Vítima de sua própria armadilha, ela teria de renunciar ao amor



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— Você vai me apresentar a lorde Stone? — perguntou ela, insegura.

— Ou seu tio está fora? Eu gostaria de conhecer a srta. Stone.

— Irei apresentá-la a ambos, querida.

Poucos minutos mais tarde, Jéssica e Matthew chegaram a Stone Ga­bles. Hanson devia ter cortado caminho pelos campos, pois havia chega­do antes deles e esperava para levar os cavalos até a estrebaria.

Matthew puxou o cordão da sineta. Logo em seguida o mordomo abriu a porta e os convidou a entrar, exclamando:


  • Sr. Walsingham, é um prazer revê-lo!

  • Como vai, Bristow. Esta é a srta. Franklin.

Jéssica fez um gesto com a cabeça e sorriu em resposta à mesura do mordomo, mas estava mais interessada nas vozes exaltadas que vinham da sala à esquerda do hall.

— Lorde Stone não está de muito bom humor, senhor — murmurou Bristow, embaraçado.

Os três ficaram parados, tentando distinguir o que as vozes diziam.

— Se você pensa que vou deixar Stone Gables para dissidentes, é mais louco do que eu imaginava!

A afirmação irada foi seguida por uma declaração feita em voz aguda:


  • Eu lhe asseguro, titio, que a igreja anglicana segue os princípios caridosos papistas...

  • Prefiro deixar que a casa se transforme em um abrigo para viúvas em estado de penúria. Se a igreja tradicional não é boa o suficiente para você, então pode ir embora! Fora daqui!

O som de passos fez com que Bristow endireitasse o corpo, pigarrean­do. Matthew sorriu, e Jéssica não conseguiu desviar o olhar da porta da sala.

Uma figura alta e de ombros estreitos apareceu, trajada de preto, an­dando de costas.

— O primo Archibald... — murmurou Matthew.

Seguindo Archibald Biggin vinha um cavalheiro baixo, de cabelos bran­cos e rosto avermelhado.

— Fora! Fora! — repetia o cavalheiro, encolerizado. — Suma daqui!
Não quero mais saber de pregadores nesta casa!

Lorde Ilfracombe apareceu a seguir, acompanhado por uma dama muito bonita que Jéssica adivinhou ser Caroline Stone. Os dois ficaram para­dos à porta da sala, observando lorde Stone expulsar o sobrinho pastor. A srta. Stone parecia preocupada, lorde Ilfracombe, divertido.

Naquele momento, lorde Stone percebeu a presença de Matthew.

Que diabo você está fazendo aqui? — perguntou, exaltado.

Archibald aproveitou a chance para correr escada acima. A srta. Sto­ne fez menção de aproximar-se de Matthew e Jéssica, mas lorde Ilfra­combe a deteve.

Matthew segurou a mão de Jéssica, dizendo:

— Eu achei apropriado, titio, vir apresentar minha noiva ao chefe da família. A srta. Franklin me deu a honra de consentir em tornar-se mi­nha esposa.

Jéssica fez uma reverência. Lorde Stone fitou-a, curioso. Ela ficou fe­liz por estar usando um vestido novo, que lhe caía muito bem. A vermelhidão abandonou o rosto do visconde.

— É um prazer conhecê-la, srta. Franklin — disse ele, com extrema gentileza, antes de dirigir-se a Matthew. — Então você arrumou uma her­deira rica, meu rapaz?


  • Francamente, Horace! Isso não é jeito de falar da noiva de Mat­thew! — interferiu a srta. Stone. — Minha cara srta. Franklin, não dê ouvidos a meu irmão. Estou encantada em conhecê-la. Seja bem-vinda a Stone Gables.

  • Obrigada, srta. Stone — disse Jéssica, fazendo uma mesura. — É um prazer para mim conhecer a tia favorita do sr. Walsingham. — A seguir, juntando toda sua coragem, virou-se para o visconde. — Sinto muito, milorde, mas não sou nenhuma herdeira rica.

O visconde arregalou os olhos, surpreso.

