Fortune, uma mulher impiedosa. Bertrice small



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— Bem, Jemmie, você queria outra menina para mimar e, como sempre, conseguiu o que queria — disse a duquesa, rindo.

Fortune havia assistido ao parto rápido e fácil e estava fas­cinada com a chegada da nova irmã.

— Todos os bebês nascem assim tão depressa, mamãe? Jasmine riu, cansada.

— Não, meu bem, a maioria demora mais. Deve ter sido a queda na praça do vilarejo. O parto foi precipitado pelo tombo, mas, felizmente, tudo indica que a criança está bem.

— Uma linda menina — elogiou Biddy, colocando o bebê limpo e envolto em panos nos braços da mãe. — Uma Samheinl

— Que nome daremos a ela? — perguntou James Leslie. Jasmine pensou um pouco antes de responder:

— Autumn, porque ela nasce já no outono de minha vida, e no outono deste ano. — Ela notou o vaso com rosas sobre um móvel. — Autumn Rose Leslie — decidiu. — O nome de nossa filha será Autumn Rose.

Parte Três
INGLATERRA E MARY'S LAND, 1632-1635
"Ame a Deus, e faça o que quiser." — Sinto Agostinho
Capítulo 13
Sir William Devers sobreviveu ao atentado, mas nunca mais andou. Assim que superou o risco de morte, foi transferido da casa do Reverendo Samuel Steen em Maguire's Ford de volta para Lisnaskea. Com pouco mais de 20 anos, passava seus dias na cama ou na cadeira feita especialmente para ele, e sua raiva crescia. Queria responsabilizar os católicos por sua condição, mas não fora um deles o autor do disparo. Recebera o tiro pelas costas, e os católicos de Maguire's Ford haviam estado reuni­dos diante dele. Mesmo assim, raciocinava Sir William, se os católicos não vivessem em Maguire's Ford, ele não teria sido forçado a ir até lá, e agora não seria o inválido que era. Não conhecia a identidade de quem havia atirado contra ele, e ne­nhum de seus homens parecia saber quem fora.

Assim, responsabilizava os católicos por seu estado de in-validez e, encorajado pela esposa e pela mãe, planejava uma vingança que nunca poderia concretizar contra os católicos em geral, mas que perpetraria contra o meio-irmão, Kieran, e sua esposa Fortune, porque, se ela nunca houvesse posto os pés em Ulster, nada daquilo teria acontecido. A culpa era toda deles.

Ninguém ia visitar Sir William e sua família. Os criados tra­ziam poucas mensagens. Estava condenado a passar o resto de seus dias em Mallow Court com a mãe e a esposa por compa­nhia. Sir William passou a beber qualquer coisa que pudesse amenizar sua dor e o tédio.

Em Maguire's Ford, Autumn Leslie, nascida na véspera de Todos os Santos — a celebração Samhein dos antigos celtas —, crescia saudável. Jasmine sabia que aquele era seu último bebê, por isso amamentava a filha com devoção, recusando a ajuda de uma ama-de-leite. Fortune adorava a irmã e passava a maior parte de seu tempo com Autumn e a mãe.

— Ela é tão doce — suspirava Fortune. — Adoraria ter uma menina como ela... um dia. Sei que ainda não é o momento cer­to, mamãe.

— Se Kieran vai sozinho para o Novo Mundo, talvez deva engravidar antes disso, minha filha. Assim poderei estar ao seu lado quando a criança nascer. Então, quando puder ir ao en­contro de seu marido na colônia, o bebê já terá idade suficiente para viajar. Mas espere até voltarmos à Inglaterra para tomar sua decisão.

Fortune suspirou novamente. Queria uma vida normal como tinham sua mãe e a irmã, índia. Uma casa, um marido, filhos e paz. Por que não podia ter todas essas coisas? Conhecia a resposta para a questão, que não verbalizava. Casara-se com um homem cuja fé não era aceitável. Teriam de construir uma nova vida em um lugar onde sua fé e a dele pudessem coexistir pacificamente. Mas quando? Por que tinha de demorar tanto? Ela abraçou a irmã de maneira protetora, admirando a perfei­ção em cada detalhe de Autumn. Os cabelos negros com refle­xos avermelhados, os olhos que começavam a apresentar re­flexos verdes, embora ela só tivesse dois meses de idade. Autumn seria batizada pelo Reverendo Samuel Steen tendo por padrinhos a meio-irmã e Adam, seu irmão.

