Queda e salvaçÃO



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A sua natureza de cidadão decaído do S o leva a desejar a vida perpétua, fugindo aterrorizado da morte. Mas ele tem de aceitar o ciclo interrupto vida-morte, porque necessário para a renovação, que é indispensável para promover a evolução. A necessidade de evoluir é tão urgente como a da fome e do sexo. E por isso que sempre ocorrem guerras e revoluções, porque o ser está sujeito sem repouso a essa necessidade da renovação para subir e recuperar o perdido com o seu esforço contínuo. Assim a inteli­gência vai-se desenvolvendo, para cada vez melhor compreender a vaidade do orgulho e da cobiça, quando o valor do indivíduo não está no que ele possui, mas no que ele é; compreender a inutilida­de das guerras e revoluções, quando tudo se pode resolver sem destruição, que é prejuízo para todos, com a boa vontade e a sinceri­dade. O que há de substancial nesse jogo, o resultado que vale e fica, é que o homem lutou, cumpriu o esforço necessário para evo­luir, e com isso realizou a sua evolução. O homem do futuro não será mais tão simplório que continue a correr atrás de tantas ilu­sões, cujo engodo terá compreendido.

Assim orientados podemos agora encontrar uma explicação melhor do que vemos acontecer em nosso mundo atual. Aqui o homem permanece ainda em nível da animalidade. onde a lição de que agora falávamos é apreendida em forma concreta, não por meio de uma inteligência que ainda tem de se desenvolver, mas por meio de experiências vividas e percebidas pelo caminho dos sentidos. A demonstração por meios racionais e a compreensão completa da lógica da Lei e das últimas finalidades da vida, ainda ia-o foi atingida. Com a razão e a ciência o homem resolveu muitos problemas particulares, práticos, mas não possui uma visão de conjunto que o oriente em forma positiva no terreno espiritual, dando uma resposta aos grandes porquês, a qual ficou abandonada a filosofias empíricas e discordantes, e a religiões rivais, baseadas não na demonstração, mas na fé cega e no mistério. Acontece, en­tão, que o homem para atingir um conhecimento positivo, que ninguém lhe oferece, vai na prática experimentando por sua conta, o único método ao seu alcance: a tentativa, o que dizer errar e pa­gar; ­aprender pela dor, e com ela pagar o erro.
O que de fato dirige a psicologia das massas é o subconsciente, com os seus impulsos atávicos, que chamamos de instintos, filhos de experiências primitivas. A civilização pintou o animal por fora, a sua técnica aperfeiçoou a forma e ficou na superfície enquanto no fundo permanecia a velha substância. Quais são as idéias que mais interessam a alma popular, às quais ela responde porque melhor as compreende? A imprensa miúda que mais atrai o público nos jornais revela qual é a forma mental da maioria. O que prevalece é a luta pelo dinheiro (negócios e roubos), o sexo (amores), o espírito de domínio (política). Para isto existe a gran­de peleja da vida entre indivíduos e povos, até furtarem-se, esma­garem-se e matarem-se para conquistar riqueza, mulher, comando civil ou poder das armas. E para isso, cometem crimes particulares apesar de condenados pelas leis, e crimes coletivos de guerra glorificados pelos povos. Esta é a conversa que todos compreen­dem: lutar, ganhar, gerar, dominar, e, se necessário para isso, matar, num ritmo de recambio biológico vida-morte tanto mais rápi­do, quanto mais o ser é primitivo. Se falarmos de coisas acima des­te nível, então a massa pouco percebe ou entende de outra maneira. Uma espiritualidade tomada a sério, e não pregada para cobrir outras finalidades desse tipo, interessa só a uma minoria. Para o homem comum a vida real é a terrena. A do além-túmulo é coisa longínqua, sem certeza. A morte é morte, e não ressurreição. Ela é o ponto final onde a viagem acaba. O que interessa está antes e não depois.

