Fortune, uma mulher impiedosa. Bertrice small



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Mãe e filha desceram a escada estreita para o principal piso do castelo. Lá, em um pequeno aposento próximo do cor­redor, Fortune Mary Lindley e Kieran Sean Devers foram uni­dos pelo ritual da Santa Madre Igreja. Padre Cullen absolveu Kieran do pecado que estava prestes a cometer casando-se novamente em uma cerimônia pública de outra fé, dessa vez pelo protestante Samuel Steen, na pequena igreja freqüenta­da pela população não-católica do vilarejo — população que se tornava rapidamente a maioria em Maguire's Ford. Todos os católicos que compareceriam à cerimônia foram previamen­te absolvidos, e Cullen Butler, deixando de lado suas vestes de sacerdote, juntou-se à prima Jasmine e à sua família para a feliz ocasião.

Fortune atravessou o vilarejo conduzida pelo braço do pa­drasto. A mãe os seguia em uma pequena carroça puxada por pôneis e ia acompanhada pelo sacerdote; Rory Maguire e Bride Duffy seguiam orgulhosos a afilhada. A igreja estava lotada. Sir Shane, sua filha Lady Colleen Kelly e o marido dela esta­vam sentados no primeiro banco. Atrás deles estavam Molly Fitzgerald e as duas filhas, Maeve e Aine. Se alguém julgou a situação estranha, não manifestou essa opinião.

A noiva foi conduzida pela igreja pelo duque. Carregava um buquê de rosas de cor champanhe presas por fitas doura­das. O Reverendo Samuel Steen sorriu para o jovem casal. De­pois de tantos anos, ainda havia esperança para Kieran Devers, afinal. A noiva, devidamente preparada pelos pais, finalmente o conduzira à igreja apropriada. Ele seria salvo das práticas dis­torcidas e maldosas dos papistas. O amor podia mesmo mover montanhas. Inspirado por essa feliz seqüência de eventos, Re­verendo Steen recitou as palavras do ritual anglicano de casa­mento, o elegante discurso enchendo a igreja com sua força. O noivo repetia sua parte com calma, em voz alta e clara. Até a voz da noiva podia ser ouvida em todos os recantos da modes­ta catedral.

Finalmente, foram declarados marido e mulher. Kieran Devers tomou a esposa nos braços e beijou-a. A igreja explodiu em aplausos calorosos. Samuel Steen sorria, satisfeito com a situação. O casal se retirava, seguido pelo duque e pela duquesa, por Sir Shane, Lady Colleen e todos os outros — até mesmo pela meretriz Fitzgerald que, apesar do comportamento licencioso, parecia ter criado filhas decentes, embora católicas.

O dia estava claro e o sol brilhava forte sobre os recém-casados. O vilarejo havia sido convidado para o banquete nupcial no salão. Havia alvos, arcos e flechas para torneios no pátio e, no campo, perto do lago, um grupo de jovens fortes e anima­dos começava um jogo com uma bola inflável, uma bexiga de carneiro que havia sido enchida com ar para a brincadeira.

No salão, várias mesas e muitos bancos haviam sido arran­jados em torno da mesa principal, mais alta, e o cheiro de carne assada e carneiro pairava no ar. Pratos com salmão, truta, patos e gansos eram passados entre os convidados. Havia pão quen­te em todas as mesas, tortas de carne de caça, porcos assados e recheados com frutas e guisado de carneiro com um molho rico e espesso. Havia cenouras, ervilhas e alface em grande quanti­dade, e manteiga e queijos finos de várias qualidades. Os que ocupavam os assentos à mesa principal bebiam o vinho fino de Archambault. Os outros convidados brindavam com cer­veja e cidra.

O velho bardo que estivera em Erne Rock meses antes ha­via ficado. Seus dias de andarilho haviam chegado ao fim, e agora ele tinha um lar permanente. Entretinha os convidados com canções e contos de uma Irlanda antiga que abrigava gi­gantes, fadas e seres de honra inabalável, um lugar de grandes batalhas. Tocava sua velha harpa e, quando se cansava, era substituído por um flautista. Logo todos estavam bem alimen­tados, e muitos já manifestavam os primeiros sinais do consu­mo excessivo de cerveja ou vinho. Os brindes eram interminá­veis. As mesas foram empurradas contra a parede, o flautista juntou-se aos músicos e o baile começou. Como a maioria ali era de gente do campo, as melodias eram quase todas familia­res. Muitas mulheres queriam dançar com o noivo, mas a noi­va não ficava sem parceiros.