O Natal e o Dia de Reis haviam passado. O inverno era ri­goroso. Maguire's Ford vivia dias de tranquilidade sem a amea­ça vinda de Lisnaskea. Os excessos do outono pareciam ter dre­nado as energias de todos. Para alegria de Kieran, várias famílias se mostraram interessadas em ir com ele e Fortune para o Novo Mundo, incluindo o jovem Bruce Morgan. Eles reconheciam a oportunidade única, apesar dos perigos envolvidos na situa­ção. Os mais velhos, porém, não encontravam coragem para deixar Ulster. Sempre haviam sobrevivido de uma maneira ou de outra, e continuariam assim, argumentavam.

Janeiro deu lugar a fevereiro, e fevereiro deu lugar a março. As colinas verdes se cobriam com os pontos brancos dos car­neiros nascidos no mês anterior. O duque começou a fazer pla­nos para deixar Maguire's Ford e voltar para a Escócia. Deixa­riam a propriedade no dia 15 de maio, um dia depois do 15e ani­versário de Adam Leslie. Os dois irmãos Leslie estavam bem adaptados em Màguire's Ford. O Reverendo Steen fora contra­tado para ser tutor dos meninos. A patente do rei era esperada antes da partida da família, e Jasmine já havia redefinido as fronteiras da propriedade, dividindo a terra igualmente entre os dois meninos. Quando Duncan completasse 16 anos, em mais quatro, uma casa seria construída para ele em local já escolhido.

Março chegou ao fim, e na metade de abril a ordem real chegou, transferindo Maguire's Ford de Lady Jasmine Leslie, a duquesa de Glenkirk, para seus dois filhos, Adam e Duncan Leslie. Cada um deles recebia um título do rei, já que eram fi­lhos de um duque. Adam tornou-se Barão Leslie de Erne Rock. Duncan passava a ser Barão Leslie de Dinsmore, que significa­va da colina fortificada, uma alusão ao local onde seria erigida sua nova residência. Uma cópia do documento foi postada na praça do vilarejo, e Kieran levou a segunda cópia a Mallow Court para mostrá-la ao meio-irmão e à madrasta.

Jane Devers, cuja aparência era de cansaço, cumprimen­tou-o de má vontade.

— Creio que foi informado de que não deveria mais voltar aqui — disparou ela ao recebê-lo no salão.

— Está será minha última visita senhora, garanto. Onde está William? Leve-me até ele, e vá buscar sua nora, também.

Jane Leslie conduziu o enteado ao salão dos fundos, onde William Devers estava sentado em sua cadeira estofada.

— Kieran! — A voz dele era quase entusiasmada.

— Lamento vir incomodá-lo sem me fazer anunciar com antecedência, mas tive receio de que não me recebesse, caso fosse prevenido. Trago aqui uma cópia da patente real para Maguire's Ford. — Ele entregou o documento ao irmão mais novo. — Vai notar que esse papel oficializa a transferência de posse da terra, agora dividida entre Adam e Duncan, ou Sir Adam e Sir Duncan, como devem ser tratados doravante. Não pode haver mais dúvidas quanto à disposição de Erne Rock e suas terras. Tudo agora pertence a dois lordes protestantes cujo tutor é o Reverendo Steen.

— Mas Maguire ainda está lá — respondeu William. — Não está?

— Sim, e lá estará até morrer. Ele não causa problemas e é genial com os cavalos, Willy. Maguire é necessário.

— Ele é católico.

— Seus senhores não são. Não se indisponha com os meni­nos Leslie, William. A Escócia não é tão longe assim, e James Leslie não pensaria duas vezes para matar você.

— Eu estaria melhor se estivesse morto. Não tenho nenhu­ma sensibilidade abaixo da cintura, Kieran. O médico afirma que o bebê que Emily Anne terá em breve é o único filho que vou ter. E se não for um filho? Passo o dia todo sentado nesta cadeira com mamãe e minha esposa por únicas companhias. A bondade e a doçura das duas me irritam. O médico me in­forma que, mesmo morto da cintura para baixo, sou tão sau­dável quanto um cavalo e terei vida longa. Está satisfeito ago­ra, Kieran?

— Lamento, Willy, mas a verdade é que é o único culpado por sua situação. Os protestantes de Lisnaskea o seguiram ale­gremente quando foram inflamados por você, sua mãe e o fi­nado Dundas, mas depois o abandonaram. Ver você os faz lem­brar o que fizeram com amigos e vizinhos cujo único pecado era ser católico. E cada vez que eles o vêem, lembram o que você fez com sua meio-irmã, Aine Fitzgerald. Eu realmente lamento por você, Williy Mas não posso deixar de pensar que seu casti­go é justo e merecido.

