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Polónia. A estabilidade do Estado polaco só aconteceu no final da I Grande

Guerra. Os judeus eram estranhos no nosso meio e quiseram sempre derrotar

o novo Estado. Eles foram a alma do partido comunista e os culpados da

entrega da Polónia à Rússia. Desde o princípio que houve uma luta de vida ou

de morte entre nós.

- Mas porquê?

- Na minha aldeia todos nós devíamos dinheiro aos judeus. Eu era tão

pobre quando cheguei a Varsóvia, que durante os primeiros dois anos,

o meu quarto era um armário e o meu colchão era feito de trapos. Fechava-me

no quarto-de-banho para poder estudar. Esperei muito tempo para ter

vaga na Universidade, mas nunca havia lugar porque os judeus mentiam a

seu próprio respeito para contornarem o sistema de propinas. Podes pensar

que o sistema era errado, mas se não fosse por causa dele, os judeus comprariam

todas as cadeiras, de todas as salas de aula. Eles eram tão astutos

quanto imaginar se possa. Os judeus catedráticos e os professores controlavam

todas as facetas da vida da Universidade. A correr sempre com os

outros. Eu alistei-me no Movimento Estudantil Nacionalista porque era um

meio de combatê-los. Já depois de me ter formado, eram sempre os judeus

que obtinham as melhores posições. Bem, o meu pai matou-se de tanto beber

e a minha mãe trabalhou tanto para pagar aos usurários judeus da nossa terra,

que morreu muito nova. Durante todo esse tempo eu mantive-me fiel ao

nacionalismo polaco e por causa dele tenho sofrido um inferno.

O rapaz olhou para o seu mestre. Relembrava-se de Adam Kelno a

acalmar com ternura uma criança ulu e a reconfortar a sua mãe. “Meu Deus,

o Dr. Kelno seria incapaz de usar indevidamente a medicina.”

O livro O Holocausto estava em cima da mesa. Um grosso e cinzento livro

com o nome do autor em letras vermelhas como chamas devoradoras.

- O autor é, sem dúvida, um judeu - disse Adam.

- Sim.


- Bem, não importa. Eu já fui mencionado noutros livros deles.

- Mas este é diferente. Mal foi publicado e já uma boa meia-dúzia de

pessoas me têm feito perguntas a seu respeito. É só uma questão de tempo, até

que um jornalista descubra o assunto. Agora que o senhor é um cavaleiro, a

coisa vai render muito.

Ângela apareceu vestindo um velho roupão.

- O que é que vou fazer ? - perguntou Adam. - Fugir novamente para

alguma selva longínqua?

- Não. Acho que deve ficar e lutar. Impeça a venda do livro e prove que o

seu autor é um mentiroso.

- Tu és jovem e muito inocente, Terry.

- O senhor e o meu pai são tudo quanto tenho, Dr. Kelno. Será que

ambos passaram tanto tempo em Sarawak para, no final de contas, só levarem

isto para a sepultura?

- Será que compreendes o significado duma luta destas?

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- Devo perguntar-lhe, doutor, há alguma verdade nisto tudo?

- Como é que te atreves ? - perguntou Ângela. - Como é que podes fazer

uma pergunta dessas?

- Eu não acredito que haja! Será que podemos lutar? Eu gostaria de

ajudá-lo.

- Estás realmente preparado para o escândalo e para a multidão de

mentirosos profissionais que irão desfilar nos tribunais ? Tens mesmo a certeza

de que a atitude honrosa não é calar, e manter a dignidade, em silêncio?

tornou Ângela.

Terrence abanou a cabeça e saiu da sala para não chorar.

Os colegas de Terry beberam muita cerveja e gim, cantaram muitas

canções conhecidas e discutiram vários assuntos, que eram os importantes

naquele momento, com o frenético entusiasmo habitual nos jovens.

Como Terry tinha a chave da clínica do Dr. Kelno, a alguns quarteirões

de distância da casa, ele e os seus colegas libertaram-se das outras frustrações

fazendo amor com jovem amigas, altas horas da noite, nas mesas de exame e

nas macas espalhadas pelas salas, a cheirar a desinfectante. Um desconforto

pouco importante.

Chegou o Natal, os perus e gansos foram devorados e cada um dos hóspedes

recebeu um modesto presente, porém bem escolhido e brincalhão. O

Dr. Kelno abriu um grande número de presentes, humildes e sentimentais,

que os seus pacientes lhe mandavam.

Foi tudo muito festivo e os visitantes não perceberam a tensão reinante, e

regressaram a Oxford bastante contentes.

Terry e Adam despediram-se com uma certa cerimónia. O comboio

partiu. Ângela deu o braço ao marido e saíram juntos da imensidão vitoriana,

que é a Estação de Paddington.

Passou-se uma semana, depois duas, depois três. A inquietação do estudante

era só igualada pela inquietação e mau-humor do Dr. Kelno. Nunca

tinha passado um período tão grande sem que os dois se tivessem contactado.