O sol se pôs cedo, pois era outubro. O fogo ardia nas larei­ras do salão. Os noivos desapareceram repentinamente. Os con­vidados, bem alimentados e repletos de boa cerveja, foram sain­do aos poucos, todos agradecendo ao duque e à duquesa pela esplêndida recepção. A família se sentou diante da lareira para conversar. Lady Colleen não via as irmãs havia muitos anos e lamentava ter sido forçada a escolher entre elas e a madrasta. As duas jovens eram seu sangue, e isso já havia sido muito im­portante no passado da Irlanda.

— Está escuro demais para voltarem para casa agora — disse o duque a Sir. Shane. — Devem passar a noite conosco, é claro.

Sir Shane assentiu.

— Sim, Jane não vai se preocupar, pois já passei outras noi­tes fora antes, e ela pensa que Colleen voltou para Dublin com Hugh, meu genro, um homem tão rebelde quanto a mulher que desposou.

Hugh Kelly riu do comentário.

— Sim, meu sogro, é verdade. Porém, partiremos amanhã cedo para Dublin e não voltaremos no futuro próximo. Não consigo nem imaginar qual será a reação de Lady Jane quando souber sobre essa reunião tão formidável para celebrar o casa­mento de Kieran e Fortune. Vai ter de enfrentar a ira de sua esposa, meu sogro.

— Meu primogênito também tem o direito de ser feliz. Pelo bem da conveniência eu me tornei protestante, e pelo mesmo motivo deserdei meu filho, mas nunca o desonrei nem o neguei e nunca farei qualquer coisa que o impeça de ser feliz. Jane já conseguiu o que queria para o filho. Não há mais nada. — Ele riu. — E, James Leslie, meu filho não entra em sua família como um pobre desvalido. Arranjei para que ele tenha agora o que receberia um dia, depois de minha morte. Enviei tudo para o meu banqueiro, Michael Kira, em Dublin. Ele enviou os bens para os primos Kira em Londres. Conhecem a família?

— Sim — respondeu o duque, sorrindo. — Os Kira são nos­sos banqueiros há mais de um século.

— Pois bem, meu filho tem seu próprio dinheiro. Não é muito, eu sei, mas minha esposa e meu segundo filho não po­dem negar a ele o que já é dele por direito e, de fato, acredito que agi corretamente. Jane tem um senso de ética muito severo que não se estende aos católicos. Ela não saberá sobre o que fiz até que eu morra, e então não estarei mais aqui para ser castiga­do por sua língua cáustica — Sir Shane riu. Depois, olhou para a filha e o genro. — Vocês não ouviram nada.

Colleen levantou as mãos.

— Não ouvi mesmo! — exclamou. — Já terei problemas de sobra quando mamãe souber que compareci ao casamento de Kieran. Mas não importa. Eu não o teria perdido por nada! Bem, creio que Hugh e eu devemos nos recolher, porque partiremos amanhã bem cedo.

— Adali — chamou Jasmine — acompanhe Sir Hugh e Lady Colleen aos seus aposentos. — Ela sorriu para o casal. — Estou muito feliz por terem estado aqui conosco, pois sei o quanto isso significa para Fortune. Obrigada.

Os Kelly se retiraram, e Shane Devers olhou para a amante de muitos anos.

— Também providenciei uma pequena herança para nossas filhas — disse ele. — Todos sabem que nunca as desamparei.

— Decidi mandá-las para o Novo Mundo com Kieran — contou Molly. — Apesar de mantermos um relacionamento es­tável e duradouro, elas ainda são consideradas bastardas em Lisnaskea. Como poderão encontrar maridos respeitáveis, se carregam essa mancha? Dizem que nessa nova colônia a ser fundada elas não serão penalizadas por serem católicas. Em um lugar tão distante, com Kieran como guardião, poderão apagar definitivamente sua história passada e encontrar bons maridos. É o que desejo para elas, Shane.

— Quando forem para a Inglaterra, elas terão sua porção de meu legado — prometeu Sir Shane.

Jasmine reconheceu o amor e o respeito que havia entre os dois. Era triste que Shane Devers não se houvesse casado com Molly Fitzgerald, tendo preferido sua inglesa Jane. Por outro lado, a riqueza de Jane salvara Mallow Court da ruína. Jasmine levantou-se fingindo bocejar.