Estamos no nível das experiências materiais, ligadas à vi­da física, confiadas ao subconsciente animal, e só excepcionalmen­te no plano das experiências espirituais conscientes. Neste nível o ser não pode aprender senão por meio da dor, porque outra escola ele não entende. Não se pode contar com uma inteligência que ele ainda não possui. Já explicamos a técnica automática do método da dor, com a qual a Lei ensina na classe dos primitivos. A ignorância, qualidade dos próximos do AS, leva ao erro. O erro leva á dor. Então o destino natural é o sofrimento, pelo fato de que o ser deve evoluir, custe o que custar, porque sem evolução não se pode atingir a salvação, e porque não há outra lição que um ser ainda inconsciente possa entender. Eis a função benéfica da dor, que na perfeita organização da obra de Deus não existe para nada. e muito menos para finalidades de mal. A dor sabe ensinar a todos, inclu­sive aos rebeldes e aos descrentes, como aos ignorantes. Se a Lei, porém, tem de usar esses duros métodos nos níveis mais baixos, ela os abandona logo que o ser os tiver superado.



Eis então como a escola funciona. Quando o caminho não está certo, logo aparece a dor que avisa. Quem bateu com a cabe­ça. volta para trás e outra vez procura não repetir o erro que acar­reta sofrimento. Não é necessário muita inteligência para isso. A dor, ensinando a evitar o erro, o elimina, destruindo a ignorância, atingindo, assim, o seu objetivo que é o de fazer evoluir os invo­luídos. Podemos ver agora o ciclo de ida e volta desse processo: a ignorância gera o erro, que gera a dor, que destrói o erro, que des­trói a ignorância. E destruir a ignorância significa subir os primeiros degraus da inteligência e encaminhar-se para a compreensão da Lei e para a espiritualidade. Esse é o conteúdo do fenômeno pelo qual o triângulo vermelho da positividade vai pouco a pouco, e progressivamente, destruindo o triângulo verde da negatividade Com estes exemplos práticos podemos melhor entender a teoria.

A lei, que conhece o grau de inteligência dos seus alunos sabe que no seu plano seria inútil para a maioria usar o método de mostrar por meios racionais as maravilhas da lógica de Deus. É necessário, então, para ser entendido, ficar, como há pouco dizíamos, no nível dos sentidos Assim o homem recebe o que lhe é mais útil: sofrimentos bem sensíveis, como doenças, miséria, morte de pessoas queridas, perseguições, fracassos, desilusões, amarguras, perda do que ele mais faz questão de possuir, perda tanto maior e dolorosa quanto maior for o apego. A prova, porém, como é lógico acaba logo que for aprendida a lição, de modo que, assim que de­saparecer o apego, o ser pode receber em abundância, porque esta não representa mais um perigo, pelo fato de que ele aprendeu a fa­zer dela bom uso.

Mas a Lei usa esse método da dor também por outra ra­zão, isto é, por um princípio de justiça. Se o ser se encontra num estado de ignorância, da qual deriva o erro e a dor, foi por vonta­de e culpa dele, que se quis rebelar. Por isso é justo que ele sofra as conseqüências da sua revolta, que são ignorância erro e dor. É lógico e justo, está implícito no princípio de ordem e equilíbrio da Lei, que o ser tenha de endireitar o que ele emborcou, que o pagamento das suas culpas tenha de sair dos seus esforços e sofri­mentos. É justo que o ser experimente todas as conseqüências da revolta. Se elas se desenvolveram em cadeia, às avessas: revolta, ignorância, erro, dor, o ser tem de percorrer com a sua fadiga e dor o caminho em sentido oposto, dos mesmos termos endireitados em cadeia: dor, lição, conhecimento, obediência. Eis por que a redenção se realiza através da dor, porque ela representa a escola que ensina o ser, e o tratamento que saneia a queda, levando à salvação. Por isso mesmo nas religiões o conceito de redenção está liga­do ao de sofrimento (paixão e Cristo). Se o ponto de partida foi a culpa da revolta é justo que só o resgate realizado pelo trabalho do ser, possa reconstruir o equilíbrio quebrado. Por essa razão é que no capitulo precedente falamos da necessidade do esforço do ser para realizar a evolução: porque não há outro caminho para vencer a ignorância e voltar ao conhecimento, senão o da experiência da dor. É lógico que o impulso para um exagero de poder, que se atingiu transbordando para além dos limites da ordem de Deus, e a ilícita expansão que se seguiu, tinham de ser contrabalançados por uma correspondente contração oposta que levou à ignorância e à dor, em vez de a uma maior sabedoria e felicidade que o ser, com revolta. lei procurar fora da ordem de Deus.