E Adam sentia saudades do tempo em que descia o Lemanak com Stephan

ao leme e Terry à proa, a conversar com o barqueiro na língua dos ibans.

Como eram gentis com os meninos, os ulus!

Houve um Verão, quando Stephan tinha doze anos, que Bintang os

tornou membros honorários da tribo, presenteando-os com as coloridas

vestimentas. E eles tinham dançado com o chefe, usado os chapéus enfeitados

de penas e pintado as caras, para imitar as tatuagens.

Os olhos de Terry observavam Adam por detrás da máscara cirúrgica,

enquanto este operava. Adam gostava de tê-lo junto a si. Operava sempre

Melhor quando o menino estava ali.

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Quando findavam os dias difíceis, de atendimentos nas cabanas comunais,



havia os banhos no riacho e nas quedas de água. E à noite eles dormiam junto

uns dos outros, sem temerem os sons da selva.

Tudo isto preenchia os seus pensamentos dia e noite, até que não pôde

aguentar mais. Não pensava só em Terrence. O que aconteceria quando

Stephan soubesse, lá na América?

Sir Adam Kelno caminhou pela estreita Chancery Lane, a artéria da lei

britânica, limitada dum lado pela Sociedade de Direito e do outro por Sweet e

Maxwell, editores de livros de Direito e livreiros.

A vitrina dos alfaiates Ede e Ravenscort, Lda., apresentava a sua usual

colecção de tristes togas negras, usadas pelos advogados desde tempos

imemoriais.

Ele parou no n.º 32-B de Chancery Lane. Era um estreito edifício de

quatro andares, um dos poucos sobreviventes dos grandes incêndios, vários

séculos atrás. Uma obscura e desagradável relíquia da época do reinado de

Jaime I.

Kelno olhou para o registo das salas. No segundo e terceiro andares eram

os escritórios dos advogados Hobbins, Newton e Smiddy. Ele entrou e

desapareceu pelas escadas acima.

Segunda Parte

OS ACUSADOS



Capítulo primeiro

O autor do livro O Holocausto era um escritor americano que já tinha

sido jornalista, aviador e jogador de basebol. O seu nome era Abraham

Cady.


No fim do século passado, o movimento sionista alcançou o ímpeto dum

incêndio na floresta, alastrando-se até à comunidade judaica na Rússia dos

czares. Sob o peso da repressão universal e dos centenários pogroms, a onda,

ao procurar caminho para fora da Rússia, encontrou a sua direcção na

ressurreição da antiga pátria. A pequena aldeia judaica de Prodno financiou a

ida dos irmãos Cadyzynski, Morris e Hyman, à Palestina, como pioneiros.

Morris Cadyzynski foi vítima de repetidos ataques de malária e disenteria

enquanto trabalhava nos pântanos da Galileia do Norte, no programa do

resgate da terra. Foi obrigado a ser internado no hospital de Jaffa, onde o

aconselharam a abandonar a Palestina, pois não tinha condições físicas para se

adaptar ao país. O seu irmão Hyman pôde ficar.

Nesses tempos, era normal que um parente, na América, ficasse responsável

pelo maior número possível de pessoas da família que chegasse do

velho continente. O tio Abraham Cadyzynski, de quem mais tarde o autor

tomou o nome, tinha uma pequena padaria judaica na Rua da Igreja, no gueto

em Norfolk, Virgínia.

Morris teve logo o seu nome abreviado por um funcionário perplexo ao

tentar escrever aquela infinidade de ”skis” dos imigrantes que chegavam a

rodos.

O tio Abraham tinha duas filhas casadas, mas porque os maridos não se



interessavam pela padaria, esta ficou para Morris, quando o velho morreu.

A comunidade judaica era diminuta e muito unida, conservando-se junta

na impossibilidade de ultrapassar a mentalidade adquirida na vida do gueto.

Morris conheceu Molly Segal, também uma imigrante do movimento sionista,

e casaram-se em 1909.

Em atenção ao pai de Morris, o rabino de Prodno, eles casaram-se na

sinagoga. O copo-d’água que se seguiu, no Circle Hall, foi conforme a

melhor tradição iídiche, com muita comida, a dança da hora, e mazel tovfs

até altas horas da noite.

Nenhum dos dois tinha espírito religioso, porém não tinham conseguido

desligar-se das tradições do velho continente, de falar e ler o iídiche e de

comer pratos da cozinha kosker,

Ben, o filho primogénito, nasceu em 1912; depois nasceu Sophie, em

1914 quando a Europa estava em guerra. Durante a I Grande Guerra os

negócios prosperaram. Como Norfolk era um ponto-chave no aquartelamento

das tropas e auxílios para a França, o Governo assinou um contrato com a padaria

de Morris, a fim de aumentar a produção da sua mercadoria. A padaria

cresceu em movimento, mas perdeu muito da sua característica judaica. O

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pão e os bolos que tinham seguido a velha tradição familiar, fabricados



segundo receitas antigas, agora tinham de seguir as especificações governamentais.

