Guadalcanal a ilha do Terror a série de vitórias japonesas iniciou-se em Pearl Harbor, seguindo-se Guam, Hong-Kong, Filipinas, Cingapura, Indonésia, Rabaul, Bougainville: conquistas retumbantes. Mas então, em Guadalcanal, tudo mudou



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Guadalcanal

A Ilha do Terror

 

 

A série de vitórias japonesas iniciou-se em Pearl Harbor, seguindo-se Guam, Hong-Kong, Filipinas, Cingapura, Indonésia, Rabaul, Bougainville: conquistas retumbantes. Mas então, em Guadalcanal, tudo mudou. Por seis meses, travaram-se ali batalhas furiosas, ao fim das quais um general japonês afirmaria, em lágrimas, que nos cemitérios de Guadalcanal jazia morto o exército imperial japonês.



 

O trampolim

 

Os cronistas dos conflitos humanos são sempre propensos são sempre propensos a considerar singularmente crítica a campanha em que estão envolvidos. É natural e humana a sensação de que a dificuldade em que vivemos é a pior e mais cruel. A dor mais cruciante, a que mais mortifica e abate é sempre a que sofremos. Não a que o vizinho padece. Sem fugir à regra, os comentaristas de guerra propendem naturalmente para a exaltação das ocorrências verificadas no campo em que atuaram.



 

A natureza da guerra no Pacífico, tão cheia de singularidades e de contingências inusitadas, proporcionou a alguns cronistas a oportunidade de semear superlativos, no relato de tantos lances de dramaticidade intensa. Mas na vanguarda dos muitos atos desse poderoso drama ergue-se, sem sombra de dúvida, a jornada por Guadalcanal.

 

Esta narrativa situa a campanha firmemente no lugar que lhe é de direito. Conforme ressalta, numa narrativa de grande clareza, ela incorpora várias "primeiras vezes" que seriam notáveis se a campanha não reivindicasse outros direitos à fama. Por exemplo, foi o primeiro desembarque anfíbio feito por forças americanas desde 1898 - sendo improvável que houvesse no mundo militar americano quem pudesse recorrer à duvidosa vantagem de haver participado daquela experiência anterior. Portanto, nos desembarques em Guadalcanal, todas as decisões e todos os movimentos táticos foram virtual e essencialmente uma experiência nova. Nessas circunstâncias, não é de surpreender que a operação fosse caracterizada por alguma confusão. Por certo, ela contrastou muito com os desembarques posteriormente feitos no Pacífico, que foram altamente sistematizados e eficientes, mas foi um sucesso extraordinário - embora com restrições - e as lições foram muito bem aprendidas.



 

Todavia, a luta subseqüente pela conquista da ilha é lembrada principalmente por ter sido "a primeira vez", em outro aspecto: ela viu, depois de uma sucessão de conquistas territoriais sem precedentes, o "imbatível" invasor japonês ser violenta e espetacularmente derrotado e obrigado a uma retirada ignominiosa. Não que isto tenha sido uma realização repentina e fácil: ao contrário. Os japoneses lutaram como sempre: com absoluta dedicação, obstinação e ferocidade sistemática, que só terminavam com a derrota total. As perdas, de ambos os lados, foram eclipsadas pelas baixas em campanhas posteriores, mas, em selvageria, a luta em Guadalcanal e em seus arredores jamais foi superada. Também a variedade de ação foi enorme, coisa que se tornaria típica das campanhas da ilha, em que ocorria, a um só tempo, toda sorte concebível de batalhas. Freqüentemente uma ação naval coincidia com um bombardeio das praias, enquanto bombardeiros roncavam pelos céus da ilha, e caças baseados em terra e em porta-aviões, bombardeiros de mergulho e aviões torpedeiros disputavam o palco; em terra, as batalhas, que alternavam marés de homens em choques com pequenas ações de guerrilha, multiplicavam o tumulto.

 

Essa ilha relativamente insignificante do arquipélago das Salomão transformou-se num símbolo para japoneses e americanos, e a luta por sua posse foi um teste, um exemplo clássico do que se convencionou chamar a "escalada". A campanha tomou de certo modo o caráter de leilão implacável, no qual cada licitante se tornava cada vez mais decidido, elevando temerariamente o preço à medida que seu oponente ameaçava vencê-lo nos lances. Entrementes, o valor do artigo em si passava para segundo plano enquanto a disputa se transformava na sua própria razão de ser.



 

Freqüentemente os japoneses recebiam enormes quantidades de reforços pelo "Expresso de Tóquio" e, em resposta, mais homens e materiais chegavam para reforçar a posição Aliada, tornando mais áspero o conflito, mais acerbo e mais intenso.

