso oponente. Portanto, ela, decidiu com mais valentia que prudência, também não o faria.

Mesmo trêmula, enfrentou o olhar do guerreiro.

— Você me chamou de porco três vezes — ele pronun­ciou com naturalidade. — Já matei muitos homens por muito menos, mulher. E verei o dia em que me chamará de senhor, saxã. Isso eu prometo.

— Vou chamá-lo pelo que você é, um cachorro norman­do! — Alana explodiu, insensata. — Fala em nome da paz, mas os normandos só sabem guerrear e matar! São todos ladrões! Ladrões de terras, de vidas. Não vou obedecê-lo, normando. Tampouco obedecerei a sua lei. Cuspo em você, em todos vocês!

Somente depois de se calar, Alana percebeu que havia ido longe demais. Ele limpou a saliva do rosto e avançou tão rapidamente que a fez gritar.

Aquele brutamontes não precisava de armas para truci­dá-la. Bastava-lhe apertar seu pescoço para privá-la de ar.

De repente, o homem a segurou sem brutalidade, mas com firmeza implacável.

— Perguntei-me se era tão corajosa — ele disse — ou apenas tola. Agora já tenho a resposta.

— Solte-me! —Alana o socou.

— Ainda não, saxã. Foi você quem começou esse jogo. Mas prometo que vou encerrá-lo. — Merrick a soltou. — Talvez eu deva cortar sua língua.

Os olhos azuis a fitaram com insolência, detendo-se nos seios e, em seguida, na secreta feminilidade que havia entre as pernas. Era como se o normando pudesse enxergar para além do vestido.

— Ou talvez — ele prosseguiu — haja outro jeito de silenciar essa sua boca adorável.

Os outros homens riram. Apreciavam seu senhor e suas intenções.

— Ela é apetitosa!

— Dê a ela uma prova da espada normanda, senhor! — um deles zombou.

— Coloque-a a seus pés, onde ela deve estar!

— Ah, imagine o que essa boca é capaz de fazer! Os homens vibravam.

Alana sentiu o rosto queimar. Embora falassem em francês, ela os compreendia muito bem, pois seu pai lhe ensinara a língua.

Durante todo o tempo, o olhar de Merrick da Normandia continuava sobre ela.

— Deixem-nos a sós — ele ordenou. — Levem o velho para a aldeia e depois voltem para Brynwald.

Alana observou dois soldados erguerem Aubrey. Ficou aliviada ao ver que o bom homem não estava ferido, apenas estonteado. Assim que os homens se dispersaram, ela cer­rou os lábios para evitar que tremessem. Permaneceu onde estava, apavorada e insegura.

Não haveria como escapar da ira de Merrick.

— Por que os mandou embora? — perguntou em um sussurro.

Ele sorriu. Era o sorriso do demônio!

— Talvez eu termine o que meus homens pretendiam começar quando cheguei.

A mente de Alana voou como os ventos dos mares revol­tos. Os aldeões haviam mencionado que nenhuma mulher estaria salva da luxúria dos normandos. No primeiro dia, na extremidade do pasto, ela vira um normando violentar a filha do leiteiro.

— Não pode estar falando sério...

— Agora somos só nós dois, saxã. Não conseguirá me vencer.

Talvez ele estivesse certo. Talvez não devesse combatê-lo. Contudo, Alana não era uma mulher passiva.

Hesitou por um instante e tentou passar por ele. Merrick a agarrou pela cintura com extrema facilidade.

— Não! — Alana gritava e o socava. — Não vai me tocar!

Seus socos eram como pequenos beliscões no peito musculoso. Ele a jogou sobre a terra úmida.

— Vou tocá-la agora, saxã.

Infelizmente, era verdade. Alana ficou desesperada ao sentir o peso do corpo viril sobre o dela. As coxas musculosas pareciam esmagar as delas. Dos seios às pontas dos pés, não havia lugar que Merrick não a tocasse.

As mãos eram como ferro. Ele a segurou pelos pulsos, impedindo-a de se debater.

— Somos conquistadores, saxã. Renda-se a mim, seu senhor normando.

— Nunca! Não vou me render. Nós não nos renderemos! Lutaremos até expulsá-los da Inglaterra.

— E quem será o vitorioso em nossa pequena batalha? Normando ou saxão?

Furiosa, Alana tentou empurrá-lo. O homem parecia imexível, tal qual uma pedra gigante.

— Pode ter nos vencido agora, normando — ela gritou —, mas nós nos ergueremos contra vocês e então seremos os conquistadores.