Depois da guerra, Morris conseguiu voltar aos antigos padrões.

Tornou-se tão popular, que a sua mercadoria era embarcada para todo o Estado,

a fim de atender pedidos de lojas cujos proprietários nada tinham de

judaico.

Abraham Cady nasceu em 1920. Embora a família agora fosse bastante

rica, tornara-se difícil deixar a pequena casa de pórtico branco na Rua Holt,

onde as crianças tinham nascido.

A parte judaica do bairro começava no n.º 100 do quarteirão da Rua da

Igreja, na Igreja de Santa Maria, e ia até onde a farmácia Booker dava início

ao negro gueto. As ruas eram repletas de pequenas lojas de estilo europeu, e

as crianças lembrariam para toda a vida os seus cheiros e sons. As discussões

em iídiche sobre os pontos de vista dos dois jornais da população judaica, o

Freiheit e o Vorwãarts, eram bastante vivas. Havia ainda o maravilhoso

cheiro de couro, da loja de consertos de sapatos do primo Herschel e o

pungente aroma da cave do homem dos picles. Lá podia-se escolher entre 60

qualidades e haviam os picles de cebola guardados em velhos tonéis com

vinagre. O primeiro que se comprasse custava um penny; os seguintes, dois

centimes.

Conforme os costumes religiosos, era cobrado um níquel por cada criança

que se juntasse no fundo do quintal do açougue kosher de Finkelstein, para

ver o shochet matar as galinhas.

Tanto na compra de vegetais, como para se mandar fazer um fato completo,

havia sempre uma infindável pechincha. O alfaiate Max, da loja Max

Lipshitz’s Super Stupendous Clothing Mart, com a fita métrica pendurada ao

pescoço, trazia do meio da rua os possíveis clientes. No fim da rua, a loja de

penhores, propriedade do Sr. Sol, era um depósito das velhas tragédias dos

fregueses negros.

A maior parte do dinheiro de Morris Clay ia para os parentes, no velho

continente, ou na Palestina. Para além do carro Essex preto, estacionado em

frente à casa, possuíam muito pouca coisa representativa da sua verdadeira riqueza.

Porque Morris não jogava na Bolsa, teve dinheiro suficiente para

comprar algumas padarias, a pagar 30 por cento do valor real, quando a crise

chegou.

Apesar da sua simplicidade, acabaram por ceder à riqueza e ao fim dum



ano de discussão, compraram uma grande casa com dez quartos, situada

entre as Ruas Grosnold e New Hampshire, com vista para o estuário. Já

algumas famílias judaicas da classe média tinham entrado na Colonial Place,

mas somente até à Rua Trinta e Um. Os Cadys tinham-se mudado para uma

vizinhança exclusivamente americana.

Não é que os Cadys fossem negros. Mas também não eram brancos. Ben e

Abe éramos ”garotos judeus”. Isto mudou um pouco quando eles começaram

a jogar à bola, perto da estação das bombas em Pennsylvania e Delaware.

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Como Ben Cady tinha talento com os punhos, os meninos da vizinhança aceitaram-no.



Então a cozinha de Molly transformou-se numa fonte de delícia

para todos os miúdos.

Quando entrou para a escola primária, Abe teve também de usar os

punhos. A escola era frequentada quase exclusivamente por crianças de pais

divorciados. As crianças só pensavam em brigar. Abe tinha de defender

algum desconhecido e suposto valor, até que Ben lhe ensinou todos os sujos

truques do arsenal dos judeus. Então, as coisas mudaram.

Na Blair Junior High, onde passou a estudar, o anti-semitismo tomou um

aspecto diferente, mas quando Abe chegou à adolescência já possuía todo um

conjunto de conhecimentos relativos às ”desvantagens” da sua raça.

Foi Ben que lhes trouxe a honra, tornando-se um dos melhores atletas do

seu grupo escolar.

Ao fim dum certo tempo, os vizinhos começaram a sentir um curioso

orgulho por aquela família judia. Eles eram uns bons judeus. Conheciam o seu

lugar. Porém, a estranha sensação ao entrar num típico lar americano, nunca

desapareceu de todo.

O que Abe Cady se lembrava mais a respeito do pai, era o seu apego à

família no velho continente. A sua inquietação em querer tirá-los, a todos, da

Polónia. Morris tinha trazido para a América uma meia-dúzia de primos e

pagara as passagens a outra meia-dúzia, que foram para a Palestina. Porém,

por mais que tentasse, nunca conseguiu convencer o seu pai, o rabino de

Prodno, e os seus irmãos mais novos, a deixarem a terra natal. Um destes irmãos

era médico e o outro um bem sucedido comerciante, e ambos ficariam

na Polónia até ao seu trágico fim.

