Introdução a Psicologia do Ser


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1 O termo cunhado por Kurt Goldstein foi self-actualization para descrever os processos de desenvolvimento das capacidades e talentos do indivíduo; de compreensão e aceitação do próprio eu (“oneself”); de harmonização ou inte­gração dos motivos individuais. Além disso, como se verá, a self-actualization representa uma variedade de dados, que são melhor entendidos quando toma­dos globalmente do que quando analisados, e assinala problemas que o psi­cólogo deve estudar — em vez de um problema resolvido. O próprio autor indicaria como sinônimos “aceitáveis”: self-development (enfatizando a evolução temporal da unidade interior), self-realization, productiveness, autonamy e individuation. Optamos pela tradução deste último, “Individuação”, talvez por nos parecer menos “desgracioso, de um ponto de vista literário”. (N. do T.)

1 Caráter exigente (demand-character) é empregado por Maslow de acordo com o conceito gestaltista que caracteriza os atributos provocadores de neces­sidade dos objetos. Assim, uma reluzente maça vermelha “exige” ser comida; um quadro impressionante “exige” ser olhado e admirado. (N. do T.)

 Por mera facilidade expositiva e narrativa, o Prof. Maslow decidiu referir-se à Being-psychology (Psicologia do Ser) como B-psychology, que vertemos para S-psicologia; e à deficiency-psychology (Psicologia da Deficiência) como D-psychology que, naturalmente, mantemos como D-Psicologia. (N. do T.)

1 O Prof. Maslow deu-lhes o nome de peak-experiences. Creio que a minha tradução para “experiências culminantes” corresponde fielmente à idéia do Au­tor. Cf. por exemplo, no capitulo 7: “3. A pessoa nas experiências culmi­nantes sente-se no auge de seus poderes, usando todas as suas capacidades da melhor e da mais completa forma”. (N. do T.)

1 Para uma exposição mais detalhada deste mesmo tema, ver o meu livro Eupsychian Management (Irwin-Dorsey, 1965), págs. 194-201.

1 Segundo Allport, propriate (propriado) é tudo o que pertence ao proprium. aqueles aspectos da personalidade (eu, ego) que, coletivamente, formam a in­dividualidade e a unidade interna peculiares de um ser humano. Foi ainda Allport quem criou o termo propriate para caracterizar um padrão de compor­tamento em que a pessoa procura lograr os objetivos do seu próprio eu em desenvolvimento, sem esperar a intervenção de circunstâncias ou oportunidades externas, mas, pelo contrário, criando as condições favoráveis aos seus próprios fins. (N. do T.)

1 “Mas, paradoxalmente, a experiência artística não pode ser efetivamente usada para este fim ou qualquer outro. Deve ser uma atividade sem pro­pósito determinado, até onde entendemos o significado de “propósito”. Só pode ser uma experiência em ser — ser um organismo humano que faz o que deve fazer e o que tem o privilégio de fazer — experimentando a vida intensa e totalmente, consumindo energia e criando beleza no seu próprio estilo — e a maior sensibilidade, integridade, eficiência e sensação de bem-estar são subprodutos” (179, pág. 213).

1 “A partir do momento em que o embrulho está nas suas mãos, a criança sente-se livre para fazer o que quiser com ele. Abre-o, especula sobre o que é, reconhece o que é, expressa felicidade ou desapontamento, observa a disposição do conteúdo, descobre o folheto de instruções, sente o con­tato do aço, avalia os diferentes pesos das peças e o seu número etc. Faz tudo isso antes de ter tentado construir alguma coisa com o jogo. De­pois, vem a excitação de montar algo. Pode ser apenas casar uma peça com outra. Por conseguinte, sozinha, ela adquire uma sensação de ter feito alguma coisa, de poder fazer alguma coisa e de que não é impotente para lidar com esse artigo. Seja qual for o padrão que se desenvolva sub­seqüentemente, quer os seus interesses se ampliem à utilização total do jogo e, portanto, no sentido da aquisição de um sentimento de realiza­ção cada vez maior, quer decida pô-lo completamente de lado, o seu con­tato inicial com o jogo de armar foi significativo.

