Capítulos 1 e 2: Sumário Executivo

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  • Espera-se aumentos de temperatura e taxas de evaporação e acentuação de eventos extremos (secos e úmidos), o que geraria impactos significativos nos níveis de reservatórios na região, base do planejamento e gestão dos recursos hídricos do Nordeste.

  • Novas práticas agrícolas e adaptações de práticas já existentes podem moderar riscos e danos climáticos a partir do fortalecimento e da difusão de inovações e tecnologias; a região Nordeste pode contribuir com fontes de geração de energia elétrica não emissoras - hidráulicas, biomassa, maré e eólica;

  • Maior migração populacional para meio urbano; expansão da área de transmissão de doenças associadas a vetores e o aumento da incidência de doenças de veiculação hídrica.
egião Nordeste

Correspondendo a cerca de 18% da área e 29% da população do Brasil, a região Nordeste apresenta condições fisiográficas, climáticas e socioeconômicas que exigem atenção no traçado de políticas de adaptação a impactos decorrentes de possíveis alterações climáticas. Estudos relacionados a impactos de mudanças climáticas sobre os recursos hídricos, os recursos costeiros, o processo de desertificação e os setores de agricultura (inclusive agricultura familiar), energia e saúde confirmam a fragilidade da região.

Com a menor disponibilidade hídrica do país, a região Nordeste apresenta uma forte variabilidade temporal (em escalas interanual e decadal) do seu regime de chuvas sendo que os fatores que o determinam já são relativamente bem conhecidos e por isso sua previsão já vem sendo utilizada como estratégia de adaptação às mudanças do clima. Também com relativo consenso entre os cientistas, espera-se aumentos nos níveis de temperatura e taxas de evaporação e acentuação de eventos extremos (secos e úmidos), o que geraria impactos significativos nos níveis de reservatórios na região, base do planejamento e gestão dos recursos hídricos do Nordeste. Como exemplo, estudos indicam sérias reduções de vazão na bacia do Rio São Francisco, e Atlântico Nordeste Oriental.

Boa parte do setor agrícola nordestino, especialmente as culturas da mandioca, algodão, soja, arroz, milho e feijão seriam fortemente impactados pelas mudanças climáticas. Algumas dessas culturas são a base da segurança alimentar na região, como a mandioca e os estudos acenam para uma drásticas redução de seu plantio podendo até desaparecer do semi-árido nordestino. Diversos estudos apontam também para uma intensificação dos efeitos migratórios resultantes dos impactos das mudanças climáticas na agricultura. Por outro lado, a agricultura familiar na região requer cuidados frente aos cenários de mudanças climáticas, dada sua significativa participação na economia regional. Felizmente, os atuais arranjos socioeconômicos e de apoio político-instritucionais e técnicos vêm desenvolvendo papel importante na adaptação com desenvolvimento e aplicação de novas práticas agrícolas.

No setor energético, a participação da região Nordeste está centrada nas fontes hidráulicas, de biomassa e eólica. Estudos apontam favoravelmente para a geração de energia de biomassa e eólica, enquanto a geração de energia hidroelétrica sofreria impactos negativos devido a sua dependência em relação aos níveis e variações de vazões naturais aos grandes reservatórios, bem como aos níveis elevados de evaporação.

Em ambientes costeiros, estudos preliminares de caráter reflexivo sinalizam impactos que devem ser analisados dentro da complexidade do comportamento marinho a fim de identificar sua relação com diversas atividades antrópicas e com a estabilidade dos ecossistemas costeiros. O principal resultado esperado é um amplo recuo da linha de costa da região Nordeste e um aumento da vulnerabilidade de ecossistemas sensíveis a pequenas variações de temperatura como os recifes de corais.

A região Nordeste apresenta amplos focos de espaços geográficos em processo de desertificação com impactos negativos para os indicadores socioeconômicos regionais. No entanto, observa-se ainda a incipiência de estudos diretamente focados na análise da relação das mudanças climáticas com o processo de desertificação. No setor de saúde, estudos ratificam a relação existente entre a severidade dos impactos das mudanças climáticas e os níveis de desidratação, distúrbios respiratórios e redistribuição de doenças infecciosas devido a costumeiros eventos de migração.