Sophie, a sua filha, era uma mulher vulgar, casada com um homem

vulgar, com uma brilhante carreira de vendedor no sector de Baltimore, onde

se estabeleceu a maior parte da família Cadyzynski. Era bom viajar até Baltimore

para assistir às reuniões de família. Não havia motivos para queixas. A

América tinha sido boa. Todos tinham sido bem sucedidos e mantinham-se

unidos, a despeito das brigas e desavenças ocasionais.

Foi Ben quem causou sofrimentos a Morris e a Molly. Eles orgulhavam-se

bastante daquele filho atleta. Era impossível negar que ele lhes trouxera

glórias. Até mesmo depois de Ben ter deixado o colégio, ele tinha um especial

cumprimento: ”Bata, Ben! Bata, Ben! Bata, Ben!”

Ben foi uma criança dos anos 30. Nunca via um homem de cor sem sentir

pena. Com uma grande sensibilidade para os sofrimentos que acompanharam

a depressão, desprezando a ignorância do Sul, ele inclinava-se mais e mais a

ouvir as vozes que prometiam a liberdade das massas trabalhadoras. Para ele,

isto fazia mais sentido do que qualquer outra coisa no mundo. Havia os Earl

Browders, os Mother Bloors e os James Fords que vinham do Norte, e

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tinham a ousadia de pregar os seus sermões para assistências mistas com



maioria de pretos, em salas de pretos, nas cidades dos pretos.

- Olha, filho - disse Morris a Ben -, concordo em que não queiras ser

padeiro. Eu não quero que os meus filhos sejam padeiros. Nós podemos

contratar gerentes, guarda-livros, etc. O negócio renderá sempre. Não me faças

favores. Não sejas padeiro. Agora repara, há uma porção de Faculdades,

inclusive a Universidade de Virgínia, que estão a pedir para te dar uma bolsa

de estudo como atleta.

Ben Cady tinha olhos pretos, sobrancelhas e cabelos negros. E tinha

também um génio intempestivo.

- Pai, eu quero andar pelo mundo durante uns tempos. Ver a vida, sabe?

Talvez como embarcadiço.

- Queres ser um vagabundo.

Abe desligou o rádio, pois começou a interessar-se pela discussão na sala

ao lado. Ficou muito desajeitado à porta, em pé. Parecia ter metade do

tamanho de Ben.

- Abe, vai estudar.

- Pai, estou de férias.

- Queres é tomar o partido de Ben e aliarem-se contra mim.

Era este o momento em que Morris Cady começava a contar como fora a

sua juventude na Polónia, a sua vida na Palestina, e a sua luta constante pela

família. Tudo aquilo era uma introdução para falar de Molly, a mais perfeita

mulher que Deus já criara, e depois vinham os filhos.

Não tinha razão de queixa a respeito de Sophie. Uma mulher comum,

casada com um homem comum. Ao fim de dois anos de casados já tinham

dois lindos filhos. A satisfação que lhe proporcionavam os seus netos! Talvez

Jack, o marido de Sophie, seja umputz, mas ele é um bom fornecedor e trata

a mulher como se ela fosse de ouro puro.

”Vejam Abe, olhem as notas que ele apanha no colégio.” Em toda a

família ninguém nega que Abe seja um génio. Ele será um grande escritor

americano judeu, no futuro.

- Ben - dizia Morris -, Ben, vamos fazer tochis afn tisch. Tu vais para

o colégio, nem que seja à força. Não queres ser padeiro. Está bem, eu concordo.

Mas com quinze colégios, e entre eles a Universidade da Virgínia a

solicitar-te, adquire um diploma, por favor. Será que peço muito ao querer

que te eduques?

O rosto de Ben transparecia tristeza.

- O que é que pensas que eu e a tua mãe sentimos quando vais para

aquele goyim fazer coisas disparatadas com um avião ? Escrever nomes no céu

com fumo. Foi para isto que nós te criámos? Deixa que te diga, Ben: devias

ver a cara da tua mãe, quando vens a subir os degraus da varanda. Cada vez

que voas naquele maldito avião, a tua mãe morre de susto. Demonstra algum

carinho. Quando ela está a cozinhar diz-me: ”Morris, eu sei que este comer

não é bom para o Ben.” Filho, olha para mim, eu estou a falar.

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Tanto Abe como Ben estava cabisbaixos e de punhos cerrados.



- O que é que se passa contigo, filho?

Ben levantou vagarosamente os olhos.

- Pobreza, fascismo, desigualdade - disse ele.

- Pensas que eu não ouvi essa lengalenga toda na Polónia ? Tu és um

judeu, Ben, e no fim os comunistas vão trair-te. Eu sei a espécie de carniceiros

que eles são, lá na Rússia.

- Pai, deixe-me em paz.