— Chora pela filha de uma meretriz, mas não lamenta a sorte de seu próprio irmão! Estou feliz por meu pai estar morto, ou ele o teria feito herdeiro novamente, bastardo!

— Eu não teria aceito, Willy. Ulster é um lugar de tristeza e pesar para mim. Não pertenço mais a tudo isso. Pode ficar com Mallow Court para você e seus herdeiros, e tenha sorte, irmãozinho.

— O que você quer? — Jane Devers e a nora entraram na sala. A voz que se ouvia era de Emily Anne, cujo ventre disten-dido anunciava o nascimento iminente do bebê.

— Bom dia, senhora — cumprimentou Kieran, curvando-se com respeito. — Trouxe uma cópia da patente real que de­creta a transferência de propriedade de Maguire's Ford de mi­nha sogra para seus dois filhos Leslie. A transferência está concluída e é agora um fato. — Ele tomou o documento das mãos de William e o passou para Lady Jane e Emily Anne. — Quando terminarem de ler o documento, eu o levarei de volta. Também vim para me despedir. Minha esposa, os Leslie e eu partiremos para- a Escócia no meio de maio. E pouco provável que um dia eu retorne a Ulster.

As duas mulheres leram o decreto cuidadosamente antes de devolvê-lo a Kieran.

— Lady Jasmine não mentia quando disse que daria Maguire's Ford aos filhos — Jane Devers comentou, como se estivesse surpresa.

— Não, milady — Kieran respondeu. — Ela não mentia.

E então, como nada mais havia a ser dito, ele se despediu de todos e deixou o lar de sua infância para sempre. No alto da encosta, parou e se virou para olhar para Mallow Court. Nunca mais a veria.

No final de abril, um mensageiro chegou para informar Kieran sobre o nascimento prematuro de sua sobrinha, Emily Jane. A criança era saudável, e a mãe sobrevivera com coragem ao parto difícil. Kieran Devers enviou para a sobrinha que nunca conheceria um conjunto de colher e caneca de prata. Mandara um portador a Belfast para comprar vários itens recentemente, e o presente integrara essa lista.

— Pobre William — observou Fortune. — Mas pelo menos tiveram um filho. Acha que também chegou nossa hora de co­meçarmos a procriar, milorde? Devemos nos empenhar mais. Nessas últimas semanas tenho me sentido negligenciada. — Fortune estava sentada na enorme banheira de carvalho diante da lareira. O espaço que a cama não ocupava era tomado pela banheira.

Kieran riu, despiu-se e foi se juntar à esposa no banho. Ela era adorável com os cabelos vermelhos e brilhantes e as faces coradas pelo calor da água.

— Estou disposto a fazer tudo para encontrar uma terra onde possamos viver em paz, livres de preconceito, mas abrir mão dos nossos banhos... isso nunca, senhora!

Fortune riu.

— Felizmente não somos puritanos. Ouvi dizer que eles con­sideram o banho um grande pecado da carne. Alguns cavalhei­ros que conheci na corte eram desagradáveis de ter por perto.

— Espero que nunca diga nada parecido a meu respeito.

— De maneira nenhuma, senhor meu marido — ela o to­cou de maneira provocante embaixo da água.

Inflamado, Kieran a possuiu na banheira, algo que nunca haviam feito antes. Depois do clímax rápido e violento, ele a tomou nos braços e a levou para a cama, onde a penetrou mais uma vez com desejo insaciável.

O quarto era frio, mas ela ardia. Enlaçando-o com as per­nas, movia-se num ritmo alucinante, acompanhando-o na dan­ça sensual que os levaria mais uma vez ao êxtase. Fortune su­focava os gritos de prazer com um punho cerrado, enquanto o outro estava sobre as costas do marido, as unhas marcando sua pele no auge do frenesi. O mundo se desfez diante de seus olhos, desmanchando-se numa explosão de cores, e ela se sen­tiu flutuar.

Alguns minutos se passaram até Fortune estar novamente no controle de si mesma, e então percebeu que ele a banhava amorosamente com as toalhas embebidas em lavanda.

— Aprendeu bem — disse ela sorrindo, sem abrir os olhos.

— Sim, mas ainda quero mais, minha esposa.

