IntroduçÃO: percursos, motivações, conjecturas pessoais → novas perspectivas…



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tarix21.08.2018
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INTRODUÇÃO: percursos, motivações, conjecturas pessoais → novas perspectivas…

  • INTRODUÇÃO: percursos, motivações, conjecturas pessoais → novas perspectivas…

  • EXEMPLOS CLÍNICOS: o doente, a doença, a pessoa e a sua história.

  • CONSIDERAÇÕES FINAIS: a) hipóteses explicat.; b) “descoberta” da empatia: o seu impacte na relação médico-doente e nas aulas de medicina.



Um dos aspectos mais tocantes no reconhecimento da psicossomática é o que ela traz de novo à relação médico-doente.

  • Um dos aspectos mais tocantes no reconhecimento da psicossomática é o que ela traz de novo à relação médico-doente.

  • Mudanças nos últimos anos:

  • Grupanálise e Curso de Formação em GA (SPG) ↓

  • Dar conta da importância

  • da “pessoa” que o doente é e das suas histórias



Nas nossas vidas

  • Nas nossas vidas

  • Nos nossos desempenhos

  • Não há acasos nem coincidências



Até para os fervorosos da “Evidence-Based-

  • Até para os fervorosos da “Evidence-Based-

  • Medicine” a clínica “prova” que nem

  • sempre conseguimos obter provas.

  • Outras “razões” estarão a interferir

  • na função orgânica…!?



  • Fisiologia

  • Emerg.ª da doença







Reflexões de clínicos notáveis

  • Reflexões de clínicos notáveis

  • acerca do homem,

  • enquanto o observavam

  • na sua relação com a doença e tentavam novos métodos terapêuticos



A doença: uma perturbação do curso da “natureza” (do homem).

  • A doença: uma perturbação do curso da “natureza” (do homem).

  • “Natureza”: estado de “Saúde” do indivíduo.

  • “A natureza do doente é o seu próprio médico” (Epidemias VI. 5. 1.)

  • Função da Medicina: restituir-”lhe” (ao homem enquanto doente) esse curso natural, i. e., o seu “correcto modo de vida”.



“Fazer o que o homem é”:

  • “Fazer o que o homem é”:

  • Reconhecer no doente a integridade do homem.

  • Colaborar na sua realização como homem.



“(…) a própria natureza é (…) uma história e a história que ela narra não é a da doença, (…) mas a do próprio homem; o que está em causa (…) não é pois a doença, mas pura e simplesmente o homem.”

  • “(…) a própria natureza é (…) uma história e a história que ela narra não é a da doença, (…) mas a do próprio homem; o que está em causa (…) não é pois a doença, mas pura e simplesmente o homem.”



“[…] It is more important to know what sort of a patient has a disease than what sort of disease the patient has.”

  • “[…] It is more important to know what sort of a patient has a disease than what sort of disease the patient has.”

  • (O que subjaz ao “haver doença”

  • é o “haver doente”)



“(…) lidar como ciência com

  • “(…) lidar como ciência com

  • aquilo de que não há ciência, a

  • saber, com o indivíduo

  • enquanto tal.”

  • (AP Mesquita 1999,“A Vitória sobre Trasímaco: Hipócrates e a

  • Medicina Grega”, Rev. FML, 4 (III Série), pp. 35-47)



“É missão do médico fazer o bem.

  • “É missão do médico fazer o bem.

  • É missão do cientista explicar os factos.

  • [...] Se os factos não se adequam às suas

  • concepções presentes, então teremos

  • de repensar as concepções, porque os

  • factos não mudarão [...]”









“Ser, Parecer, Aparecer e (des)aparecer”

  • “Ser, Parecer, Aparecer e (des)aparecer”

  • “Réunion de la Societé Francophone de Dermatologie

  • Psychosomatique: être, parâitre, apparâitre” (M. Samsoën

  • 2005, Nouv. Dermatol., 24: 631-632)





Mário, 26 A, caucasiano, solteiro, reside há 3 anos com a namorada, sem filhos.

  • Mário, 26 A, caucasiano, solteiro, reside há 3 anos com a namorada, sem filhos.

