Queda e salvaçÃO



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A inspiração tinha-me pegado desprevenido. Ao invés de uma palestra saiu um livro. Sem eu ter de antemão planejado nada, nasceu um trabalho ordenado, segundo um plano lógico e unitário. A primeira idéia que surgiu na minha mente foi a visão ética do esquema da figura anexa neste livro, na sua forma mais simples, isto é, do eixo central XY, e dos dois triângulos invertidos, um positivo (vermelho) e o outro negativo (verde). Mas à medida que ia observando essa visão, ela se foi sempre mais enriquecendo de pormenores, apresentando sempre novos problemas que exigiam solução. Esta, porém, chegava logo que a minha curiosidade de saber


formulava novas perguntas. Pareceu-me que estivesse seguindo uma lógica preexistente, ao longo dum caminho já traçado. Tive que admitir: tratava-se duma verdade já feita, completa antes de eu conhecê-la, e que ela apenas se ia, pouco a pouco, descobrindo aos meus olhos.

Mais exatamente a técnica receptiva deste volume foi a seguinte. Ele foi registrado em português em três fases: 1) Por escrito, à mão, foi rapidamente registrado o conjunto de toda a concepção nas suas linhas gerais, a visão sintética do esquema geral do trabalho. 2) Também por escrito, à mão, com o auxilio do precedente rascunho, foi novamente lida e observada atentamente a mesma visão nos seus pormenores, controlando a exatidão da primeira percepção e ampliando-a agora em todos os seus aspectos. 3) Este segundo rascunho, que representava a segunda leitura e tradução, em palavras, da visão, foi por fim copiado à máquina, cuidando-se da língua, melhorando-se a forma, focalizando-se com mais exatidão cada particular e expressão, para controlar e ter certeza para que a palavra correspondesse à visão. Assim o trabalho se desenvolveu indo do geral para o particular, do conjunto para os pormenores, primeiro em forma de síntese e depois de análise. Para me apoderar em cheio da visão e possuí-la em todas as suas qualidades, tive de me aproximar dela por três degraus de observação: 1) Uma leitura panorâmica, de longe, podendo-se dizer telescópica. 2) Uma leitura comum, mais de perto, a distância normal, poder-se-ia dizer a olho nu. 3) Uma leitura miúda, a distância mínima, poder-se-ia dizer microscópica .

Assim nasceu este volume como conseqüência das teorias expostas em: A Grande Síntese, Deus e Universo, O Sistema. Cada um deles, como também o presente, é a continuação lógica do precedente. Quando acabo de escrever um livro, parece-me ter esgotado o assunto e ter dito a última palavra a respeito. Mas depois me apercebo que tudo vai continuando e que aquela última palavra é só a primeira dum novo livro. Quando este chegar ao fim, me parece ter esvaziado o depósito do meu conhecimento a respeito do tema tratado; entretanto, verifico depois que, aquilo que me parecia ser um ponto de chegada, é só o ponto de partida do volume seguinte. E assim por diante. Na lógica do pensamento que naqueles livros fui registrando, o presente volume representa a fase do controle experimental e das aplicações práticas daquelas teorias, para ver se a realidade dos fatos correspondia aos princípios gerais nelas afirmados. Assim tudo vai sendo controlado racionalmente. Fazer isso é um dever. Quem prega uma teoria aos outros é quem mais tem a responsabilidade do que afirma, porque deve possuir a certeza e a garantia da verdade pregada. Quem ensina não pode acreditar cegamente nas teorias ensinadas aos outros; deve controlar a cada passo que não está sustentando fantasias, mas verdades. Ele tem de conhecer e oferecer as provas concretas, o serva as suas conseqüências, entrando nos pormenores, comparando as teorias com a realidade dos fatos, tudo submetendo ao teste da experimentação; estando sempre pronto a repudiar o que não resiste a esse exame, aceitando toda objeção e resolvendo toda dificuldade, para que tudo seja claro, lógico, demonstrado.

Chegados a este ponto, pudemos hoje compreender a lógica do desenvolvimento do pensamento que nos levou até a este volume: Queda e Salvação.

