Queda e salvaçÃO



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Vemos o nosso diagrama limitado pelas linhas ZYZ1, WXW1. Esta segunda linha localiza o ponto e representa o mo­mento em que a evolução acaba. Neste ponto e momento desapa­rece a série de todas as dimensões do relativo e o transformismo de uma na outra. No absoluto apaga-se e desvanece a idéia de limi­te, qualidade do relativo, fora do qual ela não existe. Res­pondemos assim à nossa pergunta: a evolução é finita, apesar do seu ponto final ser o infinito. É finita porque esta é a qualidade do relativo, que é a dimensão na qual a evolução existe. Por isso nela está implícita a idéia de limite. Mas esta idéia implica tam­bém a da superação daquele limite, no mundo sem limites, o do in­finito. A idéia de relativo é finita. Ela implica a de limite, e de ultimo limite numa série limitada de limites relativos, além do qual não existe mais o conceito de limite. Neste ponto acaba o finito; ele, que teve o seu início, encontra o seu termo final, perdendo-se no infinito que, fora de todos os limites, o esperava invariável, sem início nem fim.
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Procuremos agora responder à outra pergunta, resolven­do o segundo caso acima mencionado: se a evolução é finita, se a própria natureza desse fenômeno o leva para um termo que o extin­gue, há limites também e quais são eles no caso da evolução indivi­dual? Colocamo-nos sempre perante novos problemas, porque esta­mos no terreno da pesquisa e temos de atingir o nosso objetivo. o mais possível, de conhecimento. Podemos fazer isto sem risco nem medo, porque estamos cumprindo um dever e sabemos, pela nossa experiência, que não há pergunta á qual a inspiração até agora não tenha respondido, não há problema que lhe propomos sem que ela nos deixe sem solução.

A primeira coisa a fazer é sempre a de nos orientarmos a respeito do assunto que enfrentamos. Lembremo-nos que o S é um organismo de elementos, cada um deles cumprindo a sua função. no seu devido lugar e posição. Ao fim da evolução o ser volta a possuir de novo esta capacidade, com as qualidades para funcionar desse modo, em perfeita obediência à Lei, o que constitui a perfeição relativa do ser, reconquistada com a evolução. Ora, quando o ser atinge a perfeição relativa, ele se encontra reintegrado na posição de origem, perfeição relativamente à sua função a cumprir no S, posição da qual, com a revolta e queda, o ser se tinha afastado. Então, se todo o processo evolutivo pára, porque se encerra e se extingue ao atingir o S, perguntamos se a evolução pára, também no indivíduo. quando ele alcançar o estado originário de perfeição que ele possuía antes da queda. A relativa perfeição de ori­gem é atingida quando a imperfeição devida à queda é corrigida, por ter sido percorrido o caminho da volta, que neutraliza o cami­nho do afastamento longe do S. Mas qual é esse estado de perfeição? Como podemos defini-lo e localizá-lo, para saber qual é o ponto onde termina a evolução de um dado ser?

Como já foi explicado, trata-se de perfeição relativa à posição do ser no sistema orgânico do Todo. Perfeição que é atingi­da quando o ser chega a ter aprendido, pela escola da sua existência, a cumprir a sua função específica no funcionamento do Todo de maneira perfeita; relativamente ao seu conhecimento, capacida­de, estrutura e posição no organismo do Todo. Maneira perfeita quer dizer executando perfeitamente o comando da Lei, que expres­sa o pensamento perfeito de Deus. Quando o ser chega a executar o trabalho que lhe cabe e, por ter aprendido toda a lição, destrói com o seu esforço e experiência a parte negativa, transformando-a em positiva, então ele atinge o conhecimento total da Lei até ao ní­vel de vida ao qual pertence e realiza a sua evolução. E neste pon­to que ela tem de parar, porque o ser voltou ao ponto de partida e a viagem de volta (evolução) está completa, na qual o ser neutrali­zou a viagem de ida (involução), reintegrando no que lhe diz respeito o que ele havia destruído e tornando-se o que ele era antes. Já falamos no livro O Sistema dessa posição e perfeição relativa de cada elemento no seio do organismo do S.