Ajoelhando-se, ele tomou o membro nas mãos e o aproxi­mou dos lábios dela. Guiada pelo instinto, ela fez exatamente o que o marido esperava dela. A experiência até então desconhe­cida a despertou novamente para a paixão, e eles fizeram amor mais uma vez. Fortune ainda se surpreendia com a freqüência com que se entregavam ao prazer, pois jamais imaginara ser possível manter aceso fogo tão intenso. Amavam-se como ela jamais sonhara amar alguém, como nunca havia esperado ser amada por um homem. Sabia que, ao lado de Kieran, seria eter­namente feliz, independentemente de onde estivessem.

Quando acordaram, a luz pálida de uma manhã de prima­vera invadia o quarto, espalhando sua luminosidade dourada. O fogo morrera na lareira, e a enorme banheira de carvalho blo­queava qualquer calor remanescente que pudesse brotar das cinzas. Fortune espirrou. E espirrou novamente. Resmungan­do, Kieran levantou-se e foi empurrar a banheira, mas havia pouco espaço para transferi-la. Ele se ajoelhou e revolveu as brasas, mas estavam realmente mortas. Kieran espirrou.

— Merda! — praguejou. — Acho que estou me resfriando. — Eu sei que estou — confirmou Fortune. — Não pode acen­der o fogo?

— Vou ter de descer ao salão para pegar algumas brasas ardentes, porque estas já viraram cinzas. — Ele espirrou mais duas vezes.

Fortune não conseguiu se conter. Ela riu alto, mas tratou de explicar rapidamente sua reação agravante ao marido.

— Acho que há uma lição nisso, Kieran. Não faça amor molhado nem durma na cama úmida em uma noite fria de pri­mavera. Acho que devemos nos vestir e, depois, vamos nos aquecer no salão. Os criados cuidarão de tudo por aqui. Preci­so de uma terrina de mingau de aveia e de uma boa caneca de cidra quente.

— Concordo. Mas que tivemos uma noite inesquecível... Ah, isso é inegável!

Fortune não conteve as gargalhadas.

Abril chegou ao fim, e o tempo dos Leslie em Ulster se abre­viava. Kieran havia reunido diversas famílias católicas e ho­mens e mulheres solitários que se dispunham a fundar um novo lar no Novo Mundo. Eram 14 homens. A maior parte era com­posta por fazendeiros, exceto por Bruce Morgan, que havia sido aprendiz do pai e era um excelente ferreiro. Havia também um oficial de cobre, um curtidor de couro, um sapateiro, duas tece-lãs, dois pescadores e uma médica, a Senhora Happeth Jones, de Enniskillen. Ela havia sido expulsa de sua casa pelos vizi­nhos protestantes, que sugeriam que seus poderes de cura po­diam ser decorrentes de feitiçaria. Antes que o pior aconteces­se, a Senhora Jones havia pegado suas coisas e fugido para Maguire's Ford. Ela não tinha fé declarada, mas ouvira dizer que em Maguire's Ford havia mais tolerância do que em outras partes de Ulster, por isso fora para lá.

— É verdade que pratica bruxaria? — perguntou Kieran sem rodeios.

— É claro que não! — respondeu a Senhora Jones indigna­da. Ela era uma mulher rechonchuda e de rosto redondo emol­durado por cabelos negros, com faces rosadas e brilhantes olhos azuis que tudo estudavam com atenção. — Os ignorantes sem­pre tentam explicar o que não entendem valendo-se do argu­mento da bruxaria, senhor. Sou médica, porque meu pai me ensinou seu ofício. Domino a arte da cura, como minha mãe também o fazia. Ela tinha o dom. Eu também tenho essa habili­dade. Meu sucesso em Enniskillen despertou a inveja dos dois outros médicos da cidade, um deles cirurgião. Foram eles quem começaram os rumores. Não só era médica melhor que eles como sou mulher, e todos nós sabemos que as mulheres só ser­vem para ter filhos e manter limpa e arrumada a casa de um homem — concluiu ela com um sorriso irônico.

— Não tem marido?

— Não tenho tempo para um marido.

— Jones não é um nome de Ulster.

— Meus pais vieram de Anglesey. Meu avô era médico em Beaumaris. O povo de minha mãe era composto por mercado­res que comercializavam seus bens com a Irlanda. Como meu avô Jones tinha dois filhos, e ambos seguiram seus passos, meu pai, que era o caçula, não teve escolha senão deixar Anglesey em busca de um lugar onde pusesse aplicar seus conhecimen­tos. Anglesey é um lugar pobre, e um médico e seu primogêni­to eram mais do que suficientes. Eu sou filha única, e ainda era bebê quando ele se instalou em Enniskillen.