Com a revolta o ser ficou preso no ciclo por ele gerado Integrando os conceitos precedentes, podemos agora ver este ciclo completo: felicidade (S), revolta, queda involutiva, ignorância, erro, dor (AS), experiência, conhecimento, subida evolutiva, obediência, felicidade (S). O processo sai do S e leva para o ser de volta para o S. ponto de partida. Cada termo está ligado ao outro por geração. O precedente é pai do seguinte, que é filho do precedente. Assim o ciclo está fechado em si mesmo e dele, que na sua primei­ra parte é emborcamento e em descida, não há outra saída e solução que não seja a sua continuação em direção oposta, isto é, no endireitamento e subida, como encontramos na sua segunda parte. A dor (AS) está no fundo do ciclo, como a felicidade (S) está no cume dele. A experiência, filha da dor, corrige o erro, pai da dor. O conhecimento, filho da experiência, corrige a ignorância, mãe do erro. A subida evolutiva, filha do conhecimento e da experiência, corrige a queda involutiva, mãe da ignorância e do erro. A obedi­ência, filha da subida, do conhecimento e da experiência, corrige a revolta, mãe da queda, ignorância e erro. Assim a obediência, mãe da felicidade, acaba corrigindo a dor, filha da revolta. O processo se fecha com a anulação da dor (AS), à qual se substitui a felicida­de (S).



A Lei tudo rege e regula com inteligência e justiça. A ca­da degrau de emborcamento em descida, corresponde um degrau oposto de endireitamento a realizar em subida O ser está fechado entre estes dois períodos opostos do ciclo. Cada passo, seja em des­cida, seja em subida, é a conseqüência do outro. O ser sofre porque erra. Ele erra porque é ignorante. É ignorante porque caiu. Caiu porque se revoltou. A segunda parte do ciclo está implicitamente contida na primeira. E a dor, que o ser experimenta, que lhe dá o conhecimento, pelo qual ele sobe evolutivamente, o que significa voltar à obediência da Lei e, na ordem assim reconstituída, por fim reencontrar a felicidade.

Tudo isto explica, conforme lógica e justiça, o estado atual do ser humano, a sua posição de erros e sofrimentos. Isto concorda com os ensinamentos das religiões, que fazem da dor um meio de redenção e um caminho para a felicidade. A Lei está lá. escrita por Deus na alma das coisas, indelével e imutável. O ser, com a revolta, arrancou os seus olhos e não vê mais. Não adianta se lha mostrarmos, porque ele se tornou cego. Para que ele a veja, é necessário reconstruir os seus olhos, e isto não pode ser feito se­não por ele mesmo, com o seu esforço e sacrifício. Não há outro caminho. Cristo só nos quis dar o exemplo da crucificação, que depois pertence a cada um de nós, porque a revolta não pode ser curada e a salvação atingida sem crucificação. Todos os destino humanos não podem deixar de obedecer à Lei e tem de se desenvolver dentro dos princípios estabelecidos por ela.