Então, terminar o caminho da evolução, isto é, voltar a Deus no seio do S, não significa ter percorrido o mesmo percurso evolutivo, igual para todos os seres. Que faz então um elemento quando tiver atingido o estado de sua perfeição relativa? Ele não pode mais evoluir? Fica assim paralisado? Que impede a sua. ulterior evolução?

Para compreender, temos de levar em conta outro prin­cípio: o das unidades coletivas (v. A Grande Síntese). Por esse princípio o indivíduo se agrega aos seus semelhantes, mas sem per­der a sua individualidade, que permanece como elemento do novo conjunto coletivo. Ora, quando um determinado elemento atingiu o estado da sua perfeição relativa, cumpriu espontânea e conscientemente, em perfeita e convencida obediência, o que a Lei quer, então ele pára com a evolução individual porque para esse elemen­to que já voltou ao seu plano de vida, não há mais caminho a per­correr. Mas nem por isso ele fica paralisado na sua volta para Deus.

O ser continua evoluindo, mas de uma forma diferente: não como elemento singular separado, mas como elemento constituinte de uma unidade coletiva da qual agora faz parte. Aqui co­meça a funcionar o princípio das unidades coletivas. Lembremo­-nos que o objetivo da evolução é a reconstrução do organismo do S, voltando do estado caótico ao estado orgânico de ordem, destituído pela revolta. Vimos também que o separatismo egocêntrico é qualidade do AS, enquanto a fusão num estado unitário é qua­lidade do S. É lógico então que a evolução leve o ser da primeira à segunda forma de vida. Então, chegado a esse ponto, o ser não trabalha mais só para a sua evolução como elemento separado, não progride só para si, como indivíduo, mas avança como elemento fundido com os seus semelhantes na unidade coletiva maior, da qual agora faz parte.

Essa nova forma de evolução é possível, devido também a outro fato: quando o funcionamento de um elemento, por ter rea­lizado a sua evolução até à sua perfeição relativa, se torna com­pleto, automático e determinístico (sem as tentativas e os erros da fase experimental construtora), se pode, com certeza absoluta, con­tar com o seu trabalho; e neste momento é possível iniciar a obra de uma construção superior, com esse elemento. Seria absurdo querer iniciar um trabalho evolutivo sem ter antes acabado o pre­cedente, sobre o qual o novo se levanta, seria perigoso para cons­truir usar elementos não estáveis que não constituem um apoio certo, um problema já resolvido, uma certeza de conduta com a qual a unidade superior possa contar. A construção da nova uni­dade-grupo pode ser iniciada somente quando as experiências, vividas pelos seus elementos já constituídos, foram definitivamente assimiladas em forma de instinto, de modo que não há mais a in­certeza da livre escolha na conduta de cada indivíduo. A fase da incerteza e da tentativa pertencem a da construção e já houve. Somente é possível aceitá-la apenas para a unidade nova que se está construindo, mas não para os seus elementos constitutivos. Os tijolos devem ser bem feitos, quando são usados para levantar um edifício. Para que haja garantia de estabilidade é necessário que, enquanto esteja concluído o andar inferior, não se possa su­bir ao superior.

Então a evolução prossegue igualmente para cada elemen­to individual que continua progredindo, mas não mais isolado no separatismo de uma sua particular- evolução egocêntrica, que já está realizada, mas na única forma agora possível, como elemento da unidade maior, da qual faz parte. Não se trata mais de construir um indivíduo, mas uma sociedade de indivíduos, na qual cada um tem de aprender a arte nova, por ele desconhecida, de se fun­dir organicamente com todos os outros numa posição diferente do passado, na compreensão e concórdia necessárias para colaborar, e não mais na precedente de luta e atritos entre egocentrismos rivais. Então as leis biológicas do nosso atual plano de existência terão de desaparecer, e ser substituídas por outras, como é lógico num universo onde tudo é relativo e em evolução. E só por esse caminho que o ser, após haver realizado a sua máxima evolução possível, re­lativa como indivíduo, pode continuar aprendendo e evoluindo, e como ser isolado não poderia ser feito. Ele pode continuar evoluindo, também como indivíduo, porque fica reabsorvido na unidade cole­tiva da qual faz parte, e nela permanece com as suas qualidades individuais, que conquistou com a sua evolução passada e que ago­ra utiliza para cumprir a sua função específica no seio do novo conjunto de unidades, do qual agora constitui um elemento.