— A vida no Novo Mundo não vai ser fácil, Senhora Jones. Não tem ninguém para acompanhá-la?

— Taffy. — Ela respondeu calmamente. — Ele é o motivo pelo qual todos acreditaram que eu era feiticeira.

— Por quê?

— Taffy é um anão, senhor, e é mudo, mas muito inteligen­te. Entende tudo o que dizem. A mãe o abandonou quando per­cebeu que tipo de criatura ele seria. Eu o criei como se fosse meu próprio filho. Ele me auxilia e é meu farmacêutico. Não é feio. Apenas pequenino. E também tenho meus cães, senhor. Não tenho um gato por razões óbvias — concluiu ela, rindo.

Kieran também riu. Gostava dela e sabia que Fortune tam­bém a aprovaria.

— Há certas coisas que deve levar na viagem — explicou ele. — Tem dinheiro para comprar tudo que é necessário? Se não, podemos ajudá-la. Seus conhecimentos e os de seu assis­tente serão muito valiosos para nós.

— Quando partiremos?

— Minha esposa e eu iremos para a Escócia dentro de al­guns dias e de lá seguiremos para a Inglaterra. Depois, terei de ser apresentado a Lorde Baltimore, que organiza essa expedi­ção. Estou certo de que poderei convencê-lo a nos levar. Meu povo permanecerá em Ulster até que eu mande buscá-lo. Pode ser no verão, ou no próximo ano. Temos os navios, e nosso gru­po embarcará aqui. Não vai ser necessário viajar até a Inglater­ra. Os cavalos irão com vocês.

Adam Leslie celebrou seu 15º aniversário no dia 14 de maio. Agora ele era tão alto quanto o pai e se mostrava muito entu­siasmado com a perspectiva de se tornar senhor de si mesmo. Jasmine, porém, o chamou de lado.

— Você deve manter a paz aqui — disse ela. — Não pode permitir que hajam perseguições de católicos ou protestantes em Maguire's Ford. Muitos virão e tentarão convencê-lo a esco­lher um dos lados, Adam, mas você não deve ceder. Não há fé melhor nem pior que outra, apesar do que dizem certos ho­mens. Santo Agostinho disse: Ame a Deus, efaça o que quiser. É um bom conselho, meu filho. Espero que em um ano você vá a Dublin. Enquanto Rory Maguire estiver aqui, considere-se li­vre para se educar da maneira que julgar mais conveniente.

— Já tenho toda a educação de que preciso, mãe. Duncan ama os livros e os estudos. Eu sou diferente. Sei ler, escrever e fazer contas. Falo francês e italiano, embora não saiba de que isso poderá me servir. Agora quero aprender com Maguire como essa propriedade é administrada e como criar cavalos. Por fa­vor, liberte-me de uma vez por todas do bom, mas tedioso Samuel Steen.

Jasmine riu.

— Muito bem, Adam, está livre. Agora que tem tão grande responsabilidade sobre seus ombros, é melhor aprender a cui­dar dos negócios.

— Serei responsável por Duncan?

Jasmine pensou por um momento. Duncan Leslie tinha 12 anos de idade. Era um menino. Adam ainda era jovem demais para saber usar de autoridade. E o Reverendo Steen era um ho­mem de natureza doce demais para se impor sobre Duncan. Seria facilmente envolvido pelos garotos.

— Cullen Butler ficará responsável por seu irmão. E, quan­do ele não estiver aqui, Rory Maguire será o responsável. Não precisa de mais responsabilidades do que já dei a você, Adam.

— Se houver algum problema, os oponentes vão argumen­tar que um dos proprietários de Maguire's Ford está sob a guar­da de dois católicos. O que faremos se isso acontecer?

— Nesse caso, a autoridade suprema caberá a seu pai, Adam, e ele estará na Escócia. Sendo assim, nenhuma decisão impor­tante com relação a Duncan poderá ser tomada antes de Jemmie Leslie anunciar sua decisão. Estamos entendidos?

Adam riu.

— Sempre admirei sua astúcia, mãe.