— Adali os conduzirá aos seus aposentos — disse. — Estou exausta, devo me retirar agora. Eu os verei amanhã.

O salão ficou vazio, exceto pelos criados que ainda limpa­vam os sinais do banquete do casamento. Ninguém notou Rory Maguire sentado à sombra ao lado da lareira, com a cabeça de um cachorro enorme e peludo apoiada em seu joelho. Olhando para as chamas, o irlandês pensou em como era bem-aventura­do por ter descoberto que Fortune era sua filha. Nunca imagi­nara poder sentir a felicidade que experimentara hoje ao vê-la se casar com o homem que amava. Saber que Adali e o sacerdo­te católico conheciam seu segredo era confortante, pois eles tam­bém tinham de carregar seu fardo.

Fortune havia sido uma noiva linda. Ele suspirou. Só mais alguns meses e ela partiria para sempre. Deixaria Maguire's Ford, a propriedade que deveria ter sido dela, não apenas pela mãe, mas pelos laços sangüíneos com os Maguire. Iria para um novo mundo do outro lado do oceano, um lugar que ele nem podia imaginar. Rory Maguire fez algo que não fazia havia anos. Ele rezou com todo o fervor de seu coração. Orou para que a filha fosse feliz até o último de seus dias.

Feliz.


Fortune nunca havia sido mais feliz. No meio do baile, Kieran havia tomado sua mão e a levado do salão, roubando-a dos convidados e subindo para seus aposentos sem dizer nada. Lá, ele trancou a porta.

— Kieran, estamos sozinhos! Por acaso sabe como ajudar uma dama a se despir?

Ele riu. Virando-a, começou a soltar as fitas de seu esparti­lho, enquanto a própria Fortune fazia o mesmo com as fitas que sustentavam a saia. Em pouco tempo ela se viu de camisoIa e saiotes. Removendo as peças uma a uma, ela estendeu uma das pernas na direção do marido, que se ajoelhou para remo­ver a liga e a meia de seda dourada, beijando sua perna e o pé enquanto os despia. Ela riu. Kieran repetiu o procedimento com a outra perna e a surpreendeu introduzindo as mãos sob seus saiotes e segurando-a pelas nádegas, puxando-a para frente e pressionando o rosto contra seu ventre.

Fortune sentia o calor através do tecido que ainda a cobria. Podia sentir com intensidade o desejo que o queimava. As mãos dela acariciavam os cabelos negros. Ele ergueu o rosto, exibin­do a paixão que iluminava seus olhos azuis. Fortune terminou de despir-se. Kieran a soltou apenas para permitir que os saio­tes caíssem, depois a segurou novamente e beijou a região de seu liso monte de Vênus.

Fortune sentiu a cabeça girar e se agarrou aos cabelos do marido. Não conseguia falar, pois sua garganta estava oprimi­da. O coração batia loucamente no peito, espalhando um forte calor por todo o seu corpo.

Kieran levantou-se.

— Gostei de vê-lo ajoelhado aos meus pés — provocou ela, excitada.

— E eu estou adorando vê-la nua.

— Desta vez também vai remover suas roupas, senhor — anunciou ela, começando a despi-lo com uma desenvoltura sur­preendente para uma virgem. Kieran a ajudava, e em pouco tempo ambos estavam nus. Ela o cobria com beijos rápidos e quentes, úmidos e provocantes, e em alguns trechos de seu cor­po usava a língua para levá-lo à loucura.

Kieran rangia os dentes. Fortune tinha as maneiras de uma cortesã, mas não era uma meretriz. Ardendo de paixão, ele des­piu a calça e exibiu orgulhoso sua masculinidade, tomando a esposa nos braços para fazê-la sentir a urgência de seu desejo. Fortune também estava tomada pela febre do amor.

— Depressa! — murmurou ela em seu ouvido, sentindo seu membro rígido entre as coxas.

— Você ainda não está pronta. Quero possuí-la como ja­mais quis outra coisa em minha vida, Fortune, mas não devo me apressar. Quero que essa primeira vez entre nós seja perfei­ta. Esperei por você minha vida inteira! — Ele a beijou com ar­dor, roubando-lhe o fôlego enquanto invadia sua boca com a língua. Podia sentir os mamilos túrgidos contra seu peito másculo. Erguendo-a nos braços, Kieran a levou para a cama.

