Silvia Maria de Araújo · Maria Aparecida Bridi · Benilde Lenzi Motim



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CAPÍTULO 11 - Juventude: uma invenção da sociedade

LEGENDA: Jovens comemoram ingresso na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém (PA). Foto de 2014.

FONTE: Tarso Sarraf/Folhapress



ESTUDAREMOS NESTE CAPÍTULO:

A juventude como uma invenção da sociedade. A condição de ser jovem muda conforme a época, o contexto, a sociedade e a classe social. A questão da identidade é de extrema importância na definição atual de juventude. As representações sociais da juventude e as questões referentes à educação, aos problemas sociais, aos conflitos de gerações e de outras ordens vividos pela juventude, hoje, refletem as contradições da sociedade.

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As juventudes

Juventude

Começo esta poesia

Com muita dignidade

É o jovem camponês

E o jovem da cidade

Na luta pelos direitos

Por outra realidade

A juventude do campo

Vive sempre excluída

Sem direito ao trabalho

Isso a torna oprimida

Mas os jovens se reúnem

Seja em grupo ou mutirão

Dentro da organização

Se encontra uma saída

A juventude da cidade

que vive em periferia

Com muita sabedoria

Supera a disparidade

Vive em busca da igualdade

Por justiça e educação

Com alegria e diversão

Ela luta de verdade

A juventude está unida

Seja urbana ou rural

Enfrentando um sistema

Esse tal neoliberal

Superando tanta dor

Com o canto e a poesia

Somos da sociedade

Cultivando a utopia

Continuo esta poesia

Com muita felicidade

É o jovem camponês

E o jovem da cidade

Na luta pelos direitos

Por outra realidade.

TERTO, Severino Santos. O grito da geração. Mundo jovem. Disponível em: www.mundojovem.com.br/poesias-poemas/juventude/o-grito-da-geracao. Acesso em: 29 jun. 2015.

FONTE: Filipe Rocha/Arquivo da editora

O poema acima nos remete a certo protagonismo do jovem por direitos e melhores condições de vida em qualquer contexto ou época. Mas a quem nos referimos quando usamos o termo juventude? A determinada faixa etária - ou seja, a uma idade biológica - ou a uma condição social?

LEGENDA: Tirinha de O Menino Maluquinho, de Ziraldo.

FONTE: © Ziraldo Alves Pinto/Acervo do cartunista

A resposta a essa pergunta é complexa e as Ciências Sociais nos permitem esclarecer a questão. Juventude diz respeito a uma condição social transitória associada a aspectos do desenvolvimento biológico e emocional do ser humano, além de variáveis constituídas culturalmente e que ocorrem em determinado período da vida. Quando se fala em juventude, atribuem-se determinadas características a determinado grupo - algumas das quais relacionadas a uma faixa etária, independentemente do tempo histórico, e muitas outras não.

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A juventude é um período relativamente longo de nosso ciclo vital que envolve muitas transformações biológicas e

[... ] coloca os sujeitos sob novos olhares sociais, que interferem nas suas ações e psiquismo. Estes olhares não são iguais, nem incidem sobre a mesma faixa etária, pois cada sociedade, grupo e classe social reservam um determinado período para que se realize a passagem da dependência infantil para a autonomia da idade adulta.

CASTELO BRANCO, Maria Teresa. Jovens sem-terra: identidades em movimento. Curitiba: Ed. da UFPR, 2003. p. 25.

Tal qual a criança é submetida a um processo de socialização, o jovem está sujeito a normas, regras de comportamento e valores, conforme o contexto social em que vive. A sociedade estabelece alguns papéis a cumprir, atribuindo expectativas e realizações às pessoas em cada circunstância e fase da vida, e algumas dessas atribuições são esperadas dos jovens. Formam-se, assim, determinadas representações sociais da juventude, que resultam de diferentes concepções de educação e dão origem a cobranças por ações políticas. Nessa fase podem ocorrer, porém, rupturas nesse processo de socialização: apesar de continuarem a ser culturalmente educados e orientados pelos adultos, os jovens reelaboram informações e recomendações recebidas de outras fontes ao construir sua identidade.

