Introdução a Psicologia do Ser



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13. Amor Interessado e Amor Desinteressado

A necessidade de amor, tal como é usualmente es­tudada, por exemplo, por Bowlby (17), Spitz (159) e Levy (91), é uma necessidade de deficit. É um buraco que tem de se encher, um vazio em que se despeja o amor. Se essa necessidade curativa não estiver ao alcance do indivíduo, resultará uma grave patologia; se estiver acessível no momento certo, nas quantidades certas e no estilo apropriado, então a patologia será evitada. Estados intermédios de patologia e saúde acompanham os estados intermédios de frustração e saciação. Se a patologia não for muito severa e for percebida suficientemente cedo, a terapia de substituição pode curar. Isso quer dizer que a doença, a “fome de amor”, pode ser curada, em certos [pág. 68] casos, suprindo a deficiência patológica. A fome de amor é uma doença de deficiência, como a carência de sal ou as avitaminoses.

A pessoa sadia, não tendo essa deficiência, não precisa receber amor, salvo em pequenas e regulares doses de manutenção, e pode até passar sem elas durante razoáveis períodos de tempo. Mas se a motivação é inteiramente uma questão de satisfação de deficits e, portanto, de eli­minação de necessidades, então ocorre uma contradição. A satisfação da necessidade deveria causar o seu desapa­recimento, o que significa que as pessoas que mantêm satisfatórias relações de amor seriam, precisamente, as menos suscetíveis de dar e receber amor! Mas o estudo clinico de pessoas mais sadias, que foram saciadas em sua necessidade de amor, mostram que, embora precisem menos de receber amor, são as mais suscetíveis de dar amor. Nesse sentido, são pessoas mais amantes.

Esta conclusão expõe, só por si, a limitação da teoria comum de motivação (centrada na necessidade por defi­ciência) e indica a necessidade de uma teoria de “meta-motivação” (ou teoria de motivação de crescimento ou de individuação) (260, 261).

Já descrevi de forma preliminar (9Y) a dinâmica contrastante do S-amor (amor pelo Ser de uma outra pessoa, amor desinteressado, amor altruísta) e do D-amor (amor-deficiência, necessidade de amor, amor egoísta). Neste ponto, desejo apenas usar esses dois grupos con­trastantes de pessoas para exemplificar e ilustrar algumas das generalizações acima formuladas.

1. O S-amor é acolhido na consciência e completa­mente fruído. Visto que é não-possessivo, e mais admira­dor do que exigente, não causa perturbações e, pratica­mente, é sempre uma fonte de prazer.

2. Nunca pode ser saciado; pode ser interminavelmente fruido. Usualmente, em vez de desaparecer, cresce e avoluma-se. É intrinsecamente agradável. É mais um fim do que um meio.

3. A experiência de S-amor é freqüentemente descri­ta como idêntica à experiência estética ou à experiência mística e tendo os mesmos efeitos. (Ver os capítulos 6 e 7 sobre “Experiências Culminantes”. Ver também a Re­ferência 104.) [pág. 69]

4. Os efeitos terapêuticos e psicogógicos da expe­riência de S-amor são muito profundos e generalizados. Semelhantes são os efeitos caracterológicos do amor rela­tivamente puro de uma mãe sadia pelo seu bebê, ou o amor perfeito do seu Deus que alguns místicos descreve­ram (69, 36).

5. Sem sombra de dúvida, o S-amor é uma experiên­cia subjetiva mais rica, “superior”, mais valiosa, do que o D-amor (que todos os S-amantes também experimenta­ram previamente). Essa experiência também é relatada pelos meus outros sujeitos mais velhos e mais comuns, muitos dos quais experimentam simultaneamente ambas as espécies de amor em diversas combinações.

6. O D-amor pode ser satisfeito. O conceito de “sa­tisfação” dificilmente se aplica ao amor-admiração por outra pessoa digna de admiração e digna de amor.

7. No S-amor há um mínimo de ansiedade-hostilidade. Para todos os fins humanos práticos, podemos considerar até que está ausente. Pode haver, é claro, ansiedade-pelo-outro. No D-amor, entretanto, devemos es­perar sempre um certo grau de ansiedade-hostilidade.

8. Os S-amantes são mais independentes um do outro, mais autônomos, menos ciumentos ou ameaçados, menos exigentes, mais individuais, mais desinteressados, mas, simultaneamente, também mais pressurosos em ajudar o outro no sentido da individuação, mais orgulhosos de seus triunfos, mais altruístas, generosos e estimulantes.

9. O S-amor torna possível uma percepção mais verdadeira e mais penetrante do outro. É uma reação, como já enfatizei (97, pág. 257), que tem tanto de cogni­tiva quanto de emocional-volitiva. Isso é tão impressio­nante e tem sido tão freqüentemente validado pela expe­riência subseqüente de outras pessoas que, longe de acei­tar o lugar-comum trivial de que o amor cega as pessoas, tornei-me cada vez mais propenso a pensar que a verdade é precisamente o oposto, isto é, que o não-amor nos cega.

10. Finalmente, posso dizer que o S-amor, num sen­tido profundo, mas demonstrável, cria o parceiro. Dá-lhe uma imagem e uma aceitação do próprio eu, um senti­mento de dignidade no amor, o que lhe permite crescer. A verdadeira questão é se o pleno desenvolvimento do ser humano é possível sem ele. [pág. 70]


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