Fortune abriu os braços num convite silencioso. Ele sorriu e se deitou ao lado da esposa, segurando sua mão e beijando primeiro a palma, depois um por um todos os dedos.

— Não conheci jovem mais bela, minha adorada. E quero que saiba que é a única que jamais teve meu amor.

— Em termos práticos, jamais poderia ter imaginado mari­do menos provável, mas amo você, Kieran, e nunca amei outro homem. Nem mesmo me apaixonei por outro. Quero satisfazê-lo, mas não tenho idéia de como devo agir. Mamãe nada me disse, exceto o fundamental, porque, como minha irmã, ela afir­ma que a paixão entre duas pessoas que se amam e se desejam é única, indescritível.

Ele sorriu, e Fortune foi repentinamente inundada pelo bem-estar proporcionado pela certeza de ser amada.

— Quero idolatrá-la à minha maneira. Não há nada a te­mer, Fortune. — Ele a beijou novamente nos lábios, sem pressa, depois deixou os lábios deslizarem pela coluna branca de seu pescoço até encontrar uma orelha, que ele mordeu levemente.

— Quer me devorar, então?

— Sim, aos poucos, para que meu delicioso banquete dure para sempre — respondeu ele num sussurro sedutor. Sentindo o pulsar frenético da veia na base do pescoço dela, apoiou a cabeça em seu peito para ouvir as batidas do coração que agora era dele.

Fortune acariciou os cabelos escuros. Não sabia o que es­perar e, embora a experiência até ali tivesse sido deliciosa, nada havia de muito excitante nela. Mas sua mãe e índia davam mostras de apreciar o sexo com o marido. Haveria algo de er­rado com ela? Kieran ergueu a cabeça e beijou um de seus seios. Ela parou de respirar por uma fração de segundo. Com uma das mãos, ele acariciava um mamilo túrgido e sensível. Os dedos o apertavam, provocando sensações deliciosas e des­conhecidas.

Kieran deitou-se de costas, puxando-a sobre seu corpo. Ela sentia o rosto queimar pela intimidade da posição. As mãos a acariciavam da cabeça aos pés, despertando seu corpo. Ele a segurou pela cintura e a ergueu, de forma que os seios dela fi­caram sobre seu rosto. Erguendo o rosto, ele lambeu um mami­lo, arrancando de seu peito um gemido seguido por uma excla­mação, porque agora a boca sugava seu seio com avidez. Agora isso está ficando mais excitante, Fortune pensou, entregando-se às delícias que Kieran sabia proporcionar.

Ele rolou novamente, colocando-a sobre o colchão. E co­meçou a afagar seus seios e o ventre. Ondas de calor percor­riam o corpo dela. Havia um formigamento estranho naquela região proibida entre suas pernas. Incapaz de conter-se, ela se moveu, tentando encontrar um pouco de conforto. Kieran sor­riu e tocou seu monte de Vênus, pressionando-o. Uma sensa­ção intensa explodiu dentro dela. Um único dedo começou a passear pela brecha entre seus grandes lábios, indo e voltando. Fortune sentia-se úmida, quente.

— Logo vai estar pronta, meu bem — murmurou ele contra sua boca. Estava rígido como granito, seu membro latejando de antecipação e excitação.

— Faça o que fez anteriormente — implorou ela. — Por favor!

— Libertina — ele riu, encontrando com o dedo aquele pe­queno botão sensível que a levava à loucura.

Fortune gemeu de prazer. Era isso o que ela queria. Não as carícias preliminares, mas a excitação da própria luxúria.

— Isso mesmo... Isso... Não pare, Kieran... Não pare!

Ele não tinha a intenção de parar. Brincava com o sensível órgão, despertando-a para a paixão e, ao mesmo tempo, alimen­tando o próprio desejo. Fortune chegou ao clímax uma vez, mas ele continuou friccionando e acariciando até ouvi-la gritar nas garras do mais lancinante prazer. Então, ele cochichou em seu ouvido.

— Abra-se para mim, Fortune!

— Ainda não — pediu ela, desejando muito mais.

— Agora! — Ele usou um joelho para ganhar espaço entre suas pernas e posicionar-se. — Agora, minha deliciosa meretriz, antes que eu exploda de desejo por você! — Enquanto a penetrava, usou dois dedos para beliscar o clitóris dela, lançando-a no poço sem fundo do prazer. Nesse momento, ele a penetrou profundamente, sentindo sua virgindade explodir com a força do movimento. Ela gritou.

