N 12 Parte 03 art 01 Dossiê Agostinho Neto



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Iris Maria da Costa Amâncio

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SCRIPTA, Belo Horizonte, v. 6, n. 12, p. 309-326, 1º sem. 2003

no”, como afirma Léo Schlafman,

10

 intensificam o entrançamento entre história e



ficção na narrativa, ponto alto dos romances do escritor angolano, por meio do qual

ele repõe, revisita, desconstrói, problematiza a própria história e nos faz refletir sobre

a questão do poder no contexto angolano. Todavia, Inocência Mata,

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 ao discutir essa



tendência à “contaminação da ficção pela História [grifo da autora] real”, questiona

“a verdade dessa História que constitui matéria ficcional”. Segundo Mata, esse tipo

de escrita encontra-se eticamente comprometido, na medida em que provoca “um

baralhamento do horizonte de expectativas do leitor”, principalmente em se tratan-

do de “figuras participantes de uma História recente, trágica e dolorosa” (1997, p.

109) à qual muitos ainda reagem emocionalmente. Ao longo do romance, é possível

perceber que são muitas as contradições e distorções explicitadas por esse processo de

construção textual em relação aos referentes angolanos tradicionalmente sacralizados.

A partir desse repúdio à possibilidade de voltar a valorar, a acreditar nos

ideais do heroísmo até então cristalizados pelo MPLA, o narrador-personagem opta

por, a partir desse momento, assumir seu locus  discursivo não mais em relação à

chuva esperada e profetizada por Neto, principalmente quando o poeta afirma que

“Ninguém impedirá a chuva” (1987, p. 118), mas às várias “chuvas” que, a partir da

independência, passaram a assolar o antigo devir angolano.

Nesses termos, o intelectual, o poeta e o político Neto emergem desmistifi-

cados, dessacralizados, como resultado dos entrançamentos de textos e de discursos

engendrados por Agualusa. O caráter ambíguo desse tipo de elaboração discursiva

revela, a meu ver, um percurso curioso, configurado pelas performances do herói nas

obras aqui percorridas e em outras tantas. Tornando minhas as palavras de Antônio

Barreto Hildebrando, diria que Agualusa, ao traçar uma seqüência descontínua de

configuração de perfis dos heróis e de outras personalidades nacionais, realiza “um

deslocamento, afastando-se da figura do herói para enfocar o processo que leva à

montagem/desmontagem de tal figura” (2000, p. 48). Em meio a essa trajetória em

que se montam e se desmontam perfis incessantemente, é, portanto, tensa a expres-

são do conceito de herói nacional, uma vez que a herança épica

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 da década de 70



encontra-se, a partir dos anos 80, interferida pela concepção de uma existência trági-

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No ensaio “Angola em chamas”, publicado no Caderno B do Jornal do Brasil (22/7/2000), Léo Schlafman



analisa o processo de construção da personagem Lídia do Carmo Ferreira, acentuando, em sua reflexão, as-

pectos relevantes da história e da literatura de Angola.

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O artigo “A verdade da literatura”, a propósito de Estação das Chuvas, apresenta as preocupações de Inocên-



cia Mata no tocante ao tipo de conflito a que pode levar esse contínuo entrançamento entre o real e o ficcional.

Ancorada nas palavras proferidas por Pepetela em um programa literário televisivo, a crítica afirma que a

função da literatura fica pervertida quando o leitor não espera ficção do livro que lê. Para ela, “é temerário o

escritor iludir com a obsessão do documental”, pois, nos termos de Pepetela, “o escritor tem de escrever sobre

aquilo que conhece”.

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As heranças épicas em África têm sido bastante discutidas na atualidade. Em Modalização épica nas literatu-




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