 

Naturalmente, quanto mais prolongado este processo, maior se torna o eventual triunfo para o vencedor - e a humilhação para o vencido - e nenhum dos combatentes podia imaginar-se nesta última posição. Conscientes disso estavam todos, americanos e japoneses. Assim, quando Guadalcanal foi tomada, ficou claro que as forças americanas haviam sobrevivido e vencido, apesar do que os japoneses pudessem ter lançado contra elas. Pela primeira vez a balança do moral no Pacífico e no Sudeste Asiático pendeu significativamente para o lado dos Aliados - e a partir desse momento os japoneses passaram a travar guerra defensiva.



 

Fator de grande importância, que acrescentou muita dificuldade aos japoneses nas Ilhas Salomão e em outros grupos de ilhas ocupados, foi o tratamento arrogante e insensível que os nipônicos dispensavam às populações nativas. Apenas para exibir sua imaginária superioridade, eles maltratavam e exploravam seus "novos súditos" e lhes destruíam arbitrariamente as plantações, que muitas vezes eram a única fonte de subsistência dos nativos. Em vez de se acovardarem com esse tratamento, como esperavam os japoneses, os ilhéus logo criaram viva aversão por eles, não deixando escapar qualquer oportunidade para sabotar suas operações. Juntamente com as sentinelas costeiras, eles formaram redes eficientes de espionagem e ligação que muito contribuíram para a eficácia do planejamento Aliado. Mesmo assim, a evacuação dos remanescentes da força terrestre japonesa, uma das mais bem organizadas operações da Guerra do Pacífico, foi, de alguma forma, realizada em perfeito segredo.

 

O esforço desesperado dos japoneses para reconquistar Guadalcanal - a "Operação Ka" - foi um fracasso tanto de propósito como de recursos. A disposição do combatente japonês para o sacrifício era o lado positivo da moeda, cujo reverso era o desperdício irracional de vidas em missões desesperadas.



 

A derrota ali já era certa, logo que o enorme potencial industrial dos Estados Unidos passou a pesar localmente; assim, a obstinação extrema dos japoneses lhes trouxe apenas uma derrota mais sangrenta e esmagadora.

 

 

 



 

 

 



"Japani estão chegando..."

 

Quando o novelista Jack London visitou as Ilhas Salomão, em 1908, ele as considerou "um dos cantos mais rudes, de selvageria mais gritante, da terra". Trinta e quatro anos depois, americanos e japoneses fariam em Guadalcanal um corpo-a-corpo tão sanguinolento, que encheria de espanto os "caçadores de cabeça" dos velhos tempos. Durante alguns meses, o nome de Guadalcanal não saiu das manchetes dos jornais. Ele se tornou sinônimo de luta desesperada em condições atrozes; hoje em dia, reconhece-se que a ilha foi o momento decisivo da campanha do Pacífico e o trampolim de onde os Aliados desfecharam sua primeira ofensiva bem sucedida contra os japoneses.



 

Nunca foram com segurança determinadas as baixas totais dessa campanha. Somente das forças terrestres japonesas, entre 21.000 e 28.500 soldados morreram em pouco mais de cinco meses, justificando a afirmação de um dos seus generais, de que o exército japonês estava sepultado nos cemitérios de Guadalcanal. Os mortos das forças terrestres americanas atingiram mais de 1.500, enquanto número muito maior de marinheiros morreu ao largo da ilha. A atitude dos combatentes para com seus terríveis ambientes é sintetizada num trecho de uma versalhada popular entre os fuzileiros navais americanos na época:

"E quando ele chegar ao céu

A São Pedro dirá:

Mais um fuzileiro se apresentando, senhor -

Já "tirei" meu tempo no inferno!"

 

Pela sua vegetação luxuriante, e pelas promessas de sua natureza dramática, estas ilhas inspiraram a seus descobridores espanhóis, no século XVI, o nome de Ilhas Salomão, como se fossem o legendário Ofir.



 

As Ilhas Salomão se estendem numa cadeia irregular para sudeste, com mais de 1.400 km de comprimento, entre Papua, Nova Guiné e as Novas Hébridas. Fazem parte de um colar esparso de ilhas que se estendem pelo Pacífico, ao Nordeste da Austrália. São seis ilhas grandes, das quais Guadalcanal é a maior, e muitas outras menores. O terreno é em geral montanhoso e coberto de densas florestas. O calor e a umidade são intensos, havendo violentas tempestades tropicais; precipitação pluviométrica de mais de 508 cm foi registrada num ano.