O cretino soltou uma gargalhada.

Revoltada, Alana o chutou a fim de liberar as mãos. Mas suas investidas foram vãs. Ele simplesmente pressionou o próprio peito contra o dela até vê-la engasgar.

— Vou perguntar de novo. Quem é o vitorioso agora, menina? Normando ou saxão?

A beira das lágrimas, ela meneou a cabeça. Um brilho de raiva cintilou nos olhos azuis. Acima de tudo, Alana estava ciente do poder daquele corpo, da força de sua vontade normanda. Fechou os olhos, temendo a retaliação.

Contudo Merrick nada disse. Tampouco se moveu. Alana abriu os olhos e notou que ele a observava com uma expres­são estranha.

Permaneceu parada quando o normando a soltou só para tirar as luvas. Um dedo áspero traçou a curva de seu pescoço e lábios. O toque foi tão leve quanto uma pena. Em seguida, o toque suave desceu o decote do vestido. Fora uma sur­presa assistir a um movimento tão sutil, pois ela imaginara que o normando rasgaria suas roupas para possuir seu corpo, tal qual acontecera à filha do leiteiro.

O gesto, na realidade, assemelhava-se a uma carícia. Alana se sentiu tão tonta que nem sequer podia pensar. De perto, ele era ainda mais aterrorizante. Os lábios ressecados estavam entreabertos sob o nariz angular. Os olhos de um azul translúcido brilhavam em contraste com a pele more­na. Mas não havia frieza naqueles olhos. Havia apenas um desejo ardente que a aquecia por dentro.

O coração de Alana disparou. O olhar penetrante se deteve em seus lábios. Ela podia sentir a respiração quente tocar-lhe o rosto. Certamente ele não a beijaria, pensou em pânico.

— Você é o vitorioso — proclamou. — Você, normando, não eu!

Um som de pavor emergiu em sua garganta. Certa de que ele a trucidaria, Alana virou o rosto.

— Você me ofende — Merrick anunciou e levantou-se. — Prefere admitir derrota a ser beijada?

Aflita, ela se ergueu.

— Um beijo de um normando — Alana não escondeu a repulsa —, de um porco...

A ferocidade com que ele a encarou a fez calar-se.

— Não repita isso — Merrick vociferou. — Ou juro que irá se arrepender.

Mas Alana já havia dito. Ele a fitava em desafio, como se esperasse uma réplica. Como nada acontecesse, Merrick se virou.

Atenta, Alana o observou. Deslizou a mão sob a manga do vestido, onde escondia sua adaga. Não a esquecera, só não tivera tempo para usá-la. Teria sido inútil tentar ferir Raoul, já que houvera outros homens de prontidão. Um arrepio a fez estremecer quando lembrou-se do sonho. Parecia impos­sível acreditar que o cavaleiro negro estava diante dela!

Todavia Merrick não era disfarce do demônio. Muito menos o espectro das sombras. Era apenas um homem de carne, osso e sangue.

Alana segurou a adaga e a ocultou entre as saias do ves­tido. O coração acelerou, a boca ficou seca. Seria capaz de fazê-lo? Mãe de Cristo, não queria matar aquele homem! Mas se pudesse feri-lo, talvez conseguisse fugir.

Esperou que Merrick se abaixasse para recolher as luvas. Estava de costas para ela. Sem dúvida, não surgiria oportuni­dade melhor que aquela.

Mas, pelo canto dos olhos, Merrick notou o brilho da lâmina. Com os reflexos de um guerreiro, rodopiou quando ela se preparou para atacá-lo.

Ele a segurou pela mão. Seus dedos apertaram o pulso delicado sem a menor compaixão. Alana lutou com mais ferocidade ainda. Caíram mais uma vez na terra úmida. E novamente Merrick deitou-se sobre ela.

Continuou a apertar o pulso da mão que empunhava a adaga. Pressionou com tamanha força que Alana soltou a arma, a qual Merrick pegou. Ela encarou com profundo ultraje.

Dessa vez, Merrick pretendia ensinar-lhe uma lição e, por Deus, ele o faria. A saxã não se libertaria tão facilmente.

— Amaldiçoado seja, seu normando dos infernos! — ela explodiu.

Uma fúria sombria invadiu Merrick. A raiva borbulhava em suas veias. Frustrado, cravou a adaga na terra, ao lado da cabeça dela.

A saxã havia acabado de selar o próprio destino.





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