A juventude é representada conforme a sociedade, a época histórica e a classe social que a definem.

O conceito de juventude nada expressa se não for tratado em seu contexto histórico e sociocultural. A definição das faixas etárias que são consideradas "jovens", por exemplo, varia de acordo com a relação que se estabelece entre pais e filhos. O texto a seguir, sobre a França medieval, mostra uma situação em que a ideia de juventude em si não existia.

Na Idade Média, a Igreja enfraquecera o poder paternal ao reconhecer a validade dos casamentos [... ], desde que os rapazes tivessem treze anos e meio e as raparigas onze anos e meio. E, a partir do século XII, ela considerava o casamento um sacramento que os cônjuges se davam a si próprios por troca de consentimentos. [... ] [Séculos depois] Os protestantes - incluindo os anglicanos - viam [... ] o consentimento dos pais como tão essencial ao casamento como o consentimento dos esposos.

FLANDRIN, Jean-Louis. Famílias: parentesco, casa e sexualidade na sociedade antiga. Lisboa: Editorial Estampa, 1992. p. 141-142.

LEGENDA: A litografia ao lado retrata o casamento entre uma baronesa e um barão franceses de pouca idade (no detalhe acima), em Constantinopla (atual Istambul, na Turquia), em 1204, mostrando que a ideia de juventude nem sempre existiu ou correspondeu à contemporânea.

FONTE: Giraudon/The Bridgeman Art library/Keystone/Museu Condé, Chantilly, França.



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Naquela época, na Europa ocidental, a expectativa de vida da população era muito baixa (entre a nobreza, da qual há mais registros, mal passava dos 40 anos) e os pais definiam os papéis dos filhos, sem que infância e adolescência configurassem estilos de vida e identificações sociais próprias. Na sociedade medieval, e ainda durante muitos séculos, as pessoas se casavam numa idade que, hoje, consideraríamos precoce. Já na Idade Moderna, precisavam da autorização dos pais para contrair matrimônio. Esses exemplos mostram que infância e juventude são construções históricas, não universais: não foram necessariamente pensadas nem vividas de modo igual em outros tempos e sociedades.



Pesquisa e debate

Converse com pessoas mais velhas, como seus parentes ou professores, questionando-os acerca das memórias que eles têm sobre o que significava "ser jovem" no tempo deles e o que eles acham que é "ser jovem" nos dias de hoje. Pergunte sobre o interesse deles em questões sociais e políticas e sobre hábitos de consumo à época em que eram jovens. Anote as informações. Depois, reúna-se com os colegas em grupos de até cinco pessoas e discutam sobre:

a) O que há de comum e de diferente entre as pessoas que vocês entrevistaram?

b) A que se devem essas diferenças e semelhanças?

c) Em sua opinião, há semelhanças entre ser jovem hoje e em outras épocas? Por quê?

Ao final da conversa, anotem as conclusões do grupo e apresentem-nas para a turma.

Estudos da Antropologia: ritos de passagem

Os estudos antropológicos e etnológicos foram uma importante fonte de desnaturalização de muitas ideias relacionadas à juventude e à adolescência. Em muitas sociedades classificadas como tradicionais, a criança passa para a fase adulta sem que haja uma transição duradoura, com uma gradação de direitos e responsabilidades, como observamos na sociedade moderna. Essa passagem da fase infantil para a adulta geralmente se dá em um tipo específico de rito de passagem, uma cerimônia coletiva na qual o indivíduo adentra em uma nova etapa de sua vida.

O antropólogo franco-alemão Arnold van Gennep (1873-1959) definiu esse tipo de rito como um rito de iniciação. Muitas vezes, essa passagem envolve até mesmo a separação do indivíduo em relação à comunidade por determinado período, para que ele possa reingressar ocupando uma nova posição social. Em muitas culturas, o rito de iniciação feminino coincide com a primeira menstruação, demarcando, assim, sua aptidão para a reprodução, enquanto o masculino envolve a aceitação de sua participação em atividades coletivas, como a caça.