 

A maioria dos habitantes das Salomão é composta de melanésios, com alguns polinésios e uns poucos micronésios. Eles são gente reservada e inteligente, obstinadamente independente e zelosa dos seus direitos territoriais, vivendo em pequenas comunidades bem unidas. Mais de 60 línguas são faladas entre as 160.000 pessoas e há uma antiga tradição de guerras entre ilhas e mesmo entre aldeias. Antes da Segunda Guerra Mundial, como acontece hoje, a maioria dos ilhéus vivia do cultivo das suas hortas - plantando kumura, inhames, cará e frutas - e da pesca.



 

Nominalmente administradas pela Grã-Bretanha, mas tendo poucos recursos naturais - sendo a copra a única colheita rentável - pouco se fizera para desenvolver o Protetorado antes de 1942. Um punhado de oficiais distritais mantinha a lei e a ordem entre as aldeias dos charcos e capoeiras, enquanto alguns missionários, agricultores, comerciantes e soldados da fortuna europeus também estavam em evidência. As ilhas, normalmente belas e fascinantes, eram muito atrasadas.

 

A guerra chegou às Salomão e pela primeira vez em sua história o Protetorado adquiriu importância para o mundo exterior. Desde Pearl Harbor, os japoneses vinham avançando implacavelmente. Tomaram Guam, Hong-Kong, as Filipinas, Cingapura e as Índias Orientais Holandesas, atualmente Indonésia. Em janeiro, haviam ocupado Rabaul, na Nova Guiné; Bougainville foi tomada em março, e logo depois os japoneses invadiram o Protetorado Britânico das Ilhas Salomão, um obstáculo para qualquer avanço japonês sobre a Austrália ou o Havaí. Com as Novas Hébridas e as Fiji, elas constituiam parte preciosa das linhas de comunicação aliadas e também eram uma área lógica para qualquer contra-ataque americano.



 

A 5 de março de 1942, o Almirante Ernest King, Comandante-Chefe da Marinha dos Estados Unidos, informou ao Presidente Roosevelt das suas pretenções de prosseguir a guerra no Pacífico: defender o Havaí, apoiar a Australásia e avançar das Novas Hébridas para noroeste. A terceira parte do plano esboçado consistiria de um ataque desfechado de Guadalcanal contra os japoneses entrincheirados em Rabaul.

 

Já então os japoneses se aproximavam das Salomão. Em julho, Guadalcanal fora ocupada por tropas das 81a e 84a Unidades de Guarnição e pelos 11o e 13o Batalhões de Construção Naval da 8a Força Básica. O avanço japonês no Protetorado foi virtualmente desimpedido. O Comissário Residente, William Marchant, permanecera em seu posto, com uns poucos voluntários da equipe que o auxiliava. Os missionários de todas as religiões também decidiram ficar. Todavia, os europeus, em sua maioria, foram evacuados de Tulagi, a sede da administração britânica, situada na ilha de N'Gela, fronteira a Guadalcanal, a bordo do navio Morinda.



 

Quando da invasão japonesa, havia apenas uma força armada simbólica nas ilhas. Qualquer tentativa de resistência teria sido totalmente inútil. Havia alguns fuzileiros navais da Força Imperial Australiana, uns poucos homens da RAAF (Real Força Aérea Australiana), que davam assistência técnica aos hidroaviões Catalina, que vez por outra paravam para reabastecer na pequena base aeronaval perto de Tulagi, e também a Força de Defesa das ilhas Salomão, que fora recrutada às pressas.

 

Esta última organização consistia originariamente de três oficiais, dois suboficiais e 112 soldados nativos, na maioria recrutados da força policial local. Eventualmente todos os oficiais administrativos britânicos que haviam ficado receberam patentes de oficial nessa força.



 

Uma outra organização foi recrutada - as sentinelas costeiras. Esses homens, oficiais do governo, agricultores e comerciantes australianos, apresentaram-se como voluntários para ficar atrás das linhas japonesas e transmitir informações sobre movimentos de navios mercantes e aviões inimigos. Dispostos desde a Nova Guiné pelo Capitão-de-Fragata Eric Feldt, da Real Marinha Australiana, as sentinelas costeiras funcionavam como uma cadeia vital de agentes de inteligência entre as ilhas do Pacífico. Cada homem era equipado com um telerrádio AWA, um transmissor-receptor com quatro freqüências alternativas de transmissão e com raio de ação de 60 a 100 km.