  • Saudável; 2 peladas desde há um mês.

  • Pai vivo; mãe falecida com uma “queda” (o Mário tinha 18 A); 1 irmã 3 anos mais nova.

  • A mãe: doente psiquiátrica “muito medicada”, “muito confusa”. “Por isso caiu do 5º andar onde morava”.



Família emigrada na Austrália quando a mãe adoeceu (o Mário tinha 8 A).

  • Família emigrada na Austrália quando a mãe adoeceu (o Mário tinha 8 A).

  • O Mário ficou entregue a si próprio, cuidando também da irmã (com 5 A):

  • “Dava-lhe o pequeno-almoço.”

  • “Ajudava-a a vestir-se.”

  • “Levava-a e trazia-a da Escola.”

  • “Orientava os estudos, olhava pela casa…”



Actualmente: dificuldade no raciocínio (ficava “bloqueado”), menos rendimento no trabalho, navegava aos fins-de-semana na internet.

  • Actualmente: dificuldade no raciocínio (ficava “bloqueado”), menos rendimento no trabalho, navegava aos fins-de-semana na internet.

  • Tinha um “Grande Projecto”:

  • Constituir Família!

  • (“Casar-me e ter filhos”)



Paula, 43 A, afro-europeia, angolana, mãe solteira (1 filho adolescente jovem).

  • Paula, 43 A, afro-europeia, angolana, mãe solteira (1 filho adolescente jovem).

  • Queixas de queda acentuada de cabelo.

  • Saudável. AA 3 A antes (“em pânico” com medo de voltar a ter peladas).

  • E.O.: s/ alterações (cabelo ou couro cabeludo.

  • A.P.: É a mais nova de 5 irmãos e quando nasceu a mãe já era viúva há um tempo.



O pai era um homem rico e influente na terra, com uma família oficial.

  • O pai era um homem rico e influente na terra, com uma família oficial.

  • Sempre ouviu contar à mãe que o pai nunca apoiou o seu nascimento.

  • Reconheceu a paternidade quando a Paula era adolescente.

  • Sempre apoiou economicamente a sua educação.



IVG 3 A antes (altura do episódio de AA).

  • IVG 3 A antes (altura do episódio de AA).

  • O companheiro com quem estava há mais de 7 anos ameaçou abandoná-la se não fizesse IVG.

  • Após a IVG a relação terminou.

  • Hoje, “o caso Esmeralda tira-me do sério!” “Sinto uma raiva contra o pai biológico que quer a filha depois de a ter rejeitado!”

  • Seria por isso que o cabelo lhe caía tanto?



Bernardo, 34 A, caucasiano, casado, com uma filha de 3 A, vigilante num armazém.

  • Bernardo, 34 A, caucasiano, casado, com uma filha de 3 A, vigilante num armazém.

  • Peladas recentes na barba e couro cabeludo.

  • A.P.: Abandonado pela mãe quando tinha 1 A.

  • O pai voltou a casar-se; tem 1 irmão 14 meses mais novo.

  • Chama “a minha mãe” à madrasta e “essa mulher” à mãe biológica.



Procurou a mãe biológica quando fez 18 A (“foi difícil encontrá-la”).

  • Procurou a mãe biológica quando fez 18 A (“foi difícil encontrá-la”).

  • Descobriu que tinha “vários” irmãos (filhos de diferentes pais).

  • A mãe soube “sempre” do paradeiro do filho (Escolas frequentadas, onde fez o s. Militar…).

  • “Mas então porque é que ela nunca me procurou!???”



Nos últimos anos vive outro drama: foi feito o diagnostico de epilepsia de causa desconhecida à mulher .

  • Nos últimos anos vive outro drama: foi feito o diagnostico de epilepsia de causa desconhecida à mulher .

  • As crises não estavam controladas.

  • Vigiava em permanência a mulher, sobretudo quando ela cuidava “da menina”.

  • Desabafa: “Sinto-me nervoso, raivoso,

  • só me apetece bater-me!”



A Nazaré vai à consulta 4 D antes de fazer 14 A.

  • A Nazaré vai à consulta 4 D antes de fazer 14 A.

  • Uma pelada muito recente na nuca.