Os ritos de iniciação costumam envolver situações de resistência a privações, dores e marcas físicas, como escarificações e incisões, feitas diante da ou pela comunidade toda. De acordo com o antropólogo francês Pierre Clastres (1934-1977), "o objetivo da iniciação, em seu momento de tortura, é marcar o corpo: no ritual iniciatório, a sociedade imprime a sua marca no corpo dos jovens" (1990, p. 128), do que se pode depreender a sua importância para a plena inserção do indivíduo iniciado naquela sociedade.

Glossário:

escarificação: corte, incisão ou arranhadura que, em geral, deixa cicatrizes no corpo do indivíduo.

Fim do glossário.



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LEGENDA: Acima, jovem judia celebra seu bat mitzvah após completar 12 anos, na cidade de Palm Beach, nos Estados Unidos, em 2008. Ao lado, em foto de 2012, jovem Kuikuro participa de ritual de passagem pelo qual deve ficar reclusa em sua oca durante um ano, em aldeia no alto Xingu (MT).

FONTES DAS FOTOS: Uma Sanghvi/Zuma Wire Service/Alamy/Other Images; Renato Soares/Pulsar Imagens

Em muitas sociedades alguns ritos de iniciação à vida adulta continuam sendo realizados, mas tiveram seu significado transformado. Um exemplo: embora participem de cerimônias que simbolizam a passagem para a vida adulta aos 12 (meninas) e 13 (meninos) anos, a maior parte dos judeus não mais assume, com essa idade, as responsabilidades de um adulto. Além disso, na contemporaneidade, as sociedades se utilizam de acontecimentos que selam o início da vida adulta e lembram os ritos de passagem, tais como o reconhecimento da condição de maioridade, o direito ao voto, o ingresso no ensino superior, a idade para tirar a carteira de habilitação para conduzir automóveis, etc.

A ideia da adolescência como um período em que o conflito entre gerações e a rebeldia juvenil se estabeleceriam naturalmente também caiu por terra com a pesquisa da antropóloga norte-americana Margaret Mead (1901-1978) na ilha de Samoa, no final dos anos 1920. Mead descobriu que a transição era menos percebida pelas jovens samoanas por lhes serem apresentadas desde a infância as possibilidades futuras. Assim, elas não enfrentavam a dificuldade de escolher entre alternativas e cobranças conflitantes.

Alguns cientistas sociais identificam as dificuldades de adaptação à vida adulta e de aceitação de responsabilidades enfrentadas pelo jovem na sociedade contemporânea como decorrentes da falta de ritos claros de transição. Nas palavras do antropólogo francês Georges Balandier (1920-):

[...] os jovens vivem sua situação com crescente insegurança - pois os processos "iniciáticos", que assegurariam sua inserção na ordem social e cultural dos adultos, desapareceram há muito tempo.

BALANDIER, Georges. Antropo-lógicas. São Paulo: Cultrix/Edusp, 1976. p. 69.



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Pesquisa

O contexto histórico-cultural é determinante para as distintas maneiras de viver a juventude ou de ser jovem. Para conhecer mais sobre a juventude brasileira em contextos culturais diversos, pesquise na internet textos de antropólogos, sociólogos, cientistas políticos, além de documentários ou filmes que abordam os ritos de passagem da infância para a idade adulta em diferentes grupos sociais do Brasil, urbanos e rurais, como os dos diferentes povos indígenas. Anote as referências da pesquisa, faça uma síntese sobre as características do rito de passagem pesquisado e apresente seu trabalho em sala de aula.