Tudo isto explica também outro fato, isto é. como acon­teceu que, apesar de Cristo nos ter ensinado a receita que resolve tratando a doença, poucos a usaram para se curar, mas estudaram, pelo contrário, a arte das escapatórias para se evadir do tratamento. Seria fácil demais e assim não seria justo atingir a salvação de graça, sem ter de ganhá-la com o seu próprio esforço, por ter en­contrado o remédio pronto. Isto quereria dizer evadir-se do dever de pagar. É por isso que o ser não chega a compreender e viver o Evangelho, que tudo resolveria, senão depois de ter sofrido os efei­tos dos seus erros e assim, com os seus sofrimentos, ter pago todas as suas dívidas. Não é justo levar vantagem sem ter merecido, me­lhorar senão depois de ter aprendido à sua custa a lição que nos ensina a não cometer mais erros contra a Lei. E por isso que o homem poderá chegar à compreensão do Evangelho e com isso à salvação, só depois de se haver crucificado por si mesmo, pelos efeitos dos seus próprios erros. É lógico e justo que não seja pos­sível aprender sem experimentar, receber sem pagar, evitar a dor sem acabar cometendo erros, escapar aos efeitos, quando foram semeadas as suas causas. Quem destrói a casa com suas mãos, com suas mãos tem de reconstruí-la, se não quer ficar sem casa. Se o ser gostar mais de ficar na dor do AS, Deus respeita a sua vontade. O prejuízo é só de quem o quer. Cristo avisou com palavras e mos­trou com o exemplo, mas deixou o mundo livre de escolher, que assim ficou na dor como escolheu.
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Esta nossa observação da Lei e da posição do ser dentro dela, nos mostra também outros fatos e qualidades do fenômeno queda-salvação. Vemos assim não somente que a evolução é um processo telefinalístico, previsto, pré-ordenado e por fim dirigido pela Lei, mas também que nele está contida unia vontade de sal­vação em favor do ser, que ela orienta, impelindo-o para a solução com o seu regresso a Deus no S. Podemos assim compreender a ló­gica que rege o fenômeno da evolução, que não nos aparece mais como um caso avulso, isolado, sem razão, mas como um processo logicamente inserto e implantado no funcionamento orgânico do to­do. Vemos assim que a evolução se baseia sobre um princípio de equilíbrio e justiça, que é fundamental na Lei. Explica-se deste modo e justifica-se a resistência que o ser encontra na subida para vencer a negatividade do AS, e a ajuda de Deus que ele recebe para cada conquista realizada de positividade do S. Explica-se também a necessidade de esforço do ser para subir, e a da obediência à Lei, porque, como foi a vontade de revolta do ser que emborcou o S no AS, assim tem de ser a vontade e obediência que promovem a evolução e endireita o AS no S.

Podemos agora compreender qual é o verdadeiro conteú­do e a substância do fenômeno evolutivo. Nele vemos que a negatividade vai-se retraindo cada vez mais, enquanto a positividade vai-se dilatando sempre mais à sua custa, em dois movimentos com­pensados, inversos e complementares. Quanto mais o segundo con­quista, tanto mais o primeiro recua. Isto nos mostra que a evolução não é só produto de um processo de construção, mas ao mesmo tempo também de um paralelo processo de destruição, que condiciona o primeiro: destruição da obra mal feita pelo ser com a sua revolta, e reconstrução no que ela continha de bem saído de Deus, antes da queda. Então a evolução não representa uma cons­unção inédita, de coisa nova, mas a reconstrução do que já existia e foi destruído. E por isso que a evolução, nas suas diretrizes, não se realiza ao acaso, ou por tentativas cegas, mas seguindo um trilho pré-estabelecido, bem definido em função da estrutura do objetivo final, representado pelo organismo que já existia, e que foi destruí­do e que agora tem de ser reconstruído. No caminho do ser que sobe, apesar de erros e incertezas da parte do ser, há da parte da Lei a certeza do plano já estabelecido por Deus, desde o primeiro momento na criação do S. No telefinalismo do processo evolutivo a Lei sabe com absoluta segurança, em cada momento, para onde ela quer levar o ser, e para os seus objetivos precisos o impulsiona apesar de, pela ignorância em que ele quis cair, o deixe nas trevas da inconsciência errar à vontade. E é lógico e justo que a falta de conhecimento com as suas conseqüências fique só com o rebelde que a mereceu e não na Lei, que ninguém pode alterar. O S ficou de pé, uma vez ponto de partida, para se tornar no fim o ponto de chegada. Nada se pode destruir ou criar em sentido absoluto, nem o ser podia ter tal poder; mas só era possível transformar do + no - na involução, e do - no + na evolução. Este era todo o espaço que a Lei deixava à liberdade do ser; mas apenas respeito de si próprio, isto é, da sua posição, que ele quisesse escolher dentro da estrutura, criada por Deus, do organismo do todo.