- Só depois de te educar. Está bem, filho. Eu sei que é moda para a gente

nova ir aos bairros dos pretos e dançar com as Schwartzes. Eu não tenho

preconceitos, Ben. Sou um judeu do velho continente. Eu sei como sofre essa

gente preta. Afinal de contas, quem é mais liberal e livre-pensador e mais

delicado com os pretos ? Os judeus, é claro! E se acontecer alguma coisa... se

algo sair errado... contra quem vão eles virar-se... Nós!

- Terminou, pai?

- Ouvidos de mercador - opinou Morris. - Já estou a falar para as

paredes.


Capítulo segundo

”Nós não soubemos da morte do meu irmão Ben por telegrama, ou

qualquer coisa assim. Recebemos uma carta dum dos seus companheiros no

Esquadrão Lacalle, um grupo de voluntários americanos a lutar pelos espanhóis

legalistas. Alguns eram mercenários e alguns eram, como o meu

irmão Ben, verdadeiros antifascistas. Era um grupo heterogéneo. De qualquer

maneira, aquela carta foi estranha, pois falava mais da campanha e da

causa pela qual o meu irmão tinha morrido do que dele mesmo, e terminava

afirmando que todos os pilotos fascistas eram cobardes.

“Ben pilotava um bimotor russo totalmente superado e eles eram sempre

batidos pelos Heinkels dos alemães, e pelos Fiats italianos. Nessa missão Ben

tinha sido encurralado por um bombardeiro Junker e travado uma luta com

ele. Três americanos contra 35 Heinkels, era o que a carta dizia.

”A morte de Ben foi, mais tarde, confirmada por um camarada que veio

ver-nos em Norfolk, e que tinha sido voluntário no Batalhão de Lincoln da

Brigada Internacional. Ele perdera um braço e voltara aos Estados Unidos

para trabalhar como angariador de adeptos.

“Toda a família veio de Baltimore quando soube da morte de Ben e todos

os amigos da Rua da Igreja, também. A casa estava sempre cheia, dia e noite.

”Havia também outras pessoas. Alguns professores de Ben, treinadores,

colegas e vizinhos, gente que antes nem nos cumprimentava, nem

nunca tinham entrado na nossa casa. Apareceram até dois sacerdotes, um

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pregador baptista, e um padre católico, para visitar a nossa mãe e o nosso pai.



O pai fazia sempre doações a todas as igrejas em nome da padaria.

“Durante as duas primeiras semanas a nossa mãe não parou de cozinhar.

Ela dizia e repetia que não podia imaginar as visitas sem terem de que comer.

Mas nós sabíamos que ela tinha de trabalhar para não pensar em Ben.

“Então ela teve uma crise e os médicos deram-lhe sedativos. Ela e o pai

foram, por um longo tempo, para casa de Sophie, em Baltimore. Depois

foram para as montanhas de Catskills e depois para Miami. Cada vez que

vinham a casa, era como se entrassem numa agência funerária. A mãe e o pai

subiam ao quarto de Ben e ficavam horas e horas a olhar os retratos, os troféus

e as cartas dele.

“Julgo que não voltaram a ser os mesmos depois da morte de Ben. Parece

que começaram a envelhecer no dia em que receberam a notícia. É curioso,

até esse dia eu nunca tinha pensado que eles pudessem envelhecer.

”Vieram a nossa casa uns comunistas amigos de Ben e disseram à mãe

e ao pai que a morte de Ben não seria em vão. Convenceram-nos a ir a

Washington para assistir a um comício pela Espanha legalista. Eu fui também.

Ben foi elogiado e eles enalteceram a minha mãe e o meu pai por terem

dado um filho à causa do antifascismo. Nós constatámos que estavam a

servir-se da nossa dor e nunca mais fomos a nenhum comício.”

“Acho que o meu irmão Ben foi a pessoa mais importante da minha vida.

”Lembro-me de muita coisa sobre ele.

”O Serviço Portuário de Hale tinha um grande barco que alugavam a

quinze dólares por dia para que as pessoas pudessem subir o rio Chesapeake.

Embora eu fosse o irmão mais novo, Ben levava-me sempre. Foi com ele que

eu bebi o meu primeiro uísque, numa das festas da escola. Fiquei doente como

tudo.


“No fundo do nosso quintal havia uma garagem e por cima dela, um pequeno

apartamento. As pessoas que moravam na casa antes de nós, tinham

uns inquilinos de cor que trabalhavam para elas. Nós usávamos o apartamento

como uma espécie de esconderijo.

”Quando Ben começou a voar, ele jogava futebol como semiprofissional

do Clancy’s de Norfolk. Nunca pude esquecer o dia em que ele jogou contra a

equipa visitante, os Granges. Que jogo o seu! Ele era, de facto, um bom jogador.

A maioria dos rapazes namoravam no campo, nas margens do rio Lafayette,

mas nós tínhamos o apartamento e dávamos lá festas de arromba.

”No quintal atrás da garagem, Ben ensinou-me a jogar e a rebater,

usando como alvo uma marca na parede. Obrigava-me a atirar tantas vezes as

bolas, que o meu braço ficava estoirado. Realmente, tinha bastante paciência.