Juventude: um tempo de preparação e responsabilidades

FONTE: Filipe Rocha/Arquivo da editora

Atualmente, a condição de adulto é reconhecida socialmente quando se supõe que o indivíduo completou seu desenvolvimento biológico, psíquico e emocional, bem como atingiu um potencial para exercer a cidadania plena. Assim, o adulto é aquele considerado capaz de trabalhar para sustentar a si e a outros; de maneira geral, está pronto para gerar e cuidar de filhos e para tomar decisões na sociedade, o que implica uma mudança tanto nos direitos como nos deveres.

No século XX, diante das exigências da sociedade industrial, análises sociológicas e históricas consideraram a juventude um tempo de preparação para tarefas complexas, relativas à produção e a relações sociais mais diversificadas. Ultimamente, atribui-se à escola o papel de preparar as pessoas para a vida adulta e, com isso, desenvolveu-se a ideia de que os jovens, até certa idade, deveriam ficar livres das obrigações produtivas e do trabalho, mas com o dever e a oportunidade de estudar. Nesse sentido, a juventude seria um tempo socialmente dedicado à formação para a cidadania, e o Estado deveria garantir as condições para tal.

Muitos autores, porém, criticaram essa ideia, afirmando que ela tem um viés classista. Isso porque ela se aplica apenas aos filhos das classes socialmente privilegiadas, enquanto filhos de trabalhadores pobres têm dificuldades de acesso à escola e muitas vezes precisam trabalhar desde a infância.

Cabe-nos, portanto, fazer uma distinção entre condição juvenil e situação juvenil:



Condição juvenil é o modo como uma sociedade constitui e atribui significado a esse momento do ciclo da vida, que alcança uma abrangência social maior, referida a uma dimensão histórico-geracional.

Situação juvenil diz respeito à maneira como tal condição é vivida a partir dos diversos recortes referidos às diferenças sociais - classe, gênero, etnia, etc.

ABRAMO, Helena. Condição juvenil no Brasil contemporâneo. In: ABRAMO, Helena; BRANCO, Pedro (Org.). Retratos da juventude brasileira: análises de uma pesquisa nacional. São Paulo: Fundação Perseu Abramo/Instituto Cidadania, 2005. p. 42.

LEGENDA: Jovem faz seu título de eleitor em Ribeirão Preto (SP), em 2012.

FONTE: Alfredo Risk/Futura Press



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Podemos, então, nos referir a "juventudes", e não apenas a uma "juventude", compreendendo que diferenças e desigualdades sociais tornam essa condição heterogênea. Diversos perfis de jovens surgem de acordo com a classe social, a situação econômica, o acesso à educação e ocupações variáveis; enfim, conforme a sociedade e suas conjunturas.

Em alguns contextos, grupos jovens de diferentes gerações podem ser caracterizados na sociedade como pertencendo a um mesmo "movimento". Um exemplo dessas caracterizações é a expressão "juventude transviada", usada para se referir aos jovens que iam contra as regras de comportamento dominantes para chocar as gerações mais velhas e se afirmar como "diferentes" na década de 1950, nos Estados Unidos.

LEGENDA: Encontro de motociclistas em São Francisco, Estados Unidos, em meados dos anos 1950. Jaqueta de couro, motocicleta e rock'n'roll faziam parte do cotidiano da "juventude transviada" naquele país.

FONTE: Underwood Archives/Getty Images

Pausa para refletir

Reflita sobre a contradição entre expectativas sobre os jovens e decisões que eles tomam, expressa nesta charge do cartunista Laerte. Discuta: quais são as responsabilidades atribuídas à juventude hoje? O que você pensa delas?

FONTE: Laerte/Acervo do cartunista

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Sociologia e juventude por Mannheim

Vimos que juventude não é um fenômeno universal e atemporal. A traumática experiência enfrentada por muitos jovens durante a Primeira Guerra Mundial colocou em evidência a contraposição juvenil às gerações adultas e permitiu que, pela primeira vez, se falasse na formação de um sentimento de geração. Karl Mannheim (1893-1947), sociólogo de origem húngara, refletiu sobre esse assunto. Ele viveu o contexto das duas guerras mundiais e dos regimes nazifascistas europeus, percebendo que os Estados em guerra mobilizavam todos os seus recursos - incluindo os jovens, bem como os demais cidadãos - para vencer o conflito.