Foi um grito de dor e prazer. A entrada havia sido dolorosa, mas agora a dor desaparecia rapidamente. Tinha consciência do momento da posse. Sua primeira reação foi de medo, mas depois ela percebeu como o membro de Kieran a preenchia por completo. Era tão natural! Tão perfeito. Suspirando, Fortune abraçou o marido e entregou-se sem reservas.

— Olhe para mim — ordenou ele.

Ela abriu os olhos para fitar os dele, tão cheios de amor e paixão.

— Eu amo você, Fortune. Amo você! — Kieran começou a se mover dentro dela. Cada movimento despertava nela a cons­ciência de um novo prazer, de um sentimento que inundava corpo e alma. Com o olhar fixo no dele, tentava transmitir to­das as emoções que ganhavam força em seu ser, e pela primeira vez na vida Fortune flutuou entre as estrelas.

Ele mergulhou mais fundo na doçura do corpo ainda juve­nil. Sentia os dedos cravados em seus ombros, agarrando-se a eles como se ali estivesse sua única chance de salvação.

— Por favor... Por favor... — implorava ela, acompanhando-o rumo ao pico da experiência sensual. — Kieran! Oh, Kieran — gritou ela quando explodiram juntos num orgasmo violento. — Oh, Kieran! Isso é maravilhoso, meu amor!

Era maravilhoso poder inundar seu jardim secreto com a seiva de seu corpo. Kieran mal podia respirar, mas logo perce­beu que devia ser pesado demais para ela e rolou para o lado, ofegante e cansado, sentindo-se totalmente comovido pela ex­periência que acabara de viver. Quando seu coração finalmen­te voltou a bater no ritmo normal, ele escutou. Choro. Um cho­ro contido e sincero.

— Fortune! O que foi, meu amor? Por que está chorando? Machuquei você? — Ele a tomou nos braços. — O que foi, mi­nha adorada?

— Estou tão feliz... — ela chorou, escondendo o rosto em seu peito. — Nunca me senti mais feliz em toda a minha vida, Kieran! Valeu a pena esperar por você, meu amor. Nunca pen­sei que o amor me encontraria. Quando conheci seu irmão, soube imediatamente que ele não era o homem de minha vida, mas pensei em aceitá-lo porque era essa a atitude correta a ser tomada.

Ele queria rir da confissão inocente, mas Fortune agora cho­rava copiosamente, despertando nele um forte sentimento de proteção.

— Também não esperava ser encontrado pelo amor, minha adorada, mas então a vi... e soube que não poderia permitir que Willy a tivesse. Eu a teria roubado como faziam meus ances­trais celtas se você o houvesse escolhido. Você é minha! Sempre foi, e sempre será. Agora, pare de chorar, meu amor, e beije-me.

O beijo foi quase desesperado. Quando se afastaram, ela declarou com pureza comovente:

— Podemos fazer tudo outra vez esta noite? Ele assentiu.

— Sim, mas antes devo descansar um pouco, e você tam­bém, minha querida. Ainda tenho muito o que lhe mostrar, muito para ensinar. Espero não desapontá-la.

— Quero saber como satisfazê-lo. — Ela se levantou e foi buscar uma vasilha com água e lavanda deixada sobre um mó­vel. Quando voltou com a bacia e as toalhas, ela se lavou e lim­pou o membro do marido, que não protestou.

— Gosto disso. Vai cuidar de mim sempre com essa mesma ternura, Fortune?

— Sim, sempre. — Ela deixou bacia e toalhas no chão e vol­tou para a cama. Kieran a acariciava novamente, e Fortune o prendeu entre as coxas pálidas. — Estou pensando que gosta­ria de cavalgá-lo, meu marido, como faço com Thunder.

— Então, não tem medo de minha luxúria, bela esposa? — Ele a acariciava de maneira provocante, começando na nuca e descendo pelas costas até o quadril. Jamais desejara outra mu­lher como desejava Fortune. Normalmente, ficava satisfeito com um orgasmo, mas já se descobria querendo mais.

Ela podia sentir o pulsar do membro sob seu corpo e, erguendo-se, ajeitou-se de forma a aceitá-lo em seu corpo.

— Fortune, meu amor — gemeu Kieran enquanto se movia. O orgasmo foi novamente poderoso e envolvente para ambos.