No que diz respeito ao ser na fase atual de volta, esta transformação significa que o conteúdo do processo evolutivo, para ele agora, consiste no fato de que os impulsos negativos de resistência. inimigos dele, a vencer para voltar ao S, se transformam, pelo seu esforço, em impulsos favoráveis, amigos dele, que o ajudam, levan­tando-o para o alto. E como esses impulsos de resistência contra o ser foram gerados pela sua resistência contra a Lei, assim os impulsos de ajuda em favor do ser são gerados pela sua obediência à Lei. Eis por que razão na fase da queda pela revolta nasceram os impulsos inimigos contra o ser; porque na fase da subida pela obediência podem nascer os impulsos amigos favoráveis. Pertence ao ser, com a sua obediência voltando a funcionar na ordem da Lei, a tarefa de transformar as resistências em ajudas, o impulso negativo no positivo. Ao ser foi deixado o poder de se remir com a sua obediência, como lhe havia sido deixado o poder de se arrui­nar com a sua revolta. Esta constitui toda a amplitude de oscilação de ida e volta, que a Lei permite ao ser percorrer. Nada mais. Ele está fechado dentro desses limites estabelecidos pela Lei e deles não pode sair.

Ao mesmo tempo, porém, a Lei está construída de modo que o ser só pode receber dela as reações e assim atingir os resul­tados que ele quer, se souber movimentar-se com inteligência con­forme os princípios dela. E pela sua própria estrutura que a Lei se rebela contra o rebelde, enquanto obedece ao obediente, vai contra quem vai contra ela, e colabora com quem quer colaborar com ela, seguindo os planos de Deus. É assim que a Lei automaticamen­te se torna amiga de quem escolhe tornar-se seu amigo. Tudo depende da vontade do ser, ao qual a Lei bondosamente tudo oferece, desde que ele saiba procurar, seguindo as normas preestabelecidas. Tudo depende da livre conduta do ser, seja quando a revolta o leva para as suas conseqüências seja quando a boa vontade de re­cuperação o leva para as conseqüências opostas. Seja na queda como na salvação, no mal como no bem, tudo o que cai em cima do ser, é sempre o fruto da sua obra. A Lei é boa com os bons, e má com os maus, porque devolve ao ser o que dele recebeu, res­ponde com a mesma linguagem que o ser usa falando com ela. Em si mesma a Lei não e nem boa, nem má. porque ela está acima de tudo, além do bem e do mal, cisão dualista que nela não existe, obra do ser, devida á sua revolta. Na lei não existem os conceitos de mal, erro, culpa, dor, que se encontram fora dela, na fase de emborcamento e desaparecem com o regresso à ela.

Então é pela própria lógica da Lei que, como a revolta contra ela gerou a dor, assim a obediência a ela tem de gerar a fe­licidade; que. quem sai da ordem de Deus cai em todos os males, e quem volta àquela ordem atinge todos os bens. O ser é livre e pode criar para si, como quiser, o inferno ou o paraíso. A Lei o deixa construir para si o mundo que ele prefere e ai se colocar. para nele viver. Mas o ser tem de aprender à sua custa a fazer bom uso da sua liberdade, devendo suportar as tristes conseqüências do mau uso. O ser foi uma vez dono, e continua sendo-o sempre, de escrever com suas mãos o seu destino, e Deus o deixa livre de escrevê-lo como quiser. Mas se o ser o escrever errado, terá de en­direitá-lo, não porque alguém o vá constranger a isso, mas porque ele não ficará satisfeito e não terá paz até que esse endireitamento seja realizado.

É assim que o fenômeno involução-evolução, apesar de deixado em pleno poder do ser e à sua livre escolha, é fenômeno completamente contido dentro do absoluto determinismo da Lei, que estabeleceu os limites somente dentro dos quais podiam-se des­locar os movimentos do ser. E de fato nunca ele ficou tanto preso dentro da lei e do seu determinismo, como quando o ser, rebelando-se, dela tentou sair. Como aqui fomos observando nos fatos, nunca a Lei se revelou tão poderosa e dona de tudo, como quando o ser procurou destruí-la, para substitui-la por outra. Todo o pro­cesso da involução, o emborcamento da posição do ser, do S para o AS, o fato de ter atingido tal derrota e esse resultado em descida, quando a vontade do ser se havia dirigido em sentido oposto, para vencer subindo, são o produto da mais enérgica reação da Lei e nos provam quanto ela é poderosa e dona absoluta de tudo.

