Introdução a Psicologia do Ser



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As Necessidades Básicas e Sua Disposição Hierárquica

Já está suficientemente demonstrado que o ser hu­mano possui, como parte da sua construção intrínseca, não só necessidades fisiológicas, mas também, de fato, ne­cessidades psicológicas. Podem ser consideradas deficiên­cias que devem ser satisfeitas de forma ótima pelo meio ambiente, a fim de evitar a doença e o mal-estar subjetivo. Podem ser chamadas básicas, ou biológicas, ou equipara­das à necessidade de sal, ou cálcio, ou vitamina D, porquê:

a) A pessoa com privações anseia persistentemente pela sua gratificação,

b) As suas privações fazem a pessoa adoecer e definhar.

c) A satisfação delas é terapêutica, curando a doença por deficiência.

d) Suprimentos constantes impedem essas doenças.

e) As pessoas sadias (gratificadas) não demonstram essas deficiências.

Mas essas necessidades ou valores estão mutuamente relacionados de um modo hierárquico e desenvolvimentista, numa ordem de vigor e de prioridade. A segurança é uma necessidade mais prepotente, ou mais forte, mais premente e mais vital do que o amor, por exemplo, e a necessidade de alimento é usualmente mais forte do que uma ou outra. Além disso, todas essas necessidades bási­cas podem ser consideradas, simplesmente, passos no caminho da individuação geral, sob a qual todas as ne­cessidades básicas podem ser abrangidas.

Levando esses dados em conta, podemos resolver mui­tos problemas de valor com Que os filósofos se debateram infrutiferamente durante séculos. Para começar, é como se, aparentemente, existisse um único valor básico para a humanidade, um objetivo que todos os homens se esfor­çam por alcançar. A esse valor são dados vários nomes, por diferentes autores — individuação, auto-realização, in­tegração, saúde psicológica, autonomia, criatividade, pro­dutividade — mas todos eles concordam em que isso equi­vale à realização de potencialidades da pessoa, quer dizer, à conversão da pessoa à sua plenitude humana, tudo aquilo que ela pode vir a ser.

Mas também é verdade que a própria pessoa ignora isso. Nós, os psicólogos que observamos e estudamos, é [pág. 185] que construímos esse conceito a fim de integrar e explicar uma enorme quantidade de dados diversos. No que diz respeito à própria pessoa, tudo o que ela sabe é que está desesperada por amor e pensa que será eternamente feliz e contente se o obtiver. Ignora antecipadamente que con­tinuará a se empenhar por obter essa satisfação depois dela ter chegado e que a satisfação de uma necessidade básica abre a consciência para a dominação por outra necessidade “superior”. No que à pessoa diz respeito, o valor último, absoluto, sinônimo da própria vida, é qual­quer uma das necessidades, na hierarquia, pela qual a pessoa é dominada durante um determinado período. Por­tanto, essas necessidades básicas, ou valores básicos, podem ser tratados como fins e, ao mesmo tempo, como passos no sentido de uma única meta final. É verdade que existe um único valor ou fim básico da vida e também é verdade que temos sempre um sistema hierárquica de valores, complexamente inter-relacionados.

Isso também ajuda a resolver o aparente paradoxo do contraste entre Ser e Vir a Ser. É verdade que os seres humanos lutam perpetuamente pela sua plenitude humana, a qual pode ser, de qualquer modo, uma diferente espécie de Devir e de desenvolvimento. É como se esti­véssemos para sempre condenados a tentar chegar a um estado que nunca poderemos atingir. Felizmente, sabe­mos agora que isso não é verdade ou, pelo menos, não é a única verdade. Somos repetidamente recompensados por um bom Devir, mediante estados transitórios de Ser absoluto, de experiências culminantes. A realização de gratificações de necessidades básicas propicia-nos muitas experiências culminantes, cada uma das quais é um prazer absoluto, perfeito em si mesmo e necessitando ape­nas de si mesmo para validar a vida. Isso é como rejeitar a noção de que o Céu está situado algures para além do fim do caminho da Vida. O Céu, por assim dizer, aguar­da-nos ao longo da própria vida, pronto para nos aparecer durante algum tempo e para ser desfrutado antes de termos que regressar à nossa vida corrente de luta e de esforço. E, uma vez que tenhamos estado nele, podemos recordá-lo para sempre e alimentar-nos-emos dessa recor­dação, que nos sustentará nos momentos de tensão.

Não só isso, mas o processo de desenvolvimento de momento a momento é intrinsecamente compensador e [pág. 186] delicioso, num sentido absoluto. Se não são experiências culminantes, pelo menos serão experiências no sopé da montanha, breves relances de prazer absoluto, que se va­lida a si próprio como expressão plena do eu, pequenos momentos de Ser. Ser e Devir não são contraditórios ou mutuamente exclusivos. Aproximação e chegada são, em si mesmas, recompensadoras.

Devo deixar bem claro, neste ponto, que quero dife­rençar o Céu à frente (do crescimento e transcendência) do “Céu” atrás (o da regressão). O “alto Nirvana” é muito diferente do “baixo Nirvana”, se bem que muitos clínicos os confundam (ver também 170).


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