“Os resultados da experimentação ativa podem ser resumidos, aproxi­madamente, da seguinte maneira. Há um envolvimento físico, emocional e intelectual do eu; há um reconhecimento e exploração das próprias ca­pacidades; há um começo de atividade ou de criatividade; há descoberta da cadência e ritmo pessoais e o pressuposto de que a tarefa é compa­tível com as próprias aptidões, em qualquer momento dado, o que inclui a evitação de querer fazer demais; há uma aquisição de proficiência, que pode ser aplicada a outros empreendimentos; e há uma oportunidade, cada vez que se tem parte ativa em alguma coisa, por menor que seja, de se apurar cada vez mais em que é que se está interessado.

“A situação acima pode ser contrastada com outra em que a pessoa que leva para casa o jogo de armar diz à criança:

“— Aqui está um jogo de armar, deixa que eu abro para você.”

“A pessoa assim faz e, depois, aponta para todas as coisas que estão dentro da caixa, o folheto de instruções, as várias peças etc. E, para cúmulo, resolve montar um dos modelos mais complicados, digamos, um guindaste. A criança pode estar multo interessada no que viu estar sendo feito, mas localizemos um aspecto do que esteve realmente acontecendo. A criança não teve oportunidade alguma de se sentir envolvida no jogo de armar, com o seu corpo, a sua inteligência ou os seus sentimentos; não teve oportunidade alguma de enfrentar-se com algo que á novo para ela, de comprovar o que é capaz de fazer ou de adquirir uma orientação adicional sobre os seus interesses. A construção de um guindaste pode ter acarretado outro fator. Pode ter deixado na criança urna exigência implícita de realizar outro tanto, sem que tivesse tido uma oportunidade para se preparar para uma tão complicada tarefa. A meta passa a ser o objeto, em vez da experiência envolvida no processo de se atingir o ob­jetivo. Além disso, tudo o que possa realizar subseqüentemente por si mesma parecerá pequeno e mesquinho, comparado com o que foi feito para ela por outra pessoa. Nada foi somado á sua experiência total que a habilite a enfrentar algo novo da próxima vez. Por outras palavras, ela não cresceu de dentro para fora, mas, pelo contrário, algo lhe foi sobre­posto de fora para dentro... Cada fragmento de experimentação ativa ê uma oportunidade para descobrir de que é que gosta ou o que lhe desa­grada e, cada vez mais, o que quer fazer de si própria e por si própria. Isso constitui uma parte essencial do seu avanço para a fase de maturi­dade e de ego-orientação” (186, pág. 179).


1 “Como é possível perder um eu? A insídia, desconhecida e inimaginável, começa com a nossa secreta morte psíquica na infância — se e quando não somos amados e somos separados dos nossos desejos espontâneos. (Pensamento: O que resta?) Mas espere — a vítima poderia até “esquecer” isso com o tempo — mas é um perfeito crime duplo, em que ela se liquida e a liquidam a ela — não é apenas esse simples assassinato de uma psique. Isso poderia ser cancelado, o minúsculo eu também participa, gradual e inadvertidamente. O indivíduo não foi aceito por si mesmo, tal como é. “Oh, eles “amam-no”, mas querem-no, ou forçam-no, ou esperem dele que seja diferente! Portanto, ele deve ser inaceitável. Ele próprio aprende a acreditar nisso e, finalmente, até o aceita como ponto assente. Verda­deiramente, ele renunciou a si mesmo. Agora, não interessa se lhes obe­dece ou não, se se obstina, revolta ou retrai — o seu comportamento, o seu desempenho, é tudo o que importa. O seu centro de gravidade está “neles”, não nele próprio — entretanto, se ao notá-lo pensasse nisso, acha­ria bastante natural. E a coisa é toda ela inteiramente plausível; tudo invisível, automático e anônimo!