Vai-se. desse modo, iniciando o trabalho da reconstrução da organicidade até ao S, onde ele se realizará. Na sua nova po­sição o ser, não mais isolado, mas ligado por muitas relações com os seus semelhantes, pode enfrentar e assimilar experiências antes desconhecidas, pode aprender coisas novas, vivendo uma forma de vida mais aperfeiçoada. Então o ser não evolui mais sozinho, limi­tado ao seu pequeno mundo particular, mas este se amplia. abran­gendo horizontes sempre mais vastos, porque o ser agora progri­de como membro do seu grupo, numa posição diferente, em função de outros elementos e atividades, realizando um trabalho não mais isolado, muito embora desconhecido dele e que sozinho não poderia executar.

No nível humano o ser inicia esse novo trabalho como membro da família e como tal continua a sua evolução, até cons­tituir uma unidade em forma estável, que se torna elemento cons­titutivo de outra maior: grupo, aldeia, cidade, etc.; quando essas unidades constituídas atingirem sua forma estável, elas se fundirão para construir outra ainda maior: nação, povo, raça etc. Assim continua o processo evolutivo, com a formação de novas unidades coletivas, até formarem uma só humanidade. Desse modo o indi­víduo entra a fazer parte de entidades cada vez maiores, na posição de seu componente, o que significa uma maior amplitude das suas experiências e qualidades a adquirir, uma dilatação dos limites da sua vida, que se espalha, se multiplica e potencializa na dos outros. Assim, tornando-se elemento de agrupamentos sempre maiores, o ser pode subir até planos de vida mais adiantados, que não pode­ria alcançar sozinho.

Com este método, é interessante ver como o universo orgânico do S se vai reconstruindo. O homem se encontra ao longo desse caminho restaurador da organicidade. Olhando para baixo isto é, para seu passado, ele pode, decompondo-se nos seus elementos, analisar a sua estrutura. Olhando para o futuro ele pode antecipar a visão das sempre mais vastas sociedades humanas, unidades coletivas do porvir cada vez maiores, em que os seres se fun­dem numa organicidade sempre mais completa, até atingir o S.

Até ao homem esse trabalho já foi realizado. Acima desse nível para nós, tal obra está ainda para ser feita. O passado nos mostra como funciona nos graus inferiores esse princípio das unidades coletivas. No caos, nas origens da evolução os elétrons não tinham ainda disciplinado a sua corrida ao redor dos núcleos. O átomo das mais simples organizações de elementos constitutivos da matéria. Mas os átomos, com a sua fusão em unidades químicas, começaram a construir as moléculas. Depois, sociedades de moléculas construíram a célula, sociedades de células constituíram os tecidos orgânicos. Apareceram assim órgãos e organismos sempre mais complexos: antes os do mundo vegetal, depois os do animal inferior, superior, até ao homem. Neste ponto a organização celular atinge a sua perfeição relativa, isto é, a sabedoria neces­sária poro cumprir a sua função, e como tal não pode mais progre­dir. Então ela continuará o seu caminho em outra forma. Vai sem­pre se impondo o mesmo princípio das unidades coletivas, pelo qual os indivíduos se juntam em sociedade familiar, e assim por diante, como vimos. É nesta sua nova posição que o indivíduo, agora que a sua evolução celular orgânica está mais ou menos completa, pode progredir como elemento psíquico e espiritual, atingindo superiores planos de existência.