Região Sul


Aumento do regime de chuvas; as temperaturas seguiram o padrão de aumento nos valores médios, com redução dos episódios de geadas e dias frios; a soja e o milho poderão ser substituídos por culturas perenes e semi-perenes como a cana-de-açúcar e o milho; técnicas alternativas como PD e ILPF podem minorar os riscos climáticos; impactos negativos na saúde.

Não são escassos os registros, a exemplo dos promovidos pelo fenômeno El Niño Oscilação Sul (ENOS), que acentuam as características condicionante/adversidade do clima sobre as produções agrícolas, determinando recordes de produção ou perdas generalizadas. A condição meteorológica já afetada por tais eventos passou a ser também avaliada quanto a modificações aparentes, ainda que em curto intervalo de observações, das condições térmicas e hídricas, assim como observado em todo o globo. Somam-se, principalmente, registros de aumento da temperatura do ar, nos mais diversos municípios do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, que inevitavelmente exercem influência não só na agricultura, pecuária e segurança alimentar, mas em questões ambientais como o ciclo hidrológico e de saúde da população. Aumentos de precipitação e vazão de rios, apesar das incertezas, poderão se intensificar, conforme cenários projetados pelo IPCC.

Os fenômenos climáticos podem influenciar a saúde humana de forma direta, a partir do favorecimento a doenças infecciosas endêmicas sensíveis às variações do clima, por mortalidade por afogamento, deslizamentos de terra e desabamentos de prédios, ou por ondas de calor, e indiretamente por perda na produção agrícola e consequentemente impacto nutricional, queda nos padrões de higiene pessoal e ambiental e também como determinante de fenômenos demográficos. A respeito da atividade rural, conforme algumas projeções, em algumas décadas a região Sul poderá ter uma nova conformação geográfica da agricultura e pecuária, sem destacar uma possível aptidão de culturas até agora restringidas pelo frio em detrimento de outras, tais como frutíferas adaptadas ao clima temperado.

Região Sudeste


  • Aumento da temperatura média, diminuição de noites frias, 15% mais chuvas no outono, secas no verão (mais doenças), aumento de eventos extremos (impactos negativos nas grandes cidades), substituição de espécies agrícolas mais adaptadas aos novos padrões de temperatura.

  • Adaptação: implantação de parques lineares na margem de córregos p/ minimizarem os impactos de cheias com remanejamento de populações nas áreas de risco.

A Região Sudeste é formada pelos estados do Espírito Santo (ES), Minas Gerais (MG), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) correspondendo a 10,86% do território brasileiro, com uma população de 80.353.724 habitantes, sendo a região mais populosa do país. Além de apresentar a maior densidade demográfica do país e o mais alto índice de urbanização, a região tem a economia mais industrializada das regiões do país, com 12,8% da população ocupada no ramo agrícola. O avanço da produção agrícola e a urbanização nos seus estados provocaram desmatamentos das áreas de florestas, restinga e mangue, do bioma Mata Atlântica. O processo de ocupação desta região guarda especificidades, como a criação de gado e a cultura do café, que foram uma alavanca poderosa para a sua ocupação. Pode-se afirmar que a destruição das matas pluviais e sua substituição por cafezais, quase sem deixar reservas de matas ou florestas de proteção de nascentes em muitas áreas, aumentou a variabilidade da precipitação, intensificando a ocorrência de escassez e ou sua abundância.

A região não mostrou mudanças perceptíveis nos padrões de chuva, ou certo aumento até finais do século XX. A média dos modelos estudados é indicativa de maior probabilidade de redução de chuva nestas regiões como consequência do aquecimento global. Entre as suas metrópoles, cita-se como exemplo para cenários climáticos futuros, as principais ameaças naturais no município do Rio de Janeiro, que estão associadas a enchentes e inundações, entre outros processos que ocorrem no período chuvoso, o que demanda análise dos cenários de risco e das condições de vulnerabilidade em conjunto com as projeções de intensificação de ocorrência de eventos pluviométricos no município.

