Sam bourne o código dos justos



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Meu primeiro assassinato! Chegarei tarde em casa. Amo você.
Agora via seu destino. Luzes vermelhas giravam ruidosamente na silenciosa escuridão de setembro. As luzes eram de dois carros do DPNY, o Departamento de Polícia de Nova York, estacionados um de frente para o outro, quase se tocando, de modo a formar uma espécie de flecha, como que para isolar parte da rua. Diante deles um cordão de isolamento fora estendido às pressas, com uma fita ama­rela chamando a atenção. Will pagou a corrida, saltou e olhou em volta. Prédios caindo aos pedaços.

Aproximou-se da primeira linha de fita até uma policial chegar para impedi-lo. Parecia entediada.

— Não pode passar, senhor.

Will remexeu no bolso do peito do paletó de linho.

— Imprensa? — perguntou com o que esperava ser um sorriso cativante ao exibir sua nova identificação de imprensa.

Desviando o olhar, ela fez um gesto breve com a mão direita.

— Passe.

Will abaixou-se sob a fita e juntou-se a um grupo de meia dúzia de pessoas. Outros repórteres. "Cheguei atrasado", pensou, irritado. Um deles era da sua idade, alto, cabelos incrivelmente lisos e um tom alaranjado artificial na pele. Will tinha certeza de que o conhecia, mas não conseguiu se lembrar de onde. Então viu o fio do fone de ouvido. Claro, Carl McGivering, da NY1, a estação a cabo de notícias 24 horas de Nova York. Os outros eram mais velhos, os surrados crachás pen­durados no pescoço revelando os veículos de comunicação para os quais trabalhavam: Post, Newsday e diversos jornais comunitários.

— Meio atrasado, novato — disse o mais ríspido do grupo, apa­rentemente decano do corpo criminal. — O que houve?

Gracinhas dos colegas mais velhos: Will aprendera em seu primei­ro emprego no Bergen Record, em Nova Jersey, que essas eram uma da­quelas coisas que repórteres como ele simplesmente tinham de engolir.



  • De qualquer modo, eu não gastaria meu suor por isso — dizia o velho patriarca do Newsday. — É apenas o tipo comum de assassinato da terra das gangues. Facas são a febre do momento, pelo que parece.

  • A arma da moda. Daria uma boa chamada — debochou o Post, arrancando grandes risadas do Clube dos Repórteres Vete­ranos, cuja reunião mensal Will sentiu que acabara de interrom­per. Desconfiou que era uma indireta para ele, sugerindo que ele (e talvez o próprio Times) era fracote demais para dar ao assassi­nato sua devida atenção.

  • Vocês viram o cadáver? — perguntou, certo de que havia algum termo do ofício que ele visivelmente deixara de usar. "Presunto", talvez.

  • Sim, bem ali — disse o decano, apontando com a cabeça as viatu­ras, ao mesmo tempo que levava um copo descartável de café aos lábios.

Will encaminhou-se para o espaço entre as duas patrulhas policiais, uma espécie de clareira aberta pelo homem naquela floresta urbana. Dois tiras tranqüilos circulavam no local, um com uma prancheta, mas nenhum fotógrafo. Devia ter perdido essa parte.

E no chão, sob um cobertor, jazia o corpo. Ele avançou para dar uma olhada, mas um dos policiais adiantou-se e barrou-lhe o caminho.



  • Só o pessoal autorizado daqui em diante, senhor. Todas as per­guntas à PV ali.

  • PV?

  • Oficial porta-voz do subcomissário de Informação Pública. — Como se falasse com uma criança que esquecera a tabuada mais simples.

Will arrependeu-se por perguntar. Podia ter blefado.

Próximo do cadáver, a oficial conversava com o cara da TV. Will perambulou por ali até ficar a mais ou menos meio metro do corpo sem vida de Howard Macrae. Fitou intensamente o cobertor, esperando descobrir o rosto por baixo. Talvez aquele pano revelasse algum con­torno, como aquelas máscaras de barro usadas como molde pelos escultores. Continuou com os olhos fixos, mas a mortalha inerte e escura não mostrava nada.

A porta-voz estava no meio de uma declaração:

— ... nosso palpite é que foi um acerto de contas do SVS contra o Bando do Arraso ou então uma tentativa da rede de prostituição de Houston de se apoderar da área de Macrae.

Só então ela pareceu notar Will, o olhar instantaneamente mudan­do e denotando estranheza. Sua expressão havia se fechado. Will en­tendeu o recado: a informação era apenas para Carl McGivering.

— Posso apenas conseguir os detalhes?

Homem negro, 43 anos, aproximadamente 80 quilos, identifica­do como Howard Macrae, encontrado morto na esquina das avenidas Saratoga e Saint Marks, às 20h27. A polícia foi avisada por uma mora­dora do bairro que ligou para a Emergência após encontrar o corpo, quando seguia a pé para a 7-Eleven. — Apontou a loja com a cabeça: "ali". — A causa da morte parece ter sido o rompimento das artérias, hemorragia interna e falência cardíaca devido ao violento e repetido esfaqueamento. O Departamento de Polícia de Nova York está tratan­do deste crime como homicídio e não vai poupar esforços para levar o criminoso para trás das grades.

O tom de blablablá mostrou a Will que esse era um texto pronto que todos os porta-vozes precisavam repetir. Sem dúvida fora redigi­do por uma equipe de consultores externos, que na certa escrevera uma declaração do Departamento de Polícia de Nova York para acompa­nhar a missão. "Não vai poupar esforços."



  • Perguntas?

  • Sim. Que negócio era aquele de prostituição?

  • Oficiosamente?

Will assentiu com a cabeça, concordando com que tudo o que ela dissesse poderia ser usado, desde que não fosse atribuído a ela.

  • O cara era um gigolô. Conhecido tanto da polícia como de todo mundo que mora aqui. Dirigia um bordel na Atlantic Avenue, perto do Pleasant Place. Uma espécie de casa de prostituição das antigas... garotas, quartos, tudo sob o mesmo teto.

  • Certo. E o fato de ele ter sido encontrado no meio da rua? Não é um tanto estranho... não houve nenhuma tentativa de esconder o corpo?

  • Assassinato na terra das gangues; é assim que eles trabalham. É como alguém que atira de um carro em movimento: ocorre na frente de todo mundo, bem na nossa frente. Não houve tentativa de esconder o corpo pois este é o objetivo. Enviar uma mensagem. Querem que todo mundo saiba: "Fomos nós que fizemos isso, não nos importamos com quem saiba. E podemos fazer o mesmo com você."

Will anotou o mais rápido que pôde, agradeceu à policial e pegou o celular. Informou à editoria o que tinha: mandaram-no voltar para a redação, ainda havia tempo de pegar a última edição. Precisariam de poucos parágrafos apenas. Will não se surpreendeu. Lera o Times tem­po suficiente para saber que não se tratava exatamente de material para "segurar-a-primeira-página".

Não deixou transparecer na redação — nem para a policial ou para qualquer dos outros repórteres — que aquele era de fato o primeiro assassinato que cobria na vida. Quando estava no Bergen Record, os ho­micídios eram raros e não eram desperdiçados com novatos como ele. Uma pena, pois um detalhe atraíra sua atenção, mas Will o tirou da cabeça quase imediatamente. Os outros profissionais experientes esta­vam calejados demais para notar, mas Will percebeu. O problema era que supôs tratar-se de rotina.

Não se deu conta no momento, mas não se tratava de rotina.



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