Esse é o caminho percorrido pela evolução para recons­truir o grande organismo do S. Trata-se de edifícios sempre maio­res, cada um levantado em cima de outro, baseando-se nos resul­tados atingidos pelo precedente. Assim não há individuação que não seja uma unidade coletiva E logo que uma é construída, atingindo a sua perfeição relativa, porque a obra que nela se realizou está completa, eis que ela se aproxima das suas unidades semelhantes e com elas, atraindo-as ou repelindo-as, acaba-se fundindo para formar uma unidade coletiva maior, e assim por diante. E deste modo que o universo passa do seu estado de AS, ou separatismo egocêntrico e máxima pulverização da unidade no caos, ao seu es todo de S, ou unificação orgânica na ordem. Eis como a evolução, com o método das unidades coletivas5 de novo constrói a organicidade do S, destruída no AS. Os elementos que, seguindo o princípio egocêntrico, se rebelaram contra Deus e caíram na desorganização e confusão do caos, não podem voltar a Deus senão altru­isticamente irmanados em obediência à Lei e reorganizados no es­tado de ordem. A vida no S não existe em forma de luta, como em nossos planos inferiores, mas de disciplina e harmonia. Como o trabalho da involução foi o de desorganizar no AS a organização do S, assim o trabalho da evolução é o de organizar de novo no S a desorganização do AS.

A obra de evolução que cabe ao ser em nosso nível hu­mano é a fusão de todas as raças numa só humanidade. Como as cé­lulas de nosso corpo continuaram o seu caminho evolutivo não co­mo células isoladas, mas como elementos de nosso organismo, assim o sei- humano continuará o seu caminho evolutivo não como indivíduo isolado, mas como elemento constitutivo de nossa humanidade. E de fato o biótipo A4 é colaboracionista e orgânico, enquanto o biótipo A3, é o contrário. É assim que o processo da evolução constituído. sobretudo, por um trabalho de reorganização.

Ora, organicidade implica uma complexidade de estrutura e de funcionamento, que requer uma inteligência cada vez maior para ser dirigida; significa divisão de trabalho, especialização, colaboração dos especializados numa obra de conjunto, conhecimento necessário para realizar tudo isso. Eis que surgem experiências diferentes, e com elas se constróem qualidades novas. Abre-se um mundo inexplorado, em que se encontram planos de vida superiores, através dos quais o indivíduo continua se desenvolvendo. Tudo isto significa destruição das qualidades do AS e conquista das qua­lidades do S, isto é, conhecimento, inteligência, bondade, ordem etc., que representa desenvolvimento do espírito. Ele se revela cada vez mais com a evolução, em função do plano de existência que o seu atingiu.

Tal princípio espiritual já existe na sua forma mais sim­ples, no átomo, dirigindo e regulando os movimentos dos seus ele­mentos componentes. Desta sua forma mínima esse princípio se vai cada vez mais revelando e manifestando com a evolução, por um processo de substituição ao oposto princípio material, do qual toma o lugar. O espírito é o resultado dessa transformação e nisto con­siste o processo evolutivo. Trata-se somente de um retorno ao que era antes, volta ao original estado de S, do qual o ser, pela queda tinha decaído no AS, isto é, na matéria.

É lógico que cada ser possua tanto mais as qualidades do espírito, produto dessa transformação, quanto mais ele se adiantou na evolução. Assim, a cada nível desta, corresponde um propor­cionado grau de espiritualização. Mas a cada nível corresponde também um proporcionado grau de unificação na forma de entida­de coletiva, como vimos. Eis então que essas duas diferentes maneiras de conquista evolutiva se movimentam paralelos de modo que, ao aumento de complexidade orgânica da unidade construída corresponde um aumento na inteligência e qualidades espirituais necessárias para atingir e manter essa complexidade.

Assim, na molécula há mais inteligência do que no áto­mo; nas células, mais do que na molécula; num tecido orgânico, mais do que numa célula; no organismo de uma planta, mais do que num simples tecido; num animal, mais do que numa planta; no homem, mais do que num animal. Todavia, para dirigir uma fa­mília ou grupo humano, é necessário mais inteligência do que para dirigir um só indivíduo. E assim por diante... Essas unidades co­letivas maiores necessitam ser governadas por um centro e grau de es­piritualidade cada vez mais adiantado, poderoso e completo. Vemos, dessa forma, quantos aspectos tem o processo evolutivo, e como ele é complexo. Em cada nível de vida as qualidades do AS e do S aparecem em doses diferentes, conforme a vastidão da unidade coletiva reconstruída e a medida da sua evolução e espiritualização. Os valo­res da ascensão são avaliáveis em termos de unificação e de espiritualidade, que constitui a substância da existência, enquanto a matéria representa apenas a sua aparência.