“Isso é o perfeito paradoxo. Tudo parece normal; não houve intenção de crime; não há cadáver, não há culpa. Tudo o que podemos ver é o Sol nascer e morrer como de costume. Mas o que sucedeu? Ele foi rejeitado, não só por eles, mas por ele próprio. (Realmente, ele está sem um eu.) O que foi que perdeu? Apenas a única parte verdadeira e vital de si mesmo: o seu próprio sentimento de afirmação, que é a sua própria capacidade de desenvolvimento, o seu sistema fundamental, as suas raí­zes. Mas, ai dele, não está morto. A “vida” continua e ele também deve continuar. A partir do momento em que renunciou a si mesmo e na medida em que o faz, ele decide, inconscientemente, criar e manter um pseudo-eu. Mas isso é apenas um expediente: um “eu” sem desejos. Este será amado (ou temido), quando é desprezado; será forte, quando é fraco; simulará ações (oh, mas são caricaturas!), não por diversão ou alegria, mas por uma questão de sobrevivência; não apenas porque quer mover-se, mas porque tem de obedecer. Essa necessidade não é vida — não a sua vida — é um mecanismo de defesa contra a morte. É também a máquina da morte. Doravante, ele será despedaçado por necessidades compulsivas (inconscientes) ou derrubado por conflitos (inconscientes) que o parali­sam, cada movimento e cada instante neutralizando o seu ser, a sua in­tegridade; e, durante todo esse tempo, ele está disfarçado de pessoa nor­mal e todos esperam que ele se comporte como tal!

“Numa palavra, vejo que nos tornamos neuróticos ao criar ou defen­der um pseudo-eu, um sistema de eu; e somos neuróticos na medida em que carecemos de eu” (7, pág. 3).


1 Penso ser possível aplicar este princípio geral à teoria freudiana da pro­gressão das fases libidinais. A criança na fase oral obtém a maioria dos seus prazeres através da boca. E um, em particular, que tem sido negli­genciado é o domínio. Devemos recordar que a única coisa que um bebê pode fazer bem e eficientemente é chupar. Em tudo o mais ele é ineficaz, incapaz, e se, como penso, isso é o precursor mais remoto do amor-próprio (sentimento de domínio), então essa é a única maneira pela qual o bebê pode experimentar o prazer de domínio (eficiência, controle, auto-expressão, volição).

Mas a criança em breve estará desenvolvendo outras capacidades de domínio e controle. Refiro-me aqui não só ao controle anal que, embora correto, tem tido, em minha opinião, a sua importância extremamente exa­gerada. As capacidades sensoriais e a motilidade também se desenvolvem suficientemente, na chamada fase “anal”, para proporcionar à criança sensações de prazer e domínio. Mas o que para nós é importante aqui é que a criança oral tende a esgotar o seu domínio oral e o mostrar-se entediada com ele, tal como se cansa de ingerir apenas leite. Numa situa­ção de livre escolha, ela tende a renunciar ao seio materno e ao leite, favorecendo atividades e gostos mais complexos ou, pelo menos, a adicionar ao seio esses outros desenvolvimentos “superiores”. Dada uma satisfação suficiente, livre escolha e ausência de ameaça, a criança supera a fase oral e renuncia a ela por sua própria iniciativa. Não precisa ser “empur­rada para cima” ou forçada à maturidade, como tantas vezes é insinuado. Ela escolhe continuar crescendo para prazeres superiores e aborrecer-se com os mais antigos. Somente sob o impacto do perigo, ameaça, fracasso, frustração ou tensão, a criança será propensa à regressão ou fixação; só então preferirá a segurança ao desenvolvimento. Sem dúvida, a renúncia, a demora na satisfação e a capacidade de suportar a frustração também são necessárias para o robustecimento, e sabemos que a satisfação desenfreada é perigosa. Entretanto, permanece verdadeiro o fato de que essas qualificações são subsidiárias do principio segundo o qual a satisfação de necessidades básicas é sine qua non.



1 Tem lugar uma espécie de pseudocrescimento multo comum quando a pessoa tenta (por melo de repressão, negativa, formação de reação etc.) convencer-se a si mesma de que uma necessidade básica insatisfeita foi, realmente, satisfeita ou de que tal necessidade não existe. Nesse caso, ela permite-se passar a níveis superiores de necessidade que, é claro, daí em diante, assentarão sempre em alicerces muito frágeis e abalados. Chamo a isso “pseudocrescimento por evasão a uma necessidade que não foi sa­tisfeita”. Essa necessidade, que assim foi ladeada, persistirá para sempre como uma força inconsciente (compulsão de repetição).