 

Entre as primeiras sentinelas costeiras a serem nomeadas nas Salomão estavam Kennedy, no Oeste; Wilson, no Leste e Forster, em San Cristobal. Devido à sua localização nas Salomão Centrais, Guadalcanal, evidentemente, teria importância estratégica. Havia três sentinelas costeiras ali, Martin Clemens, jovem oficial distrital que tomou posição na aldeia de Aola, uma subestação distrital na costa norte da ilha; Macfarlan, Tenente da Reserva da Real Marinha Australiana, de início acampou perto de Lunga, defronte a Tulagi, mudando-se, mais tarde, para o interior, para Gold Ridge, onde já encontrou Hay, um agricultor, e Andersen, minerador de ouro. Na costa oeste de Guadalcanal, a terceira sentinela costeira, "Snowy" Rhoades, ex-administrador de plantação, instalou-se para aguardar a chegada dos japoneses. Todos esses movimentos haviam sido feitos com certa pressa, porque já em março os japoneses estavam bombardeando Tulagi regularmente. O Comissário Residente mudou sua sede para a Ilha de Malaita, onde ninguém o incomodava. Enquanto aguardava a inevitável invasão japonesa, ele mandou seus oficiais percorrer as ilhas e conversar com os habitantes. Sua mensagem era simples. Era possível que o inimigo não demorasse a chegar. Contudo, as ilhas eram e continuariam sendo britânicas. Nenhum ilhéu das Salomão se ofereceria para ajudar aos japoneses.



 

Havia outro importante trabalho administrativo a ser feito. Muitos trabalhadores haviam ficado retidos em plantações longe de casa e sua volta foi realizada em duas semanas, com o auxílio de uma frota de escunas. Esses barcos às vezes eram bombardeados, mas todos os trabalhadores voltaram às suas respectivas ilhas.

 

A 10 de abril os japoneses desembarcaram nas Ilhas Shortland, nas Salomão Ocidentais. A ocupação do resto do Protetorado parecia iminente. As incursões de bombardeio contra Tulagi aumentaram de intensidade, havendo cinco ataques violentos no dia 2 de maio.



 

Na manhã seguinte, uma unidade naval japonesa, comandada pelo Contra-Almirante Goto, ancorou sem oposição na baía de Tulagi. Entre a força que desembarcou nos navios estava o Grupo Aéreo Yokohama, a Terceira Força Kure Especial de Desembarque da Marinha, uma unidade básica naval de hidroaviões, uma bateria antiaérea e pessoal de comunicações radiofônicas. Doze hidroaviões de flutuadores Kawanishi e doze hidroaviões Zero chegaram mais tarde.

 

Não se permitiu que os japoneses se instalassem em Tulagi em paz, embora o ataque americano ocorrido fosse um tanto fortuito. A 4 de maio, enquanto Goto ainda estava desembarcando suprimentos, seus navios foram atacados por aviões dos porta-aviões leves americanos Lexington e Yorktown.



 

Esses navios faziam parte da "Força-Tarefa 17", comandada pelo Contra-Almirante Fletcher. Este estava a caminho para interceptar uma força de desembarque japonesa que, segundo se informara, estava atravessando o Mar de Coral, rumo a Port Moresby. Aviões dos seus porta-aviões avistaram os japoneses ancorados em Tulagi e os atacaram. Considerável número de bombas foi despejado e gastou-se muita munição. As afirmações de sucesso dessa missão foram exageradas, mas, terminado o ataque, somente o destróier Kikutsuki, dois pequenos caça-minas e vários hidroaviões haviam sido destruídos.

 

Este era o último revés que os japoneses sofreriam durante alguns meses nas Salomão e eles passaram a se instalar em Tulagi. Em Guadalcanal e outras ilhas, as sentinelas costeiras acumularam estoques de alimentos e continuaram advertindo aos nativos para que não colaborassem com o inimigo.



 

Em Aola, Martin Clemens reunira para si uma força particular de uns 60 nativos, entre os quais dividiu os doze fuzis que estavam consigo. Mais tarde, seus homens recuperaram outros seis fuzis e 2.500 cartuchos de munição abandonados pelos australianos ao deixarem as Salomão. Clemens também criou uma frota de canoas e os homens de uma delas informaram que os japoneses pareciam estar-se preparando para invadir Guadalcanal. Duas semanas depois, a 28 de maio, uma força exploratória japonesa desembarcou em Lunga Point. Clemens mudou-se para o interior, para a aldeia de Vungana, e continuou enviando patrulhas e mantendo uma vigília no alto das árvores.

 

A 1o de julho um dos exploradores de Clemens, Dovu, trouxe a notícia que a sentinela costeira esperava e temia: "Japani estão chegando". Os japoneses haviam desembarcado em grande número em Guadalcanal e agora tudo o que Clemens podia fazer era vigiar e esperar que os americanos, por sua vez, estivessem planejando invadir Guadalcanal.