Mannheim fez considerações sobre a função sociológica da juventude, observando como a sociedade tratava os jovens no contexto histórico-social da primeira metade do século XX. Os jovens se destacavam, então, como uma força a ser acionada quando as circunstâncias sociopolíticas os requisitassem. Esse papel social de reserva da própria cultura aparece neste trecho da obra Diagnóstico de nosso tempo, publicada pela primeira vez em 1943:

O primeiro problema que nos fere a atenção é este: será sempre o mesmo o significado da juventude na sociedade? Evidentemente, não. Há sociedades em que as pessoas mais velhas desfrutam prestígio bem maior que as mais moças, como por exemplo, na antiga China. Há outras em que, como nos Estados Unidos da América, depois de 40 anos muitas vezes o homem é considerado velho demais para um emprego e só os moços interessam. [...] O problema sociológico é que, apesar de sempre surgirem novas gerações em função dos grupos de idade mais jovem, depende de uma dada sociedade fazer ou não uso delas [...]. A juventude pertence aos recursos latentes de que toda sociedade dispõe e de cuja mobilização depende sua vitalidade.

MANNHEIM, Karl. Diagnóstico de nosso tempo. Rio de Janeiro: Zahar, 1980. p. 48-49.

LEGENDA: Karl Mannheim dedicou-se a analisar grandes processos sociais e é considerado o precursor da sociologia da juventude. Acima, em foto de 1943.

FONTE: Elliott & Fry/National Portrait Gallery, Londres.

LEGENDA: Charge de Laerte.

FONTE: Laerte/Acervo do cartunista



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Nesse livro, Mannheim defende que à juventude de sua época estariam agregados valores sociais ambivalentes: "Quando eu era jovem, a crença corrente era que a juventude é progressista por natureza. Desde então isso se revelou falacioso, pois aprendemos que os movimentos reacionários ou conservadores também podem criar movimentos de juventude" (p. 51). Será que essa observação, feita na primeira metade do século XX, ainda faz sentido para os jovens de hoje?

O jovem não é por natureza revolucionário ou conservador, afirma Mannheim, que presenciou movimentos de juventude conservadores, como a juventude hitlerista, na Alemanha, e as milícias italianas fascistas. Embora haja, na atualidade, jovens engajados na defesa de direitos do cidadão e do respeito à diversidade, grupos jovens neonazistas ainda estão presentes em diversos contextos sociais. Apesar de sua heterogeneidade, podemos dizer que os neonazistas são ultranacionalistas e intolerantes com alguns segmentos da população, como imigrantes ou migrantes de regiões menos desenvolvidas economicamente do mesmo país, afrodescendentes, homossexuais, judeus, entre outros.

Glossário:



reacionário: palavra originada de 'reação', usada para designar aquele que reage negativamente a transformações na sociedade.

Fim do glossário.

LEGENDA: Material neonazista apreendido em operação policial contra grupos de intolerância em São Paulo (SP), em 2009.

FONTE: Robson Ventura/Folha Imagem

LEGENDA: Esse registro da juventude nazista marchando, em abril de 1935, revela a adesão precoce de pessoas à ideologia do Estado alemão na época.

FONTE: Album/akg-images/Latinstock

Boxe complementar:

Encontro com cientistas sociais

No trecho a seguir, Karl Mannheim defende a existência de características juvenis que, quando mobilizadas e integradas, auxiliam a sociedade a encontrar propostas de solução para crises sociais.



Em nosso ver, a prenda mais importante da juventude para ajudar a sociedade a dar nova saída é que [...] ela ainda não está completamente envolvida no status quo da ordem social. A Psicologia e a Sociologia modernas do adolescente ensinaram-nos que a chave para a compreensão da mentalidade da juventude moderna não se encontra unicamente na efervescência biológica dessa fase do desenvolvimento humano. [...] O fato decisivo acerca da puberdade, no nosso ponto de vista, é que a juventude entra nessa quadra na vida pública e na sociedade moderna, e é então que ela se vê confrontada pela primeira vez com o caos das valorações antagônicas.