O Sistema havia completado a visão de A Grande Síntese e Deus e Universo. Os choques, porém, dos primeiros anos brasileiros chamaram a minha atenção para o mundo terreno da realidade biológica. Eis então que tive de olhar de outro ângulo, não mais para o céu mas para a Terra. Depois de ter estudado e resolvido o problema da criação e primeiras origens, foi necessário estudar resolver o problema da sobrevivência do homem evangélico no inferno terrestre, do evoluído em contato com as ferozes leis da animalidade humana. Essa foi a origem de onde nasceram os dois livros: A Grande Batalha e Evolução e Evangelho. Eis que tudo isto nos levou ao problema da conduta humana em geral, e surgiu a necessidade de resolvê-lo. O assunto tratado foi sempre mais se ampliando nos seus aspectos humanos, terrenos, práticos, após ao desenvolvido nos livros acima: Deus e Universo e O Sistema. Nasceram, assim, mais dois livros: A Lei de Deus e Queda e Salvação. Eles representam dois graus diferentes de aproximação do problema da conduta humana ou da ética. No primeiro, o assunto foi tratado de modo geral, acessível, prático, mais próximo à compreensão do homem comum e de sua vida de cada dia, porque esta era a forma mais adaptada para palestras na Rádio. No segundo o mesmo assunto foi ampliado e aprofundado em relação a outros pontos de referência, isto é, não em junção das necessidades e vantagens imediatas da vida humana atual, mas em junção dos princípios universais fundamentais e da salvação do ser no plano geral da Criação. O presente volume: Queda e Salvação pode assim ser considerado como uma amplificação do outro: A Lei de Deus, tratando ambos do mesmo assunto, mas em forma diferente, como já foi mencionado anteriormente.


Eis o fio que liga, de um pólo ao outro do conhecimento, estes livros num único desenvolvimento lógico, segundo um pensamento unitário que vai sempre continuando e se renovando. Podemos assim compreender qual foi o caminho que nos levou até Queda e Salvação. Neste não se trata mais, como no precedente, A Lei de Deus, de considerações a respeito da conduta humana, mas da construção duma verdadeira "ética racional", fruto, não dos impulsos do subconsciente da maioria e das interpretações das vagas afirmações das revelações religiosas, mas resultado positivo duma lógica científica, por isso de valor real e universal por ser produto das leis da vida, verdadeiras para todos, independentemente do tempo, da raça, da religião de cada um O escopo da presente obra é o de formular e afirmar esta nova ética, qual norma de conduta mais inteligente e adiantada para os evoluídos de amanhã.

A ética atual infelizmente representa mais um desabafos dos impulsos primordiais da vida na tentativa de discipliná-los, quais a cobiça, o sexo e a luta para vencer, do que a regra com que o indivíduo se coordena em função de finalidades superiores no seio de uma unidade orgânica: a humanidade do futuro. Neste livro, nós, apelando ao sentido prático que todos possuem e a um cálculo utilitário que todos compreendem, queremos demonstrar quanto seria mais vantajoso praticar uma regra de vida menos primitiva e feroz, e mais civilizada. Isto para que possa surgir, paralelo a um mundo que pela ciência se tornou mais poderoso, e melhor pela inteligência e pela bondade. As gerações anuais talvez não compreenderão. Mas nosso objetivo é o de atingir as futuras gerações mais aptas a compreender, porque escolhidas em virtude de terem sido selecionadas no próximo expurgo terrestre, porque amadurecidas pelas grandes dores que nos esperam, as quais têm o poder de abrir os olhos aos cegos.

Impelido pelo desejo irresistível de encontrar este mundo melhor, para me evadir do selvagem estado atual, procurei desesperadamente outro lugar; sufocado pela terrena atmosfera de engano, egoísmo, esmagamento e ignorância, fugi em busca de sinceridade, bondade, honestidade e conhecimento. Tive de viajar muito, mas encontrei o que procurava. Atrás dos bastidores desta peça humana de teatro, suja e trágica, me apareceu uma realidade mais profunda e verdadeira, a do espírito. Quando tive perante a vista o plano geral do universo, o horrível presente se completou num melhor amanhã, numa radiante visão de conjunto, em que a futura felicidade justificava os sofrimentos atuais. A certeza de que este amanhã tinha fatalmente de tornar-se realidade para nós um dia, que este futuro melhor estava garantido, para o ser amargurado pela dor, pela irrefreável vontade da Lei de Deus, tudo isto me encheu o coração de esperança. Vislumbrei ao longo do caminho das ascensões humanas o lento e fatal aproximar-se do reino de Deus, em que Ele triunfa, vencedor das trevas. Foi esta para mim uma grande descoberta que me encheu de alegria. Foi para mim uma descoberta ter chegado a perceber dentro de cada coisa a imanência de Deus, não daquele Deus ao Qual se costuma orar só com a boca ou em Quem se tem de acreditar por medo; de um Deus não só estátua e imagem, mas que sentimos presente, em toda a hora e lugar, vivo, operante entre nós, pai que nos ama e ajuda a viver e subir para o nosso bem Finalmente era possível sair da névoa das lendas, da fantasia, da ignorância, da fé cega. Finalmente uma visão clara de nosso destino, um apoio firme, um caminho certo, u'a meta segura, a verdadeira vida.

Tudo isto não caiu de graça do céu, mas foi o fruto de um duro trabalho de amadurecimento, de maceração interior, de sofrimentos profundos. Mas este fruto está aqui, e a minha alegria agora é de oferecê-lo, aos meus companheiros na viagem da vida, que sofrem e lutam para subir, para lhes mostrar o caminho da felicidade e explicar-lhes que é possível atingi-la, vivendo conforme a Lei de Deus.



S. Vicente, (São Paulo), Brasil

Natal de 1960




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