  • A mãe atribui-a a uma grande ansiedade porque “a Nazaré ainda é muito menina em comparação com as amigas – não é menstruada, não tem maminhas, só cresce em altura – e está ansiosa por se tornar uma mulherzinha



2ª Filha do casal. Nasce 2 A depois da morte do 1º filho (aos 15 A, “foi apanhado por um comboio quando caiu à linha”).

  • 2ª Filha do casal. Nasce 2 A depois da morte do 1º filho (aos 15 A, “foi apanhado por um comboio quando caiu à linha”).

  • A mãe comove-se quando relata a tragédia e a Nazaré salta-lhe para o colo, abraça-a e cobre-a de beijos.

  • A mãe diz que nunca lhe fala deste assunto “para ela não sentir”.



“Eu já disse à minha mãe que

  • “Eu já disse à minha mãe que

  • não quero nenhuma festa

  • quando eu fizer 15 anos.”

  • “Quero passar dos 14 para os 16

  • e quando eu fizer 15

  • já lhe pedi para pôr

  • 16 velas no meu bolo.”



Como explicar a emergência

  • Como explicar a emergência

  • destas manifestações?

  • A patologia orgânica associa-se a um “impasse” que pode emergir de conflitos emocionais e da incapacidade em elaborar mentalmente o sofrimento.



A doença seria 1 resposta possível à situação que “convém (…) descobrir no 2º plano do quadro clínico”.

  • A doença seria 1 resposta possível à situação que “convém (…) descobrir no 2º plano do quadro clínico”.



Nos 3 primeiros casos, as vivências actuais ou os seus projectos a curto prazo, levaram ao encontro doloroso com o passado:

  • Nos 3 primeiros casos, as vivências actuais ou os seus projectos a curto prazo, levaram ao encontro doloroso com o passado:

  • Quer sob a forma de grande apreensão, como no caso do Mário quando pensou constituir família. Enquanto criança não cuidaram dele, e muito cedo tornou-se um cuidador hiper-responsabilizado pela irmã.



Quer sob a forma de uma zanga desmedida (revolta, raiva), como nos casos da Paula e do Bernardo, 2 crianças rejeitadas:

  • Quer sob a forma de uma zanga desmedida (revolta, raiva), como nos casos da Paula e do Bernardo, 2 crianças rejeitadas:

  • A Paula, que, ao contrário da mãe, inviabiliza o nascimento de um filho, cumprindo a sentença do pai sobre ela pp.

  • O Bernardo que vive através da doença da mulher a ameaça de um 2º abandono, súbito e sem explicação, como a mãe lhe fizera.



Caso da Nazaré: a antecipação assustadora de uma data fatídica, vivenciada pela aproximação dos 15 anos.

  • Caso da Nazaré: a antecipação assustadora de uma data fatídica, vivenciada pela aproximação dos 15 anos.

  • O facto deste ter sido sempre um tema tabu para os pais, cujo sofrimento ela sentia intensamente, nunca lhe permitiu exorcizar as suas fantasias acerca do mesmo, nem descarregar a ansiedade causada por estas.



O Bernardo e a Nazaré tiveram uma evolução favorável, com alta da consulta:

  • O Bernardo e a Nazaré tiveram uma evolução favorável, com alta da consulta:

  • Terapêuticas farmacológicas?

  • Atitude empática?

  • Os 3 doentes adultos e a mãe da Nazaré ficaram muito curiosos com as hipóteses sugeridas…



A curiosidade acerca de si próprios e das suas histórias foi um bom ponto de partida para compreenderem a premência em procurar ajuda especializada, sob risco de virem a recidivar com esta ou qualquer outra patologia.

  • A curiosidade acerca de si próprios e das suas histórias foi um bom ponto de partida para compreenderem a premência em procurar ajuda especializada, sob risco de virem a recidivar com esta ou qualquer outra patologia.



Consequências:

  • Consequências:

  • No relacionamento mais espontâneo com as pessoas doentes. As suas emoções e formas de sentir passaram a ser igualmente importantes para o seu conhecimento (compreensão) e o das suas afecções.

  • Nos seminários de dermatologia, onde estes e outros exemplos são comentados…








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