 

 

"Operação Atalaia"

 

No começo de 1942, Guadalcanal não era a preocupação mais urgente dos Chefes Conjuntos de Estados-Maiores; havia outras ilhas igualmente importantes e estas tinham de ser ocupadas e fortificadas antes que se pudesse pensar em ataque. Forças mistas do exército e da marinha americanos começaram a desembarcar em várias das ilhas que ainda não estavam dentro da esfera de influência japonesa. Samoa e Fiji foram guarnecidas, e a 12 de março ocupou-se a Noumea, na Nova Caledônia. Duas semanas depois, a Força de Fuzileiros Navais da Frota, do 4o Batalhão de Defesa (Reforçado) ocupou Port Vila, nas Novas Hébridas.



 

O que parecia ser necessário era uma operação de resistência, o que fora decidido em reuniões dos Estados-Maiores militares britânicos e americanos muito antes do ataque a Pearl Harbor. Suas descobertas haviam sido confirmadas no começo de 1942 pelo Presidente Roosevelt e por Churchill. Se os japoneses entrassem na guerra, eles seriam contidos no Pacífico até que terminasse a luta na Europa.

 

Esse plano não levava em conta as poderosas personalidades dos homens encarregados da conduta da campanha Aliada no Pacífico, ou as influências que os motivavam. Os Estados Unidos estavam sentindo as dores de uma série de reveses, os japoneses haviam desmentido a reputação do combatente americano em termos firmes e era preciso uma vitória importante para restaurar o moral no país e nas forças armadas.



 

Os três homens mais estreitamente interessados no planejamento das operações no Pacífico insistiram nesse ponto: General Douglas MacArthur, Almirante Ernest King e Almirante Chester Nimitz. Cada homem era uma personalidade por direito próprio. MacArthur, depois da sua bem divulgada fuga de Corregidor, e com sua inclinação para o dramático, talvez fosse o mais famoso, mas King, homem rude, sem o menor senso de humor e que, segundo se dizia, fazia a barba com um maçarico, não era menos inflexível. Nimitz, com seus cabelos brancos, embora tendendo a ser eclipsado pelos outros dois, era um oficial de carreira eficiente e experimentado.

 

No dia 4 de abril, os Chefes Conjuntos de Estado-Maior (a conjunção era dos chefes, e não dos Estados-Maiores) dividiram a área do Pacífico entre MacArthur e Nimitz, decidindo-se que a linha divisória ficaria a 160 graus de longitude leste de Greenwich. Isto queria dizer que MacArthur era responsável pelo sudoeste, que incluía a Austrália, Nova Guiné, as Filipinas e as Ilhas Salomão, enquanto Nimitz assumia o controle do resto. Quatro meses depois, com a "Operação Atalaia", o assalto às Salomão, prestes a ocorrer como uma operação conjunta da marinha e dos fuzileiros navais, essa linha foi ajustada em um grau para oeste, de modo que Nimitz ficou com toda a Ilha de Guadalcanal, Tulagi e também com a Florida (N'Gela).



 

A dissensão entre os membros do CEMC sobre as táticas a serem empregadas no Pacífico foi intensa. De Washington, o General George Marshall, chefe do Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos, queria ater-se à concepção original: "a estratégia militar no Extremo Oriente será defensiva". Ele era apoiado pelo General Arnold, chefe da Força Aérea do Exército. MacArthur e King discordavam com veemência dessa atitude, mas infelizmente não havia quase nenhuma unanimidade entre eles. King defendia uma ofensiva limitada na área de Guadalcanal e Tulagi, com apoio aéreo das "Fortalezas-Voadoras" B-17 do exército e dos PBY da marinha, que partiriam do recém-construído aeródromo em Espírito Santo, nas Novas Hébridas. A 28 de maio, Nimitz sugeriu uma alteração nesse plano - tomar e arrasar Tulagi com um só batalhão incursor (raider). Marshall, MacArthur e King vetaram essa proposta, alegando impraticabilidade.

 

Nos dias 4 e 5 de junho, aviões de porta-aviões americanos afundaram quatro porta-aviões japoneses ao largo da Ilha de Midway. Esse sucesso inspirou MacArthur a insistir num ataque direto a Rabaul, na Nova Grã-Bretanha. Ele estava convencido de que esta ilha poderia ser tomada em julho, por uma divisão treinada em guerra anfíbia e levada em doze transportes, apoiados por dois porta-aviões e vários bombardeiros. Esse plano recebeu o apoio do General Marshall, que via a Primeira Divisão de Fuzileiros Navais (Marines) fazendo o primeiro desembarque de cabeça-de-praia, sendo depois substituída por duas divisões americanas e uma australiana.