Entre os principais rios do país, destacam-se os rios Paraná-Prata, importantes entre outros motivos, pela contribuição ao potencial hidroelétrico do país e pela interface com a agricultura da região. Identificam-se nos estudos existentes sinais de possível impacto de mudanças nos regimes hidrológicos e térmicos na bacia do Paraná-Prata. São conhecidos os impactos de chuvas fortes nas capitais do Sudeste, seguidas ou não por inundações, com morbidade e na mortalidade da população. Mostra-se inevitável que as mudanças climáticas de longo prazo, possam exercer efeitos na saúde humana em áreas urbanas, lembrando que a região abriga quatro das grandes capitais brasileiras, além de cidades com mais 1 milhão de habitantes, que concentram grandes frotas de veículos e fontes estacionárias de emissão de poluentes e os respectivos riscos à saúde humana associados à estas questões .

Para a região os estudos coletados pelo IPCC preveem para o século XXI um aumento de 4 a 4,5ºC na temperatura média do ar. Com expectativa de eventos extremos mais frequentes e as mudanças climáticas, a região apresentará, muito provavelmente, um padrão de aumento nos valores médios de temperatura, acompanhando o mesmo padrão nas outras regiões do país. O meio agrícola poderá passar por algumas adaptações com a substituição de espécies mais adaptadas aos novos padrões de temperatura, e também conjugadas com técnicas alternativas como plantio direto e o consórcio entre florestas, gado e agricultura que virão a ser medidas necessárias para minorar os riscos climáticos advindos no futuro. Além disso, o incentivo a programas de conservação da biodiversidade se faz necessário como estratégia para diminuir a vulnerabilidade da região à uma possível intensificação da insegurança alimentar.

Entre as principais metrópoles desta região, o Rio de Janeiro e Vitória encontram-se na orla e certamente, novos estudos mais aprofundados sobre os impactos e as suas vulnerabilidades específicas, surgirão, fortalecendo as bases de informação sobre essa faceta dos impactos causados na Região Sudeste. Nas Regiões Metropolitanas de São Paulo e Belo Horizonte, o aumento da população urbana e a forma de ocupação das suas áreas, provocarão pressões para investimentos em programas de contenção de cheias e remoção de populações em áreas vulneráveis e de risco, além da necessidade de incremento dos programas de defesa civil existentes para situações extremas que envolvam os episódios como, por exemplo, enchentes e escorregamentos. Outro aspecto importante, não só nos centros urbanos, é a adaptação à escassez hídrica que pode ser potencializada na região e influenciará não só a produção de alimentos, como o acesso à água, e a saúde da população, potencializando os cenários de incidência de doenças relacionadas às mudanças climáticas discutidas nesse artigo, o que resulta, inevitavelmente, na perda da qualidade de vida da região.



Região Centro Oeste


As atividades agrícolas e de pecuária sofrerão redução de produtividade devido às mudanças no ciclo hidrológico, aumentos de temperatura e alterações na sua fenologia; o desenvolvimento de variedades agrícolas mais adaptadas e formas de manejo mais adequados aos contextos climáticos futuros devem estar dentro de um planejamento amplo de adaptação para a região; aumento de secas com aumento de doenças respiratórias.

O Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, sendo superado apenas pela Amazônia. Ele ocupa 21% do território nacional e localiza-se no Planalto Central, nos estados de Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal. O domínio do Cerrado é reconhecido como a savana mais rica em biodiversidade do mundo, além de abrigar nascentes de rios tão importantes quanto o São Francisco, o Paraguai e o Paraná.

Deve-se notar que a expansão da produção de grãos e da pecuária extensiva na região Centro-Oeste trouxe, juntamente com os benefícios econômicos, grandes danos ambientais para o Cerrado, tais como redução da biodiversidade, erosão dos solos, poluição de aquíferos, degradação de ecossistemas, alterações nos regimes de queimadas e possivelmente modificações climáticas regionais. As mudanças climáticas, bem como a variabilidade climática natural com seus extremos, podem acentuar a vulnerabilidade social das populações e desencadear uma série de problemas ambientais e socioeconômicos.