Aproveitando o momento de coragem, Jéssica acrescentou:



  • Eu estava em Bath procurando um marido rico, e pensei ter encon­trado um ao conhecer o sr. Walsingham.

  • Dois caça-dotes, enganados um pelo outro! — Lorde Stone começou a rir. — Parece uma cena de comédia. Suponho que agora que sabe da verdade, a senhorita esteja pronta a voltar atrás e recusar o pedido de casamento de meu sobrinho.

  • De jeito nenhum, titio. — Matthew abraçou Jéssica, como se temesse que ela pudesse fugir. — A srta. Franklin já sabia de tudo antes de aceitar meu pedido.

  • Ha! — exclamou o visconde, dirigindo um olhar malevolente à escada que Archibald subira correndo. — Bristow, mande chamar meu advogado!

  • E sirva-nos o chá, depois, Bristow — pediu a srta. Stone. — Srta. Franklin, não gostaria de subir até meu quarto para tirar seu chapéu?

  • Esperem! — ordenou lorde Stone, olhando para Matthew e Jéssi­ca. — Não quero deixar Stone Gables de herança para viúvas desafortu­nadas, mesmo que elas mereçam. — Ele deu um suspiro martirizado e continuou: — Suponho que seja melhor vocês ficarem com a casa de Bath, por enquanto. Mas espero que venham bastante para cá, a fim de apren­derem a lidar com sua herança e também para visitar um velho solitário.

O visconde lançou um olhar ressentido para a irmã. Jéssica fez uma mesura e murmurou algumas palavras de gratidão; depois, num impul­so, beijou a face vincada de lorde Stone.

— É claro que viremos visitá-lo sempre, milorde — prometeu ela.


Parecendo contente, o visconde deu um tapinha amigável nas costas de Matthew.

— Eu diria que você fez uma boa escolha, meu rapaz.

— Jéssica é muito audaciosa — Matthew concordou, rindo.
Lorde Ilfracombe congratulou-os, e Jéssica foi puxada para longe pe­la srta. Stone antes de poder externar sua indignação.

Quando as damas subiam a escada de carvalho entalhado, escurecida por séculos de uso, a voz de Matthew ergueu-se:

O senhor compreende, titio, uma jovem tímida não me agradaria.
Jéssica olhou para trás. Matthew a observava, sorrindo. Ela lhe so­prou um beijo.

— Uma jovem cativante — disse o visconde. — Abriremos uma garrafa do melhor vinho para brindarmos ao noivado de vocês.

Caroline conduziu Jéssica até um quarto grande, mobiliado em tons de azul.

— Parece que a senhorita conseguiu a aprovação de meu irmão, —comentou ela, cordial. — Espero que venha a gostar dele. Horace é um homem maravilhoso, só se irrita quando provocado.

Tirando o chapéu, Jéssica observou:


  • Eu não posso mè queixar da conduta do visconde, srta. Stone. Afinal, ele poderia ter proibido o sr. Walsingham de se casar comigo. Mas temo que a senhorita esteja chocada com minha atitude.

  • Não cabe a mim julgá-la, srta. Franklin, pois eu conhecia o plano de Matthew desde o início. Além do mais, desde que lorde Ilfracombe mencionou seu nome pela primeira vez eu rezei para que a senhorita e Matthew se entendessem.

  • Lorde Ilfracombe lhe falou a meu respeito? — perguntou Jéssica, surpresa.

  • O conde e eu já nos conhecemos há vários anos e... nós estamos noivos — confidenciou Caroline Stone, enrubescendo.

  • Oh, mas que notícia esplêndida! Lorde Ilfracombe é um cavalhei­ro admirável. Desejo-lhe muitas felicidades, srta. Stone.

  • Obrigada. Horace é que não ficou muito contente com a novidade. E ainda por cima Archibald cometeu o erro de revelar que abandonou a igreja tradicional, irritando ainda mais meu irmão...

Jéssica concluiu que o visconde possuía razões suficientes para deser­dar Archibald Biggin. E então, pela primeira vez, desejou saber por quê Matthew havia sido deserdado.