1 Convém esclarecer que temos invariavelmente traduzido por interatuante o termo coping. Por exemplo: coping mechanisms = mecanismos do interação; copins behavior = comportamento interatuante. Baseamo-nos na seguinte de­finição consagrada pelos dicionários de Psicologia: “Coping: qualquer ação em que o indivíduo interatua com o meio para fins de realizar alguma coisa.” (Ver capítulo 3, seções 3 e 11.) (N. do T.)

1 Não fiz esforço algum para explorar nem qualquer dos meus sujeitos falou espontaneamente do que poderíamos chamar as “experiências de nadir”, por exemplo, as (para alguns) dolorosas e esmagadoras introvisões sobre a inevitabllidade da velhice e morte, da solidão e responsabilidade básicas do indivíduo, da impessoalidade da natureza, da natureza do inconsciente etc.

1 Free-floating attentian é a expressão cunhada por Freud para designar uma atenção genérica que não se prende a objetos ou situações especificas e flutua livremente de uns para outros. (N. do T.)

1 Comparar cora a declaração de Coleridge: “Se um homem pudesse atra­vessar o Paraíso num sonho, e ser-lhe presenteada uma flor como teste­munho de Que a sua alma realmente ali estivera, e se encontrasse essa flor em sua mão ao despertar... oh, o que dizer então?” E. Schneider (org.), Samuel Taylor Coleridge: selected Poetry and Prose, Rinehart, 1951, pág. 477.

1 Isso é de interesse especial para os terapeutas, não só porque a integra­ção é uma das principais metas de toda a terapia, mas também por causa dos problemas fascinantes que estão envolvidos no que podemos chamar a “dissociação terapêutica”. Para que a terapia ocorra a partir de uma introvisão (insight), é necessário experimentar e observar simultanea­mente. Por exemplo, o psicótico Que está passando por uma experiência total, mas não suficientemente desapaixonado para observar o que sente nada ganha com o que experimenta, ainda que possa ter estado no cen­tro do inconsciente que ê tão misterioso para os neuróticos. Mas também é verdade que o terapeuta deve dividir-se da mesma forma paradoxal, visto que deve, simultaneamente, aceitar e não aceitar o paciente; isto é, por um lado, tem que manifestar “interesse positivo incondicional” (143), deve identificar-se com o paciente para compreendê-lo, deve pôr de lado todas as críticas e avaliações, deve experimentar a Weltanschauung do pa­ciente, deve fundir-se com ele num encontro Eu-Tu, deve, num amplo sentido agapeano, amá-lo etc. Entretanto, por outro lado, também está implicitamente desaprovando-o, não o aceitando, não se identificando etc, porque está também tentando melhorá-lo, fazê-lo melhor do que é, o que significa algo diferente do que é agora. Essas divisões terapêuticas são, de forma muito explícita, uma base da terapia para Deutsch e Murphy (38).

Mas também aqui a finalidade terapêutica é, como no caso de perso­nalidades múltiplas, fundi-las numa unidade integrada e harmoniosa, tanto no paciente como no terapeuta. Isso pode ser igualmente descrito como tornar-se cada vez mais um ego puramente experiente, com a auto-observação sempre acessível como uma possibilidade, talvez pré-conscientemente. Nas experiências culminantes, tornamo-nos egos multo mais pu­ramente experientes.



1 Dou-me conta de que estou usando uma linguagem que “aponta” para a experiência, isto é, só comunicará um significado àqueles que não reprimiram, suprimiram, negaram, rejeitaram ou temeram as suas próprias experiências culminantes. É possível, creio eu, comunicar também signifi­cativamente com os “não-culminantes”, mas isso é algo muito laborioso

2 Esse significado pode ser comunicado com bastante facilidade, penso eu, chamando-lhe a perda total daquela autoconsciência ou auto-observação que normalmente possuímos, mas que sentimos diminuir em qualquer absorção, ou interesse, ou concentração, ou distração, ou “fiquei fora de mim”, quer no alto nível das experiências culminantes, quer no nível in­ferior de ficarmos tão interessados num cinema, ou romance, ou jogo de futebol, que nos esquecemos de nós próprios, das nossas dores secundá­rias, da nossa aparência, das nossas preocupações etc. Praticamente, isso é sempre sentido como um estado agradável.