O Centro-Oeste brasileiro confronta-se com diversos prognósticos climáticos negativos que prevêem que as atividades agrícolas e de pecuária sofrerão redução de produtividade devido às mudanças no ciclo hidrológico e aumentos de temperatura, e também devido à localização estratégica da região, situada entre três biomas de maior importância no país, a Floresta Amazônica, o Cerrado e o Pantanal (Assad et al. 2004, 2008).

Os biomas Cerrado, Amazônia e Pantanal permutam material genético entre suas zonas de amortecimento e têm sido altamente impactados pelo uso e ocupação da terra no último século. Além dos problemas de cunho ambiental a região está envolvida em um quadro de conflitos sociais e fundiários profundos, tornando-a altamente vulnerável caso ocorram mudanças regionais no clima o que preocupa atores institucionais em diversas esferas governamentais. Atualmente o Centro-Oeste se consolida como o celeiro brasileiro da produção de grãos, sendo que o bioma Cerrado é classificado como hotspot da preservação ambiental mundial por deter o título de savana com maior biodiversidade do planeta, onde mais de 48% desse bioma já foram convertidos em áreas de uso agrícola.

Devido à história recente de colonização que se aprofunda a partir das décadas de 40 e 50, a região ainda carece de uma rede mais densa de monitoramento de dados meteorológicos. Com isso, a modelagem de padrões de anomalias em precipitações e temperatura baseia-se em dados de apenas algumas estações meteorológicas existentes, sendo o restante dos dados produzidos a partir de cálculos matemáticos gerados em simulações. Os modelos permitem identificar mudanças nas estações e identificar padrões cíclicos associados a fenômenos de grande escala no Brasil, como os eventos El Niño.

Salati et al (2008) avaliaram mudanças na vazão de 12 bacias hidrográficas brasileiras para o final do século XXI. Para tal, lançaram mão do modelo HadRM3P e dois cenários de emissões de gases de efeito estufa (A2-BR e B2-BR), com os quais realizam projeções para uma série de parâmetros: precipitação, evapotranspiração, temperatura e déficit hídrico. De modo geral, os resultados apontam para a redução da vazão em todas as bacias que possuem importantes afluentes no Centro-Oeste (Tocantins/Araguaia; Paraná; São Francisco; Paraguai; Amazonas) para o período 2071-2100 em relação a média histórica (1961-1990). A única exceção foi a bacia do Paraná, a qual apresentou um aumento de vazão de 11% no cenário A2-BR. A tendência de redução está intimamente associada a variações nos parâmetros considerados, especialmente da evaporação real, cujas projeções apontam para um aumento substancial nas cinco bacias presentes no Centro-Oeste.

Uma mudança no ciclo hidrológico e na temperatura seria de suma importância para a região Centro-Oeste, pois a alteração da fenologia das plantas (soja, arroz, milho, café) poderá acarretar perdas massivas na produção agrícola e na pecuária. Por essa razão a Embrapa tem desenvolvido pesquisas de zoneamento agroclimático para diversas culturas. Esses resultados poderão auxiliar produtores e o governo a criarem estratégias de adaptação, caso as áreas se tornem impróprias para a produção de numerosos tipos de grãos no futuro.

Nos modelos desenvolvidos pela Embrapa as temperaturas aumentarão entre 1 ºC e 5,8 ºC no Centro-Oeste com um período de estiagem mais seco e quente. Este deverá predominar na região com uma duração de 7 meses. Logo, as plantas deverão suportar temperaturas excessivamente acima de 32 graus nos períodos mais quentes do dia cessando processos de fotossíntese e alterando suas fases normais de crescimento. No estado do Goiás espera-se uma perda de 95% da área apta para produção do café do tipo arábica.

O Centro-oeste brasileiro é uma região cuja modelagem climática possui grande incerteza diante das projeções realizadas para outras regiões brasileiras, como a Amazônia e o Nordeste. De modo geral, os modelos concordam sobre uma tendência de aquecimento para o final do século XXI para a região, porém divergem quanto às tendências de precipitação.





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