  • Qual foi o erro cometido pelo sr. Walsingham aos olhos de lorde Stone? — perguntou, curiosa.

  • Oh, não sei se devo falar... Mas se eu não lhe contar, a senhorita acabará imaginando algo pior, não é mesmo? Pois bem, empurrou uma moça não muito respeitável, em um carrinho de mão, pela St. James
    Street.

  • Uma moça? — Jéssica sentiu ilm calafrio. — A senhorita quer di­zer uma...

  • Aí está, eu sabia que não deveria ter contado! — Caroline segurou-lhe uma das mãos. — Querida srta. Franklin, Matthew passou por uma fase muito difícil quando retornou da Península. Ficou confinado num quarto, sentindo fortes dores, durante meses. Quando se recuperou o su­ficiente para sair da cama, ele se permitiu todo tipo de brincadeira. Mas essa fase já foi superada. Matthew possui muito bom senso. Não creio que a senhorita vá se arrepender casando-se com meu sobrinho.

  • Eu o amo, muito — admitiu Jéssica. — No final, é isso que impor­ta, não é mesmo?

  • Sim, tem razão.

A srta. Stone abraçou Jéssica e elas saíram juntas do quarto.

Lorde Stone estava recuperado do acesso de raiva. Quando as damas entraram na sala de estar, ele ergueu-se e convidou Jéssica para sentar a seu lado. Sentindo-se cada vez mais à vontade com o visconde, ela lhe falou sobre o desastroso passeio no canal, fazendo-o rir. Já haviam se tornado bons amigos quando, depois do chá, Matthew anunciou que era hora de voltarem para Bath.



  • Lorde Stone me pediu para chamá-lo de "tio" — disse Jéssica quando já estavam no cabriole, acompanhados por Hanson, a caminho de casa. — Gostei muito dele, e sua tia é um amor.

  • Sim, tia Caroline é mesmo... Oh, Deus, esqueci-me de sua tia. Devo pedir permissão à srta. Tibbet para me casar com você? Não vá me dizer agora que ela é rica, mas deserdou você para deixar o dinheiro para alguma sociedade de arqueologia!

  • Na verdade, a srta. Tibbet não é minha tia. Ela foi minha professora e também governanta de Langdale, por algum tempo. Como não possui família, ficou morando conosco em definitivo.

Matthew caiu na risada, fazendo os cavalos virarem as cabeças, as­sustados.

  • Pelo menos Caroline é minha tia de verdade — disse ele, controlando os animais com destreza. — E tio Horace também.

  • Você acha que lorde Stone pensava mesmo em deixar Stone Gables para viúvas desamparadas? É difícil acreditar que ele deixaria você sem um único pêni.

  • Enquanto você estava no quarto com tia Caroline, tio Horace admitiu que apesar de ter mudado o testamento em favor de Archibald, havia deixado o suficiente para eu viver com conforto. A propósito, ele pretende nos dar a casa de North Parade, e não apenas permitir que mo­remos nela.

  • É um gesto muito gentil. Só espero que ele não mude de ideia outra vez. Talvez seja melhor você não abandonar a arquitetura, querido.

  • Eu gostaria de continuar trabalhando. Você se importaria com is­so? Eu aceitaria apenas projetos de esplêndidas mansões.

Matthew parecia ansioso por obter a aprovação dela. Jéssica chegou um pouco mais perto e murmurou, carinhosa:

— No que me diz respeito, querido, você pode projetar até estrebarias, se quiser. Eu só precisarei aprender a desenhar cavalos, para ajudá-lo.

Ele a fitou com um sorriso amoroso. Fazendo os cavalos pararem, tomou-a nos braços e beijou-a com ardor.

Logo depois, seguiram viagem. Matthew segurava as rédeas na mão direita e envolvia a cintura de Jéssica com o braço esquerdo.



Hanson suspirou. Se a cada quilómetro percorrido seu patrão parasse para beijar a noiva, esta seria uma viagem muito demorada.

FIM

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