MANNHEIM, Karl. Diagnóstico de nosso tempo. Rio de Janeiro: Zahar, 1980. p. 52.

Glossário:

status quo: expressão emprestada do latim, refere-se à ordem instituída, ao estado em que as coisas estão.

Fim do glossário.

· Depois desta leitura, responda no caderno: Nas condições da sociedade atual, o jovem pode ser considerado "um agente revitalizador da vida social", tal como posto por Mannheim? Apresente suas ideias oralmente, em aula.

Fim do complemento.



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Juventude e sociedade

Estudantes ocupam mais de 100 escolas paulistas em protesto contra reforma

A Secretaria Estadual de Educação informou nesta segunda-feira (23) que 108 escolas paulistas estão ocupadas por estudantes que protestam contra o fechamento de 94 unidades de ensino no estado. [...] Os estudantes defendem a discussão do projeto de reorganização da rede de ensino com a comunidade escolar e que não ocorra já no próximo ano, como foi anunciado pelo governo paulista. A proposta prevê a segmentação das escolas em três grupos (anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio) [...].

MACIEL, Camila. Estudantes ocupam mais de 100 escolas paulistas em protesto contra reforma. Agência Brasil, 23 nov. 2015. Disponível em: http://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2015-11/estudantes-ocupam-mais-de-100-escolas-paulistas-em-protesto-contra-reforma. Acesso em: 20 dez. 2015.



Conheça os bastidores da ocupação das escolas de SP

Uma rotina de aprendizado, discussão política e atividades culturais faz parte dos bastidores da ocupação das escolas por estudantes da rede pública por mais de um mês em São Paulo. O projeto de reorganização das escolas, apresentado pelo governo do estado, sucumbiu diante do protesto de estudantes. Eles ocuparam unidades de ensino contra o fechamento de 94 escolas. Além de conseguirem mostrar força política com a suspensão do projeto, os estudantes vivenciaram uma experiência singular. [...]

Para a estudante do Ensino Médio Eloiza Oliveira, que participou das ocupações, o conhecimento adquirido durante o tempo de convívio nas escolas foi muito além do aprendizado cotidiano. "A gente teve muito mais atividade cultural do que o ano inteiro de aula. Tivemos teatro e oficinas. Eu acho que, além da luta pela educação de qualidade, uma luta pela adequação da educação", disse.

CONHEÇA os bastidores da ocupação das escolas de SP. EBC, 14 dez. 2015. Disponível em: . Acesso em: 20 dez. 2015.

LEGENDA: A Escola Estadual Diadema, na cidade homônima, na região metropolitana de São Paulo (SP), uma das unidades ocupadas por estudantes durante os protestos realizados em 2015.

FONTE: Erick Florio/Futura Press

As notícias acima exemplificam a reação, em 2015, de jovens das escolas públicas estaduais de São Paulo a uma proposta do governo de reorganizar as escolas por ciclo de ensino. Eles se sentiram prejudicados porque não foram consultados a respeito do processo que resultaria, entre outras coisas, no fechamento de escolas. O movimento organizado por estudantes do Ensino Médio realizou diversas manifestações e ocupou as escolas, substituindo as aulas regulares por atividades extracurriculares e aulas abertas, a fim de pressionar para que a proposta não se concretizasse. Esse pode ser considerado um exemplo de ação política em prol de direitos da juventude.

Do ponto de vista sociológico, portanto, conflitos de diversas ordens vivenciados pela juventude refletem as contradições presentes na vida pública das sociedades. Por ser uma força social, a juventude tem o potencial de abraçar causas que lhe chamam a atenção e com as quais se identifica, como as de muitos movimentos sociais evidenciados no Capítulo 9.



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