 

O Almirante King recusou-se a apoiar esse projeto, declarando que, para que esse empreendimento tivesse êxito, também seriam precisos caças, e que seria temerário arriscar dois dos porta-aviões numa expedição perigosa como essa. King apresentou então uma contraproposta - ataques a Tulagi-Guadalcanal e também ao grupo Santa Cruz, nas Salomão Orientais, enquanto o General MacArthur dirigia um ataque simulado às Índias Orientais Holandesas.

 

Esta última sugestão foi considerada ambiciosa demais, porém King insistiu energicamente num ataque a Tulagi e Guadalcanal, sobretudo porque as sentinelas costeiras haviam comunicado que nesta ilha os japoneses estavam construindo um aeródromo. Por fim o almirante conseguiu seu intento. Vencendo a oposição de Marshall e MacArthur, King recebeu o relutante consentimento destes ao seu plano e os Chefes Conjuntos de Estado-Maior deram ordens para a realização da operação. King transmitiu-as imediatamente a Nimitz, que recebera o comando da "Tarefa I" da Operação Atalaia, o ataque inicial. O General MacArthur ficaria encarregado da "Tarefa II", a tomada das Salomão do Norte, e da "Tarefa III", o ataque a Rabaul. Nimitz, por sua vez, deu instruções ao Vice-Almirante Robert Ghormley, que fora nomeado comandante da marinha no Pacífico Sul. Ghormley não ficou satisfeito com o fato de ser inteirado de tudo tão tarde. Restava pouco tempo para coletar informações e planejar as operações. Contudo, o Almirante King foi inflexível; ele conseguira fazer com que a missão Tulagi-Guadalcanal fosse um projeto da marinha, e o resto agora cabia a Ghormley e a Nimitz.



 

A 26 de junho em Auckland, Nova Zelândia, o Vice-Almirante Ghormley informou ao General Alexander Archer Vandegrift, comandante da Primeira Divisão de Fuzileiros, que ele lideraria o assalto anfíbio a Tulagi e Guadalcanal a 1o de agosto - dali a menos de cinco semanas. Vandegrift, um homem calmo e cortês da Virgínia, com 35 anos na ativa, ficou muito preocupado com a exigüidade do prazo. Havia apenas doze dias que ele chegara à Nova Zelândia. Menos de metade da sua divisão estava consigo; seu 1o Regimento encontrava-se em algum ponto do Pacífico, tendo partido de São Francisco havia apenas quatro dias, em oito cargueiros, e o 7o de Fuzileiros Navais estava nas Samoa.

 

Vandegrift advertiu, em vão, que não esperava ser chamado para entrar em ação antes do começo de 1943. Assim como o comandante dos fuzileiros navais, Ghormley não estava gostando muito da situação, mas tinha as mãos atadas. Vandegrift simplesmente teria de ir em frente e fazer seus preparativos da melhor maneira que pudesse. Como concessão, ele receberia o 2o Regimento de Fuzileiros Navais da 2a Divisão, que partiria de San Diego a 1o de julho.



 

Vandegrift e seu Estado-Maior puseram-se a trabalhar vigorosamente para fazer o máximo que pudessem no tempo disponível. O primeiro problema a ser enfrentado residia no fato de ninguém, ao que parecia, saber nada sobre Tulagi e Guadalcanal. Do seu Q-G, no "Cecil Hotel", em Wellington, Nova Zelândia, Vandegrift mandou seu oficial do serviço de inteligência, Tenente-Coronel Goettge, à Austrália, para entrevistar missionários, fazendeiros e funcionários do governo que haviam deixado recentemente as Salomão. Acumulou-se grande quantidade de informações, algumas delas úteis, outras apenas desorientadoras, como se verificaria em Guadalcanal. Não havia nem tempo nem os meios de verificar os fatos. Goettge providenciou para que oito dos veteranos das Salomão recebessem patentes de oficial, de modo que pudessem acompanhar os fuzileiros navais como guias na expedição, e voltou à presença do General Vandegrift.

 

Nada parecia dar certo. O próprio Vandegrift é quem diz: "Não havia tempo para a fase de planejamento e, em muitos casos, foi preciso tomar decisões irrevogáveis antes mesmo de se averiguar as características essenciais do plano de operações navais". O que preocupava em particular era a falta de conhecimento detalhado da área a ser invadida. Dois oficiais de fuzileiros navais foram destacados para um vôo de reconhecimento, numa B-17, sobre Guadalcanal. Seu avião foi atacado por hidroaviões japoneses que decolaram de Tulagi. A B-17 derrubou dois Zero e voltou a salvo a Port Moresby, mas os observadores não viram quase nada de Guadalcanal. Com o passar do mês de julho tornou-se evidente que a Operação Atalaia não poderia ser iniciada a 1o de agosto. Assim, a data do assalto foi adiada para 7 de agosto.