1 Esse aspecto da identidade autêntica é tão importante, tem tantos cambiantes e é tão difícil de descrever e comunicar, que acrescentei os se­guintes sinônimos parciais, com seus significados ligeiramente sobrepos­tos. Impremeditado, de sua livre iniciativa, espontâneo, livre, irrefletido, impetuoso, sem reservas, irrestrito, auto-revelador, não-dissimulador, des­pretensioso, modesto, decidido, não-sofisticado, não-artificial, despreocupa­do, confiante. Deixo aqui de lado a questão da “cognição inocente” da intuição, da S-cognição etc.

1 “A poesia é o registro dos melhores e mais felizes momentos dos melhores e mais felizes espíritos.” P. B. Shelley.

1 Paralelos prováveis são, talvez, encontrados nos famosos experimentos de Olds (129 a). Um rato branco, estimulado no “centro de satisfação” do seu cérebro, fica totalmente paralisado, aparentemente para “saborear” a experiência agradável. Analogamente, a tendência dos seres humanos que estão tendo experiências beatificas, sob o efeito de drogas, é para a imo­bilidade e a não-atividade. Para fazer perdurar a recordação de um sonho, que gradualmente se dissipa, é melhor permanecer imóvel (69).

1 Alusão ao belo vale de Yosemite, na vertente ocidental da Sierra Nevada, Estados Unidos. Faz parte do pitoresco Yosemite National Park. (N. do T.)

1 Essa tendência para rubricar (cm vez de usar uma linguagem de expe­riência concreta, idiográfica, centrada no paciente) robustece-se, quase certamente, mesmo nos melhores terapeutas, quando estão doentes, can­sados, preocupados, ansiosos, desinteressados, indiferentes ao paciente, com pressa etc. Portanto, também pode servir como ajuda na auto-análise da contratransferência em curso do próprio psicanalista.

1 Essa tese também pode ser interpretada como uma contribuição para o problema geral da comunicação entre o terapeuta e o paciente. O bom terapeuta enfrenta a tarefa de colocar os seus conhecimentos nomotécnicos em usos idiográficos. A estrutura conceptual com que ele trabalha e que pode ser experimentalmente rica e significativa para ele é inútil para o paciente, em sua forma conceptual. A terapia de introvisão con­siste não só em desvendar, experimentar e categorizar materiais incons­cientes; é também, em grande parte, uma tarefa de conjugar, sob um conceito, todas as espécies de experiências subjetivas plenamente conscientes, mas anônimas, g, portanto, desconexas, ou até, mais simplesmente, a ta­refa de atribuir um nome a uma experiência anônima. O paciente pode ter a experiência do “Ah/”, depois de uma verdadeira introvisão, por exemplo, “Meu Deus! Realmente nunca deixei de odiar a minha mãe, em­bora pensasse que a amava!” Mas também poderá tê-la sem referência alguma a quaisquer matérias inconscientes, por exemplo, “Então é isso que você entende por ansiedade!” (referindo-se a tal ou tal experiência na garganta, no estômago, nas pernas, no coração, de que o paciente es­tava perfeitamente cônscio, mas nunca denominara). Tais considerações também deveriam ser úteis no adestramento de terapeutas.

1 Isso também é uma saída da circularidade tão característica das discus­sões teóricas e semânticas de valores. Por exemplo, esta jóia extraída de um “cartoon”: “o bom é melhor do que o mau porque ê mais bacana”.

É uma linguagem testável da intimacão de Nietzsche para que “seja o que é” ou a de Kierkegaard, “seja aquele eu que você verdadeiramente é”, ou a de Rogers, “Aquilo por que os seres humanos parecem estar lu­tando, quando têm liberdade de escolha.”



1 Esta palavra foi sugerida pelo Dr. Richard Farson. (Nota do Tradutor: A palavra inglesa coasting, do testo original, significa “deslizar por declive ou ladeira ou encosta”, mas creio que, embora fugindo à tradução literal, “recaída” é fiel ao pensamento do autor.)