“Ele punha a mão no meu ombro e contava-me coisas do basebol.

“Quando Ben me tocava era como se Deus o fizesse.

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”- Olha, Abe, ninguém vai ficar embasbacado com a tua velocidade. O



que tens de fazer é usar a tua cabeça de judeu.”

”Ele ensinou-me uma série de maneiras de correr, esquivar-me e deslizar.

Olhem, Ben ensinou-me uns quantos truques. Nunca cheguei a ser um

dos primeiros, mas Ben ensinou-me o bastante para eu jogar pelo Maury

High e ganhar uma bolsa de estudo para a Universidade da Carolina do Norte.

Muitas vezes nós ficámos a treinar até escurecer e depois continuávamos à luz

dos candeeiros.”

“Havia um rústico campo de aviação no lugar em que a Rua Granby fazia

uma curva junto ao cemitério, a chamada Esquina dos Mortos, no caminho

para a praia, com vista para o oceano. Na área existiam algumas quintas e

como não havia estradas, nós tínhamos de fazer as aterragens, por cima dos

túmulos. Agora é tudo da base aérea, mas alguns dos velhos edifícios estão

ainda de pé. Pois é, o caso é que havia um judeu que era dono duma grande

loja. Ele chamava-se Jake Goldstein, era um grande admirador de Ben e tinha

dois aviões, um deles, um Waco Taperwing. Com tanta trepidação, ele fazia-nos

bater os dentes, mas quantas habilidades Ben fazia com aquele bicho.

E eu ficava sempre por ali perto.

”Ben, com excepção do Sr. Goldstein, era o único piloto judeu, mas todos

o respeitavam. No ar eram da mesma raça, sabem como é. Num grupo

aparte como aquele, não fazia diferença que Ben fosse judeu, e nós nem

precisávamos de mostrar o que valíamos, a lutar com os punhos como antigamente.

”Jake Goldstein financiou Ben em muitas competições aéreas, e ele

também fazia muitas acrobacias nos circos abertos. Eu ajudava no que podia.

Transmitia recados aos pilotos, prestava pequenos serviços de manutenção

nos aviões e a minha recompensa era um convite para voar.

”Ben deixava-me segurar o comando e ensinou-me a voar, como já me

ensinara o resto. Quando ele não estava, os outros rapazes que me levavam

faziam-me a vida num inferno. Eu saía do avião a cambalear, direito à casa-de-banho,

e vomitava desesperadamente.

”Havia um anti-semita no grupo. Um tipo chamado Stacy. Uma vez,

quando Ben não estava, ele levou-me a voar e torturou-me de tal maneira que

desmaiei. Os outros contaram o sucedido a Ben e ele e eu começámos a

Preparar a desforra. Ele ensinou-me todos os truques.

”Até que um dia Ben disse:

”-Olha, Stacy, porque não levas Abe a voar? Acho que ele já está

pronto para pilotar sozinho e talvez seja melhor ele estar contigo do que

comigo.

”Stacy caiu como um patinho. Entrámos no Waco de duas cabinas e



duplo controlo. O que Stacy não sabia é que o seu painel de comandos estava

desligado.

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“Ben chamou toda a gente para assistir. Zás! Pás! Catrapás! Livra, como



eu maltratei aquele filho-da-mãe. Usei todos os truques que Ben me ensinara

e ele sabia bastantes! Quando olhei para trás, vi, pela cara de Stacy, que ele

cagara nas calças. Implorou-me para descer. Dei-lhe uma outra dose do seu

próprio remédio, pouquinho, só mais uns loops.

”Stacy nunca mais voltou ao campo de aviação.

“Eu era o piloto mais novo do grupo e tudo corria bem até que tive de fazer

uma aterragem forçada num milheiral, num dia em que o motor empanou.

Nem senti medo enquanto fazia as manobras. Mas quando saltei, fiquei

apavorado e pedi:

”- Por favor, não digam nada ao meu pai e à minha mãe.

“Eu estava um bocado magoado e tive de inventar uma história. A de ter

caído do telhado da garagem. Mas eles souberam de tudo, quando um agente

de seguros veio investigar.

”Jesus, como o meu pai ficou furioso!

” - Ben, se queres quebrar o teu miserável pescoço, para mim é-me indiferente,

mas quando levas um frágil menino como Abe e o transformas num



gangster, eu não sei o que poderei fazer. Vou proibir isto!

”O meu pai, que Deus o tenha em descanso, raramente proibia alguma

coisa. A sua padaria foi a primeira a entrar para o sindicato sem precisar de

greves ou confusão, só porque ele era mesmo um liberal. Os outros donos de

padarias quase que o mataram, mas o meu pai não era homem para se

assustar. E foi ele o primeiro a empregar um negro. Muita gente já se esqueceu

da coragem que era preciso ter para fazer uma coisa dessas, naquele

tempo.