 

A cadeia de comando também começava a ser elaborada, com esforço. Com base em Noumea, na Nova Caledônia francesa, Ghormley ficaria encarregado da estratégia, dando conta dos seus serviços a Nimitz. Representando Ghormley no local estaria o Vice-Almirante Fletcher. Imediatamente abaixo vinha o Contra-Almirante Kelly Turner, que comandava a força anfíbia. O subcomandante de Turner era o Contra-Almirante Crutchley, da Marinha Real britânica, herói da Primeira Guerra Mundial. A força de cobertura deste último consistia de vasos americanos e australianos. O encarregado de todos os aviões baseados em terra era o Vice-Almirante John McCain, Comandante da Aviação no Pacífico Sul e responsável pela ordem para construir o aeródromo em Espírito Santo.

 

Na Nova Zelândia, os fuzileiros-navais afadigavam-se desesperadamente para se preparar para os desembarques. Abastecimentos eram desembarcados e separados em condições tão desagradáveis, que os estivadores da Nova Zelândia se recusaram a trabalhar com eles. A polícia os tirou das docas e os fuzileiros navais trabalhavam em turnos de oito horas cada um, embarcando e desembarcando seus próprios suprimentos.



 

O dia da Operação Atalaia se aproximava, esperado com crescente apreensão pelos responsáveis pelo seu planejamento. MacArthur e Ghormley recomendaram outro adiamento, mas King recusou-se a concedê-lo. Mais tarde o almirante viria a comentar, numa considerável atenuação dos fatos: "Devido à urgência da tomada e ocupação de Guadalcanal, o planejamento não esteve à altura do padrão normal".

No meio de toda essa confusão, Vandegrift se ocupava com o planejamento do primeiro desembarque anfíbio americano em tempo de guerra, desde 1898, na Guerra Hispano-Americana. O estado da linha costeira onde seus fuzileiros navais desembarcariam continuava em grande parte desconhecido e ele foi mais prejudicado ainda quando os mapas fotográficos de Guadalcanal especialmente encomendados se extraviaram num armazém da Nova Zelândia. Tampouco a estimativa das forças japonesas era mais precisa. Julgava-se que cerca de 5.000 soldados inimigos ocupavam a área a ser atacada e, conforme se verificou posteriormente, esta estimativa era consideravelmente exagerada.

 

Durante todo o frenético mês de julho, Vandegrift e seu Estado-Maior continuaram obstinadamente a traçar planos. Confirmou-se que haveria dois ataques - um em Guadalcanal e outro contra Tulagi e as ilhas vizinhas de Gavatu, Tanambogo e as Floridas. Esperava-se que a força de desembarque em Guadalcanal (Grupo Raios-X) encontraria uma oposição relativamente discreta. Mas em Tulagi o inimigo teria de lhes fazer frente e lutar. Nessa conformidade, Vandegrift designou para Tulagi as forças que considerava mais bem treinadas. Sob o comando-geral do Brigadeiro-General Rupertus estariam o 1o Batalhão de Fuzileiros Navais Incursores (Raiders) e seu líder, Tenente-Coronel Merritt Edson; o 1o Batalhão de Pára-quedistas, do Major Robert Williams, e o 2o Batalhão do 5o Regimento de Fuzileiros Navais, do Tenente-Coronel Harold Rosecrans. O desembarque em Guadalcanal seria comandado pelo próprio Vandegrift, conduzindo o restante da 1a Divisão de Fuzileiros Navais e quaisquer tropas especiais e de serviço.



 

Toda a força seria transportada para as Salomão num comboio que, na verdade, era a maior parte da marinha americana situada no Pacífico, na época: os porta-aviões Saratoga, Enterprise e Wasp e vários cruzadores e destróieres para escoltar os navios-transporte. Ao todo, 959 oficiais e 18.156 praças seriam transportados nessa força expedicionária.

 

Devido à escassez de barcaças de desembarque, não seria possível iniciar ataques simultâneos em Tulagi e Guadalcanal; por isso, preparou-se cuidadoso cronograma. Em Tulagi, os Incursores de Edson desembarcariam do lado sul, seguidos do II/5o Batalhão de Fuzileiros Navais. Eles abririam caminho, lutando, para o interior e depois atacariam para o leste. O Batalhão de Pára-quedistas vadearia até a terra nas ilhas gêmeas de Gavatu e Tanambogo, onde faria uma varredura de precaução ao longo da linha costeira das Floridas mais próximas de Tulagi.