1 Não estou certo sobre se haverá muita diferença real de opinião nesse ponto. Por exemplo, uma passagem de Hartmann (pág. 92) parece-me concordar com a minha tese acima, especialmente cm sua ênfase sobre “valores autênticos”.

Comparar com o seguinte e conciso enunciado de Feuer (43, págs. 13-14): “A distinção entre valores autênticos e inautênticos é entre valores que são expressivos dos impulsos primordiais do organismo e os que são induzidos pela ansiedade. É o contraste entre valores que são expressivos da livre personalidade e aqueles que são repressivos, através do medo e do tabu. Essa distinção é que constitui a base da teoria ética e do de­senvolvimento de uma Ciência Social aplicada, para a realização da feli­cidade dos homens.”



1 Em alemão no original. Na terminologia psicológica, anlage designa uma condição predisponente, os traços e experiências básicos que podem ser, ulteriormente, desenvolvidos num plano ou disposição definidos. (N. do T.)


1 A palavra “transcendência” é usada à falta de melhor. “Independência de” implica uma dicotomização demasiado simples do eu e do ambiente e, portanto, é incorreto. Infelizmente, “transcendência” sugere, para al­guns, um “superior” que repele e repudia o “inferior”, isto é, também uma falsa dicotomia. Em outros contextos, usei, para contrastar com o “modo dicotômico de pensar”, o modo hierárquico-integrativo de pensar, o qual implica, simplesmente, que o superior é construído sobre o infe­rior, alicerça-se no inferior, mas por isso mesmo o incluí. Por exemplo, o sistema nervoso central, ou a hierarquia das necessidades básicas, ou um exército, são hierarquicamente integrados. Uso a palavra “transcendên­cia” aqui no sentido hierárquico-integrativo e não no sentido dicotômico.

1 Exemplos desse tipo de transcendência são Walt Whitman ou William James, que eram profundamente americanos, americanos superlativamente puros, e também eram, entretanto, membros puramente supraculturais e lnternacionalistas de toda a espécie humana. Eram homens universais não apesar de serem americanos, mas Justamente porque eram tão ame­ricanos. Assim, também Martin Buber, um filósofo judeu, era igualmente mais do que judeu; Hokusai, profundamente japonês, era um artista universal. Provavelmente, Qualquer arte universal não pode carecer de raízes. A arte meramente regional é diferente da arte com raízes regio­nais que 8e converte em arte universal — humana. Também poderemos lembrar aqui os filhos de Piaget, que não eram capazes de conceber o fato de serem simultaneamente genebrinos e suíços enquanto não amadure­ceram ao ponto de poder incluir uma coisa na outra, simultaneamente, de uma forma hierarquicamente integrada. Este e outros exemplos são for­necidos por Allport (3).

1 Estes comentários informais foram pronunciados antes da leitura de uma dissertação formal perante uma assembléia da Associação para o Progresso da Psicanálise, em 5 de outubro de 1960, sob a égide do Karen Horney Memorial. São aqui incluídos tal como foram lidos, com algumas altera­ções da somenos importância, porque são adequados para esta seção sobre “Tarefas para o Futuro”.

1 Por exemplo, sinto que tudo o que estou tentando expressar aqui está muitíssimo melhor expressado por Saul Steinberg na sua espantosa série de quadrinhos no New Yorker, durante o ano passado. Nesses “quadrinhos existenciais”, esse excelente artista não usou uma única palavra. Mas penso agora que eles se ajustariam perfeitamente na bibliografia de um estudo “sério”, numa revista “séria”; ou, no caso, não destoariam no programa desta conferência, se bem que o nosso tema e o dele sejam o mesmo, isto é, Identidade e Alienação.

1 Em 1967, fui solicitado a escrever um prefácio para a tradução japonesa do meu livro Eupsychian Management, escrito em 1962 e publicado em 1965. Apercebi-me de que tergiversara e improvisara um pouco na pri­meira versão e de que sentia agora, definitivamente, que uma Psicologia Social Normativa era possível e que eu tinha menos medo de dizê-lo.

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