Mais tarde, quando estavam deitados lado a lado, de mãos dadas, ele insistiu que deviam dormir um pouco.

— Você é uma amante ardente, mas precisa descansar um pouco.

— Sim, senhor, milorde marido. Mas podemos fazer tudo de novo quando acordarmos? Kieran? Por que está rindo? Eu disse alguma bobagem?

— Todas as mulheres em sua família são fogosas como você, Fortune?

— A paixão não é algo que um marido deseja encontrar em sua esposa?

— Jamais me ouvirá reclamar, querida. Mas, de repente, um estranho pensamento tomou-me a mente...

— O que é?

— Não preciso temer que meu irmão me mate quando des­cobrir que me casei com aquela que ele pretendia. Você vai me matar com essa sua natureza insaciável!

— Maldoso! Afinal, podemos ou não fazer amor outra vez quando acordarmos?

— Sim, quantas vezes quiser. Se tiver de morrer nesta cama, morrerei feliz.

— Nem pense nisso. Agora que me mostrou as delícias da paixão, precisa continuar vivo.

— Mantê-la satisfeita será uma ocupação vitalícia e em tem­po integral.

— E vai ter de trabalhar duro, meu marido.

— Minha querida esposa, pode estar certa de que vou me esforçar. Sempre!

Capítulo 11


— O que está dizendo? Kieran se casou com Fortune Lindley? — Jane Devers olhava estupefata para o marido.

— Eles se casaram na quarta-feira, diante do Reverendo Steen, na igreja de Maguire's Ford — respondeu Sir Shane. — Eu estava lá. Testemunhei a cerimônia.

— Você permitiu isso? — Ela sentia a raiva crescer. — Deixou aquele seu bastardo celta se casar com a maior herdeira de toda Fermanagh? Como teve coragem? — sua pele pálida ostentava manchas vermelhas e ela arfava.

— Como poderia ter impedido? O duque de Glenkirk e sua esposa estão contentes com a união. E nunca mais se refira ao meu filho mais velho como bastardo, Jane. — Seu olhar era duro.

— E o que ele é? Seu casamento católico foi declarado ile­gal! Essa é a lei do rei! Os filhos que teve com aquela criatura que chama de primeira esposa são ilegítimos, mas eu ignorei tudo isso, criando-os como se fossem meus. Quando reconhe­ceu William como seu legítimo herdeiro, pensei que fôssemos da mesma opinião, Shane.

— Foi você, minha cara, quem decidiu que eu devia deser­dar Kieran, a menos que ele se tornasse protestante, pois só as­sim Mallow Court seria protegida e permaneceria na família Devers. Agora está me dizendo que, se Kieran houvesse se con­vertido, se ele se houvesse feito protestante, você o teria decla­rado ilegítimo porque meu casamento com Mary Maguire, a mãe dele, foi celebrado na igreja católica?

— Sim! Sim, é isso mesmo! Não nos casamos por amor, Shane. Você se casou comigo por minha herança, e eu o aceitei como marido porque queria Mallow Court. Chegou mesmo a pensar que eu deixaria Kieran ficar com a propriedade depois do nascimento de meu William? E, se tivesse tido somente uma filha, eu teria reclamado as terras para Bessie. Mallow Court não pertence a você, Shane. Meu pai comprou este lugar com seu ouro, e eu selei a barganha quando o aceitei gemendo e suan­do sobre meu corpo para lhe dar filhos. Aos olhos da lei, William e Bessie são seus filhos legítimos! Nunca se esqueça disso!

— Nunca pensei que nossa união fosse de amor, Jane, mas cheguei a pensar que houvesse afeto entre nós depois de ter­mos tido dois filhos, depois de tantos anos de convivência. É triste descobrir que me enganei.

— Vocês, irlandeses, são muito românticos. O casamento, como qualquer outra associação, é uma questão prática. Ago­ra, vamos discutir esse desastre que se abateu sobre nós. Kieran não pode ficar com Erne Rock e Maguire's Ford. Isso daria uma grande vantagem aos católicos que insistem em ficar aqui.

— Kieran e Fortune não ficarão em Ulster, Jane. Não terão Maguire's Ford. Você já sabe disso. A propriedade foi dividida entre os dois filhos mais novos do duque, Adam e Duncan Leslie, que já se instalaram no castelo. O duque, sua esposa, Fortune e Kieran partirão na primavera, depois de a duquesa ter seu filho.



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