”Durante muito tempo eu deixei de voar. Até que Ben morreu em Espanha.

Então eu tive de voar e o meu pai compreendeu.

“Penso que o que mais me agrada recordar sobre o meu irmão Ben, são as

brincadeiras que fazíamos. Nós íamos para os pântanos, atrás do colégio,

apanhar sapos. Havia sempre garotos doutros colégios e nós fazíamos corridas

de sapos... ou então jogávamos bowling no velho clube do beco, no fim da

Rua Bush. Eu era melhor do que Ben nesse jogo. Mas só nisso.

“Mas o melhor de tudo eram os dias no riacho. Nós acordávamos muito

cedo, e íamos nas nossas bicicletas até às docas, onde comprávamos um

melão por uma moeda. Eles eram assim tão baratos por se terem rebentado

durante o embarque.

“Então pedalávamos até ao riacho. Eu levava o meu cachorro na cestinha

da frente, e Ben levava o melão. Sentávamo-nos nas margens do riacho e

púnhamos o melão dentro da água para refrescar, e enquanto isso, nós íamos

até a um pequeno cais de madeira e ficávamos a pescar os saborosos caranguejos.

Amarrávamos um pedaço de carne podre num cordel e pendurávamo-lo a

tocar na água até que o caranguejo o abocanhava. Então Ben dava um puxão e

apanhava-o com a rede. Como eram burros aqueles caranguejos.

”Embora conhecesse mais do que a cozinha kosher, a nossa mãe não

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admitia que um caranguejo entrasse em qualquer coisa feita por ela. Por isso



nós cozinhávamo-lo à beira rio, com uma batata ou uma espiga de milho, e

depois comíamos o melão como sobremesa. Deitávamo-nos na erva e conversávamos

a olhar para o céu.

“Falávamos muito sobre basebol. Isto foi antes de Ben começar a voar.

Nós conhecíamos os resultados de todos os jogos, e sabíamos a maneira de

actuar dos melhores jogadores das melhores equipas. Jimmy Fox e Carl

Hubbell eram os meus ídolos. Às vezes Ben lia uma das histórias que eu vivia

a escrever.

”Nós comíamos demais e acabávamos por ter dor de barriga e não

queríamos jantar, o que deixava a nossa mãe furiosa.

“Mesmo depois de mais crescidos gostávamos sempre de passear até ao

riacho. Foi aí que o Ben me disse, pela primeira vez, que queria ser

comunista.

”- O pai nunca compreenderá isso. Quando ele era rapaz fez o que achou

certo. Saiu de casa e foi trabalhar nos pântanos da Palestina. Ora, eu não

posso fazer as coisas como ele as fez.

“Ben sofria por causa das pessoas de cor, e achava que o comunismo era a

resposta. Costumava falar sobre o dia em que todos seriam iguais, e em que

camaradas como Josh Gibson e Stachel Paige poderiam jogar nos grandes

clubes. Haveria gente de cor nas grande lojas e todos poderiam comer nos

mesmos restaurantes, sem ter de viajar na retaguarda dos transportes. As

crianças negras iriam para os mesmos colégios dos brancos, e todos morariam

onde quisessem. Em meados da década de 30, estes sonhos de Ben pareciam

difíceis de realizar-se.”

“Eu lembro-me do último dia em que vi Ben.

”Ele debruçou-se sobre a minha cama e bateu-me no ombro, fazendo

sinal para falarmos baixo e não acordarmos o pai e a mãe.

”-Vou-me embora, Abe.

“Eu estava ainda tonto de sono e não percebi logo. Pensei que ele ia fazer

mais uma viagem de avião.

” - Onde é que vais?

”-Tens de guardar segredo.

” - Está bem.

” - Vou para Espanha.

” - Para Espanha?

”-Lutar contra Franco. Vou voar pelos legalistas.

”Comecei a chorar. Ben sentou-se na beira da cama e abraçou-me.

” - Lembra-te das coisas que te ensinei. Talvez te ajudem na vida. Mas,

escuta, o pai tem razão. Continua a escrever.

” - Eu não quero que te vás embora, Ben.

“ - Tenho de ir, Abe. Tenho de fazer alguma coisa a respeito disto tudo.

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”Estranho, não é? Eu não pude chorar depois de Ben ter morrido. Eu



queria ter podido, mas não pude. Só muito mais tarde o consegui, quando

resolvi escrever um livro sobre o meu irmão Ben.”

”Aceitei a bolsa de estudo da Universidade da Carolina do Norte, por

causa do seu curso de Jornalismo, por causa de Thomas Wolfe e todos os

outros autores, realizando desta forma duas das minhas ambições, escrever e

jogar basebol. Chapel Hill tinha o mais lindo campus que se possa imaginar.

”Eu era o único jogador judeu da equipa de caloiros e tinha sempre

alguém a querer prejudicar-me.