O nosso mundo continua sendo tão simplório, que acre­dita mais no poder do "eu", do que no de Deus, mais no da re­volta que no da obediência. Não estará claro, agora, que fomos explicando tantos aspectos desse problema, que o homem atual con­cebe a vida às avessas? A sua forma mental não será a forma men­tal do rebelde? E como é possível que um ser, que assim se coloca vivendo em posição emborcada não tenha de sofrer

Mas como se pode atingir a felicidade nestas condições? Na lógica do Todo, obra de Deus, como e possível que haja lugar para tal absurdo? Ora, querer realizá-lo, à força, como acontece no mundo, não é loucura? Á dura conclusão é que vivemos presos dentro dos tris­tes resultados duma contínua revolta, os quais não podem trazer senão sofrimento; ao invés de se procurar seguir o caminho da obe­diência que leva para a salvação, procura-se uma saída às avessas, numa revolta e descida sempre maiores, o que não pode gerar se não sempre maiores dores.

XIII
UMA ETICA PROGRESSIVA

Para melhor compreender as teorias que vamos desenvolvendo e o significado da figura que as expressa, procuremos agora encontrar uma confirmação delas nos fatos de nossa vida, o que nos permitirá averiguar se elas correspondem à verdade. Continuemos assim executando o controle do fenômeno da subida YX, ou do AS ao S, e isto no trecho humano, que temos sob os olhos, para ver o que esse fenômeno representa para nós e a correspondência entre teoria e prática. Será assim possível explicar-nos a razão de alguns fatos que vemos acontecer em nosso mundo, sobretudo a respeito do caso mais imediato, o de nossa conduta.

Já falamos que a ética é fenômeno estático, mas relativo, em evolução. Cada plano de vida tem a sua ética particular, proporcionada ao grau de conhecimento, naquele plano, atingido pelo ser. Então há uma ética progressiva, cujas formas sucessivas, que a ética universal da Lei, a única completa, abrange. A ética, no plano do homem, significa o grau por ele atingido no conhecimento da Lei, em proporção ao desenvolvimento da sua inteligência, e por conseguinte o grau de perfeição e a natureza das normas que diri­gem o ser humano no momento atual. Expliquemo-nos com um exemplo.

Se supusermos o ser humano situado no ponto A3 da escala YX da evolução, e que a forma dos seus vários biótipos possa oscilar abrangendo uma amplitude que vai ao nível limítrofe infe­rior A2 ao superior A4, isto é, da besta ao super-homem, teremos as três posições ou degraus evolutivos A2, A3, A4, e em cada um destes três pontos um grau diferente de menor ignorância e maior inteligência, de proporcionada compreensão e relativo tipo de ética. Para atingir uma maior clareza, simplificamos, apertando o nosso campo de observação, focalizando-a sob um aspecto básico da éti­ca, isto é, o conceito da justiça. Veremos assim que, como nos três pontos A2, A3, A4, se encontram três diferentes tipos de ética, e a eles correspondem três diferentes maneiras de conceber a justiça, isto é: 1) no nível evolutivo da fera, 2) no nível animal-humano, 3) no nível super-humano.

1) No plano biológico da fera tudo pertence, em pleno direito, ao mais forte que sabe vencer. O fraco vencido não tem direito algum, nem ao menos a vida. Esta é a ética que vigora nes­te plano, proporcionada a capacidade de entender do ser que nele vive. É a lei da luta pela vida para a seleção do mais forte, lei pela qual a justiça consiste no seu triunfo absoluto e na destruição do mais fraco. Esta é a lei da fera, a sua justiça, porque este é o mé­todo com que ela realiza a sua evolução. Outro método a fera não poderia entender, nem melhor saberia fazer. Neste nível, onde o objetivo da vida é o de selecionar o mais forte, este é o conceito certo de justiça. Também o homem, quando usa o método da guerra, retrocede ao nível biológico da fera. Por isso, quando com a guerra vence, ele julga ser seu pleno direito, conforme o conceito de justiça desse plano, matar, destruir, escravizar, praticando mé­todos que na sua vida social normal ele próprio julga crime. É ló­gico, porém, que, quando o homem desce a esse nível da fera, fique sujeito à lei respectiva, que ao mesmo tempo autoriza qualquer outro ser mais forte a fazer contra ele, em plena justiça, o que ele fez contra os outros quando foi vencedor. Disto resulta uma pele­ja contínua, como a vemos em nosso mundo de luta e insegurança geral, o que representa a punição automática que, para todos os que o seguem, este método consagra.


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