XVI
MISSÃO E AJUDA DE DEUS




Estamos chegando ao fim deste novo volume. Já sinto aproximar-se ainda mais da prática, aproximando cada vez mais as teorias dos fatos, para controlar a sua verdade. Elas terão assim provas concretas e o edifício será sempre mais sólido.

Por isso queremos aqui colocar um pequeno intervalo, baseado em fatos vividos, que todos podem entender. Veremos como funcionam as nossas teorias na realidade da vida. Para bem entender um livro o leitor deveria conhecer também o reverso da medalha, isto é, as condições em que se encontrava o autor no período em que o escreveu. A vida é para todos uma viagem, e cada trajeto dela representa um trecho percorrido pelo homem no caminho da sua evolução. Se falamos agora em sentido específico, par­ticular, é porque em cada caso vemos sempre vigorar as mesmas leis gerais que explicamos bastante, e cada caso somente pode ser entendido em função delas.

O leitor pode imaginar que quem aqui escreve esteja tranqüilamente mergulhado nos seus pensamentos, ou que em estado inspirativo os receba em transe no seu escritório, tudo caindo de graça do céu. Ele não sabe que muitas destas paginas foram es­critas com lágrimas e sangue, no meio da luta infernal da vida. Já explicamos como é o mundo em que vivemos, o qual não poupa ninguém, nem menos quem pede só um pouco de paz para cumprir uma missão de bem e progresso, para a Terra se tornar um ambi­ente mais civilizado. O leitor pode acreditar que estes livros sejam fruto apenas de abstrações teóricas. Mas, pelo contrário, eles fo­ram escritos em contato contínuo com a realidade de nossa vida, re­presentada pela ininterrupta necessidade da legítima defesa, num mundo onde a mais urgente verdade é a guerra, não importa se muitas vezes disfarçada de aparências.

O impulso de agressividade das forças do mal que sobem do AS, personificadas em indivíduos que agem em forma concreta contra as do bem, é fenômeno que encontramos em ação contínua. Ele exige que o indivíduo fique em estado de constante defesa. Foi assim que o choque entre AS e S foi pelo autor vivido a toda a hora, de modo que as teorias nasceram da própria prática. Para conseguir sobreviver em tal mundo, o autor por seguir o Evange­lho, não quis aceitar as armas do mundo, isto é, força e astúcia; então, teve de chamar e receber a ajuda do Alto, indispensável, por ser seu único meio de defesa. Assim este choque apocalíptico entre bem e mal, entre céu e Terra, foi aqui vivido na forma de um pe­queno caso particular, não impedindo que nele se verifique a aplicação das leis gerais que aqui estamos estudando.

Este livro representa o trecho da minha vida e respectivo trabalho de evolução, que abrange o período dos meus 74 e 75 anos. Antes e depois há outros trechos, outro trabalho evolutivo, outros livros. Entro neste ano na última década da minha vida. Chamo-lhe de década da libertação, porque este é o último período em que finalmente se esgota o meu duro dever de viver no infer­nal ambiente terrestre. Poderia ter usado a inteligência para mer­gulhar e vencer na suja peleja humana, perseguindo as costumei­ras ilusões. Mas há estômagos que não conseguem de maneira alguma engolir tal alimento, para eles venenoso.

Trata-se, agora, de conduzir a minha luta, e nas seguin­tes condições:

1) Idade de 75 anos, na qual todos descansam, e aumen­tando cada dia. que torna sempre mais urgente descansar. 2) Traba­lho intelectual contínuo e intenso, como o prova a produção literária - cerca de 10.000 páginas. 3) Trabalho não retribuído, porque os escritores não têm ordenado, mas que absorve todos os suas energias, não as deixando à própria defesa e conquistas dos recur­sos materiais. 4) Nenhuma fonte de renda, e a incerteza de quem tem de se humilhar todos os dias pedindo esmola. 5) Preocupação contínua para providenciar as necessidades da família. (Resolver o caso de um homem sozinho, como se encontrava S. Francisco, é muito mais fácil). 6) Voto de pobreza pessoal, mas não dos outros, aos quais não se pode impor. (As ordens franciscanas resolveram o caso da mesma forma: pobreza individual, enquanto a Ordem poderia possuir). 7) Apesar de tudo, ter que dispor de uma casa e de um mínimo indispensável para sustentar a vida do corpo, sem o que nenhum trabalho é possível. (Alguns exigiam pobreza abso­luta, o que significava destruir o indivíduo e com ele a missão e a Obra). 8) Ter a responsabilidade de toda a família nestas condições: a mulher idosa, há quase dois anos paralítica, precisando de médico e remédios caríssimos. e de assistência 24 horas por dia; a filha que faz o trabalho doméstico, cuida das roupas etc.; duas netinhas para criar. 9) Não há, na família, alguém que possa traba­lhar remunerado; alguns amigos colaboram com a Obra gratuita. mente. 10) E isto num momento em que, pelo contínua desvalorização da moeda, tudo se torna mais caro.

Quem foi chamado a cumprir u'a missão de. espirituali­dade em nosso mundo, não pode possuir as qualidades necessárias para triunfar neste, porque tem de dar o exemplo, vivendo os seus ensinos, e possuir as qualidades opostas, não apropriadas para se­rem vividas no ambiente terrestre. Quem, por evolução, conquis­tou o instinto da honestidade, pensa que os outros sejam iguais a ele, isto é, honestos, e por isso é naturalmente levado à confiança, que ou invés de armar as garras para lutar, abre os braços para co­laborar, o que é perigoso em nosso mundo, onde na rivalidade é mais necessário possuir o instinto do egoísmo e da desconfiança. E, de fato, tais qualidades parece não fazerem falta, e poucos são os que sofrem por ela. Como dizia Maquiavel: útil não é procurar ser honesto, mas aparecer por fora como sendo, de modo que, quan­do é possível ser desonesto sem que por fora apareça (isto por uma sabedoria especializada neste sentido), então são julgados ineptos os que não sabem aproveitar, fazendo os seus negócios.

Quem cumpre u’a missão tem que ser de verdade evan­gélica, o que quer dizer: não pode pactuar com o mundo e aceitar os seus métodos. Cristo falou claro a este respeito. Há guerra en­tre os dois, fundamental porque deriva da inimizade entre S e AS. Eis então que este homem tem de ser verdadeiro não só em teoria e por palavras como é comum, mas vivendo com a pobreza e sofrendo os seus sofrimentos. E necessário neste caso viver com métodos opostos aos do mundo, isto é, trabalhando de graça e vivendo de esmola, ou seja do que Deus envia com a Sua Providência, porque as teorias sustentadas têm de ser vividas para que a experimentação as confirme constituindo um exemplo e uma prova positiva do sua verdade para todos. O exemplo é demons­trativo, pois um homem desprovido de tudo, com os únicos meios fornecidos pela ajuda de Deus, não somente conseguiu sobreviver na Terra, mas nela escrever uma Obra. Esta deve ser realizada com métodos opostos aos do mundo, devida só a Deus, que a sus­tenta com um milagre contínuo, provando a Sua presença. Uma obra se revela, também, pelo seu método e se justifica pela sua ló­gica. Trata-se de um jogo em que estão envolvidos. Deus e a Sua Lei. Por isso quem tem u’a missão a cumprir deve ficar do lado Dele e não do lado do mundo, da riqueza, do ócio, do luxo. Quem está com Cristo tem de ser um dos bem-aventurados do Sermão da Montanha e não pode gozar a vida. Mas em nosso mundo é perfeitamente lícito: quem tem recursos de sobra, possa gastá-los loucamente sem se interessar por quem luta para finalidades superiores. A história está cheia desses casos que constituem uma glória às avessas (ou vergonha) de nossa assim chamada civilização. Mas, por outro lado tais obras não podem ser ajudadas senão por recursos que não sejam envenenados pelos cálculos do interesse, pela cobiça do mer­cador, pela voracidade do egoísmo, mas que sejam sadios, filhos da honestidade e usados com sinceridade e amor.


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