Rory Maguire observava mãe e filho conversando. Algum dia voltaria a vê-la? Ou afilha deles? Era por Fortune que temia agora. O Novo Mundo ficava do outro lado do oceano, mas ele não faria essa viagem. Sua menina era uma delicada combina­ção entre ancestrais celtas e um imperador Mugal. E como ela amava Kieran Devers! Rory sorriu para si mesmo. Fortune ti­nha a mesma paixão e o mesmo fogo da mãe. E estava muito animada para começar essa grandiosa aventura com o homem amado.

Mal a conhecia. E ela o conhecia ainda menos. Rory levaria seu segredo para o túmulo. Só no dia em que se encontrassem no paraíso ela conheceria a verdade. Mas sentiria saudades de sua querida Fortune Mary. Aquele ano havia sido o melhor de sua vida, pois ela estava ali, ao alcance de seus olhos, em sua companhia, mas jamais poderia saber disso. Certa vez, no pas­sado, dera adeus à mãe dela e depois havia chorado enquanto tentava se convencer de que um homem não devia chorar. Des­sa vez choraria duas vezes mais, mas teria a satisfação de saber que sua filha seria amada. Não só pela mãe e por James Leslie, mas por aquele imponente filho de Ulster que se casara com ela. E Rory sabia que seu amor iria com ela, sua filha. Fortune Mary teria seu coração para sempre, como a mãe dela o tivera por todos aqueles anos.

A última coisa a ser resolvida antes de eles poderem deixar Maguire's Ford era o casamento de Róis com Kevin Hennessy. A cerimônia foi realizada na capela do castelo na manhã da partida do grupo. O jovem casal acompanharia Fortune e Kieran como criados pessoais, mas, quando chegassem ao Novo Mun­do, Kevin assumiria a responsabilidade pelos cavalos que se­riam levados com eles. Os pais de Kevin estavam mortos havia anos, e isso havia sido parte importante em sua decisão de dei­xar Ulster. Os pais e os avós de Róis a viram casar com seu amor de infância. Michael Duffy enxugou uma lágrima furtiva ao ver a filha casada, mas a mãe dele, Bride, chorava abertamente enquanto a neta proferia os votos. Todos sabiam que Bride cho­rava porque essa seria a última vez que ela veria sua adorada neta, a mais nova, e Róis sempre fora sua favorita.

No salão, todos brindaram aos noivos e desejaram sorte ao casal. Chegava o momento de partir. Jasmine despediu-se dos filhos, prometendo retornar em um ou dois anos para vê-los. O anúncio alegrou os inúmeros amigos que já imaginavam que nunca mais veriam a duquesa de Glenkirk.

— Não — riu Jasmine. — Tenho de me certificar de que esses dois vão fazer o que devem fazer. E um dia terei de en­contrar esposas para eles. Este aqui — ela afagou os cabelos de Adam — já anda olhando para as moças. Pensou que eu não soubesse? Mesmo na Escócia, terei conhecimento de tudo o que fizerem por aqui, meus filhos. — Ela abraçou os dois.

E olhou para Rory.

— Continue como era no passado, velho amigo. Não me enganei quando o elegi como meu homem de confiança em Ulster. Sou grata por tudo que fez, Rory Maguire, e por tudo que ainda fará. Prometo voltar. —Jasmine inclinou-se para bei­já-lo no rosto. — Adeus, Rory. Até nosso próximo encontro.

— Por que está vermelho como uma beterraba, Rory Maguire? — perguntou Fortune rindo quando o abraçou e o beijou. — Mamãe o surpreendeu, não é? Mas não a mim. Já deve saber que o adoro, padrinho. Vou sentir sua falta. Tem certeza de que não quer ir conosco para o Novo Mundo? Imagine que belos cavalos vamos criar com as matrizes que levaremos daqui! Ulster é um lugar triste... Que fica mais triste a cada dia.

Rory a estreitou entre os braços, saboreando por um mo­mento a doçura de ter uma filha. Depois respondeu:

— Eu não deixei o povo de Maguire's Ford quando minha família partiu de Ulster com os condes há muitos anos. Não vou abandonar tudo agora. Mas agradeço sua oferta. — Ele a beijou no rosto. — Está partindo com um bom marido, Fortune Mary, e isso é, afinal, o que veio buscar em Ulster. — Ele sorriu, fitando seus belos olhos. — Vá com Deus, e que sua viagem seja segura e pacífica. Se quiser escrever para mim de vez em quando, vai me deixar muito satisfeito, e prometo responder às cartas. — Segurando-a pelos ombros, ele a beijou uma última vez na testa.



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