 

O desembarque em Guadalcanal ocorreria a leste da área de Lunga, onde os japoneses talvez tivessem instalado posições defensivas. O 5o RFN (Regimento de Fuzileiros Navais), com exceção do 2o Batalhão, que estaria em Tulagi, desembarcaria e estabeleceria uma cabeça-de-praia de dois batalhões lado a lado. O 1o de Fuzileiros Navais se juntaria a eles, o que possibilitaria uma situação adequada para fazer partir o ataque para oeste.

 

Enquanto lutava para coordenar seu plano, Vandegrift também se esforçava por resolver todos os outros problemas criados pela tentativa de reunir uma grande força de invasão anfíbia em pouco tempo. As condições nas docas continuavam caóticas. Em meio à chuva torrencial de um inverno neozelandês, os navais lutavam para desembarcar, separar e tornar a embarcar provisões, numa corrida contra o relógio. O moral não era elevado. Um navio transporte civil, o Ericsson, contratado para trazer fuzileiros navais dos Estados Unidos para a Nova Zelândia, foi motivo de muitas queixas por haver servido alimentação tão ruim, durante toda a viagem, que os soldados perderam, em média, de 7 a 9 quilos de peso, a bordo!



 

Num esforço para poupar tempo, Vandegrift deu ordens para que suas unidades "reduzissem seu equipamento e suprimentos ao realmente necessário à luta e à sobrevivência". A quota de munição foi reduzida em 50 por cento. Quando a força-tarefa zarpou de Nova Zelândia, quase metade dos suprimentos originais ficou para trás, mas os navios partiram conforme as ordens, às 09:00 h de 22 de julho.

 

Ghormley ordenou que todos os navios da expedição estivessem no ponto de encontro às 14:00 h de 26 de julho. Nesse momento a "Força-Tarefa 62", de Turner, uniu-se à "Força-Tarefa 61", de Fletcher, perto da ilha de Koro, cerca de 600 km ao sul das Ilhas Fiji. Houve uma reunião dos comandantes da expedição a bordo do Saratoga. Ghormley estava ocupado demais para comparecer, sendo representado pelo Almirante Daniel Callaghan. A reunião não foi inspirada, servindo apenas para salientar as lacunas no planejamento, a falta de afinidade entre Marshall e King, dos Chefes Conjuntos de Estado-Maior e a canhestra e quase impraticável cadeia de comando criada para a operação.



 

Na reunião, Fletcher deixou claro que considerava a sua função apenas como a do líder de uma operação de vaivém, desembarcando homens e suprimentos e partindo o mais depressa possível. Essa opinião afligiu Vandegrift, que contava com apoio aéreo e naval durante pelo menos quatro dias após o desembarque inicial. Divulgara-se que Ghormley não dera uma "Carta de Instrução" a Fletcher, que estava pessimista quanto às possibilidades de sucesso da "Operação Atalaia". O fato de o Contra-Almirante McCain, encarregado dos aviões baseados na costa, operar diretamente subordinado a Ghormley, e não a Turner, também causou certa confusão. Vandegrift sofreu outro golpe quando foi informado de que não receberia o 2o Regimento de Fuzileiros Navais, que estava sendo desviado para ocupar Ndeni, no grupo Santa Cruz, entre as Salomão Orientais, porém esta última ordem foi mais tarde revogada.

 

Após essa reunião confusa e inconcludente, os ensaios dos projetados desembarques, realizados entre 28 e 31 de julho, pouco fizeram para dissipar a depressão geral. As cortantes praias de coral de Koro mostraram-se quase inexpugnáveis, enquanto que o silêncio radiofônico rígido impossibilitava a coordenação dos movimentos aéreos e de tropas. Diante da desordem, Vandegrift estava ansioso por retirar-se; perdia-se tempo muito precioso.



 

Os navios reagruparam-se e começaram sua viagem para as Salomão. Até então quase nada dera certo na expedição. Para a viagem das Fiji até Guadalcanal houve uma inversão da sorte. A armada percorreu seu caminho sem ser descoberta pelos japoneses. Às 02:00 h foram avistados a Ilha Savo e, depois, o Cabo Esperança. Ao amanhecer, os cruzadores iniciaram o bombardeio das praias de Guadalcanal e Tulagi, enquanto os aviões que decolaram dos porta-aviões afundavam hidroaviões japoneses em seus ancoradouros.

 

 



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