“O treinador era um jogador frustrado, que mastigava tabaco dum modo

horrível. Ele não gostava de mim. Nunca demonstrou à minha frente ser anti-semita,

mas bastava só o modo como dizia o meu nome: “Abie.”

”No vestiário eu era o alvo de todas as piadas, e ouvia aquelas cruéis

observações, ditas num tom supostamente baixo.

”Mas eu era um jogador muito bom, graças a Ben, e quando eles descobriram

o meu valor em campo, as coisas melhoraram. Até o filho-da-mãe

daquele técnico viu que era melhor tratar-me bem, porque sem mim, aquele

bando de paspalhos ia-se abaixo das pernas.

”A minha equipa não me dava muito apoio, mas a outra, adversária, é

que me subestimou mesmo. Eu parecia fraco, mas que diabo, eu já jogara

como semiprofissional em Norfolk, e com adultos, não com estes garotos

mimados que nem sabiam atirar uma bola. Eu deixava-os vir até quase em

cima de mim, descobria o jogo deles, e depois era facílimo.

”De qualquer maneira, a minha cabeça estava a prémio. Nos quatro

primeiros jogos, que eu os ganhei todos, os adversários acertaram-me seis vezes.

Eu paguei-lhes com a mesma moeda acertando-lhes nas pernas e nas

costelas. Mas nenhum deles foi homem para me tapar. Pode-se dizer que eu

queria arranjar luta.

“ - Abie - disse-me o velho estafermo treinador -, tens de aprender a

não expor o teu braço direito. Precisas dele para atirar. Eu não quero nenhum

herói. Tens é de segurar a bola e não atirar.

”Diabos, eu sabia que não era bom como atirador. Mas tinha de continuar

a tentar, e um dia a coisa aconteceu. A marretada de Duke acertou-me

e quebrou-me o braço, na altura do cotovelo.

”Quando retiraram o gesso, comecei logo a exercitar-me, mas o braço

doía imenso e não tinha os movimentos circulares do atirador. Não era nada

definitivo. Mas eu não conseguiria jogar novamente. O departamento de

desportos da Universidade, informou que a minha bolsa de estudo fora

cancelada.

“O meu pai queria que eu continuasse, mas eu começara a desconfiar que

nós não aprendemos a escrever com os professores nas universidades. E, muito

menos, com professores que não tinham conhecido o meu irmão Ben, nem

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nenhuma das coisas sobre as quais eu queria escrever. A minha carreira como



jogador de basebol estava acabada, o que não era nada triste.

“Deixei a faculdade como caloiro e, depois de muito aborrecer os editores

dos jornais, fui contratado, pelo Virginia Pilot, para ser o editor dos assuntos

de aviação, a ganhar 30 dólares por semana. A noite eu escrevia para pequenas

revistas de suspense, como Doc Savage e Dime Western, a um penny

por palavra, e usava o pseudónimo de Horace Abraham.

”Um dia cansei-me daquele disparate e comecei a trabalhar no meu

romance - a história de Ben.”



Capítulo terceiro ,,

David Shawcross era mais do que um vulgar editor. Era uma lendária

figura que dirigia pessoalmente a sua editora. Ele tinha emergido das fileiras

da dinastia dos editores ingleses, onde começara como moço-de-recados, a

ganhar cinco shillings por semana, e acabara como editor-chefe apenas duas

décadas decorridas.

Quando tinha 21 anos, Shawcross chefiava a divisão de publicações populares,

ganhando a notável quantia de 30 shillings por semana. Para viver, trabalhava

para outras firmas de editores, a ler e a resumir manuscritos.

David Shawcross sobreviveu a tudo isso, graças ao valor do seu talento

como editor. Ele recusou-se a aceitar o cargo de director da companhia,

embora tivesse sido convidado para tal.

Shawcross demitiu-se quando achou que era oportuno, e fundou a sua

própria casa editora. Shawcross nunca publicava mais do que uma dúzia de livros

por ano, mas cada um desses livros possuía um mérito especial, e era

bastante provável que um dos seus autores encabeçasse a lista dos mais vendidos

do ano. Os bons escritores sentiam-se atraídos para aquela casa pela qualidade

da sua reputação e pelo desejo de ter David Shawcross como editor.

Como um pequeno editor, ele tinha de estar sempre à procura de novos

talentos para manter o seu prestígio, e isso requeria, não só um instinto

especial, como também uma capacidade para pacientes procuras. Os americanos

eram os autores mais populares do mundo, mas ele não poderia igualar-se

aos preços das grandes firmas de editores ingleses. Conseguia manter-se

usando outros métodos.

Por uma astuta análise, ele descobriu que a maioria das firmas americanas

seguia uma linha comum que não dava margem a que se acompanhassem ou

desenvolvessem novos talentos e, além do mais, não havia uma só editora que

tivesse um sistema adequado para encontrar manuscritos não solicitados, e

que pudesse esperar pelo desabrochar de futuros talentos.

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